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O fato de estar claro não quer dizer que seja bom (para certos políticos)

Aos que têm condições de pagar a Previdência, aplica-se a fiscalização, para tentar manter o crescimento real da arrecadação em 10% ao ano. Aos que não têm, o governo oferece a desoneração do Simples. Mas contabiliza como receita virtual da Previdência o que teoricamente poderia ter sido arrecadado se a desoneração não tivesse sido concedida. Quanto mais generosa a desoneração, mais empresas decidirão se formalizar, optando pelo Simples. E mais sólidas parecerão as contas da Previdência. Uma beleza.

Graças aos céus existe gente como o prof. Werneck na selva brasileira. Por isso dou-lhe muito valor. A blogosfera é abundante em análises bem ruinzinhas de economia…(com as notáveis exceções).

Se eu fosse você, consultaria a página do prof. Werneck sempre que possível. Afinal, nunca é tarde para voltar para o lado bom da força, como diria Darth Vader…

Claudio

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Bevilaqua sai

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, anunciou na noite desta quinta-feira a saída do diretor de Política Econômica do Banco Central, Afonso Bevilaqua. Segundo ele, Bevilaqua pediu para deixar o cargo por motivos pessoais. O afastamento ocorre a menos de uma semana da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reavalia a Selic, a taxa básica de juros da economia. Contudo, Meirelles disse que, “a princí[p]io”, o diretor participa da próxima reunião (…).

Quem é Bevilaqua? É este economista. Mas alguns heterodoxos acham que crítica à política monetária se faz com este nível de educação.

Aliás, Currículo Lattes é um bom lugar para se conhecer as pessoas (quando não publicam nada ou quando o preenchem de forma estranhamente incorreta…). O do Bevilaqua eu achei.

Claudio

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Ameaças ao bolivarianismo

Você, bolivariano de coração, deve guardar estes rostos.

São ameaças ao bolivarianismo (logo, ao socialismo) que é, como todos sabemos, o contraponto aos individualistas que se vendem por salários altos. Muito cuidado! Estas pessoas não usam as democráticas estratégias de seqüestros (pela revolução, viva!) ou invasões de propriedades privadas (pela revolução, viva!). São criminosos que noticiam fatos, divulgam informação.

Cuidado com eles.

Claudio
p.s. voltamos agora à nossa programação normal.

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Hipóteses sobre o Microcrédito

Eis a questão: em um “policy paper” recente do CATO Institute (já citado aqui), Thomas Richter faz alguns comentários interessantes sobre o microcrédito. Um ponto que ele destaca é o seguinte: sobre-estima-se o potencial empreendedor e se ignora o fato de que a maior parte da demanda dos pobres é para consumo.

Em outras palavras, uma política que visa elevar o poder multiplicador da atividade empresarial está sendo, na verdade, um potencial de aumentos (muito) marginais de consumo.

Eu mesmo já pensei em outro problema que este tipo de atividade pode ter, mas relacionado às instituições do país.

Recentemente, li uma dissertação de 2005, de Marcelo N. de Castro Monteiro, do programa de pós-graduação em administração da FEA-USP na qual o autor, logo na introdução, mostra que a própria definição de microcrédito, no Brasil, não é clara entre os autores: uns incluem o consumo como objetivo e outros só falam em investimento [Avaliação de Desempenho de Instituições Microfinanceiras no Brasil – Análise Comparativa, USP, 2005, p.16]. Embora o autor não explore este aspecto – o trabalho mostra outros problemas do microcrédito no Brasil – penso que é um ponto importante.

Creio que uma hipótese testável é a seguinte: países em que o microcrédito se direciona mais para o consumo do que para o investimento, ceteris paribus, crescem menos do que os outros países.

Outra hipótese, mas aí derivada de meu texto, é a de que: se o design institucional do país tem viés anti-mercado, o efeito do microcrédito, mesmo se voltado primordialmente para investimentos, pode ser arrefecido.

No caso da segunda hipótese, o ponto é que governos preferem criar sociedades de “rent-seekers”, e não sociedades de “free-marketers”. Assim, só faz sentido incentivar investimentos usando os recursos dos pagadores de impostos se isto aumentar a base de seus “súditos” (puxa-sacos, eleitores cativos, e similares).

Eis aí duas hipóteses de pesquisa que podem ser exploradas. Pré-requisitos: disposição do estudante de a) estudar, aprender e praticar econometria, b) fazer a pesquisa documental mapeando legislação de microcrédito na amostra específica e analisá-la sob a ótica da “Law & Economics”, em busca dos incentivos que os governos efetivamente colocam nas linhas (e entrelinhas) dos documentos oficiais, c) fazer a resenha da literatura de forma abrangente (a hipótese, por mais simples que seja, é ambiciosa, o país todo é a amostra ou então tem-se um painel de países, o que requer mais tempo investido na pesquisa), d) criar, baseado na literatura, indicadores de legislação pró e anti-mercados livres, e) explorar o painel de organizações que fornecem microcrédito para separar o quanto foi destinado a consumo e a investimento (note que não é um levantamento de dados trivial, mas exige, no mínimo, leitura de teses e dissertações que exploram o tema).

Há várias possíveis ramificações neste tipo de hipótese, mas esta fica para você. Lembre-se: se você resolveu seu problema de pesquisa com nossas idéias, não se esqueça de, com as boas normas da ABNT, citar este blog.

Claudio

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