Tecnologia

Tecnologia e universidades

Isto é interessante. Clique no link para ler o texto completo. Aqui vai a citação:

Lower the cost of not attending class and expect fewer students to attend.

By visiting the course’s websites, the 200 enrolled students could download audio recordings or watch digital videos of the lectures, as well as read the instructor’s detailed lecture notes and participate in online discussions.

But there was one big problem: So many of the undergraduates relied on the technology that, at times, only 20 or so actually showed up for class.

Claudio

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história econômica

Somos todos chineses (resistance is futile)

Quando eu estive na UCLA, um dos livros sobre colonização contava a história do chinês que, com um navio dez vezes maior do que os portugueses, teria chegado à costa oriental da África.

Sempre imaginei que os africanos perderam, ali, a melhor chance de ganhar uma grana construindo docas para navios-audi chineses e algumas menores para os fuscas-portugueses…

De qualquer forma, nestes dias, o SSoB retomou o tema. Outros links são este e este.

Claudio

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MEC e a Regulação de Tudo

Volto ao tema citado em outro post: MEC. Vejamos um trecho:

O Ministério da Educação (MEC) quer que os conselhos profissionais passem a opinar sobre a renovação de reconhecimento dos cursos de graduação. A idéia é que entidades como o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e o Conselho Federal de Administração informem ao governo dados sobre o exercício profissional de quem se formou.

Assim, ao decidir se renova ou não o reconhecimento de cada curso, o MEC levaria em conta não só a qualidade do ensino, mas o desempenho dos profissionais já formados. O parecer dos conselhos seria meramente opinativo, sem poder de veto.

(…)

Nos cursos de medicina, por exemplo, o ministério poderá analisar estatísticas de erros médicos que mostrem em quais faculdades se formaram esses profissionais. Nos cursos de direito, o resultado do exame de ordem, teste aplicado pela OAB para permitir que um bacharel em direito possa advogar. Outra possibilidade seria analisar o comportamento profissional dos professores de cada curso.

— É preciso deixar claro que os conselhos profissionais não vão dar a última palavra, porque o foco deles não é educação e sim exercício profissional. Mas suas informações ajudarão o MEC a formar um juízo sobre os cursos — diz o ministro Fernando Haddad.

Primeiramente, quem são os grupos de interesse envolvidos? Profissionais desorganizados, o governo (cuja base eleitoral é, sim, fortemente sindical) e os conselhos profissionais (que são uma espécie de sindicatos, criados pelo falecido pai dos pobres, Getúlio Vargas). Não é à toa que o ministro é tão educado ao lembrar que quem tem a última palavra são os conselhos. Então já sabemos: governo e alguns grupos de interesse já se uniram.

Em segundo lugar, que raios de poder é este que o MEC demanda? Um economista de um estado no qual o conselho seja predominantemente dominado por gente que é, digamos, “de esquerda”, será julgado por sua prática profissional segundo que critério? Se falou mal dos empresários? Ou, no caso de os membros do conselho serem predominantemente econometristas, será julgado se previu, com a menor margem de erro, a taxa de juros do COPOM? (para pensar: há algum conselho ou sindicato de economistas comandado por especialistas em econometria?)

Mais ainda: e se um economista perder a vaga de emprego porque não teve a qualificação adequada (suponha que seja sua base estatística/econométrica)? Poderá ele processar sua faculdade porque não lhe deu a qualificação? E se os membros do Conselho estadual forem todos da corrente “não produzimos nada porque não sabemos econometria…e portanto ganhamos a vida fazendo politicagem aqui”? O MEC será neutro e poderoso para julgar isto? Para o leitor que não gosta de Econometria, pense no caso oposto.

E as famosas brigas ideológicas entre facções que destroem departamentos de economia Brasil afora? O MEC assumirá que isto não existe? Já vi gente pregar o fim das avaliações, no doutorado, de Microeconomia e Macroeconomia só porque o aluno faria tese em História Econômica. Ou seja, deve ter se esquecido do “Econômica” do “História Econômica”.

Ou seja, muito espertinho o povo das Humanas (o ministro, creio, não é engenheiro, nem médico): não curtem estatísticas, dizem estudar fenômenos “tão complexos que não podem ser avaliados com estatísticas apenas” e querem analisar estatísticas de erros médicos para julgar o desempenho dos antigos colegas de colégio que optaram por uma outra profissão.

E, claro, tudo isto é proposto no ano das eleições, 2006.

Claudio

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Pilosidade

Não, não vou falar de pilosidade pubiana (ver post abaixo). Agora é a facial mesmo. Nas minhas longas viagens semanais de ônibus, por vezes eu encontrava com o Prof. Adhemar, da História. Num desses papos, ele me contou que viu um foto de Getúlio Vargas usando bigodes. A conversa evoluiu para o assunto da evolução histórica da pilosidade. Os quadros e fotos dos políticos brasileiros no século XIX mostram que eles tinham algum tipo de barda ou bigode. Todo sujeito de respeito usava barba.
A partir do final dos anos 20, a pilosidade despencou. Olhem as fotos dos presidentes brazucas. Qual a razão disso? Aí vão os suspeitos:
– Inovação tecnológica: foi nesse período que as lâminas de barbear descartáveis se disseminaram. A I Guerra pode ter levado a moda dos EUA para a Europa e, em seguida, para o Brasil.
– Aumento de renda e/ou preço do trabalho. O desenvolvimento econômico torna relativamente caro ir à barbearia, quer porque o tempo do cliente ficou mais precioso, quer por doença de custos.
De qualquer forma, é interessante pensar na reação ao primeiro sujeito que chegou ao senado sem barba. Lamentavelmente, a viagem chegou ao fim antes que pudéssemos preparar o projeto de pesquisa para o CNPq. 🙂
Sugestões adicionais?

Leo

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Humor

Economia para Leigos – outra lição

Vejamos o início da reportagem:

Carne vermelha, leite integral, churrasco, linguiça, salsichas, queijos defumados e outros alimentos presentes na mesa do brasileiro estão na mira de médicos oncologistas.

É cada vez mais certa a relação do consumo prolongado e em grandes quantidades desses produtos com o aparecimento de células cancerígenas. Atualmente, em todo o país, os hábitos alimentares inadequados são apontados como o principal fator de risco para o câncer.

Ou seja, ou você não come mais nada, ou começa a pensar como economista. O(a) jornalista passa a idéia de que você vive num mundo perigoso (e vive mesmo). O problema é que este mundo perigoso é um mundo cheio de probabilidades e possibilidades.

Por exemplo, bastaria lembrar que existe troca de consumo intertemporal ao longo da vida. Assim como tomo dinheiro emprestado hoje, para pagar amanhã; também posso comer menos carne vermelha hoje para comer mais amanhã, quando já estiver comprovado que morrerei em, digamos, poucas horas.

A possibilidade de ter a carne vermelha em minha mesa quando a probabilidade de eu morrer já se confirmou mostra que o problema é mais interessante do que o mundo preto-e-branco pintado na reportagem.

Em outras palavras, hábitos alimentares são como bens econômicos: há um custo de oportunidade entre consumir um menu “A” e um menu “B”. Se você valoriza seus próximos (prováveis) dois anos de vida em relação ao seu status quo atual em termos de evidências cancerígenas, então vale a pena trocar (ou não?) de hábitos. É mais ou menos o que um médico tenta mostrar a você e é, também, o que todos nós fazemos sozinhos.

Isto sem falar que a tecnologia pode avançar mudando todos estes resultados “assustadores” da reportagem. Portanto, leitor com tendências hipocondríacas, não se preocupe. O mundo não acaba amanhã, eu acho. 🙂

Claudio

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Humor

Um outro mundo é possível…e já tem até candidatos

I. O “wishful thinking”

Quando o programa de Chavez vai ao ar, não tem como não deixar de rir. Ainda mais que seu amigo anda mostrando que outro mundo é possível. Um no qual a grana conta muito no bolso de uns às custas de outros. E dizem que ideologia não importa.

II. Exemplos da realidade brasileira

Bom, agora que você já viu o quão inteligente pode ser quem te governa, vejamos o mercado em ação, novamente. A concorrência levou as farmácias do Rio de Janeiro a baratearem seus preços. Explico:

Na guerra das farmácias, uma nova arma: as centrais com serviço de entrega. Que, por atenderem ao cliente pelo telefone, fazem com que uma drogaria não dispute mercado apenas com sua vizinha, mas com um número cada vez maior de redes. E esse mercado competitivo já tem reflexos no bolso. Em pesquisa feita pelo GLOBO sobre 12 medicamentos, em nove farmácias, nove deles saíram mais em conta nas drogarias com televendas. Para se ter idéia, há casos em que a variação de preços chegou a 76,1%. Especialistas lembram, no entanto, que fazer pesquisas de preços é ferramenta fundamental para garantir uma boa compra.

III. Juntando I com II

Deve ser difícil para alguns admitir isto: concorrência (essência do capitalismo) pode baratear o preço de remédios. Como é complicada a vida do discurso político contra sua inimiga: a realidade.

Uma luta terrível em que muitos talentos serão perdidos! E, ironicamente, acho que não tem remédio. Quanto mais apanham, mais querem colocar debaixo de seu poder regulatório, ainda que não faça sentido algum. É fácil entender porque a dobradinha INCRA/Ministério da Reforma Agrária não propõe algo similar para os assentados: eles são donos da bola (da vez), pelo menos até as eleições.

O melhor do Brasil é o latveriano.

Claudio

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