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Sharon e o mundo árabe (off-topic, mas vale a leitura)

Interessante artigo, este, da egípcia Mona Eltahawy.

Trechos:

If hatred for Sharon was based solely on the number of Arabs he has killed, then he would probably lose out to those responsible for the thousands killed in the fighting of Black September and the thousands more killed in Hama.

And when it comes to the massacres at Sabra and Shatila, with which Sharon’s name is synonymous, it is important to remember that an Israeli state inquiry in 1983 found Sharon, then defense minister, indirectly responsible for the killings of hundreds of men, women and children at the refugee camps during Israel’s 1982 invasion of Lebanon. An Arab inquiry has yet to hold directly responsible members of the Lebanese militias who actually slaughtered those men, women and children with their guns and knives.

(…)

Sharon is the better and improved mirror image of an Arab leader because we have held what he does to us in much higher regard than anything we have done to each other.

Furthermore, Sharon is the typical military-man-turned-politician that so many Arab leaders are. But unlike so many of these military men whose paths to power in the Arab world have been paved with forged elections, Sharon was actually democratically elected.

Interessante comparação.

Claudio

6 comentários em “Sharon e o mundo árabe (off-topic, mas vale a leitura)

  1. no último parágrafo, substitua Sharon por Hitler e vc vai ver que dá na mesma 😉

    nada contra o sharon, mas nada a favor tb 😉

  2. Mas sua comparação não diz nada. Eu poderia substituir até por Hugo Chavez, não teria problema.

    O comentário da moça, a meu ver, é válido. O que ela diz, em essência, é que Sharon é parecido com os líderes árabes só que: (i) foi eleito (não reclame, é fato) e (ii) seus atos podem ser julgados enquanto que no restante da região o pessoal não julga os crimes do Hamas e companhia.

    Nisto ela está certa. Nada contra Sharon, mas não vamos ser injustos. Israel ainda é a única democracia da região. Pelo menos até que o Líbano se recupere dos anos de ocupação síria e o Iraque escape dos amigos de Saddam, fique livre dos EUA e, mais ainda, não caia na área de influência da ditadura síria (que é governada pelo….partido Baath!!).

    Baath, o mesmo do Saddam. Incrível como já exportam isto. Queria ver se alguém fundasse um partido republicano no Brasil ou um PSDB nos EUA….he he he

  3. a minha comparação diz algo, ao contrário do que vc diz. ela quis mostrar que sharon é mais legítimo pq “os militares do mundo árabe chegam ao poder através de eleições forjadas”

    eu demonstrei que o Hitler chegou ao poder sem eleições forjadas (ainda que ele tenha subornado, ou feito alianças de formas escusas, mas isso é permitido nas democracias que defendemos), portanto, pelo menos neste aspecto, isso não faz do Sharon um líder muito melhor que os citados líderes árabes, já que mais importante do que como um sujeito chega ao poder, é o que ele faz com o poder que lhe foi dado.

    ainda, um líder que faz atrocidades num estado democrático, ao meu ver, joga a responsablidade de seus atos à população que o elegeu, e isso é um dos argumentos dos terroristas ao atacarem civis.

    e aí? qual criminoso é pior? o eleito ou o imposto?

  4. Não, sua comparação não diz nada no sentido de ser inútil. Ela mostra apenas que você tem uma visão sobre presidentes. Ela deixa claro que você segue Condolezza Rice quando ela diz que democracia não só eleição. Aparentemente, você acha que há atrocidades na vida de Sharon. Seu argumento ficaria melhor se você colocasse o falecido Arafat no meio. Onde estava o parlamento aprovando atos de um ou de outro? Faltam algumas lições de relações internacionais aqui. Sim, se você acha que toda agressão é injustificável, aí morreu o assunto. Se acha que auto-defesa é importante, pode ficar criticando o governo (o que o torna, curiosamente, um libertário) por não estar consultando cada morador do país para toda decisão que tomar ou pelo menos as relativas às guerras. Rossevelt demoraria mais para ajudar os franceses (ou talvez nem entrasse em guerra) neste caso.

    A tentativa de dar uma lição de moral não é boa. Veja, você quer forçar a comparação entre eleitos e não-eleitos dizendo: “ah, se foi eleito é melhor?”. Fica parecendo que você, implicitamente, joga no lixo a democracia tanto quanto o cara que é eleito e declara guerra. Se eu respondo, não, não há diferença, você é obrigado a dizer que eleições não fazem diferença para as guerras. Das duas uma: ou prefere ditaduras, ou acha que tem critérios a serem seguidos. Ou seja, voltamos a Sharon, general do país invadido na década dos 70 e que virou uma guerra contra, praticamente, toda a região, em sete dias.

    Voltemos ao mundo real – vamos sair do mundo ideal – e observar um pouco. Se um Chávez declara guerra e tem apoio de um parlamento, ele é mais legítimo do que um Bush que declara guerra com apoio do parlamento? Não, ele é tão legítimo quanto. Novamente, questão de grau, algo que sua resposta continua devendo.

    Se você quiser uma gradação, eu diria que observando a liberdade de imprensa, os norte-americanos vivem melhor (não confunda com Nirvana, lembre-se, estamos no mundo real) do que os venezuelanos. É um critério, liberdade de imprensa.

    A última frase do seu comentário: “e aí? qual criminoso é pior? o eleito ou o imposto?” ilustra bem o que eu disse no início do post. Lula é um criminoso? Ele não fez guerra, só mentiu e – não há provas (mas Maluf também é inocente) – roubou.

    Isto, para você é um crime? Ou o parlamento – cheio de ladrões – que recusa o pedido de entrar em guerra de um presidente é que é criminoso?

    Retórica bonita, mas ainda acho que o artigo da egípcia tem bons argumentos.

  5. acho que vc fez uma confusão danada aí…

    1) eu acho qualquer agressão injustificável, entenda-se por agressão o ataque gratuito e não a retaliação

    2) eu acho a retaliação justificável, porém uma péssima idéia. Eu realmente acredito na máxima do “violência gera violência” e acredito na utopia que a civilização pode evoluir um dia a ponto de reduzir substancialmente a violência

    3) independente de como um governante chega ao poder, crimes são crimes. Uma sociedade com mais mecanismos de controle sobre seu governo é mais responsável pelos atos de seu governo.

    4) democracia não é só eleição, certamente

    5) sempre tem um cara pior, e isso não vale como argumento. eu não falei que o sharon é pior ou melhor que o hitler, eu falei que as condições que colocaram ambos no poder foram semelhantes, portanto eleições não garantem um bom governante, pelo menos do ponto de vista humanista da coisa.

    6) A gente pode até tentar fazer um ranking dos piores governantes, e temos muitos deles, mas não vai servir pro ponto que eu quero discutir que é: o fato de existirem 1000 governantes piores que o sharon não quer dizer que os crimes dele não são puníveis ou passíveis de crítica.

    7) no fim das contas, a egípcia tenta defender um ponto de vista em que “os árabes odeiam sharon não pq ele matou milhares, mas pq ele reflete os líderes árabes que nos governam há décadas” e ainda que “se o número de mortos fosse o que importasse, ele perderia para o Hama”, o que é completamente equivocado. É a lógica do “sempre tem um pior”, e é o que eu estou falando aqui. Ter sempre um pior não é argumento. Quem teve os amigos e parentes mortos pelo Sharon não vai odiar o Hama pq o Hama matou mais. O ódio se perpetua por causa da guerra que se mantém por décadas, e o Sharon, entre coisas certas e erradas, conseguiu manter a guerra e meter um muro ridículo.

    certamente o sharon não é o único responsável, mas convenhamos, o mundo já viu outros conflitos antes, pq nem todos eles duram décadas? O que termina os conflitos? O que os mantém?

  6. gostei muito das suas ponderações, principalmente as perguntas finais embora ache que confusão não ocorreu.

    Agora, não acho que você pense da maneira como escreve em algumas vezes (ou posso estar me confundindo). Você diz que a existência do pior não é justificativa para o menos pior, embora possamos dizer que a computação vive bastante disto.

    Como você não qualificou a generalidade do argumento, dá margem a esta interpretação.

    voltando ao ponto mais interessante: por que conflitos acabam? Certamente não é porque Sharon ou Arafat querem, embora isto ajude. A motivação é racional. Simplisticamente (isto é um anglicismo, creio), quando as pessoas percebem que o comércio pode gerar mais ganhos e menos custos do que a guerra, entao a guerra termina. Este ponto pode ser generalizado, mas , claro, não caberia nesta caixinha. Don Wittman, há anos, publicou um artigo clássico (How a war ends ou algo assim) que voltarei a ler graças a sua ponderação final.

    abraços

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