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Tem gente que acha que o importante é o número de funcionários públicos por quilômetro quadrado

Under the emperor Diocletian (just as under the emperor Yong-Le) ‘tax collectors began to outnumber taxpayers’, said Lactantius, (..). (Matt Ridley, The Rational Optimist)

Parece piada, mas não é. Em homenagem aos que difundiram esta bizarra e divertida idéia, fica o trecho acima, para mostrar que é preciso pensar em mais de duas variáveis ao se falar dos problemas de um país.

Informação quase gratuita. Serviço de utilidade pública deste blog para os pterodoxos que não terminaram de ler o Mankiw porque acharam que tinham que transformar o mundo antes de compreendê-lo.

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Cicero e a Escolha Pública

There were four respectable ways for a prominent Roman to gain wealth: land-owning, booty from war, money lending and bribery. Cicero pocketed over two million sesterces (three times the sum he had previously quoted to illustrate ‘luxury’) from his governorship of Cilicia in 51 and 50 BC – and he had a reputation as an especially honest governor. (The Rational Optimist)

Vida boa esta a dos senadores…romanos em 50 AC. Não me entendam mal. Agora, cá para nós, heim, dizer que a Escolha Pública é “invenção neoliberal para falar mal do governo” é a maior mentira do mundo. Podem existir imbecis aqui e acolá, claro, mas vir com este papo de que o senador quer um mundo melhor, que ele é altruísta, bondoso, mais preocupado com os homens do que os empresários malvados…não, não dá. As evidências históricas (e eu diria: arqueológicas) são mais fortes.

Foi mal, gente. James Buchanan e Gordon Tullock estão certos.

UPDATE: E vejam o Cícero, em grande momento:

O que mais se deve evitar, portanto, é a vida desleixada e preguiçosa. E, se o luxo e os prazeres parecem mal em qualquer idade, com mais razão, se fazem abomináveis na gente velha  (…). Nem é fora de propósito falar sôbre as obrigações dos magistrados, das pessoas particulares e dos estrangeiros. Quem governa deve compreender que representa a pessoa da cidade e que está obrigado a sustentar a dignidade e o decôro da mesma, a conservar as leis, a fazer a justiça, e lembrar-se de que tudo está entregue à sua fidelidade e ao seu zêlo [Gonçalves, M.A. “De Officiis” de Cícero, Livraria H. Antunes Ltda., Editora, Rio de Janeiro, p.210]

É, realmente o homem era um “humilde” servidor público…

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A sazonalidade como choque de produtividade

É, eu sei. Você já ouviu aquele papo econométrico sobre ciclos reais e raízes unitárias. Não é uma conversa fácil, pois técnica. Mas vamos ilustrar o choque de produtividade usando a história. Em particular, alguns trechos do The Rational Optimist (P.S.) do Matt Ridley.

Primeiro, o bom e velho camelo.

Thanks to a newly perfected technology, the camel, the people of the Arabian Peninsula found themselves well placed to profit from trade between East and West. The camel caravans of Arabia were the source of the wealth that carried Muhammad and his followers to power. The camel had been domesticated several thousand years earlier, but it was in the early centuries AD that it was at last made into a reliable beast of burden. It could carry far more than a donkey could, go to places a wheeled bullock cart could not, and because it could find its own forage en route, its fuel costs were essentially zero – like a sailing ship.

Sensacional, não? O camelo foi um fator de produção importante em uma época em que conflito e comércio eram muito frequentes na história. Camelo também é choque real, cara!
Quanto à sazonalidade, muitos livros de Estatística dão uma definição (ou várias) bem técnicas e alguns de nós, professores, falamos de exemplos relacionados a preços da arroba do boi gordo ou épocas de colheita. Mas o que dizer da sazonalidade como um choque de produtividade? Aí vai o outro trecho:
Thanks to the discovery of the monsoon, which reliably blew ships eastward in summer and back westward in winter, the journey across the Arabian Sea was cut from years to months.
Pois é, gente. Eu não acredito que eram os deuses astronautas. Pode até ser que alguém, um dia, consiga encontrar evidências disto, mas eu aposto que não. A genialidade humana não deve ser menosprezada (lembra do meu papo, há uns dias atrás, sobre Julian Simon?).
Estamos muito (mal) acostumados a pensar na sazonalidade como um fator aditivo que, em um estudo de ciclos econômicos, deve ser modelada (ou extirpada, em exercícios simples) para que possamos detectar o “sinal” e não o ruído (um problema que Lucas, inteligentemente, importou para a Ciência Econômica).
Mas veja o exemplo acima. Como é que alguém teve a idéia de usar a sazonalidade das monções? Provavelmente, claro, alguém queria maximizar seus ganhos e descobriu esta simples característica da natureza com potencial para economizar custos. Aliás, esta questão da navegação na história é um tópico que não é estranho aos da área de História Econômica, basta ver o antigo artigo do Douglass North sobre o tema.
Então, veja, existem sazonalidades que nos chegam por conta da natureza. Nem todas são usadas a nosso favor. Algumas economias lutam para controlarem os ciclos naturais de alguns produtos. Outras sociedades já aproveitaram a sazonalidade a seu favor, como no exemplo acima.
O pesquisador, entretanto, geralmente segue o seguinte lema: “vamos filtrar as séries e/ou modelar a sazonalidade. O que sobrar é nosso produto cujos ciclos reais vou estudar”.
Agora, na perspectiva deste meu exemplo, a sazonalidade em si merece um estudo do tipo “sinal-ruído” porque parte dela pode ser devido aos choques de produtividade como no caso do transporte marítimo dos árabes em nosso passado distante. Não creio que estou falando nenhuma novidade e sabemos que há quem goste de falar de raízes unitárias sazonais. Provavelmente alguém já disse algo parecido (gentileza me enviar referências nos comentários). Mas, não sei. Usando camelos como exemplo, isto nunca me ocorreu.