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Lembra daquela senhora que disse, já ocupante de um cargo público, que bater em branco pode?

Pois agora avançamos.

A simples notícia do lançamento de um livro sobre o tema, Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo, publicado pela editora Civilização Brasileira, fez com que seus organizadores começassem a sofrer ameaças. A obra traz 34 artigos que, no conjunto, questionam a racialização em curso no país. Atacam principalmente a idéia de que o preconceito racial é que define as desigualdades sociais. Imediatamente surgiram, na internet, textos que falam em guerra, sugerem ações organizadas no dia do lançamento do livro e chamam de “escravos” dois dos autores, que são negros e militantes do movimento, mas têm opinião própria. “Eu estou com medo”, diz a antropóloga da UFRJ Yvonne Maggie, que está entre os organizadores.
A discussão sobre as cotas vem gerando uma crescente exasperação. Em uma reportagem sobre o tema no jornal O Estado de S. Paulo, na semana passada, o antropólogo Júlio César de Tavares, militante do movimento negro, pregou a violência física. “Chega um momento em que o diálogo se esgota”, disse. “Acho que o racista na rua tem de apanhar.” Frases assim são ainda mais assustadoras quando encontram respaldo no governo. Em março deste ano, a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, puxou o coro da intolerância em entrevista à BBC: “Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco”, disse. Com manifestações desse tipo e ameaças cifradas, quem perde são todos os brasileiros. Sem distinção de cor.

Pois é. Engraçado isto. Eu também acho que racista tem que apanhar. Mas da lógica, não do meu esforço muscular. Se estas ameaças não forem simples publicidade ao livro, então é hora de pensar antes de, como sempre, correr com as políticas públicas porque o “povo tem pressa” (= “eu tenho pressa de maximizar o número de votos para me reeleger”).

Raça não existe. Mas racismo existe. Claro. E fascismo também. As ameaças, se verdadeiras, são um exemplo de que fascimo e socialismo e outros “ismos” ainda estão bem vivos e fortes entre alguns criminosos.

Entre a lógica do debate e a emoção, prevaleceu a tal “praxis” marxista, aquela que emociona e que é anti-neoliberal, né?

Claudio

Um comentário em “Lembra daquela senhora que disse, já ocupante de um cargo público, que bater em branco pode?

  1. Bom, eu realmente entendo que esses “ismos” são terríveis. Sei bem porque meu pai é norte-coreano.

    No meu post eu achei os exemplos irrelevantes principalmente porque esses “ismos” me pareciam distantes na hora que escrevi. Até porque não foi um texto pensado (talvez o Caplan tenha razão: emoções fazem mal para as idéias).

    Realmente grotescas as declarações dessas pessoas…

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