Economia Brasileira

Frases que a gente guarda para reler depois


Fonte: UCLA
p.s. Eu assisti esta palestra… 🙂

“Os caminhos do Brasil não serão descobertos em Feuerbach ou Stuart Mill, ou nos Grundrisse, mas em respostas muito objetivas a questões práticas que poluem o nosso dia-a-dia”. [Gustavo H.B. Franco, Os Parnasianos Alternativos in “O Desafio Brasileiro”, p.208]

Continue lendo “Frases que a gente guarda para reler depois”

Desenvolvimento econômico

Além do microcrédito

Esta semana tivemos o encontro do G-8. Uma das preocupações que sempre expressam – tanto opositores quanto participantes do encontro – é a pobreza. Mas pobreza mesmo, aquela em que um país está todo na miséria, um país no qual nem cueca para depositar dólares o pessoal tem. Ou seja, falamos de África. Segundo o editorialista do The Age (você deve se registrar para ler todo o artigo):

Africa remains the global epicentre of poverty. The bottom line is that half of all Africans live on less than $US1 ($A1.30) a day. Casting back over almost 50 years of the continent’s sorry post-colonial history, it is not hard to see some of the reasons why: wars and upheaval, famine and disease, mad Marxist-Leninist experiments in economic planning, and the fraud of billions of Africa’s riches dispatched to Swiss bank accounts.

Neste sentido, é interessante chamar a atenção para algo que passou despercebido na imprensa nacional (mas que foi destacado pelo pessoal do Globalization Institute): a notícia da criação de um fundo para empresários africanos.

Em resumo, a Shell Foundation e a GroFin Capital (uma empresa africana baseada na África do Sul), lançaram um fundo de US$ 100 milhões em 01 de julho último, para que empresários africanos possam expandir seus negócios.

O que é interessante no fundo? Provavelmente o fato de que ele deve ter um alcance maior do que o microcrédito na erradicação da pobreza. Na minha visão, trata-se de um complemento interessante às outras políticas tradicionais de combate à pobreza.

Aliás, você sabia que o exemplo um dos mais antigos exemplos de aplicações de políticas de microcrédito é aquele arquipélago complicado, as Filipinas?

Daley & Sautet, os autores de um estudo sobre o impacto de políticas de microcrédito nas Filipinas chamam a atenção para o fato de que políticas de microcrédito não têm efeitos significativos se o país não cuida de suas instituições e, claro, a pergunta do leitor será: o que são instituições?

Sem entrar muito em detalhes, instituições envolvem regras formais e informais que as pessoas usam para viver em sociedade. Ou seja, estamos falando de respeito aos direitos de propriedade, à corrupção que normalmente surge quando alguns desejam realocar estes direitos, à liberdade econômica, etc (consulte tambem este link).

Aliás, os autores chegam a dizer que o microcrédito só tem sido viável nas Filipinas – e mesmo assim de forma bem menos satisfatória do que o proposto inicialmente – por causa de suas instituições fracas. Ou seja, com um pouco de qualidade institucional, você potencializa bastante o efeito do microcrédito.

Finalmente, microcrédito não é panacéia, leitor. Você pode, sim, ensinar alguém a pescar e lhe emprestar dinheiro para comprar a vara, o anzol, a isca e o balde. Mas, depois da pescaria, ele ainda terá de pagar impostos, submeter-se a fiscais de saúde pública corruptos (se as instituições forem fracas), transportar seu peixe até o mercado, etc.

Esta é a ligação entre instituições e empreendedorismo: submeta o espírito empreendedor a instituições ruins e você verá o crescimento de uma sociedade onde a ênfase estará no uso do Estado para redistribuição dos recursos (normalmente dos que possuem menor poder de defesa para os outros)… com ou sem microcrédito.

Continue lendo “Além do microcrédito”