Humor

O mensalão do Allende

Você conhece Vasili Mitrokhin? Provavelmente não. Talvez seu professor de Relações Econômicas Internacionais Contemporâneas já tenha ouvido falar, mas uma busca no Google em português dá a impressão que a censura chinesa é aqui.

De qualquer forma, na Primeira Leitura deste mês, você pode ler o artigo do boliviano Hugo Estenssoro sobre o refugiado soviético que mostrou ao mundo que, para desespero da Esquerda (anaeróbica ou não), o ouro de Moscou realmente existiu e foi o mensalão de muita gente, inclusive na América Latina. Por exemplo, Allende, o diplomata brasileiro de codinome IZOT (será que ele se entrega um dia?), Isabelita Perón, dentre outros, foram alegres recebedores do salário soviético.

Um trecho interessante (para quem não gosta de argentinos 🙂 ):

Ora, o peronismo era um nacionalismo de origem fascista, às vezes combatido pela esquerda a mundial, mas, entre antiimperialistas, não se guardam rancores. Prova da tolerância fraternal das esquerdas é que, quando o peronismo caiu, em 1976, a pátria do antiimperialismo inicialmente não condenou a ditadura do general Videla, chegando a vetar nas Nações Unidas a proposta imperialista dos EUA de condenar as violações dos direitos humanos na Argentina. A ditadura militar foi igualmente fidalga: em 1980 a União Soviética comprou 80% das exportações argentinas de grãos.

Haja vontade comer pão argentino! Não é à toa que as regressões de teste de hipóteses de comércio internacional dão tanta polêmica! Afinal, se a ex-URSS usava estes critérios em suas trocas econômicas, ou eles eram malucos (é fato, dada a lógica econômica socialista) ou tentavam sabotar as regressões de econometristas futuros, já que econometria era (e é, em uma certa faculdade que conheço) vista como “instrumento de dominação burguesa”.

Quer saber mais sobre o ouro de Moscou? Leia o livro de Christopher Andrew e Vasili Mitrokhin.

Claudio

5 comentários em “O mensalão do Allende

  1. Cara, tou duvindando dese numero de 80%. Po, 80% é dos graos argentinos é demais. E como , até onde me lembro, nao houve boicote a argentina, o numero fica esquisito mesmo.

  2. AInda nao pude checar o numero, mas olha aqui a explicao em um texto da Foreing Affairs.
    O que aconteceu em 80 foi uma boicote norte americano à exportacao para a URSS (em resposta a invasao do afeganistao). Isso fez com que Canadá, Australia e todos os outros tomassem o lugar dos EUA.
    Entao, o sujeito forçou a barra. Os russos só passarm a comprar da argentina pq – em 1980 – os americanos pararam de vender.

  3. Ok para o boicote. Mas daí a sobrar 80% para um país só? É, pode ser. Ninguém disse que o soviético não erra nunca. Agora, mensalão para o Allende houve. E agora?

  4. É, pode ser, mas eu já acho o autor mal intencionado. Pq se vc pegasse o ano de 1979, antes do boicote, os EUA seriam os maiores fornecedores de graos para os russos. E isso nao quer dizer absolutmaente nada.
    Mensalao para o Allende? Pode ser. Se eu me lembro bem do que li no Confesso que vivi (do Neruda), o pro-sovietico mesmo era o segundo ou terceiro colocado na eleiçao, que era do partido comunista.
    Eu acho que dá para criticar o Allende sem me preocupar com isso do mensalao. Da mesma forma, que posso criticar o Pinochet sem fazer referencia ao apoio da CIA.
    (caramba, escrevendo isso eu vejo como eram ruins os anos 70)

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