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Itamaraty

Filisteu dá uma bronca bem dada.

Sobre aquela história dos diplomatas estrangeiros, nos EUA, não respeitarem as leis de trânsito, ele foi ao artigo original e, bem, vejam vocês mesmos.

O Brasil está em 29º colocado no ranking, sendo que cada diplomata brasileiro tinha, no período do estudo, em média, 29,9 multas de trânsito não-pagas. Um quarto das multas do diplomata médio do Chade ou do Sudão, mas em uma posição bem vergonhosa em um ranking de 146 países. Para se ter uma idéia da posição de nossos diplomatas em relação aos nossos vizinhos — termos de comparação mais justos do que os países africanos no topo do ranking — os chilenos (16,5 multas), paraguaios (13 multas) e venezuelanos (9,1 multas) são os únicos outros países sul-americanos na metade superior dos países infratores.

O que Filisteu me diz me faz ser crítico de certas interpretações da realidade brasileira:

Ressalvando certos órgãos que lograram incorporar um elevado sentido de missão e de profissionalidade – como, notadamente, nos casos do Itamaraty, dos ministérios militares, do BNDES e dos núcleos dirigentes da Fazenda e do Planejamento -, a atual eficiência do Estado brasileiro e seu nível de competência são várias vezes inferiores aos observáveis nos setores modernos da sociedade civil. [Hélio Jaguaribe, Alternativas para o Brasil, 1989, p60, José Olympio Editora]

O que incomoda é esta entidade “genérica” que não identifica as fontes de problemas. Como é que o Itamaraty (ou o BNDES ou qualquer outro nome de repartição citado acima) – e não o diplomata individual – possui um “sentido de missão e de profissionalidade”?

Este tipo de análise é incapaz de explicar o problema das multas de trânsito. O máximo de concessão que você poderia obter deste raciocínio seria o de que “a culpa é individual”, o que levaria à próxima questão: “então como é que o indivíduo não tem “senso de missão e profissionalismo”, mas a entidade sim?

Uma boa análise indicaria, primeiro, os incentivos que levam os diplomatas individuais a se alinharem ou não com algum objetivo comum traçado pela direção do Itamaraty. Exemplifico: no estudo do desempenho das firmas, dizemos que gerentes, empregados e acionistas têm, certamente, objetivos diferentes. Um quer maximizar seu emprego, outro seu salário e outro, sei lá, seu lucro. Basta juntar os três num galpão, dar-lhes um crachá com um mesmo símbolo, e dizer que são “parte de uma firma”? Não.

Uma forma de se fazê-los trabalharem como uma equipe é criar incentivos para que maximizem o valor da firma. Como fazer isto na prática, isto sim, é problema digno de se chamar de “reforma”. Quando não se atacam estes problemas, cai-se no discurso bonito, mas de conteúdo nem sempre operacionalizável.

Claudio

Um comentário em “Itamaraty

  1. Não quero me identificar, mas desejo relatar uma coisa: o Itamaraty está carcomido de intrigas internas. Há grupos que receberam muito poder de decisão e estão extrapolando as distâncias respeitosas um equilíbrio e que sempre houve na instituição.

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