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Minha solidariedade aos familiares dos seres humanos mortos que foram esquecidos: os policiais

Reinaldo Azevedo me lembrou disto.

Não, não serei eu a atacar a política de diretos humanos para presos — ela deve valer para qualquer um. Em São Paulo, um estadista chamado Franco Montoro a impôs como diretriz a uma polícia que havia sido talhada para matar primeiro e perguntar depois, uma herança do período de arbítrio. Mas isso é muito diferente de impunidade, que é do que estamos tratando agora. A violência explode no Brasil porque o Estado não cumpre a sua parte e porque os governantes não têm o saudável senso de vergonha na cara. À pregação supostamente ética das origens sociais da violência corresponde uma política de acomodação com o crime organizado. Esse equilíbrio no terror é diligentemente vigiado por ONGs que se querem defensoras da paz.

É uma gente, como direi?, intelectualmente pornográfica. No dia seguinte ao massacre dos 111 no Carandiru, estavam nas ruas. E fizeram bem em protestar. Mas e agora, diante das dezenas de corpos de policiais? Onde estão? Faço de novo a pergunta que já fiz na edição anterior: cadê os padres de passeata? Mobilizaram-se contra o absurdo massacre dos 111 porque, afinal, a cultura democrátia e humanista não admite certos procedimentos ou porque se sentiam irresistivelmente atraídos pelo crime, vendo nele uma espécie de resistência à, sei lá, moral burguesa?

Pode-se até dizer que há violência do dois lados, mas isto só reforça o argumento: por que só tem filme denunciando um dos lados?

Leia todo o texto antes de criticar. Faz parte do bom exercício intelectual.

Claudio
p.s. há sociólogos e (s)ociólogos, diria Gaspari…

Um comentário em “Minha solidariedade aos familiares dos seres humanos mortos que foram esquecidos: os policiais

  1. Claudio, uma coisa que ninguem falou até agora. O principal ‘responsável’ pelos ataques foram os celulares, certo?
    O governo, sempre atento e esperto, foi lá e falou que temos que bloquar o sinal nos presídios (coisa que já foi anunciada antes).
    Um bloqueador de sinal pode ser encontrado por menos de dez mil reais. Até na Internet. O governo, sempre eficiente, bloqueou 10 presídios desde que falou que iria bloquear todos. Este anúncio foi feito, tenho quase certeza, alguns anos atrás, quando aconteceram aquelas rebeliões simultâneas nos presídios do estado de (advinha) SP.
    E o que o governo fala então?
    “Na tarde de ontem, entretanto, o próprio ministro Hélio Costa chegou a sinalizar que as empresas poderiam prestar esse “serviço público”, assumindo a responsabilidade pelo bloqueio dos sinais nos presídios.” (http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u121640.shtml)
    Incrível, mas o fato de existir comunicação entre presos através de celulares é culpa das operadoras. Seria porque são elas que possibilitam a existência das linhas, talvez?
    Ou seja, o governo fala mas não faz, o problema que não teria existido caso ele fizesse acontece, e ele põe a culpa e joga a conta na Claro, Oi, Telemig, etc…
    Acho que isso vale até um post.

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