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Pessoas respondem a incentivos?

I. Prelúdio

Esta saiu no “O Estado de São Paulo” de hoje. Infelizmente, o conteúdo não é livre. A matéria está na última página do caderno “Cidades” e diz respeito ao nano-nanico empresário brasileiro, aquele que busca viver de sua própria criatividade neste país de carga tributária gigantesca.

II. O exemplo em si, para si, por si, etc

Bem, o exemplo vem da era colonial. Segundo o historiador Milton Teixeira, quando a corte desembarcou no Rio de Janeiro “…em 1808, os nobres tinham o direito de confiscar as casas que fossem mais bonitas. ‘Os ricos simplesmente deixavam a obra pela metade para evitar que as casas fossem requisitadas'”.

Sem comentários, né? Mas veja o resto:

“…os portugueses logo aprenderam a lição. Quem perdia uma casa grande deveria ser indenizado com um cavalo. ‘A nobreza comprava os cavalos mais velhos, vagabundos. Daí veio o ditado: A cavalo dado não se olha os dentes'”.

Em outras palavras, o ditado popular tem origem numa reação dos apaniguados do governo à reação original dos brasileiros aos incentivos criados pelo governo imperial.

Pessoas respondem a incentivos? Sempre encontro um descrente que diz que não. Há mesmo quem diga que nós, economistas, temos o pensamento muito “linear”, e que pessoas não respondem a incentivos.

III. A crítica à crítica crítica idealista, não-científica, utópica, bobona e feia (como é fácil xingar em cientifiquês…)

Sempre me pergunto sobre o que qualquer estudante de matemática – ou de português – tem a dizer sobre a suposta superioridade de um pensamento “não-linear” sobre um pensamento “linear”. É engraçado ver como pessoas parecem imaginar que “cubos” são melhores que “quadrados”, ou que “mercúrio” é melhor que “carbono”. Simplesmente não faz o menor sentido.

Aliás, o mau uso de matemática por cientistas da área de humanas é um vício que foi desmascarado e bem criticado por Alan Sokal e Jean Bricmont, em “Imposturas Intelectuais”. Quando se critica um economista por seu (suposto) pensamento “linear”, o que se pretende é de uma ingenuidade notável. Quando o uso do conceito “linear” não tem pretensões matemáticas – o que normalmente é o caso – aí a coisa fica mais estranha e, convenhamos, pedante. Afinal, que raios significa dizer que um pensamento é “linear”? Que o sujeito deve atravessar a rua quando o sinal de pedestre está verde? Se sim, então este pensamento funciona muito bem: salva vidas.

IV. À guisa de conclusão

O resto, meu caro leitor e minha cara leitora, é papo furado.

Claudio

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