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A desigualdade criada por lei: por que sindicatos não precisam prestar contas sobre o uso que fazem do dinheiro dos cidadãos brasileiros?

Spotniks nos traz um fato muito revelador sobre o (mau ou bom) uso do dinheiro dos impostos que as pessoas pagam de forma mais estranha no Brasil: o imposto sindical. Não só ele, mas também qualquer outro recurso recebido por centrais sindicais.

Os itens 3 e 4 do didático texto nos ajudam a pensar em boas hipóteses – bastante compatíveis com a literatura de Public Choice – sobre a oferta e demanda de privilégios como o de não ter que prestar contas sobre o uso do dinheiro recebido.

Repare: estou apenas propondo uma hipótese de investigação, não estou dizendo nada sobre como eu acho que as coisas deveriam ser.

Caso você me pergunte sobre isto, ou seja, sobre o aspecto normativo, eu já te digo que não, eu não acho decente que nenhum sindicato financiado com dinheiro alheio seja privilegiada com a não-obrigatoriedade de prestar contas sobre o uso do mesmo.

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Emporiofobia e locadoras

Viva o Spotniks, mas vale um ponto para a reflexão

O pessoal do Spotniks fez um ótimo trabalho neste artigo. Neste blog, como os leitores já sabem, chamamos isto de emporiofobia. O argumento do autor do artigo do site, contudo, fala de “competição” de “destruição criativa”. Não me entendam mal, mas não acho que é por aí.

A ênfase nos aspectos competitivos da dinâmica do mercado – por sua vez, um nome mais bonito para “trocas voluntárias” – deixa de lado o ponto central de Adam Smith e Schumpeter: as locadoras que não sobreviveram são justamente as que foram incapazes de cooperar com os consumidores. Mercados são eficientes quando vendedores cooperam com consumidores. Os que não conseguem dar conta do recado, são, claro, excluídos.

Apenas quero destacar que a emporiofobia se alimenta de um discurso no qual “coxinhas com a vida ganha” maltratam “pobres empresários do bairro” e “roubam os consumidores”. Tudo errado, nós sabemos (refiro-me ao autor do artigo e, claro, a mim mesmo). Mas considere repensar no texto do Spotniks sobre este aspecto. A diferença é sutil, mas acho que faz toda a diferença para alguns leitores, que ainda confundem mercados com jogo de soma zero (erro básico, geralmente desmentido em cursos do primeiro ano de Economia).

Ora, trocas voluntárias não poderiam ser jogos de soma zero porque ninguém, voluntariamente, entra em uma troca com alguém para que seu ganho seja exatamente igual à perda do outro. Pode até tentar, mas a troca não ocorrerá. Não voluntariamente. Assim, você pode até querer forçar alguém a lhe dar o que deseja e você pode fazer isto com uma arma. Contudo, isto não é mercado.

Portanto, eu diria…

O que disse Schumpeter então? Bem, ele disse exatamente o que o autor do artigo descreveu: em uma sociedade de indivíduos que interagem de forma totalmente não planejada (do ponto de vista de uma autoridade central), é possível que nem todos sejam igualmente dotados das virtudes necessárias para a cooperação. Como assim?

Digamos que sou um dono de locadora e que não gosto de internet. Trato bem as pessoas, mas não quero saber de internet. Pronto. Você já sabe. Provavelmente minha locadora não vai durar muito tempo. Por que? Porque não sou um sujeito suficientemente adaptado aos novos tempos. É a vida, pessoal. Nem todos vão ser donos de locadora e serão ricos. Graças a Deus, né? Afinal, se todos fossem donos de locadora e fossem igualmente bons, não haveriam atores, atrizes, médicos, soldados, etc.

Adam Smith? Também nada muito diferente. Claro, você pode ter aquela imagem do filme de Chaplin, Tempos Modernos, e achar que a divisão do trabalho é algo maligno. Errado. A divisão do trabalho, novamente, em uma sociedade com indivíduos que agem segundo seus próprios desejos, terá o grau necessário de especialização para atender…a estes mesmos indivíduos.

Conclusão

Gostei do artigo do Spotniks. Mas gostaria que a ênfase do texto fosse mais nos pontos cooperativos do mercado. Por que? Porque ajuda as pessoas a entenderam corretamente o que é o mercado. Podem até não gostar dele, mas pelos motivos certos, não por uma caricatura que, sim, nós, economistas, vendemos por anos e anos, e que não é a mais fiel ao conceito. Afinal, são trocas voluntárias.