Uncategorized

Não, você não precisa de reserva de mercado de cultura “nacional”…

…até porque não existe tal coisa chamada “cultura nacional”. Não como querem alguns. Pense no Japão de hoje. Diz-se que preserva a sua cultura. Preserva? As pessoas se matam cortando a barriga hoje em dia? Não. Então, calma lá, colega. Não me venha com este papo de cultura. Temos aqui um “bumba meu boi” tal e qual os americanos têm o “dia de ação de graças”. E japoneses, brasileiros e americanos jovens certamente já dançaram sob o ritmo de alguma música da Madonna.

A cultura é sempre uma palavra “geléia” que se molda conforme o discurso dos respectivos interesses. Para um gaúcho produtor de mate, comprar mate de Santa Catarina é “anti-cultural”. Bem, um baiano poderia patentear o acarajé. E um mineiro – povinho chato este – poderia fazer a proposta de um projeto de salvação nacional para a goiabada com queijo.

Então, não, não dá para começar uma discussão séria sobre políticas públicas se as pessoas insistem em serem enganadas – mesmo quando são inteligentes e estudadas – pelo discurso político da “reserva de mercado para filme/música/autor/prostituta/político/cachorro/pipoca nacional. Isto é uma grande balela.

Agora, se você quer começar a discutir seriamente a interação entre o “nacional” e o “estrangeiro”, então podemos nos perguntar sobre se a introdução de músicas estrangeiras substitui (, complementa, um pouco de cada e, claro, não há relação com…) as músicas nacionais. Será o samba a vítima da maldita música norte-americana? As modinhas de carnaval eram tão ruins assim que foram destruídas pelo imperialismo norte-americano? Olho à minha volta e vejo, na verdade, uma diversidade de “tribos” de jovens ouvindo de tudo. Então, talvez não seja do jeito que o pessoal fala. Evidências? Sim, são sempre bem-vindas.

Bem, aqui estão os economistas – causando raiva aos outros cientistas sociais que ficaram no papo furado e não meteram a mão na massa para trabalhar (síndrome de aristocratas?) – para nos dizer sobre as evidências. Vou resumir: não dá para justificar estas bobagens chamadas do tipo “reservas de mercado” que alguns políticos adoram vender para os cidadãos que, sim, sabem que é balela, mas adoram se apaixonar ao invés de serem profissionais. Algo que, de novo, economistas também explicam bem.