Economia Internacional

Mundão…

O site Arts & Letters Daily é uma das minhas visitas obrigatórias. Hoje, eles listam duas matérias: uma sobre a Finlândia e a outra sobre a Coréia do Norte.
Sei que meu coautor do blog não concorda, mas a Finlândia me serve como um exemplo de que a espécie humana pode dar certo. Na minha cabeça, bastava uma pouco mais de sol e – pronto- o paraíso teria sido alcançado para os seus 5 milhões de habitantes.
Já a Corea do Norte é o inferno. 20 milhões de pessoas (não) comem o pão que o Kim Il Sung amassou. O engraçado é que ele não me parece um monstro. Parece um ser humano: egoísta, manipulador, tarado, vaidoso e mentiroso. Um fdp como qualquer um de nós, capaz de matar milhões apenas por teimosia ou capricho.

A propósito, um bom final de semana para vocês…
Leo

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Economia Brasileira

Quem dizia, na era de Jango, que a inflação deveria ser combatida com controle de gastos públicos?

Opções:

1. Antônio Delfim Netto
2. Roberto Campos
3. Eugênio Gudin
4. Celso Furtado

Pode até ser que a você ache mais de uma resposta, mas uma delas está na continuação deste post.

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Retórica e Economia

Aprendendo na discussão – I

Porque quando você acha que sabe tudo, vem alguém com uma pergunta inteligente:

É comum ouvir-se a argumentação de que se não fosse o Estado não teríamos acesso a uma série de serviços. Diante da incapacidade o setor privado de levantar recursos, em montante compatível com o vulto de determinados empreendimentos, a solução estava em mãos estatais. Ora, não seria isso parecido com a defesa da escravidão? Quantos historiadores têm dito que sem o negro não haveria Brasil? [José Júlio Senna, “Os Parceiros do Rei”, p.177]

Qual o erro da argumentação que Senna aponta?

Claudio
p.s. impressionante a sincronia minha com o Leo nos dois posts anteriores. Tanto em hora, quanto em tema.

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História do Pensamento Econômico

O problema do intelectual latino-americano, especificamente do brasileiro

Bastante esclarecedor este trecho:

“No levantamento, realizado por Charles Hale, do pensamento social e político latino-americano no meio do século que findou em 1930, apenas um intelectual, dentre os cerca de noventa citados, possuía doutorado, o mexicano Manuel Gamio. Esse fato pode servir como explicação alternativa para a fragilidade da tradição de pesquisa, em contraposição à teorização abstrata e à indiferença para com a coleta sistemática de dados, tão característica do estilo pensador“. [Joseph Love, A construção do terceiro mundo, Ed. Paz e Terra, 1998 p.352].

A referência do autor, eu a devo à Gustavo Franco, em seu excelente “O Desafio Brasileiro”, citado em um dos posts anteriores.

O que é realmente muito bom neste trecho é que esta é o tal pensador de que fala Love é muito comum nos debates atuais. Isto foi tema de uma conversa entre eu e outros alunos da pós-graduação do PPGE-UFRGS com o filósofo Alberto Oliva, da UFRJ. Ele dizia algo similar ao pensamento de Love. Era mais ou menos assim: se a ciência brasileira fosse tão positivista, como alguns dizem, deveríamos ter mais dados coletados de forma sistemática do que os que podemos encontrar, por exemplo, nos EUA. E não é verdade que no Brasil seja tal como nos EUA. Mudou muito desde 1930? Mudou, tem IBGE e tal. Mas a conversa com Oliva foi em 2000 ou 2001. Logo, há indícios de que ainda estamos muito dependentes dos “bacharéis” ou, alternativamente, dos pensadores.

Outro ponto que o parágrafo acima traz à discussão é o seguinte: economistas sérios não podem prescindir do estudo dos dados, sob a ótica teórica. Não devem se deixar levar pelo que Gustavo Franco chama de parnasianismo. Ele tem razão. O leitor que acompanhou a entrevista do André Carraro, aí embaixo, sabe do que estou falando. E não estou falando novidade.

O mais interessante do livro de Love (ainda começando a ler) é a citação dele de Manoilescu, um romeno pouco conhecido – creia-me! – dos historiadores do pensamento econômico nacional. Não se trata de um grande teórico (ou um sujeito consistente em suas visões), mas é um autor que ajuda a explicar muito de nossas raízes intelectuais no campo econômico. Pessoalmente, prefiro Mircea Buescu.

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