Momento R do Dia em Taiwan (novamente)

Como eu disse em algum post anterior, Taiwan, a República da China que o governo comunista vive tentando reconquistar, tem um Banco Central e, claro, este tem algumas estatísticas disponíveis. Não são muitas, mas são suficientes para algumas brincadeiras. Neste Momento R do Dia, vamos apenas ver alguns comandos para gráficos e correlações, sem maiores pretensões analíticas.

Taxas de juros e câmbio para todos os gostos…

Por exemplo, podemos olhar para as taxas de juros em Taiwan. Tanto as do Banco Central (Discount Rate Interest Rates with Accommodations with Collateral), quanto as dos cinco maiores bancos de lá (1-month deposit rates1-year deposit ratesbase lending rates). Também podemos analisar a taxa de câmbio da moeda local (em relação ao dólar).

Na página do Banco Central de Taiwan, somos informados que, em relação à taxa de câmbio:

To date, residents can freely hold and use foreign exchange export proceeds and also make foreign exchange import payments without restrictions. Only certain regulations imposed on remittances related to capital account transactions are retained for the purpose of financial stability.

The NT dollar exchange rate is determined by market forces, which is in line with the policy of exchange rate liberalization. Only when the foreign exchange market is disrupted by seasonal or irregular factors will the Bank step in.

Então, oficialmente, a taxa de câmbio flutua livremente, exceto em casos de “seasonal or irregular factors”. O gráfico a seguir mostra o comportamento da série, desde Dez/1995.

taiwan_dolar

Ah sim, dados anteriores a Dez/1995 existem, mas a taxa era fixa. Além disso, para comparar com as taxas de juros, o melhor período amostral é, realmente, este que estou usando.

Quanto à taxa de juros usada pela Autoridade Monetária, a taxa de desconto, temos o seguinte comportamento.

taiwan_discount_rate

Uma análise com as outras taxas mostra comportamento similar.

variosjuros

Numa economia aberta, como a de Taiwan, com câmbio flexível, tanto a taxa de juros como a taxa de câmbio são endógenas. Deveria haver uma relação entre elas? Vejamos a correlação entre as séries.

taiwan_correlations

 

O valor das correlações pode ser obtido pelo comando cor(). No caso:

> cor(juros_e_cambio)
one_month_rate     one_year_rate    base_rate    discount_rate
one_month_rate    1.0000000 0.9927786 0.904452025 0.9684923
one_year_rate       0.9927786 1.0000000 0.889159393 0.9776425
base_rate              0.9044520 0.8891594 1.000000000 0.8426562
discount_rate        0.9684923 0.9776425 0.842656232 1.0000000
Interest_collateral  0.9684561 0.9776393 0.842990635 0.9999949
exchange_rate     -0.2087333 -0.2885908 0.007013235 -0.3289595

Interest_collateral   exchange_rate
one_month_rate           0.9684561   -0.208733258
one_year_rate              0.9776393   -0.288590769
base_rate                    0.8429906   0.007013235
discount_rate              0.9999949   -0.328959483
Interest_collateral        1.0000000   -0.328720706
exchange_rate            -0.3287207   1.000000000

Quanto às taxas de juros, em si, o que esperar? Vejamos, por exemplo, um diagrama de dispersão gerado pelo pacote car, com a taxa de desconto do Banco Central e a de mercado (one month rate), ambas em variação percentual.

taiwan_juros_juros

Há alguma relação, mas nada muito animador, não? A relação entre taxas de curto e longo prazo já parece mais interessante.

taiwan_juroscplp

Faria algum sentido analisar duas taxas de juros como esta? Bem, existe alguma literatura sobre taxas de juros em períodos distintos, mas não exatamente como eu fiz aqui. Caso você queira saber mais sobre isto, então considere o próximo parágrafo.

Indo além…

Não dizem por aí que existe uma relação entre taxas de juros de curto e longo prazo? Pois é. Chama-se curva de yield. Entretanto, para brincar com uma curva de yield, deve-se ter um pouco mais de informações e aqui há um texto didático sobre o tema. Quanto à economia taiwanesa, bem, existe este estudo e este outro.

Os comandos em R…

Quanto aos comandos em R, eis a dica.

# importar EG2BM01en

taiwan2 <- read.table(file = "clipboard", sep = "\t", header=TRUE)
head(taiwan2)
one_month_rate<-ts(taiwan2$one_month.deposit.rates, start=c(1995,12),freq=12)
one_year_rate<-ts(taiwan2$one_year.deposit.rates, start=c(1995,12),freq=12)
base_rate<-ts(taiwan2$Base.lending.rates, start=c(1995,12),freq=12)
discount_rate<-ts(taiwan2$Discount.rate, start=c(1995,12),freq=12)
Interest_collateral<-ts(taiwan2$Interest_rate_ac_with_col, start=c(1995,12),freq=12)
exchange_rate<-ts(taiwan2$NTD_USD,start=c(1995,12),freq=12)

series <- ts(taiwan2, start=c(1995,12), freq=12)
juros<-data.frame(one_month_rate,one_year_rate,base_rate,discount_rate,Interest_collateral)
juros<-ts(juros,start=c(1995,12),freq=12)
library(ggplot2)
library(lattice)
library(latticeExtra)

asTheEconomist(xyplot(window(exchange_rate,start=1995),
                      main = "NTD_USD", sub = "Meses"))

asTheEconomist(xyplot(window(discount_rate,start=1995),
                      main = "Discount Rate", sub = "Meses"))
library(car)
scatterplot(diff(log(one_month_rate))~diff(log(discount_rate)))
scatterplot(diff(log(one_month_rate))~diff(log(one_year_rate)))
juros_e_cambio<-data.frame(one_month_rate,one_year_rate,base_rate,discount_rate,Interest_collateral,exchange_rate)
pairs(juros_e_cambio)
cor(juros_e_cambio)

A bolsa em Taiwan, os pontos influentes: mais um “Momento R do Dia”

Sim, hoje é dia de Taiwan. Vamos aproveitar que o Banco Central de Taiwan (sim, ele existe!) disponibiliza alguns dados para brincar um pouco. Vamos olhar para a tabela 28:

28.Stock Market -B.Transactions of Listed Stock and Stock Price – Monthly by Period, Items and Types

taiwan1

Vamos imaginar que eu tenha um bom motivo teórico para imaginar que esta série possa ser estimada pelo modelo abaixo. Vamo ao resultado.

Time series regression with “ts” data:
Start = 1987(7), End = 2014(2)

Call:
dynlm(formula = log(stock_amount) ~ L(log(stock_amount), 1))

Residuals:
Min    1Q            Median      3Q           Max
-0.31752    -0.04385   0.00005    0.04253   0.31459

Coefficients:
Estimate   Std. Error   t value  Pr(>|t|)
(Intercept)                          0.52853   0.13001     4.065   6.05e-05 ***
L(log(stock_amount), 1)   0.94003   0.01488     63.179   < 2e-16 ***

Signif. codes: 0 ‘***’ 0.001 ‘**’ 0.01 ‘*’ 0.05 ‘.’ 0.1 ‘ ’ 1

Residual standard error: 0.08254 on 318 degrees of freedom
Multiple R-squared: 0.9262, Adjusted R-squared: 0.926
F-statistic: 3992 on 1 and 318 DF, p-value: < 2.2e-16

Bonito, né? Faz aí seu checklist sobre o que falta fazer com esta regressão. Fez? Ok. Mas vamos explorar outro aspecto do R hoje. Vamos falar um pouco da distância de Cook e de pontos influentes. Deste link temos que:

In statisticsCook’s distance or Cook’s D is a commonly used estimate of the influence of a data point when performing least squares regression analysis.[1] In a practical ordinary least squares analysis, Cook’s distance can be used in several ways: to indicate data points that are particularly worth checking for validity; to indicate regions of the design space where it would be good to be able to obtain more data points. It is named after the American statistician R. Dennis Cook, who introduced the concept in 1977.

Ok, então, estamos diante de um ponto “influente”, na definição de Cook, quando algum ponto “parece” distoar da distribuição dos dados. Não é necessariamente um outlier porque, segundo dizem, para este não existe uma definição precisa. Bom, o problema não desaparece só porque não demos um nome a ele. Confuso? Vamos pesquisar mais. Primeiro, vejamos algumas definições.

The influence of an observation can be thought of in terms of how much the predicted scores for other observations would differ if the observation in question were not included. Cook’s D is a good measure of the influence of an observation and is proportional to the sum of the squared differences between predictions made with all observations in the analysis and predictions made leaving out the observation in question.

Ok, já temos algo. Uma medida de influência, portanto, caso seja retirada da amostra, pode alterar o valor dos coeficientes estimados. Perigoso aqui e em Taiwan. Mais uma definição.

The leverage of an observation is based on how much the observation’s value on the predictor variable differs from the mean of the predictor variable. The greater an observation’s leverage, the more potential it has to be an influential observation. For example, an observation with a value equal to the mean on the predictor variable has no influence on the slope of the regression line regardless of its value on the criterion variable. On the other hand, an observation that is extreme on the predictor variable has the potential to affect the slope greatly.

Mesmo que você não estude estas medidas, ou mesmo que não tenha lido ainda sobre isto, o diagnóstico da regressão, no R, quebra um bom galho neste caso. Após fazer a regressão acima, peço um plot e sou apresentado há vários gráficos de diagnósticos, um deles o que se segue.

cooktaiwan

Repare que temos, no eixo vertical, os resíduos da regressão padronizados e, no eixo horizontal, a medida de leverage (uma aula sobre este e outros gráficos aqui). Repare que não há nenhum ponto nas regiões da distância de Cook (as linhas vermelhas pontilhadas). Há alguns pontos indicados lá. São potencialmente perigosos.

Por meio do pacote car, obtenho uma visualização um pouco distinta.

taiwancook2

As áreas das bolinhas são proporcionais à distância de Cook. Parece que Outubro de 1987 é um ponto a ser estudado com calma.

Ok, já deu para perceber que o Momento R do Dia vai terminar de forma incompleta, né? Não vamos nos aprofundar nesta análise de outliers e afins hoje. Voltaremos ao tema assim que eu tiver tempo de organizar um texto didático sobre o assunto, ok?

Neste meio tempo, você pode ir estudando e, claro, fique com os comandos.

tai<-dynlm(log(stock_amount)~L(log(stock_amount),1))
summary(tai)
plot(tai)
library(car)
influencePlot(tai)

Eu recomendo fortemente que você pesquise sobre o tema e, sim, eu não me preocupei com outros aspectos desta regressão ingênua. Mas, você notou que eu estava pensando em um passeio aleatório por Taiwan quando estimei aquilo lá?

                                           Cook’s D………..uck!        

Nem todo órgão público precisa ser “chapa branca”: o caso de Taiwan

Em Taiwan, o governo do presidente Ma lançou um plano de vouchers para combater a crise. Obviamente, o presidente acha o plano um sucesso. Contudo, um de seus ministérios acaba de lançar um relatório contestando todo este otimismo.

President Ma Ying-jeou (馬英九) yesterday lauded the government’s consumer voucher program, despite a Ministry of Audit report this week questioning the effectiveness of the scheme.

The ministry’s Audit Report 2008 identified several flaws in government spending, including the NT$3,600 consumer vouchers that were issued to eligible residents ahead of the Lunar New Year. The report said the policy was cooked up in a hasty manner and its effects remained to be seen.

However, Ma did not mention the ministry’s report during his meeting with the board of directors of the Chinese National Federation of Industries at the Presidential Office yesterday.

Ma told the guests that the consumer vouchers “have reached the target of boosting GDP by 0.6 percentage points” and that they helped stimulate consumer spending.

“Public support for the vouchers is high. The vouchers were issued at the right time — right before the Lunar New Year. They have benefited the leisure, wholesale and general merchandise sectors,” Ma said. “When I visited places around the country, everybody asked me to do it again. Some even said they should be issued three times a year.”

O argumento do presidente é o mais populista possível. Se uma lágrima escorreu do olho de algum velhinho do interior, o plano é um sucesso. Há quem chame isto de “avaliação de projetos sociais não-neoclássica”. Há quem chame isto de “apenas um ponto-de-vista plural“. Mas há quem chame isto de wishful thinking. Afinal, pluralismo, para esta gente, só vale quando a prática é não-plural, quando órgãos públicos são aparelhados, etc.

Se o plano do presidente Ma funcionou ou não é uma questão que cabe aos bons economistas (os que usam, sim, estatística, teste de hipóteses, estas coisas que se aprende no começo do curso, como um alfabeto no maternal) responder.

Um ditador não tão estúpido?

Chiang Kai Shek, o homem que deu a banana para o bolivarianismo chinês (lembre-se: o nome correto é :”socialismo”, embora os neo-socialistas busquem esconder suas origens que legaram páginas de sangue à história da humanidade), pode não ter sido tão bobo e sim bem racional. Esta é a leitura que emerge disto. Ver também isto.

Esta é, realmente, uma falha de governo

MOI confirms vouchers may be missing

By Loa Iok-sin, Flora Wang, Shih Hsiu-chuan and Ko Shu-ling
STAFF REPORTERS
Wednesday, Jan 21, 2009, Page 1

The Ministry of the Interior (MOI) yesterday reiterated that an unknown number of consumer vouchers may have gone missing because of administrative errors at collection centers, but said the exact number was unclear and it had not decided what action to take.

The ministry’s statement came after the Chinese-language Liberty Times (the Taipei Times’ sister newspaper) reported yesterday that nearly NT$11 million (US$327,000) in vouchers may have been mistakenly distributed.

On Sunday, the government issued vouchers worth NT$3,600 to eligible citizens and residents as part of plans to boost domestic consumption.

“Figures returned from voucher collection centers on Jan. 18 showed that some vouchers had gone missing, but so far, we’re not sure about the exact number,” Deputy Minister of the Interior Chien Tai-lang (簡太郎) told reporters at the ministry’s year-end press conference.

Leia mais aqui.

Doces, doces…

Este pessoal de Taiwan não é fácil não. Se estiver em São Paulo, dê um pulo na Liberdade que você acha este e outros produtos fabricados em Taiwan. A dica é este e o Taro Mochi. Ambos muito bons. O pessoal do Comidinhas é que vai gostar, creio.

Notícias das Chinas

Linguagem de sinais…

CNA

President Ma Ying-jeou greets participants using sign language at the Proud to be Myself —Citizen Rights of Persons with Disabilities International Conference in Taipei yesterday. Ma’s political fortunes are increasingly turning on the performance of the economy and trade in particular. PHOTO: CNA

Posso usar a linguagem de sinais para enviar uma mensagem para alguns políticos, também? Notícia completa aqui.

Não à repressão

Enquanto os brasileiros aplaudem o populismo bolivariano, pessoas que já experimentaram a liberdade (e gostaram) protestam contra o bolivarianismo chinês que, agora, conta com alguns discretos apoiadores em Taiwan. Ainda existem movimentos estudantis sérios no mundo, por incrível que pareça.

Natureza viva

Aí vai a descrição:

CLOUD SHROUD
Clouds pour down a Chiayi County mountainside into the Zengwen River valley. In Chiayi’s Alishan mountains, this phenomenon, called a “cloud waterfall,” normally occurs in the fall or winter.
PHOTO: CNA

Quase imagino Son Goku viajando sobre a nuvem…

Onde está o estímulo fiscal?

Em Taiwan, um professor de economia vai ao ponto: por que não reduzir a carga tributária? Há claros interesses por trás de propostas que clamam por mais gastos públicos e não preciso citá-los aqui. Mas, vem cá, honestamente, por que não reduzir a carga tributária, segurar o tamanho do governo (o nosso já é quase um socialismo, dado o tamanho do governo no PIB, sem falar das regulações…), incentivar a formalização dos informais e promover – de verdade – o empreendedorismo e os mercados?

É tão difícil assim sair do canto da sereia bolivariana? Fala a verdade: é?

A greve continua…

Será que teremos consequências importantes desta gigantesca greve? Enquanto isto, a outra China luta para ser reconhecida na ONU. Nossos “defensores de minorias” nunca mostram um pingo de “sensibilização social” nestas horas… Por falar em Taiwan, não é todo professor de Harvard que dá seu apoio cego a ex-alunos, como mostra esta notícia.

Como o keynesianismo justifica os salários de burocratas espertinhos

Eis a notícia. Trata-se de Taiwan. Agora, o divertido trecho:

The Presidential Office and the Cabinet yesterday rejected calls for President Ma Ying-jeou (馬英九) and other high-ranking officials to cut their monthly salaries, saying they were worried it risked setting a precedent that could spill over to the private sector, offsetting government efforts to stimulate public spending.

Several Chinese Nationalist Party (KMT) lawmakers on Wednesday proposed following Singapore’s lead by pushing for salary cuts for civil servants during the economic downturn.

Singapore’s Public Service Division said on Monday that top government officials, including Singaporean President S.R. Nathan, Prime Minister Lee Hsien Loong (李顯龍), administrative officers and political, judicial and statutory appointees would see their salaries drop by between 11 percent and 19 percent next year.

Presidential Office Spokesman Wang Yu-chi (王郁琦) yesterday said he believed such an action would have a negative impact.

Wang acknowledged Singapore’s plans to cut the payrolls of government officials and US president-elect Barack Obama’s call for chief executive officers of financial institutions to forego bonuses.

However, Taiwan’s problem was that the public was unwilling to spend money, thereby, worsening an already bleak economic situation, he said.

To tackle the problem, Wang said, the Executive Yuan has announced several measures aimed at stimulating consumption.

He said the Presidential Office was worried widespread salary cuts might have a negative impact on the private sector and the public as a whole.

“The worst-case scenario is that the efficiency of the government’s economic stimulus plan would be diminished, including consumer vouchers,” he said. “That is what worries us.”

A high-ranking official, who asked to remain anonymous, said the issue smacked of “populism” and that it was the consensus of the government and party that “it was an issue that did not deserve any more discussion.”

Entendeu, leitor? Como há uma crise mundial e como a moda é dizer que falta de dinheiro não pode se traduzir em sacrifícios dos representantes do setor público (porque isto poderia se expandir até o setor privado???), então não se pode deixar de receber o polpudo salário, claro, com lágrimas de crocodilo nos olhos.

Eis aí como o keynesianismo de quermesse – na feliz definição do Alexandre Schwartsman – ajuda a quem menos precisa de dinheiro. Alguém realmente acredita que o setor privado seguiria o setor público neste exemplo?

É Taiwan a nova Manchúria?

Durante a Segunda Grande Guerra, o governo japonês fez da Manchúria seu estado-fantoche (os poucos jovens que assistiram o famoso “O Último Imperador” devem ter percebido isto). Agora, o governo bolivariano da China (República Popular da China) age de forma similar ao governo de Taiwan. Será Taiwan um estado-fantoche?

A pergunta nos remete a um problema maior, claro, que tem a ver com a terrível relação entre democracia e liberdade econômica. Quem deve vir primeiro? Ou ambas devem vir simultaneamente? A resposta sobre a relação entre instituições e crescimento econômico, claro, não é simples. Sabemos pouco sobre a relação teórica entre instituições formais, informais, crescimento econômico, capital humano e qualidade de um governo. Esta, aliás, é uma agenda de pesquisa promissora mas que certamente encontra resistência entre alguns economistas cuja consciência pesa menos do que o bolso. Sim, eles existem e logo saberemos mais sobre seu impacto em algumas dimensões importantes…

Alguns movimentos estudantis ainda se importam

Direitos humanos é uma bandeira que sumiu, convenientemente, das manifestações dos estudantes latino-americanos da linha bolivariana. Em Taiwan, contudo…

Taiwan sucumbirá à China?

Ausente da mídia nacional, os protestos em Taiwan têm incomodado os dirigentes da China bolivariana. A autonomia que normalmente o governo chinês aplica é a mesma utilizada no Tibet, o que não é nada promissor.

Quais as implicações para a economia mundial? Trata-se do velho exercício de utilizar modelo de Ramsey no qual dois países se unem. Acho que o Joaquim Toledo nos torturou com isto, na USP. Mas a economia política disto não aparece neste exercício simples…

Não ao bolivarianismo chinês

Os neocons bolivarianos (bolivianos, venezuelanos, cubanos, norte-coreanos e alguns discretos brasileiros malandrinhos) chamarão isto de “manipulação da CIA”, mas é difícil acreditar que um povo que não encontra um fascínora como Bin Laden tenha, ao mesmo tempo, tanto poder de hipnotizar tanta gente…

O pessoal de Taiwan não deixará sua liberdade ser cortada tão facilmente…

Custos de transação e o empobrecimento dos ideogramas

Se Taiwan realmente ceder, será uma histórica perda para a caligrafia tradicional dos ideogramas (ou caracteres) chineses. Uma perda de beleza, mas um ganho para o comércio mundial (o que, no final, é melhor para todos).

Falhas de governo, rent-seeking, etc

O governo não permite que médicos ajudem casais não oficialmente casados a terem filhos.

Um caso de falha de governo? Leia a notícia. Trecho:

The issue became a topic of debate last month when entertainer Pauline Lan (藍心湄) said she lost a baby conceived through third-party reproduction in Japan.

Lan was the second Taiwanese entertainer after Pai Ping-ping (白冰冰) known to have tried to become pregnant through the help of a sperm bank in Japan.

Lee Mao-sheng (李茂盛), an obstetrician and gynecologist who runs a fertility clinic in Taichung City, said that a sluggish economy has led to a 10 percent decline in the number of infertile patients seeking assisted reproduction at his clinic over the past 10 years.

(…)

The restriction, however, cannot prevent unmarried individuals from seeking assistance abroad, as in the cases of Lan and Pai, Lee and Chang said.

Furthermore, the restriction could be a major barrier to the country’s efforts to promote medical tourism, in which assisted reproduction has been advertised by the government as a field in which Taiwan’s medical sector enjoys a competitive edge, they said. 

Em outras palavras: médicos locais teriam competência para promover a ajuda a casais em troca de algum dinheiro mas não conseguem porque os casais não são oficialmente casados. Como em qualquer lugar, uma lei que proíbe trocas voluntárias não atinge os que têm mais dinheiro que, por sua vez, conseguem a desejada ajuda em países vizinhos. 

Parece-me um caso típico de falha de governo.