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Gestos

Há gestos que falam e falas que são gestos. Admoestar entre o arrogante e o zombeteiro os consumidores que, nos aeroportos brasileiros, são esbofeteados por uma recorrente e criminosa mendacidade governamental, receitando um ‘relaxem e gozem’, tem a mesma fonte do gesto indicativo do ato sexual, o famoso ‘tampar e cobrir’ ou o ‘olha nós neles’, esmiuçado por Câmara Cascudo; o ‘top, top, top’ com o qual um assessor especial do presidente da República comemorou uma suposta prova de que os ‘nossos inimigos tomaram dentro’ porque, afinal de contas e pelas últimas notícias, a culpa do horrendo desastre que ceifou a vida de centenas de pessoas seria do comandante e não do governo. Como se a tragédia prevista, inclusive por mim, na minha crônica de 27 de junho, pudesse ser esgotada no salvacionismo que se abriga no governo Lula e no paradoxo de lucrar com o que dá certo (sobretudo com a tal ‘herança maldita’), esquecendo ou se escondendo do que dá errado.

Claudio

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