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Meu primeiro tesão em Economia foi… (e um pouco de lembranças)

Explicando…

Estas imagens vêm de meu antigo blog escrito antes do blog. Chamava-se “Cartas de Porto Alegre”. Esta, lembro-me, foi uma que escrevi com muita emoção porque me lembrava do início da minha jornada como economista.

Reproduzo-a aqui e já me desculpo com o leitor deste blog. O estilo era outro, os tempos eram outros e eu, decididamente, nunca fui um excelente escritor. Mesmo assim, segue o texto para, ao menos, explicar algo para os que começam a lecionar Economia agora.

I. Minha Primeira Experiência como Professor

Creio que todo ser humano é bizarro no sentido de que tem os sonhos mais estranhos. Vejam só, alguns gostam de levar pancadas enquanto transam (um amigo meu, certa vez, quebrou o nariz de uma destas no motel, creiam-me, é verdade…), outros querem ser políticos, outros ladrões menores e outros, enfim, querem ser professores universitários.

Minha primeira experiência como professor universitário data de 1992-3 quando fui contratado como professor substituto (chamávemos carinhosamente de “professor prostituto”) pelo departamento de Ciências Econômicas (sim, é “ciência” sim, por que? Vai encarar?) da UFMG.

Nunca vou me esquecer de quando, pela primeira vez, percebi que um título não é tudo. Ao saber que fôra contratado, um – também jovem, porém mestrando – colega me encontra no elevador:

– Fiquei sabendo que você foi contratado parabéns.

– Obrigado.

– Vai lecionar econometria? Cuidado para não virar neoclássico.

Passei algum tempo de minha vida pensando se os antigos carrascos das guilhotinhas francesas – fenomenal instrumento para se matar alguém, não? – poderiam ser classificados como de “direita” ou de “esquerda” por manejarem o instrumento. Depois, lendo mais sobre a Revolução Francesa, descobri que meu colega estava sendo meio tendencioso…

2. A primeira turma

Minha primeira turma, crueldade do chefe de departamento, foi uma de estatísticos para os quais eu teria de ensinar econometria…

É bem verdade que eu houvera sido, até recentemente, monitor de Econometria mas, dar aula disto para estatísticos?

3. Gauss-Markov

De qualquer forma, a turma era divertida e foi ao preparar aulas pela primeira vez em minha vida que me deparei com o incrível livro de Econometria de Henri Theil. Acho que a edição era de 1971 mas, puxa, aquele sim era um livro avançado.

Foi colocando no quadro o teorema que tive meu primeiro (e talvez único por um bom tempo…esquece…) orgasmo acadêmico. Sinto-me na obrigação de reproduzir o teorema tal como está no livro e com minhas observações. [imagens 1 e 2 acima]

É verdade caros amigos, aquilo, quando reproduzi no caderno, antes de lecionar, deu-me um tesão incrível. Jamais me esquecerei. Meus agradecimentos a Gauss e a Markov..foi um teorema incrível..que tal fumarmos um cigarrinho? Eu heim…

4. Da cola

Da turma guardo boas lembranças, inclusive da primeira vez que peguei “cola” de alunos. A Jussara e o Ítalo responderam ao meu trabalho (individual). Corrigindo em casa, não vi que havia corrigido um deles e que o outro estava embaixo do envelope. Almoçei, voltei e, ops, eis mais um para corrigir. Que droga…

Tudo bem. Ao ler a resposta senti que já havia visto algo similar antes. Pensei se não estava me repetindo, ficando velho, mas, pôxa, com 22 anos? Caduco? Bem, voltei aos outros trabalhos e encontrei uma resposta parecida, só que com algumas modificações. Era algo como:

Jussara:”os dados acima, da URSS, mostram um exagerado gasto militar devido à Guerra Fria com os USA…”

Ítalo: “…os dados da tabela acima, referentes à União Soviética, são prova de um gasto militar desproporcional, causado pela Guerra Fria com os EUA…”

Moral da história: contei o número de palavras comuns (pronomes, verbos, etc.) e tirei só um ponto dos dois. Em sala de aula sugeri que ambos deveriam se casar ou que deveriam ser gêmeos univitelinos separados no hospital. Bem, nem se casaram, nem eram gêmeos. E demos muitas risadas…Posteriormente iria à formatura dos dois…

Em 1994, começando meu mestrado na USP viria a conhecer o Augusto e o Aldy, ambos estatísticos formados pelo ICEX (que eu sempre, por algum motivo, pensava ser ISEXY) que me contaram a história de uma lenda de um professor de economia que, um dia, fizera uma tabela com os percentuais de palavras iguais e distintas de dois alunos da Estatística…

Quando contei que estavam falando com a lenda, ah…

5. Outras aulas antes do mestrado

Lecionei também para o curso de Administração com o qual infelizmente (eu mesmo já fui assim e hoje em dia só faço piadas) temos um fosso incrível. Foi com uma aluna muito inteligente que cometi minha primeira gafe em sala de aula (sabem, professor também erra…) o que me gerou grande constrangimento e, ao final do semestre, uma consulta ao médico…os alunos de economia deveriam conversar mais com seus colegas de administração. É certo que o curso deles tem problemas (na nossa opinião) mas o nosso não é perfeito, não é?

Eram duas turmas. Uma de manhã, outra à noite. Em ambas eu era amado e odiado por metade das pessoas. Sinceridade nem sempre faz bem…

Na turma de Introdução à Economia, em 1993, tive como melhores alunos um rapaz muito inteligente da Administração e uma igualmente inteligente menina da Biblioteconomia. Naquele tempo, como sempre, poucos professores não faziam panfletagem com alunos. Eu e o Márcio Salvato usávamos, apesar de tudo, o livro de introdução do Samuelson (Samuelson & Nordhaus)…

Mas, estas são outras histórias…para outra carta…

Abraços, gente!

Cláudio Djissey Shikida

05.02.2001

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Aulinha de Economia

O leitor Pedro me enviou este link. Comecei a ler e não resisti: tenho que citar alguns trechos:

UM SINTOMA da importância adquirida pelos economistas no Brasil de uns tempos para cá é a quantidade de colegas de profissão desempenhando cargos políticos, tanto no Executivo quanto no Legislativo. Meu lado corporativista poderia até celebrar, não fossem esses economistas-políticos (não todos, mas a maioria) capazes de abandonar tão prontamente os fundamentos da nossa ciência, se é que algum dia chegaram a dominá-los. Na verdade, manifestações recentes de figurões da categoria sugerem que os mesmos teriam certa dificuldade para serem aprovados no curso de economia monetária.

(…)

Ainda na categoria de político-economista, houve também quem classificasse de “ignorante” a diretoria do Banco Central, ao mesmo tempo em que cometia uma série de equívocos de corar um terceiranista da faculdade de economia. Não tenho espaço para comentar todos, mas, entre os mais gritantes, destaco os seguintes.
Esse economista, por exemplo, não acredita que os juros reais caíram, porque a inflação teria caído junto. Para chegar a essa conclusão, o ilustre político deflacionou a taxa de juros pela inflação passada em vez da inflação esperada, o que é errado, pois a inflação relevante para fins de determinação da demanda é a esperada. De fato, ao escolher entre aplicar dinheiro ou gastá-lo, as pessoas comparam consumir hoje com consumir amanhã. Sabendo a taxa de juros, sabem quanto dinheiro terão amanhã, mas não o poder de compra dessa moeda. Se acharem que os preços subirão mais rápido, gastam hoje; se mais devagar, amanhã. Caso errem a previsão de inflação, haverá conseqüências, mas a decisão de consumo ou poupança já foi tomada. Isto é básico, mas foi solenemente ignorado.
O mesmo político anotou o que considera uma ironia, que preços de exportação cresçam, mas a economia não se beneficie disso, supostamente por conta da política monetária. Essa afirmação sozinha contém dois erros. Primeiro, esquece que, num regime de câmbio flutuante, preços de exportação mais altos necessariamente apreciam o câmbio e, portanto, reduzem o impulso de demanda que vem das exportações (líquidas das importações), independentemente da política monetária.

Leia tudo que é uma lição de economia para dummies (tanto os que erram sem querer, quanto para os outros).

Claudio
p.s. estou rindo histericamente (sem viadagem, por favor) desde que li o texto. Nunca vi uma aula de Economia tão boa em tão pouco espaço (uma lauda, creio).

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É José Rainha um machista? Não.

Enquanto José Rainha namora o etanol, a organização multinacional Via Campesina coloca mulheres em manifestação…contra o etanol. Para quem não sabe, a Via Campesina é uma aliada de movimentos como o MST e afins.

Como eu disse antes neste mesmo blog, a nova aliança Bush-Lula está prestes a criar um importante marco na história brasileira (“nunca antes na história deste país” um presidente brasileiro assinou um acordo tão, aham, americanista) e a roleta da sociedade rent-seeking está prestes a atingir um ponto de maior aceleração.

Para os produtores antigos, há o perigo de nova concorrência: as usinas de etanol bancadas por militantes-empresários (cooperativados ou não) que, para combatê-los e conquistar mercados, estão dispostos até a transformar as comemorações do Dia da Mulher em motivo para manifestação. O CADE deveria fazer algo a respeito. Que eu saiba, políticas antitruste não permitem atos de invasão como estratégia de conquista de mercado.

Estou curioso para ver o desenvolvimento desta nova concorrência por políticas públicas entre pequenos assentamentos e usineiros, sem falar da possível união deles contra os malignos “norte-americanos” (ou “estadunidenses”).

E, não, leitor, José Rainha não deve ser machista. Pelo menos eu nunca li nada a respeito…

Claudio

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O incrível governo mineiro

Hoje fui buscar meu box de DVD’s do clássico japonês “É triste ser homem”, a série de filmes em cinema mais longa da história, segundo alguma das edições do Guiness’ Book.

Como sempre, sabia que pagaria uma taxa elevada (o correio é um monopólio, é fácil entender) mas não esperava chegar lá e descobrir que, sem qualquer aviso prévio eu: a) teria de pagar uma outra taxa no banco (que, por sorte, era perto da agência do correio) e correr de volta para a fila e b) esta taxa é um “imposto de importação” que apenas o governo de Minas Gerais cobra, segundo me informou a funcionária da agência.

Um incentivo e tanto para mim. Lamentavelmente, o mercado brasileiro não é nada vasto e desenvolvido (como berram os não-liberais, em suas fantasias psicotrópicas sobre uma suposta realidade “neoliberal-tupiniquim”) e não encontro este filme para comprar através de meus colegas empresários. Talvez seja a carga tributária elevada (embora o ministro Mantega pense diferente), mas, ei, agora eu tenho que pagar mais impostos em alguns casos.

A competição entre unidades federativas é esta. Pena que moro em Minas Gerais.

Claudio

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Como conseguir subsídios do governo sob o atual (des)cumprimento da lei (e das normas mínimas de boa educação)

Cerca de 100 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) invadiram nesta quarta-feira, 7, o saguão de entrada do prédio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no centro do Rio.

Os manifestantes, em sua maioria mulheres, protestam por investimentos nos assentamentos e na agricultura familiar. A ação faz parte da mobilização nacional pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado na quinta-feira, 8.

Ok, leitor. Eu sou homem e nipo-brasileiro. Convido todos os leitores homens e nipo-brasileiros a invadirem a sede do BNDES em comemoração ao dia da imigração japonesa (18 de junho). Fica aí o convite para os meus amigos afro-brasileiros, os sino-brasileiros, os coreano-brasileiros (e também os homossexuais, os bissexuais, os polissexuais, os judeus, os sírio-libaneses…e toda combinação possível).

Leve seu boné que o meu é propriedade privada.

Claudio

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Quarta-feira

Quarta-feira, meio de semana e alguns dias dormindo mal. Muitos alunos ainda não descobriram a utilidade deste blog e outros já conseguiram até encontrar temas de monografias.

Qual o saldo? Não sei.

De qualquer jeito, Angelo está bravo com a educação no Brasil. E, claro, picaretagem não ocorre só aqui. Especificamente, no caso do último link, tem-se algo patológico, creio, já que as críticas de Sokal não só não foram refutadas como não geraram uma única mudança curricular.

Ou seja: você pega o cara famosinho nos saraus filosóficos falando bobagem, mostra onde ela está, como ela ocorre, tudo na maior lisura científica. E prevalece o gosto ideológico (o livro de Sokal e Bricmont, o “Imposturas Intelectuais” está disponível na biblioteca do IBMEC-MG, para os interessados).

Definitivamente, estou cansado.

Claudio

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