Uncategorized

Segurança privada

Ok, ninguém gosta de máfias. Mas outro dia meu xará, em um daqueles momentos de inspiração (ele os tem em abundância), citou um caso parecido com este:

Moradores denunciaram a ação na favela de uma milícia (grupo paramilitar que expulsa o tráfico e cobra por proteção). Também suspeita-se da ação de paramilitares na Ilha. De acordo com a polícia, a Vila Juaniza foi invadida por um bando armado, chefiado por Marcelo Soares de Medeiros, o Marcelo PQD do Terceiro Comando.

Segundo a Polícia Civil, será apurada denúncia de moradores de que a invasão no local foi precedida por uma ocupação da favela, na madrugada de sábado, por uma milícia. O ataque aconteceu quando boa parte dos moradores acompanhava um show do cantor Elymar Santos. Moradores relataram que cem homens encapuzados formavam a milícia, que teria tido o apoio de um caveirão (veículo blindado da PM), para abrir caminho para o ataque.

É difícil entender sobre o que se está falando. Você denunciaria a existência de uma empresa de seguranças privados que “expulsa o tráfico (da sua vizinhança) e cobra por proteção”? Possivelmente não.

Mas não se trata de uma empresa legalizada que faz isto sob as regras, o que complica um pouco a análise. Também não se trata de perseguição política, como querem os sindicatos do crime.

Adam Smith, o mais liberal de todos nós, liberais, dizia que a segurança pública é um dever do Estado (não dizia? Corrija-me se estiver enganado, leitor). Há, claro, espaço para segurança privada e o brasileiro adota diversos mecanismos deste tipo (gasta-se com trancas, cercas eletrificadas, etc) sem nem pensar no custo de oportunidade terrível que existe (já que paga impostos e tem que pagar, novamente, pelo mesmo serviço que o Estado havia lhe prometido…).

A solução para isto, uma delas, já que estamos há mais de 20 anos falando a mesma coisa (“ausência do poder público no morro”, etc, etc, etc) poderia ser um incentivo para que estes grupos se legalizassem. Adicionalmente, eu pensaria em algum tipo de incentivo para que o tal “poder público” fizesse aquilo para o qual é financiado (opa, o imposto de renda vem aí…): fornecer a segurança.

Se eu fosse viajar na maionese, como dizem alguns, eu imaginaria um novo país surgindo das rebeliões das massas faveladas, com uma nova onda de emancipações num futuro distante. Mas, veja bem, isto é apenas uma viagem imensa…:)

Claudio
p.s. segurança privada é um excelente tema para estudos (veja, por exemplo, alguns textos do Byran Caplan sobre o tema…google it!)

Um comentário em “Segurança privada

  1. Xará, obrigado pela parte que me toca (ui!).

    Quando comparamos com empresas privadas de segurança a coisa soa mais forçada, mas é bom lembrar que muitas ruas da Zona Sul do Rio e da Barra possuem seguranças clandestinos mesmo. Ou seja, policiais à paisana que partrulham a rua ou estabelecimentos comerciais e mesmo neste caso, nunca vi ninguém reclamando (pelo menos não com a veemência com que reclamam das milícias).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s