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MMM (Mercados, Monopólios…e Morales)

I. Morales no mundo da Microeconomia

O ano de 2006 foi marcado, na América Latina, pela tentativa boliviana de ampliar seu poder de monopólio sobre o gás. Espere, leitor(a), eu disse monopólio? Então é hora dos economistas agirem.

Como um governo poderia reagir a um aumento de preços no gás, decretado pelo novo monopolista boliviano? A resposta está em vários livros-texto de Economia e meu mérito, se é que algum tenho neste caso, é refrescar a mente dos colegas.

O gráfico abaixo mostra a típica situação de monopólio, no qual a quantidade produzida de gás é Qm e o preço praticado é Pm. Morales decide quanto produzir através de um problema simples de maximização de lucros. Uma consequência algébrica elementar é que a receita marginal obtida na venda de mais uma unidade de gás deve ser idêntica ao custo marginal para esta mesma unidade. Em economês, RMg(Qm) = CMg(Qm). Em linguagem (algo) coloquial, esta igualdade nada mais é do que a condição de arbitragem dos mercados.

Mas um monopolista não tem de se submeter a um preço único. Pelo contrário, ele pode escolher o preço a partir da quantidade produzida na otimização de lucros. Assim, ele projeta a quantidade na curva de demanda, encontrando Pm, o preço a ser praticado.

Em resumo, para o leitor não-iniciado, Morales pratica Pm e vende Qm.

II. Adam Smith diria isto, creio

A situação, como se sabe, é muito desagradável. Isto é o que pensaria, creio, Adam Smith. Adam Smith, meu amigo imaginário (a outra é a Juliana Paes…), é, de fato, um sujeito preocupado com problemas de monopólio. Então ele propõe que se pague pelo gás apenas um “preço máximo” menor do que o proposto pelo monopólio.

Isto, claro, gera um excesso de demanda por gás. Smith diz: deixe que se formem filas (ou transforme a diferença em impostos). O preço menor induziria o monopolista a aumentar a quantidade produzida para Qn (e o imposto torna-se progressivamente desnecessário à medida em que a quantidade se aproxima deste nível). O gráfico abaixo ilustra o caso.

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Bacana, né? É como se a nova curva de demanda dele fosse todo o trecho horizontal do preço máximo até a curva de demanda. A partir daí, a demanda seria dada por ela própria.

O que eu fiz? Eu te dei pistas para se pensar numa solução mais sofisticada do problema boliviano atual. Como você já se cansou de ouvir, eu sou apenas um economista chato e que usa a abstração…digo, ciência, para analisar os fatos e procurar pensar sobre soluções (quando pertinentes).

III. Conclusão: claro que o mundo é mais complicado

Parece-me óbvio que o leitor entende a diferença entre abstração e realidade e também que percebe a utilidade do exercício. Basicamente, o que se mostrou é que um tabelamento altera a curva de demanda do monopolista. Como implementar este tabelamento é um problema diferente. Mas é possível pensar nos principais itens a serem analisados:

i. o governo deve ter capacidade para implementar uma política deste tipo: filas nunca são populares. Nem impostos.

ii. deve-se ter uma noção da tecnologia (e, portanto, da função custo) envolvida na produção de gás. Custos constantes, por exemplo, podem ser um problema.

iii. é difícil imaginar que políticos sigam o ideal de meu bom Adam Smith: os impostos criados podem não retroagir com o aumento da quantidade produzida pelo monopolista.

iv. tabelamentos são impopulares.

Certamente você poderá pensar em outros problemas. Mas veja que impedir a prática monopolista passa por algum mecanismo parecido com o que estou ilustrando. Deve-se tentar aproximar o comportamento do monopolista de algo mais parecido com o que ele teria sob um ambiente mais competitivo. Ironicamente, muita gente que é “contra os mercados” (por pura cegueira ideológica), adoraria ver os “incentivos” funcionando para nos tirar desta armadilha de Morales.

Bom, mas é isto. Se você achou interessante esta análise, continue com: (a) Teoria Microeconômica, vol.4 (de Mário H. Simonsen, 1969) ou (b) The Applied Theory of Price (de D. N. McCloskey, 1985).

Claudio

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The Economic Proof of the Compassionate Character of God

The God, in Western view, is full of compassion. Here is an economic explanation of this.

Let God be a monopolist. He is the only one who produces “Miracles” (M). To produce M, he has no cost. So, he has Total Cost (TC) such that TC = 0. Suppose the demand is P = a – bM, where a, b are positive parameters.

How a rational God acts? He maximizes his profit.

Max Profit = TR – TC.

This gives us: a – 2bM = 0, M* = a/2b. It’s easy to see that P* = a/2b. So we have P* = M* = a/2b. The optimum for the profit is: a(a/2b) – b[(a/2b)^2] = [a^2/(4b)].

Is this a maximum? We should have the d(RMg)/dM < d(CMg)/dM or -2b 0, as we’ve stated above.

You can also check that God chooses his price-quantity solution in the elastic range of the market demand curve for miracles.

Now for the compassion’s character of God: he never charged for his miracles. 🙂

Claudio

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Gays discriminam o restante da sociedade: uma lição de economia

Sou simpático à livre expressão das pessoas, gays ou não. Agora, esta notícia mostra um lado bem feio do movimento da moçada GLS. E me cheira a pirraça política da ala GLS filiada ao partido do atual ocupante da Granja do Torto.

O que eles querem? Fazer sua “Parada Gay”. Perfeito. Mas querem fazer isto na avenida Paulista. Até aí tudo bem, se o restante da população não quiser usar a via para outros fins. Não é difícil imaginar que ao menos uma pessoa queira usar a avenida hoje. Pense em uma mulher simpatizante do movimento GLS que esteja grávida e a Paulista seja a forma mais rápida de se chegar à maternidade. Pronto, ficou de fora.

Como este exemplo existem vários. E é por isto que todo estudante de economia (GLS ou não) aprende que uma estrada sem pedágio, mas congestionada é uma espécie de bem público chamado “bem de uso comum”. O exemplo “estrada sem pedágio congestionada” é do livro de introdução de Economia do Mankiw, nem meu é.

O que acontece neste caso? A av. Paulista é um bem rival e não-excludente. O que significa isto? Primeiro, se um bem é rival, meu uso do mesmo impede, simultaneamente, o seu uso. Se a Parada GLS ocupa a Paulista, a simpatizante grávida não pode usar, simultaneamente, a avenida. Mas não se paga para andar na Paulista, logo, a Paulista não possui a característica da “excludência”. Mesmo que eu pague impostos, não tenho de pagar uma taxa em alguma catraca instalada em pontos da avenida.

Isto quer dizer que se ninguém fizer nada, o passar dos anos trará desgaste ao asfalto da avenida (sem falar no barulho, nas pessoas que defecam e urinam em lugares inapropriados, etc) e ninguém pagará por isto. Feio, né?

Ok, a prefeitura sabe disto. E os legisladores também têm uma idéia do problema. Então criaram uma taxa que deve ser cobrada de passeatas como esta. Você pode até imaginar que os políticos criem taxas para se aproveitar das pessoas – algo razoável – mas neste caso, existe uma justificativa científica simples: a avenida é um bem de uso comum.

Gays, lésbicas, simpatizantes e não-simpatizantes que participem ou não da passeata têm, igualmente, o direito de usar a avenida. Agora, quando um evento como este ocorre, o congestionamento é, justamente, a conseqüência principal senão o próprio objetivo da Passeata.

E quando eles se recusam a pagar a taxa, estão fazendo com a sociedade algo que eles mesmos condenam: discriminam. Discriminam porque se acham no direito de privatizar uma avenida sem compensar os que não poderão usá-la no dia de hoje.

Mais do que qualquer outra coisa, a atitude é que é feia. Um pai economista provavelmente não teria problemas em explicar ao filho porque não se deve discriminar um gay ou uma lésbica. Mas seria muito mais difícil explicar porque eles devem ter privilégios e os heterossexuais não.

Faltou ao movimento GLS um pouco de respeito ao restante da sociedade. Certamente existem economistas gays e lésbicas. Eis uma boa chance de explicarem aos militantes de sua causa um pouco de economia.

Claudio

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