Política industrial sul-coreana…na prática cinematográfica: os saudosos anos 70

Ou deveríamos falar de política cultural-industrial cepalina-novamatrizeconômico-desenvolvimentista? Sim, isso mesmo. Vejamos um momento da carreira de Shin, o diretor mais famoso da Coréia do Sul nos anos 60 e 70:

(…) o governo o levara aos tribunais, acusando-o de apropriação indébita, fraude e evasão fiscal por afirmar falsamente que seu último lançamento, ‘Monkey Goes West’ (…) fora uma uma coprodução com o estúdio Shaw Brothers, de Hong Kong (…). [Vou simplificar minha citação: http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=29140, p.104]

Por que Shin faria isto?

Precisando de uma coprodução para atender às cotas de importação do governo, Shin comprara uma cópia de Run Run Shaw, introduzira algumas cenas com um de seus atores coreanos e seus próprios créditos e dublara os diálogos, lançando o filme como seu. Foi considerado culpado e multado em 210 milhões de wons (775 mil dólares), mas, surpreendentemente, recebeu permissão para lançar o filme. [mesmo livro, mesma página]

Ah sim, eu mencionei que ele era muito próximo ao presidente Park? Substituição de importações, relações perigosas entre um diretor de cinema e o governo. Mas por que pararmos neste exemplo? A página 104 do ótimo livro tem mais um exemplo.

Muitos cineastas coreanos eram improvisadores criativos quando se tratava de encontrar maneiras de contornar as regras, mas Shin era o mais sagaz de todos. Quando a lei proibiu as companhias de produzirem mais de cinco filmes, ele discretamente reorganizou a Shin Filmes no que, tecnicamente, eram quatro companhias menores, consequentemente sendo capaz de produzir vinte. [idem]

Sensacional, não?

Rent-seeking no Brasil, circa 1972: “ei, você aí, me dá um cargo aí”!

Eis um choque tecnológico: o email. O email pode ter acabado com a profissão daqueles que, como o professor Julio Cesar de Freitas, ganhavam a vida ensinando os outros a escreverem cartas. Aliás, este é o título do livro editado em 1972: Como Escrever Cartas, de autoria do citado sr. Freitas.

O livro é bem divertido, mas chamou a minha atenção alguns exemplos de cartas. Veja, por exemplo, esta.

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Quando alguém ensina a escrever cartas como esta é porque certamente existe uma demanda social: pessoas querem conseguir um cargo público, mesmo que não seja via concurso. O tom da carta é até educado e procura se vender uma necessidade (“família pobre”, “rapaz jovem”, etc). O apelo é inegável.

Curiosamente, esta carta (e as que se seguem em reprodução parcial) está na seção Cartas Sociais e Familiares. Encontra-se até carta de recomendação de doméstica, mas não uma carta para pedir emprego em alguma empresa privada (mas há lá um exemplo de carta para pedir empréstimo pra algum parente…).

Eis alguns outros exemplos.

20160828_135708 20160828_135812Sim, não poderia faltar a capa do livro.

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Divertido, não? Uma sociedade que se baseia no rent-seeking não poderia não ter autores ensinando a implorar/pedir cargos públicos a políticos, não é? Claro, o melhor de tudo é o tom formal – bem anos 70 – desconhecido dos mais jovens que, muitas vezes, pecam pelo excesso oposto: escrevem cartas bem ruins, cheias de erros em alguns casos, e difíceis de se ler.

No meu mundo ideal as pessoas escreveriam melhor e pediriam achariam melhor ter um país com um setor privado menos rent-seeker.

Por que nem todo atleta de uma ditadura tenta fugir em uma Olimpíada?

Porque o custo pode ser maior que o benefício. Pensei nisto ao ver esta matéria sobre os atletas cubanos. Não é bom você ser um dos poucos em seu país a poder desfilar na abertura de uma olimpíada com elegância? Melhor dizendo: nem nas ruas de Havana o sujeito poderia andar assim.

Em 1993, William Shughart e Robert Tollison publicaram o que, para mim, é um dos artigos mais interessantes sobre esportes e ditaduras. Você pode obtê-lo clicando aqui (claro, você deve ter um perfil no Academia.edu).

Pois é, não é apenas aquela questão de se as olimpíadas geram ganhos para o país. É possível estudar também os incentivos que atuam sobre o desempenho dos atletas. Como no restante da economia, a Economia dos Esportes tem possibilidades de estudos macro e micro.

Capitalismo de compadres

Olha o Brasil aí, gente!

Ah sim, os rankings continuam mostrando uma realidade parecida com a de 2014.

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Lamentavalmente, o índice tem poucos países e a metodologia de cálculo não parece ter sido divulgada amplamente (caso eu esteja enganado, corrija-me nos comentários, por favor). De qualquer forma, é uma iniciativa válida e interessante.

Confiança e Crescimento do Governo: um modelo teórico interessante

Artigo simples e interessante. Apenas teórico, mas com derivações interessantes. Eis uma delas:

“(…) bad government induces rent seeking that erodes trust and social capital, with the latter reducing the productivity of private enterprise relative to rent seeking, prompting further rounds of rent seeking and mistrust. Thus, we may observe the paradox of growth in both the size and mistrust of government”. [Garen & Clark (2015), Cato Journal, Winter/2015, aqui]

Ou seja, aumento no tamanho do governo não gera só um problema fiscal, como sabemos, mas também gera erosão do capital social (no sentido de Putnam), afetando uma das bases informais da prosperidade econômica.

Outro resultado interessante é similar ao idea trap do Caplan. Ou seja, uma vez atingido um nível ruim de confiança…

We show how interactions of trust with rent seeking and government growth may lead to a low trust/high rent-seeking/big government equilibrium that is not readily reversed. This occurs when we have multiple equilibria, leading to discrete jumps in the equilibrium and a trust trap at a bad equilibrium. [idem]

Creio que não é muito difícil pensar na aplicação empírica do modelo para o caso brasileiro, não é mesmo? Quem se aventura?

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Táxis e Uber: um exercício de bem-estar

In London, the attempt by ‘minicabs’ to compete with the familiar black cabs was met with beatings, firebombings, and murder. [McCloskey, D.N. The Applied Price Theory, MacMillan, 1985, 2nd edition, p.322]

Pergunta: Quando hostilizar consumidores vale a pena? Entenda as motivações.

Por que alunos de um movimento estudantil foram hostilizados por motoristas de táxis após comparecerem a uma audiência pública na Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais em defesa do Uber?

A questão é simples: trata-se de um problema gerado por uma falha governamental. Usando um pouco de teoria econômica básica, podemos ter uma idéia inicial do problema. O que se segue, portanto, é um exercício didático-pedagógico de economia. O objetivo é entender aspectos importantes da disputa de ofertantes por um privilégio (aqui, representando uma “licença de táxi”). Um privilégio no sentido técnico do termo, portanto, sem conotações emocionais, ok?

Considere a figura abaixo onde, inicialmente, a oferta de corridas em automóveis é limitada aos táxis. Neste mercado, o número de corridas demandadas e ofertadas se igualam na interseção das curvas de oferta (positivamente inclinada) e demanda (negativamente inclinada) iniciais (ambas em cor preta).taxis_uber

Passageiros que estariam dispostos a pagar um preço mais alto por uma corrida pagam um valor menor (o valor está, neste exemplo hipotético, em algo em torno de R$ 1.50 por km percorrido). Percebe-se que os consumidores têm um ganho igual à área A (estariam dispostos a pagar mais do que o preço de equilíbrio, mas pagam menos) e os taxistas abocanham o triângulo formado por B + C. Em resumo, a sociedade, composta por passageiros e taxistas, tem um ganho de bem-estar igual a A+B+C.

Por que só existem estes taxistas? Porque existem leis que proíbem outras pessoas de ofertarem transportes em troca de dinheiro. Há argumentos para se dizer que estas regulamentações corrigem externalidades, mas o remédio governamental pode gerar efeitos negativos para a sociedade. Uma regulação que seja baseada na venda de licenças para que se possa ter o direito de vender transporte em um automóvel a terceiros (táxis, por exemplo) gera um número inicial de táxis pequeno e o valor da licença passa a ser uma renda específica (específica pois apenas quem a tem possui o direito citado).

Digamos que mais taxistas pudessem ter a licença ou que surja um meio novo de ofertar este serviço (Uber, por exemplo). Neste caso, a nova curva de oferta será a traçada em cor vermelha, supondo que a demanda não mudou (na verdade, se pensarmos no problema ao longo do tempo é bem razoável supor que a demanda também se deslocou, para a direita, com o aumento da população, mas vamos ignorar isto).

Neste caso, os consumidores pagam um preço menor por quilômetro (Km) e mais corridas serão realizadas. Repare que, agora, os consumidores usufruem de A+B+E+F (estariam dispostos a pagar mais que o novo preço de mercado por km, mas pagam apenas o preço de mercado, logo, ganham). Para os ofertantes do serviço, o ganho é C+D+G. Repare que taxistas perderam B, em relação à situação inicial em que eram os únicos detentores do privilégio, mas ganharam D+G. A sociedade, como um todo, aumentou seu bem-estar no montante D+E+F+G.

Resposta: quando privilégios foram gerados artificialmente.

Obviamente, o que se percebe é que consumidores adoram se defrontar com mais ofertantes do mesmo serviço (pois o preço que pagam diminui) e também se percebe que taxistas têm, como reação, um sentimento confuso, já que, em contraste ao que dizem em seus discursos cheios de boas intenções, ficam incomodados, sim, com a perda de B para os seus clientes. A perspectiva de aumento, em seu caso, D+G é que nem sempre lhes parece clara já que imaginam que apenas os motoristas de Uber ganharão este pedaço. Será?

Isto depende. No caso em que taxistas não reajam, perderão espaço. A reação pode ser por meio de uma preocupação relevante socialmente que é atender melhor ao consumidor ou uma preocupação apenas política que é a lutar para manter seus privilégios atuais, lutando para proibir a existência de empregos para concorrentes.

Neste caso, economistas falam de taxistas que vão se preocupar mais em manter seus privilégios com os políticos (buscando manter a ‘renda’ que deriva unicamente do fato de que a lei lhes dá o privilégio) e menos em lucrar atendendo bem os consumidores. Em outras palavras, os incentivos fazem com que a prática de manutenção do valor artificial de sua renda (rent-seeking) lhes seja mais vantajoso do que a busca pelo lucro (profit-seeking).

A busca pelo lucro como atividade predominante na luta pela melhoria de sua própria vida é o que torna uma sociedade o resultado de ações individuais menos emporiofóbicas (o que é isto? Leia aqui). Neste tipo de sociedade, indivíduos enxergam o mercado como o local legítimo para disputas entre competidores de um mesmo serviço. Já no caso do rent-seeking, a tendência é privilegiar a luta política (destruindo empregos) ou, mesmo como visto na citação inicial deste texto, a luta violenta (destruindo vidas).

A licença do taxista pode ter surgido em algum momento com a melhor das intenções (ou não). Entretanto, a história da humanidade e, portanto, dos mercados, é dinâmica e condições que geraram a necessidade das licenças mudam a cada instante. Em um mercado altamente competitivo, a tendência é que taxistas, motoristas de Uber, etc, operem em uma escala mínima de custos (minimizarão seus custos) para sobreviverem neste mercado.

No gráfico abaixo, isto é representado por uma curva de oferta horizontal, de cor amarela, que substitui as ofertas anteriores e nos mostra que o bem-estar social será maior (o novo equilíbrio está mais à direita do que o que havíamos observado no exemplo acima).

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Choques reais (o nome que nós, economistas, damos aos choques tecnológicos) podem ser positivos ou negativos. Como assim? O positivo é fácil de imaginar: um meio mais eficiente (tecnicamente falando) de se locomover na cidade é um choque real positivo. Já uma lei que proíbe as pessoas de andarem de táxis (ou Uber) é um choque tecnológico negativo.

Perceba que o “choque tecnológico” envolve, também, o que alguém gostaria de chamar de “choques institucionais”. Para todos os efeitos, neste exemplo, são indistinguíveis. A luta política pela limitação do direito de ofertar transporte de passageiros é um choque negativo pois deslocará a curva de oferta para a esquerda. Já o aparecimento do Uber é equivalente a um choque tecnológico pois desloca a curva de oferta para a direita.

Outro ponto a se reparar: caso você esteja em uma cidade na qual o Uber operava e foi proibido de operar, então você está diante de uma situação na qual a sociedade como um todo perdeu e a perda é igual a área F+G do primeiro gráfico.

A luta não é contra o Uber, mas sim contra novos taxistas potenciais e afins (Uber incluso)!

Não é difícil ver que a luta por privilégios não é apenas contra motoristas de Uber – como alguns querem nos fazer crer – mas sim contra qualquer novo taxista. Por que? Porque se existem menos licenças do que as desejadas pela sociedade (quantos não gostariam de ganhar um pouco mais ofertando este tipo de serviço?), elas têm um valor mais alto e, portanto, os detentores das licenças têm todo o interesse em lutar pela manutenção deste valor, mesmo que isto prejudique o resto da sociedade, privando-a de mais rapidez ou qualidade no transporte (você leu sobre isto há um minuto, não?).

A falha governamental a que eu me referi no início do texto diz respeito ao processo político que diz corrigir uma falha de mercado criando um número limitado de licenças para o transporte de privado de pessoas na cidade mas, na prática, diminui a oferta maior que poderia existir deste tipo de serviço.

Você é a favor da escravidão?

Você poderia contra-argumentar de várias formas, mas o argumento errado é dizer: “os motoristas de Uber não se enquadram na lei XX”. Obviamente, eles não se enquadram porque são novos no mercado. Ou você defenderá a escravidão porque estava na lei imperial e dirá que a princesa Isabel fez algo humanamente condenável?

Como já falei em outros pequenos textos como este (veja alguns aqui), a discussão é sobre a mudança institucional (a dinâmica da mudança de instituições, tal como aprendemos com nossas leituras de nobelistas como Douglass North e Ronald Coase). O critério econômico é: um maior número de competidores aumenta o benefício para a sociedade mais do que aumenta o custo para a mesma? Se a resposta é positiva, um economista dirá que você deve incentivar o aumento do número de competidores.

Eis aí um bom exercício de economia introdutória, não?

Adendo: A (Desastrosa) Solução Socialista

Já que o retrocesso humano é vizinho nosso, com o apoio de vários brasileiros que não estudaram muito sobre a economia política do socialismo ou fazem uso político deste discurso a despeito de enganarem eleitores, vale a pena discutir o exemplo socialista. Afinal, sempre há alguém que deseja entender melhor o que acontece neste caso.

Digamos que o prefeito resolve encerrar a discussão estatizando o transporte público. O que acontece neste caso é uma mudança nos direitos de propriedade. Ele toma os carros dos taxistas e dos motoristas de Uber para si e os redistribui como quiser.

A análise de bem-estar, neste caso, depende como o nosso pequeno ditador municipal tratará o preço por Km. Para simplificar, suponha a situação inicial já com a curva de oferta vermelha e suponha que a estatização se dá sob o preço de equilíbrio gerado pela interseção da curva de oferta vermelha e a demanda.

Neste caso, a estatização significa a tomada de ativos particulares, ou seja, o governante socialista abocanhará a área C+D+G + I + H. Os produtores perdem tudo e os consumidores ficam como estavam.

No longo prazo, contudo, com a falta de competição, a tendência é que o mercado encolha e, sem incentivos para a melhora no atendimento (no socialismo não se pode lucrar, é uma sociedade totalmente emporiofóbica), os motoristas tenderão a dedicar um esforço mínimo aos cuidados com o automóvel.

O modelo abstrato deste exercício tem um surpreendente poder de previsão qualitativa: basta você pesquisar por fotos e relatos sobre serviços de transporte público em países que estiveram sob governos socialistas por algum tempo.

Criar um conflito externo ou criar/fomentar divisões internas no país?

Digamos que você é um(a) presidente de um país e quer se manter no poder enfraquecendo a oposição. Digamos que você conseguiu enfraquecer o balanço de poderes entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário em algum grau. Então, seu problema é, em outras palavras, alocar seus recursos para conflitos externos ou internos.

Ocorre que recursos são escassos e, portanto, você tem que escolher onde alocá-los conforme as restrições que enfrenta (veja, por exemplo, este texto). Para alguns, é mais fácil criar um inimigo externo e partir para um conflito (potencial ou não, conforme o custo…este cálculo é dinâmico, intertemporal). Para outros, com restrições distintas, a melhor forma é fomentar divisões internas (o conflito interno) para enfraquecer seus adversários e, sim, esta é uma questão econômica (para um exemplo, ver este texto).

A idéia que me ocorre não é nova e qualquer estudante de Economia já deve ter pensado em algo assim. Dá para ver que o problema envolve o cálculo racional e períodos de tempo, sem falar na interreleação entre as ações do governante do país bem como as da oposição ou do país que será ‘provocado’ com o conflito externo, né?

O artigo, cujo trecho ilustro abaixo, trabalha o básico destas questões.

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Interessante, não é? Mas eu sinto falta de um artigo que ilustre melhor o que observamos na América Latina: em prol de um objetivo qualquer, alguns governantes buscam enfraquecer as instituições de seu país. Quando esgotam, ceteris paribus, esta possibilidade, criam inimigos externos. É mais do que apenas uma literatura sobre “democratização”. Na verdade, é o inverso. Não sabemos se isto é apenas uma “etapa” em um suposto processo de democratização, mas sabemos que o trade-off será mais ou menos duradouro conforme o grau de democratização do país, por assim dizer (formulo, aqui, uma hipótese de forma irresponsavelmente superficial, só para estimular o debate).

Vejo um modelo com dois tipos de democracias. Uma, tradicional, na qual a economia de mercado interage de maneira eficiente com a política e outra, na qual os incentivos são na direção de uma sociedade rent-seeking, ou, como se diz hoje, uma sociedade de capitalismo de compadres.

Este último caso englobaria seriam caracterizadas por sociedades que perderam o controle institucional e abriram espaço para que: (a) alguns populistas transformem teses sobre a desigualdade no país (ocorre-me o antigo dois Brasis de Jacques Lambert…), por exemplo, em planos para se perpetuarem no poder. Isto fica mais barato quando estes populistas não possuem forte ascendência sobre os militares por conta, digamos, de escassez de recursos econômicos e políticos que possam baratear seu acesso aos círculos militares); (b) outros populistas que já ultrapassaram esta etapa, mas encontram-se sem recursos (por exemplo, porque sua pauta de exportação não mais sustenta privilégios concedidos a grupos, páramilitares ou não,que o apóiam) e, então, passam a mirar em inimigos externos (imaginários ou não).

Seria interessante ver um modelo destes em algum artigo, preferencialmente com algum tipo de hipótese testável e, de preferência, com testes feitos para discutirmos. ^_^

As bibliotecas das faculdades de Economia deveriam comprar este livro

Sério mesmo. Trata-se de Luigi Zingales (sim, ele tem outro livro em português), um dos precursores do debate acerca da importância das instituições informais para o desenvolvimento econômico.

Quem frequenta este blog sabe que é um dos temas favoritos de leitura deste que vos escreve.

Foi a ‘cultura’ ou foi o ‘dinheiro’?

Explica para mim, leitor, qual é a melhor hipótese para explicar a mudança de opinião de Jô Soares e outros sobre o impeachement. Como economista, aposto no segundo item.

Fosse isto aqui uma ditadura, eu acreditaria no argumento de Kuran de falsificação de preferências. Entretanto, parece que estamos mesmo é diante de algo que lembra mais a irracionalidade racional de Caplan: vale a pena adotar posturas que contrariam os fatos quando o retorno econômico é razoável (e políticos adoram criar incentivos assim).

Aliás, falando no prof. Caplan, assista este vídeo que vale a pena.

O índice de “crony capitalism” da The Economist…

…agora está na Wikipedia. Só existe a amostra de 2014, mas você já pode trabalhar com os dados, se quiser. Note que a amostra é pequena e, portanto, não é possível ir muito longe nas conclusões. Vejamos um exemplo com uma das variáveis que fez sucesso aqui, semana passada: o gay happiness index.

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No caso, o que observamos é uma fraquíssima correlação negativa entre o bem-estar dos gays e o ranking do país no índice de capitalismo de compadrio (crony capitalism). Segundo o gráfico, quanto mais distante da origem está a medida de crony capitalism, mais embaixo no ranking desta varíavel o país está (o que, digamos, é “bom” para o país, supondo que a opção mutuamente excludente é um good capitalism).

Uma correlação negativa indicaria que um maior bem-estar dos gays ocorre em países com um capitalismo menos crony, embora não seja possível dizer nada sobre a causalidade destas variáveis. Mais ainda, esta correlação, como sabemos, pode ser falsa no sentido de que pode existir uma variável omitida (ou várias variáveis omitidas) importantes na explicação do fenômeno em questão.

Entretanto, eu diria que as teorias econômicas, em geral, dariam suporte para esta correlação. Afinal, um capitalismo mais livre significa que há menos discriminação de pessoas por critérios outros que não a eficiência econômica e não há qualquer motivo para alguém dizer que gays são menos eficientes (lembre-se de Alan Turing ou John M. Keynes, para citar apenas dois exemplos).

Bom, é isso. A inspiração não está lá muito alta hoje e fenômenos econômicos são por demais complexos para serem seriamente discutidos apenas em um pequeno texto como este. Mas fica a dica para você, (e)leitor(a): o índice de crony capitalism mereceria uma extensão. Um bom tema para um mestrado ou doutorado, claro.

Grupos de interesse causam esclerose econômica?

Olson disse que sim e eu e o Leo Monasterio checamos o resultado para o Brasil em um dos meus artigos mais interessantes (para mim). Entretanto, eis que surge um artigo com novas conclusões para um grupo de países. Ele foi publicado na edição de Outubro do Southern Economic Journal (não tenho o link, mas é fácil de achar). Eis seu resumo:

Interest Groups and the ‘‘Rise and Decline’’ of Growth
Jac C. Heckelman and Bonnie Wilson

Interest groups are known to exert a sclerotic impact on mean growth, à la Olson (1982). It is unknown, however, what impact (if any) groups exert on the volatility of growth—an important hindrance to development. In this article, we first consider what impact we should expect Olson groups to have on the volatility of growth. We then estimate the relation between groups and growth volatility in a cross-country panel, using system generalized method of moments. The findings indicate that groups are associated with growth stability. In addition, the findings suggest that interest groups may be a source of the stability observed in democracies.

Tudo depende, então, de se os benefícios menos os custos da estabilidade são ou não, em termos líquidos, positivos. O texto levanta novas questões sobre este – sempre polêmico – tema. Sobre os dados: são 824 observações de um painel não-balanceado (164 países nos períodos: 1973–1977, 1980–1984, 1985–1989, 1995–1999, 1999–2003, 2002–2006).

É, tenho que ler mais. Assim que tiver tempo.

Como Baumol ainda é meu economista favorito para o Nobel…

Resolvi citar um artigo bacana sobre ele. Saiu no Journal of Business Venturing, 2008 e o autor é o sempre ótimo Russ Sobel.

Testing Baumol: Institutional quality and the productivity of entrepreneurship

Russell S. Sobel 

Abstract
Baumol’s [Baumol, W.J., 1990. Entrepreneurship: productive, unproductive and destructive. Journal of Political Economy 98 (5), 893–921] theory of productive and unproductive entrepreneurship is a significant recent contribution to the economics of entrepreneurship literature. He hypothesizes that entrepreneurial individuals channel their effort in different directions depending on the quality of prevailing economic, political, and legal institutions. This institutional structure determines the relative reward to investing entrepreneurial energies into productive market activities versus unproductive political and legal activities (e.g., lobbying and lawsuits). Good institutions channel effort into productive entrepreneurship, sustaining higher rates of economic growth. I test and confirm Baumol’s theory, and discuss its significance to the literature, economic prosperity, and policy reform. 

Viram só? Baumol é o cara!

Falhas de Governo: o dia em que Getúlio Vargas destruiu a primeira bibioteca infantil do Brasil

Cecília Meireles: empreendedora da leitura

Vem deste blog a narrativa sobre a primeira biblioteca infantil brasileira que foi fundada e administrada por Cecília Meireles. Reproduzo porque esta foi, para mim, surpreendentemente, o melhor exemplo de falhas de governo. Vejam só:

Cecília exerceu, com destaque, a função de educadora ao organizar e dirigir a primeira biblioteca infantil brasileira. A biblioteca funcionou no Pavilhão Mourisco, enseada do Botafogo, no período de 1934 a 1937. Por sua amplitude, passou a denominar-se Centro de Cultura Infantil.

Jussara Pimenta, no ensaio “Leitura e Encantamento: A Biblioteca Infantil do Pavilhão Mourisco” (In: Poética da Educação, 2001) afirma que o Pavilhão Mourisco, um prédio em estilo neopersa, foi criado para servir de café concerto e tornou-se um bar restaurante muito frequentado pela sociedade carioca. Estava um pouco abandonado na época em que Anísio Teixeira, diretor do Departamento de Educação, resolveu transformá-lo em biblioteca infantil.

A inauguração aconteceu no dia 15 de agosto de 1934 e foi muito prestigiada. Contou com a presença de Pedro Ernesto, prefeito do Rio de Janeiro, e do Diretor do Departamento de Educação.

 

Pavilhão MouriscoOk, Cecília convence o governo a gerar uma belo bem público na figura da primeira biblioteca infantil brasileira. Não há como não ficar emocionado, ainda mais que não existem evidências de que Cecília Meireles agisse em prol de grupos de interesse. Parece uma genuína preocupação com a educação. Sabemos que não existem anjos, mas o fato é que a poetisa fez o que eu chamo, hoje em dia, de…gol da Alemanha!

Getúlio Vargas: pai dos pobres e analfabetizador de crianças

Mas, claro, estamos falando de um país com instituições muito pouco inclusivas – no sentido moderno que lhes dão os economistas (Acemoglu, Robinson, Bergstron, Persson, etc) – e, portanto, você já adivinha o que vem.

Nada dura para sempre. Em 19 de outubro de 1937, sob a vigência do Estado Novo, a biblioteca infantil foi invadida pelo interventor do Distrito Federal e teve as portas cerradas com a justificativa: “em seu acervo abrigava um livro de conotações comunistas”. O livro era “As aventuras de Tom Sawyer”, do escritor americano Mark Twain.

A diretora protestou pelo fechamento da biblioteca e a falsa acusação de ter no acervo um livro comunista. Era um absurdo! Os jornais da Europa e Estados Unidos deram destaque à medida arbitrária e descabida do governo de Getúlio Vargas. Tudo foi inútil. A biblioteca foi fechada e serviu depois para um ponto de coleta de impostos. Arrecadar dinheiro é mais importante do que a educar.

A blogueira, então, arremata a breve história da biblioteca com tristeza. Não é para menos. Vejam o que o governo, este bondoso Leviatã que deveria corrigir externalidades, fez. Invadiu e fechou a biblioteca com uma justificativa, no mínimo, grotesca e, não obstante, mostrou a que veio: transformou o local em um ponto de coleta de impostos.

Provavelmente o discurso do governo deve ter sido o de que os impostos serviriam para gerar bens públicos para a população ou para corrigir externalidades (tudo isto dito de alguma forma diferente, com palavras como “progresso”, “estatais”, “tudo pelo social”, etc). É realmente tragicômica a história deste país. Nem as crianças escapam da fúria arrecadatória do governo.

A gente ouve que o discurso oficial era de que Getúlio foi o “pai dos pobres”. Bom, como o capital humano (educação) é o que tira a gente da pobreza, esta ação do ditador – homenageado em praças, ruas e avenidas pelo Brasil afora – mostra que, sim, ele foi o pai dos pobres, mas em um sentido mais diabólico.

Finalmente…

Muita gente fala de exemplos de rent-seeking usando exemplos norte-americanos. É verdade que na falta de tempo, a gente importa exemplos de lá. Entretanto, não é preciso ir muito longe. Basta pesquisar um pouco nossa história e a gente descobre muitos exemplos. Um dia destes ainda escrevo um livro de Economia Política na História Brasileira e procuro um editor que tenha interesse em perder dinheiro comigo. Nestes últimos dez anos tenho feito acumular uma pilha de exemplos de como nosso governo mantém-se ineficiente ao longo das eras. No final do dia, Mancur Olson, James Buchanan e Gordon Tullock são muito mais úteis para explicar nossa realidade do que outros autores. Pelo menos é assim que vejo.

Como deve ter sido triste para as crianças perder uma biblioteca infantil e, claro, como deve ter sido triste para alguns pais ver a máquina coletora de impostos do Leviatã brasileiro crescer. Mas assim é como deve funcionar o governo brasileiro, na visão de alguns, não? Devem escolher vencedores o que é a mesma coisa de escolher…perdedores. Perdeu a sociedade como todo, ganharam o governo e os favorecidos com a coleta de impostos. Educação, claro, para poucos. Certamente não dá para chamar de gol da Alemanha

Socialistas e Empresários podem se unir em torno de interesses comuns? A Emporiofobia novamente.

For the first time in human history, modern consumer culture has come to hold out the ideal of comfort as a plausible full-time expectation and worthy human aim. We live in the time of comfort foods, comfort zones, humidity comfort indices, being comfortable in your own skin. But there are values that are not compatible with comfort, and those include values crucial to the adventure you’re about to undertake.

Nada como um trecho de um discurso de boas-vindas para novos alunos que não deixa de falar algumas verdades. Afinal, sem determinados valores e comodamente acostumados com uma vida tranquila, não passamos de sacos de pipocas jogados no sofá, não é? Sair da zona de conforto e encarar um mundo cheio de incertezas é um valor tão antigo para a humanidade quanto compatível com o funcionamento de uma sociedade em que trocas voluntárias são sinônimo de prosperidade.

Mais um pouco:

But the fact that comfort promotes mediocrity is not the only problem. I will be amazed if you are not carrying around in your head a chatter of voices assuring you that you should already know what you’re going to be in later life, and should plan your Duke career to enable the systematic acquisition of all the merit badges that will assure your arrival at that happy goal.  There are many contributors to this inward chorus — natural anxieties, an unreliable economy that has heightened the perception of risk, a media and political chorus convinced that education has no value unless it aims straight for a job, parents who crave assurance that you will be set for life. These voices all reinforce the idea that there is one sure ultimate comfort: a career that will purge your life of uncertainty and risk. But allow me to say: you’re still very young, you can’t possibly already know for certain the eventual career that you are meant to occupy. To find that, you need to open your horizons, learn the range of possibilities, and find what fulfills and motivates you. Duke can be just the space of exploration and discovery that you need, but only if you free yourself from the need to know the answer in advance.

Um verdadeiro balde de água fria na visão emporiofóbica que une aqueles que poderíamos chamar de paulofreiristas (querem destruir a sociedade de mercado porque são socialistas) e rent-seekers (desejam uma sociedade de mercado, mas não os valores que potencializam seus efeitos para todas as pessoas).

Aliás, esta é uma aliança que, creio, explica muito do comportamento de boa parte dos brasileiros. Amantes do capitalismo de compadres (crony capitalism) são os maiores aliados dos tradicionais emporiofóbicos ideológicos (socialistas e afins) e, por isso, não ligam para distorções que se ensina para crianças porque, afinal, desejam construir uma sociedade baseada em privilégios (para si) e, caso fracassem, querem ter a quem culpar (e aí, erroneamente, jogarão a culpa no “mercado selvagem”, etc).

No fundo, há uma questão de dilema do prisioneiro simples aí, mas eu queria mesmo era destacar a aliança baptists-bootleggers que caracteriza os principais interessados na manutenção de um capitalismo de compadres como o nosso. Some-se a isto os velhos dilemas da ação coletiva (os incentivos desalinhados) e você explicará boa parte do curioso fenômeno que é o sujeito se dizer liberal mas não se preocupar com um ensino distorcido que busca doutrinar seu filho (contra os valores liberais que ele aprende em casa), por exemplo. Será?

A dica do texto é da Christiane Albuquerque.

Não é o socialismo, é o “rent-seeking”.

Quer saber o que acontecerá no Brasil com a liberdade de imprensa? Não, não será a estatização. Aqui a estratégia é mais malandra. Será tal e qual…

Em junho e julho de 1938, Goebbels rejeitou a tentativa de Amann de transferir todos os grandes jornais para o Estado, mas, pouco tempo depois, concordou que o rico editor transferisse paulatinamente ‘todos os jornais para a sua propriedade’ contanto que a ‘direção política’ ficasse com o ministro da Propaganda e todas as mudanças de pessoal nos jornais influentes fossem combinadas com ele. [Longerich, P. (2014) Joseph Goebbles – uma biografia, Objetiva, p.324]

O nome disso aí? Ué, rent-seeking. O tipo de empreendimento favorito de empresários que adoram minimizar riscos associando a qualquer escória, dando sua liberdade (e a dos outros) em troca de um monopólio qualquer.

As pessoas acham que há uma prevalência da ideologia enquanto motivo último das ações de políticos e burocratas quando, na maioria das vezes, a motivação é bem mais mundana, mesmo, facilmente explicável pela Teoria Econômica básica: incentivos geram ações que geram resultados para a sociedade. Não é à toa que tantos não-economistas busquem desqualificar nossas explicações: morrem de medo de ficarem nus.

“Queria mesmo era que o tigre comesse o braço daquele opositor do nosso regime progressista!”

Rent-Seeking no humor – adendo

Lembra do Kol’tsov, no texto anterior? Pois é.

O Estado nunca poderia planejar como as pessoas ririam, nem do que ririam. Mesmo assim, tentou. Na época do Congresso, a profusão de textos de humor político na Rússia dos anos 1920 tinha sido cerceada com firmeza – as revistas foram fechadas e os escritores, silenciados. Na volta da Espanha, em 1938, Kol’tsov foi preso por Stalin e em 1940 foi executado. (mesma referência, p.69)

Ou seja, o controle social da mídia pelos sovietes levou-nos ao inevitável confronto entre controle da sociedade (eufemisticamente chamado hoje em dia de “controle social de ___”) pelo Estado e a individualidade própria dos seres humanos.

“Eu tive o que mereci: defendi o controle social da mídia e terminei executado pelo meu Grande Líder! Não é ótimo morrer nas mãos do Estado tendo sido humorista estatal?”

Rent-Seeking no Humor

Quando se levantou da poltrona no enorme salão e andou em direção ao pódio, Kol’tsov foi defender o valor da sátira, não porque acreditava na liberdade de imprensa, mas porque esse gênero literárioa era a fonte de seu poder político. (Ben Lewis, Foi-se o Martelo, p.66)

Muitas vezes é difícil visualizar o que acontece na realidade – e certamente a vulgata marxista não ajuda – pois ela é, sim, muito complexa. Eu diria que uma combinação de Hayek com Olson seria mais adequada para entender este pequeno – mas importante – trecho acerca da defesa da sátira na sociedade soviética.

A sátira pode muito bem ser pensada como algo perigoso. Assim se manifestou Vladimir Blium:

Zombar do Estado proletário pelo uso de velhos recursos satíricos e assim abalar suas fundações, rir dos primeiros passos – mesmo que incertos e desajeitados – da nova sociedade soviética é no mínimo imprudente e equivocado. (mesma referência anterior)

Reparou no aviso? Há um marco civil aí, gente! Não se pode fazer biografia não-autorizada paródia em um estado governado por trabalhadores proletários. Não é prudente. Pode levar seu autor a horas de interrogatórios em delegacias.

Em uma sociedade de partido único, discurso único, controle social da mídia, da escola, da família, do mercado, da saúde, do céu, do mar e da alma (1984…), meu caro, tal e qual na sociedade brasileira e afins, existem interesses e rent-seeking. A diferença é que, em sociedades chavistas, bolcheviques e afins, com o controle do pensamento em níveis absurdos, qualquer coisa vira motivo de luta por grupos de interesses. Assim, o malandro do Kol’tsov pôde lutar pelo seu direito de fazer sátira. É quase como estar em um livro de Kafka…

“Sátira faz bem também, amigo. Ainda mais em uma sociedade comunista, na qual o pão não está na prateleira. Nem mesmo aquele que o diabo do governo amassou”.

Sociedades inovadoras…(tente adivinhar o resto)

Como eu sempre digo, uma correlação não faz verão. Mas pode-se começar a pensar em alguns problemas do mundo real observando-se correlações. Pensando no post anterior, eis algumas, com o score do país no índice de inovação e variáveis como….

a) Liberdade econômica

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b) Índice de Falência Estatal (ranking)

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c) Índice de Filantropia (ranking)

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d) Cultura pró-mercado

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e) Índice de Cronismo (da The Economist)

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Como se vê, não dá para tirar conclusões com estas correlações bivariadas. Obviamente, você precisa de uma teoria para relacionar estas variáveis. E este não é o único problema. Afinal, os dados apresentados são todos de corte transversal e sabemos que pode haver uma dinâmica para cada variável, ao longo do tempo (embora também seja verdade que este tipo de variável tenha apresente pouca variação ao longo do tempo).

Então, antes de cair nos braços das conclusões apressadas, meu conselho é: escolha a teoria que vai utilizar.

Ah sim, eu continuo achando este indicador da The Economist um pouco complicado, no sentido de que não sei se ele, de fato, capta o cronismo das sociedades. Quanto aos demais, bem, você já os viu neste blog em diversas ocasiões. Basta ter paciência e fazer uma busca pelo blog que você os encontrará aqui (eu diria que sua pesquisa poderia começar em Dezembro de 2013).

 

É preciso ler mais Adam Smith, antes que seja tarde

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Pois é. Mas não basta ler Adam Smith. O Brasil tá cheio de auto-denominados liberais (ou libertários) que dizem que devemos ler este ou aquele autor. Há até exegeses, como se liberalismo fosse uma doutrina religiosa. Há institutos, grupos de estudo, etc.

Fazem mais de 20 anos que ouço falar a mesma coisa e, recentemente, conversando com um verdadeiro liberal, ele me fez a pergunta óbvia: por que não se tem nada produzido? São anos e anos de “vamos ler Mises”, “vamos ler Smith”, e não há uma única série de, digamos, índices de liberdade estaduais. Ou algo assim. Por que isto? Parece que nosso capitalismo de compadrio explica isto. Os grandes empresários só financiam discussões doutrinárias, que não colocam em risco seu poder de monopólio neste ou naquele setor. Nada de fazer um índice de liberdade econômica, meninos, porque isso vai gerar discussões sobre minhas relações com o governo.

Fato óbvio, até antigo, este de que empresários de um capitalismo de compadrio, não iriam mesmo além do discurso fácil. É muito bonito falar que é “anarco-capitalista”. Quero ver é alguém meter o traseiro na cadeira, pegar os livros, os dados, e fazer as pesquisas. Esta história de fugir da estatística tem, como diria a galera da Public Choice, uma explicação simples: interesses poderosos não querem ver medidas de concorrência porque atrapalham sua vida subsidiada e anti-mercado com o governo.

É por isto que não acredito mais em algumas pessoas do ramo: lucram com os estudantes, professores e filósofos liberais sem lhes patrocinar, realmente. Isto não diminui minha crença de que o caminho de Adam Smith é o melhor para o desenvolvimento econômico com prosperidade social. Isto só me mostra que Adam Smith, Hayek e outros tiveram as idéias certas e vislumbraram corretamente seus grandes inimigos.

Com a ajuda dos bolivarianos, claro, esta realidade que nos amarra a um sistema econômico ineficiente, desigual e atrasado defendida por supostos “anarco-liberais” que odeiam concorrência não mudará tão cedo. Claro, mudar dói. Quem é que não queria engatinhar ao invés de andar? Mas a realidade histórica nos mostra que dói menos do que dizem os defensores do obscurantismo e do liberalismo quadrúpede (este, que só é da boca para fora), melhor amigo do nacional-socialismo tupiniquim que adora o discurso militar ao mesmo tempo em que fala de “comissões da verdade”.

Churchill faz-se necessário. Pena que não ressuscitou na Páscoa (e no Brasil)…

A cultura e o cronismo – qual é mesmo a definição de “tigres asiáticos”?

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As pessoas gostam de falar dos “tigres asiáticos” como se os mesmos fossem bons exemplos de países “heterodoxos” (melhor seria: “pterodoxos”). Mas será que a causa da pujança destes países está em regimes fortes, com gerentões na presidência, com políticas industriais que escolhem “perdedores” (você não pode escolher um “vencedor” sem escolher “perdedores”, certo?) e com a contabilidade criativa em ação? Talvez não.

Veja, por exemplo, o gráfico acima. Temos a posição do país no ranking de cronismo (rent-seeking) da The Economist no eixo horizontal. No eixo vertical, a variável de cultura que mostra valores compatíveis com sociedades que privilegiam a alocação de recursos por meio do sistema de mercado. Ah, ok, as escalas são logaritmicas.

Então, veja, quanto mais à direita, no eixo horizontal, menos sujeito ao cronismo é o país. Já no eixo vertical, quanto mais para cima, mais a cultura do país privilegia aspectos (valores) que favorecem as trocas voluntárias entre as pessoas (isto, apesar do discurso errado que você ouviu do militante, é exatamente o que define o mercado).

Observe, no gráfico, onde estão Japão, China e Coréia do Sul. Os “tigres” não são tão tigres assim, não é? Repare em Taiwan e Cingapura, por exemplo. O caso da Rússia e da Ucrânia é mais interessante – já que o Putin resolveu brincar de Hitler agora – e você vê que sociedades com capitalismo com menor ênfase no mercado – como é o caso destes dois países – também são países caracterizados por alto índice de cronismo. Quem já estudou os incentivos que operam no socialismo real sabe que este não é um resultado surpreendente (leia qualquer artigo/livro do Janos Kornai, por exemplo).

O Brasil, claro, mostra um índice de cultura muito baixo e minha observação anedótica me diz que isto dificulta a evolução do país em direção à construção de instituições que privilegiem trocas voluntárias: as pessoas gostam de um ditador ou um presidente gerentão, autoritário, que lhes diga o que fazer e lhes dê de comer. Troca voluntária é vista como jogo de soma-zero (um erro grosseiro, mas repetido goebellianamente por supostos professores todos os dias…).

Minha observação anedótica é que brasileiro adota ditadores como nomes de praças, avenidas, ruas e fundações, como é o caso de Getúlio Vargas, não protesta para mudar este nomes e nem chama o golpe de Getúlio de golpe, mas de “revolução”. Somente quando alguns grupos de interesse agem é que você vê alguma mudança, mas repare que esta só diz respeito a ditadores que estes grupos não curtem como os da revolução (ou golpe?) de 1964.

Pois é. Então, se há algum aspecto “tigre” nos países do sudeste asiático, ele passa pela adoção de valores pró-mercado nestas sociedades. Dá o que pensar? Creio que sim. E olha que nem comentei o capital humano, também presente no gráfico.

Antes que você me pergunte sobre os dados, lembro que já os usei diversas vezes aqui, neste blog, anteriormente. Então, a “cultura” vem de trabalhos da Claudia Williamson (que também usei com Pedro e Ari neste artigo) e o índice de cronismo vem da The Economist. O capital humano, obviamente, é da famosa base de dados de Barro & Lee. Faça sua pesquisa neste blog e encontre as fontes. Ou vá pelo google mesmo.

Seu anti-liberal excludente!

Seu (neo)liberal excludente!

Embora a frase seja muito comum entre aqueles despreocupados com o significado do que dizem (afinal, o que seria um neoliberal?), o fato é que um pouco de análise estatística altera um pouco esta visão pouco trabalhada e rasteira da realidade.

Por exemplo, usando uma das medidas de capital humano do Robert Barro, o índice de filantropia (World Giving Index) e a variável de cultura usada por Claudia Williamson, observo que as coisas não são bem assim. Veja.

cultura_filantropia

 

Temos aí em cima um gráfico dividido por intervalos na medida de capital humano. O último segmento mostra que há três países para os quais não tenho esta variável e podemos desprezá-lo. Entretanto, o que observamos nos outros casos? Aparentemente, uma variação maior nos dados, que nos permite pensar em estimar relações.

Assim, vejamos a segmentação com dois métodos: um ajuste linear e um polinomial.

cultura_filantropia2

cultura_filant3

Pois é. Com quatro segmentos, praticamente perdemos os dois extremos. O que dizer dos países com muito pouco ou com nenhum capital humano na base de dados? Assim, eu recalculei o número de segmentos.

cultura_filant4

Repare que, na amostra, a maior parte está concentrada na faixa intermerdiária. Não há tantas observações assim no primeiro segmento. Assim, vamos para mais uma rodada.

cultu_6Eu sei o que você vai dizer: que eu deveria ter feito apenas um gráfico. Na verdade, não. O ponto do argumento aqui foi o de verificar se havia diferenciação por faixas de capital humano. A educação, de fato, faz diferença? Veja, se eu seguir o ajuste linear, encontrarei uma relação positiva e, no caso polinomial, o ajuste não é tão diferente assim. Mas a dispersão é realmente um fator bem pouco conclusivo.

Liberal excludente? Ou socialista excludente?

Pelo que vimos acima, não há motivos para se rotular “liberais” de excludentes. Aliás, o ajuste mostra uma ligeira vantagem, digamos, moral, para os liberais e sua cultura individualista (não me confunda com os randianos, por favor). Isto não é algo que me espanta, para ser sincero. Afinal, em uma cultura rent-seeking, o objetivo é sempre criar leis, incentivar a ação de advogados, buscar mudanças nas leis, tudo isto para transferir recursos de parcelas da sociedade para grupos de interesse específicos. O que pode ser mais excludente do que justificar a transferência do fruto de seu trabalho – sem contrapartida monetária – para algum grupo específico? Só consigo imaginar no roubo, que é exatamente a mesma coisa, só que sem o consentimento legal.

Há mais, há mais…

Eu sei, há mais. Como isto é apenas um post na internet, certamente não é conclusivo em nada. Mas o leitor pode sair daqui com uma certeza: não dá para associar “liberalismo” com “desejo de excluir as pessoas da sociedade” ou com algum tipo de perversão anti-social.

p.s. Mais sobre cultura aqui.

Ainda o índice da The Economist e um pouco sobre como evitar o “wishful thinking” (breve Momento R do Dia)

Interessante aquele índice de cronismo (uma proxy de rent-seeking) criado pelo pessoal da The Economist, citado por aqui por estes dias.

Agora, vejamos a relação entre os valores da liberdade econômica (maior, mais livre) e a posição no ranking de cronismo (quanto maior, menos rent-seeking), mas com uma diferença: vou separar a amostra em países de código legal de origem britânica e os demais. Eu esperava ver o contrário do que vi.

cronismo_novamente

Poderia ser que países que já estão próximos ao seu nível ótimo de liberdade econômica (como é o caso dos amiguinhos azuis), aproximam-se também de uma sociedade na qual os grupos de interesse lutam com mais estabilidade para transferir rendas e, no caso dos outros países, ainda com instituições frágeis, a relação é tal que há espaço para melhoria institucional e, portanto, a relação seria positiva?

Em outras palavras, digamos que a figura acima seja uma boa representação da realidade (eu não creio nisto, mas é um bom exercício). Então, se estou em 2013 no Brasil, tenho baixa liberdade econômica e também tenho menos cronismo porque as más instituições nem permitem uma atividade mais intensa de rent-seeking. É algo contra-intuitivo, eu sei, porque dizemos que as más instituições existem justamente por conta do alto grau de rent-seeking na sociedade.

Bom, também o ajuste não é lá aquelas coisas (e seria ele linear?) e temos poucos países na amostra. Minha conclusão é temos mais uma evidência de que o índice de cronismo da The Economist ainda precisa ser bastante aperfeiçoado. Por exemplo, alguém, lá no livro de caras, falou do problema da corrupção. “- Justamente no PIB que “sumiu” é que está o cronismo”, disse ele. Tendo a concordar com o argumento.

Outra evidência, para dar esperança ao leitor(a):

cronismo_failed

O índice de falência dos estados pode ser pensado como um índice de (má) qualidade institucional. A diferença é que, para países de código legal de origem não-britânica, agora, temos uma relação mais inclinada entre as duas variáveis. Assim, digamos, andar uma posição a mais no índice de cronismo (galgar posições para o primeiro lugar) significa estar correlacionado com uma piora na qualidade do estado maior em países de códigos legais de origem não-britânica. Novamente: não é porque o resultado parece interessante que esta correlação se torna magicamente melhor que a anterior.

Ok, você já viu onde quero chegar, não? A análise de bases de dados como esta tem que ser feita com muita cautela. Uma correlação, sozinha, não nos diz muita coisa. Aliás, as duas, aqui, parecem algo contraditórias. E olha que nem falamos da questão de como estes dados são medidos.

Não tem jeito. Para se vacinar contra o wishful thinking, você tem que fazer uma análise estatística detalhada dos dados. Bem, isto fica para outro dia. Ah sim, os comandos em R.

fator <- factor(legor_uk,levels=c(0,1),
labels=c("Non-UK","UK"))

qplot(failed,crony_rank , geom=c("point", "smooth"),
method="lm", formula=y~x, color=fator,
main="Cronismo e Falência dos Estados (por origem do codigo legal)",
xlab="Failed States Index 2013", ylab="Crony Ranking")

Capitalismo de Compadres: não parece compatível com o individualismo ou o liberalismo

The Economist, sempre ela, tem jornalistas inteligentes que vão além da simples notificação dos fatos, ou mesmo da emissão de suas opiniões: eles trabalham para testar suas convicções.

Então, vejam só, agora fizeram um índice de capitalismo de compadrio (crony capitalism index). Confesso que ainda estou surpreso com o resultado, mas a metodologia do índice poderia ser diferente, não é? Não sei se esta história das “grandes fortunas” é uma medida que me convence. Mas, sim, achei super interessante a idéia. Gostaria de tê-la tido antes.

Também gostaria de ter tido recursos para medi-la mas os supostamente ricos think tanks libertários brasileiros ou não gostam de Estatística, ou não têm recursos, ou não os aplicam em construções de indicadores. Tem gente que fala de IBASE, com aquelas teorias da conspiração (“li no jornal que X jantou com Y, é golpe da direita”…embora “li que acharam fulano com dólares na cueca e tem até foto….é golpe da direita) engraçadas que vendem livros (de ficção) e roteiros de filmes. Mas o fato é que os libertários brasileiros ou estão embolsando todo este dinheiro ou são péssimos para usar os mecanismos de mercado. Ou então não há tanto dinheiro assim. Ou, claro, uma combinação convexa destas hipóteses.

Mas o pessoal da The Economist deu um belo passo na discussão sobre rent-seeking no mundo.

Vocês já sabem, né? Eu gostaria de ver algumas correlações. Entretanto, só temos um ano para esta série. Como tirar conclusões mais detalhadas assim? Simples: não dá.

Tem muita gente falando de rent-seeking por aí, na imprensa. Há o livro do Lazzarini – que preciso comprar e/ou ganhar de presente – e há um papo aí que finalmente chegou aos bons restaurantes paulistas, sobre este tema.

Como sempre, lembro que esta questão foi tratada pela minha primeira publicação científica (e também pelo meu primeiro artigo escrito com alguém que eu não conhecia) lá nos idos dos anos 2000.

Meu co-autor, um destacado economista do IPEA hoje em dia, é um sujeito cujo blog você deveria acompanhar. Ele anda mais quieto no mundo que chamamos de “blogosfera”, mas é sempre alguém com quem vale a pena conversar – inclusive sobre Economia.

Mas eu olho para estes dados, para esta tabela, e a vontade de fazer alguma coisa com ela é grande. É tão fácil fazer correlações hoje em dia. Vou te dizer, já que a The Economist fez uma correlação com esta medida de qualidade institucional, vou olhar para uma outra medida de instituição informal.

cronismo

 

Olha aí o índice de cultura usado pela Claudia Williamson em um de seus trabalhos (pesquise em sua página…nós usamos a mesma variável aqui) e o ranking de cronismo. Em resumo, o índice de cultura mostra valores pró-mercado (caso você seja contra o “individualismo”, pode começar a chorar…). Achei interessante a correlação, apesar dos poucos dados desta amostra. Com todas as limitações (e eu não vou reclamar do tamanho da amostra porque eu não construí uma amostra maior…se você quiser, be my guest), a correlação parece fazer sentido com as teorias econômicas que abordam o papel das instituições: sociedades com valores mais liberais também são as que estão nos últimos lugares no ranking de cronismo.

Será que esta correlação é robusta a outras variáveis? Bom, aí tem que trabalhar mais e e eu nem almocei (a Lorena e a Charline, minhas orientandas, fazem monografias em temas correlatos, então, um dia destes, eu volto com novidades sobre o tema, ok?). Então é isto. Até mais.

Seu dinheiro vai para o governo em impostos e…como eles são gastos?

Mansueto tem um texto muito importante hoje, no blog dele.

Há duas coisas que tenho certeza. Primeiro, apesar de todo o tipo de controle que hoje existe no Brasil sobre o uso de recursos públicos, o custo das políticas públicas não é transparente. Um dos meus hobbies favoritos é perguntar para pessoas que defendem a tese que o orçamento no Brasil é transparente o custo de vários programas do setor público. Rapidamente consigo mostrar como é difícil saber o custo dos programas públicos no Brasil.

 

Segundo, esse problema de falta de transparência no Brasil é muito maior no caso de politicas setoriais do que nas políticas sociais. Quando se olha o crescimento da gasto público não financeiro, nota-se de forma clara que os grandes programas sociais (bolsa família, LOAS, etc) pelo menos aparecem de forma clara no orçamento e como são despesas de caráter obrigatório, os programas de transferências de renda não geram passivos (restos a pagar) para os exercícios fiscais seguintes.

 

Como se vê, Mansueto sabe do que fala. No primeiro ponto: cadê o custo? No segundo, as famigeradas políticas setoriais. Eu imaginaria até que o modelo de grupos de interesse organizados e desorganizados (clássico tema de Public Choice) se aplica. Grupos de interesse setoriais têm menores custos de organização do que, digamos, os consumidores do Brasil, por uma questão matemática elementar: são em menor número.

Estes grupos ganham às custas da sociedade? Eu e o Leo Monasterio, há uns 10 anos ou mais, fizemo-nos esta pergunta. Curiosamente, deve ter sido um dos primeiros artigos empíricos de rent-seeking aplicado ao Brasil e muita gente tem tratado recentemente do tema sem fazer o dever de casa elementar: a revisão da literatura (em Ciências Econômicas, como em qualquer outra área, é comum vendo todo mundo querendo ser pai da criança quando a mesma é um bebê lindinho e popular…). Já mostrávamos lá naquele artigo boas evidências econométricas de que grupos de interesses atuavam no Brasil, gerando queda na prosperidade econômica.

De certa forma, não é tão difícil entender a lógica dos movimentos sociais atualmente: todos querem fazer rent-seeking. Nenhum, praticamente, deseja atuar por todos os cidadãos, mas apenas para seus associados (outra lógica clássica: a dos sindicatos…).

Faz parte da democracia dar voz a todos e, claro, também faz parte da democracia ser ineficiente quando existem milhares de grupos específicos se preocupando em repartir as receitas do Estado. O efeito? Provavelmente aumentos da carga tributária. No caso do Brasil, isto revolta a população que, claro, elegerá qualquer um que lhes dê um quinhão disto tudo (eis aqui alguma controvérsia sobre este segundo ponto). Resultado disto: novamente o mesmo efeito. Bom, eu estou imaginando que o governo não vai diminuir seus gastos, né?

Só para não ficar sem conclusão, o Mansueto não toca em um tema (mas nem é objetivo dele fazê-lo) que pode ser potencialmente interessante: por que é que lá nos EUA o controle dos gastos públicos é maior do que aqui? Em outras palavras, o que é que gera um controle mais eficiente de gastos públicos? São as instituições (no sentido de Douglass North)? Há uma literatura bem vasta sobre o tema e vale a pena pensar sobre este problema. Afinal, o mundo não é simplesmente G-T, né?