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Quebras estruturais e preços do boi gordo: mais um artigo publicado

Acabo de ser informado – não pela revista, mas por um colega – que meu artigo com o Ari e com o Guilherme (meu ex-aluno) foi finalmente publicado na Economia Aplicada. Eis o endereço e eis o resumo:

O objetivo deste artigo é analisar a existência de quebras estruturais na série do preço do boi gordo (por arroba) no estado de São Paulo entre 1954 e 2012. Devido às especificidades do preço do boi gordo (sazonalidade e ciclos) e também à importância da bovinocultura na agropecuária brasileira, a série foi anteriormente utilizada para discussão e estudo de testes econométricos, como análise de raiz unitária sazonal, modelos de transferência e cointegração. Neste trabalho, testam-se se quebras estruturais apresentam origem em determinados eventos históricos, inclusive intervenções governamentais. A principal metodologia utilizada para identificação e estimação das quebras é a desenvolvida por Bai & Perron (1998, 2003). Os resultados sugerem que as intervenções governamentais, especialmente os planos de estabilização, levaram a mudanças significativas no comportamento do preço do boi gordo.

Meus co-autores ajudaram um bocado, mas destaco o empenho do Guilherme em estudar um assunto que, na época, era-lhe novo. Sobre o Ari, não preciso comentar, é um dos melhores co-autores que tenho em várias empreitadas científicas.

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Momento R do Dia – A taxa de câmbio brasileira e seu comportamento recente (visão preliminaríssima)

cambio_recenteDando uma olhada rápida na taxa de câmbio e procurando por alguma quebra estrutural (nada definitivo), deparei-me com os seguintes resultados (preliminares):

29/05/2012, 07/06/2013 (no caderno de Economia do Estadão, a manchete era o rebaixamento do Brasil por alguma agência de risco), 05/11/2013 (no mesmo caderno, o indicador do BC indicava retração da atividade econômica) e 03/04/2013 (idem, o BC elevava a taxa de juros).

Não fiz uma pesquisa exaustiva por jornais e datas ao redor (e não consegui achar nada para a primeira data). Tem alguma sugestão?

A dica de R: novamente o pacote “zoo”

library(zoo)
base <- read.zoo("C:/cambio_Brasil3.csv",header=TRUE,sep=",",format = "%Y-%m-%d")
head(base)
summary(base)
plot(base)
interpolated<-na.approx(base)
plot(interpolated)
x3<-window(x=interpolated, start=c("2012-01-01"))
plot(x3, ylab="R$/US$", xlab="dias úteis (c/interpolação)", main="Evolução da Taxa de Câmbio")

Pois é. A dica é a seguinte: os dados que tenho são para semanas de 5 dias (dias úteis) e, eventualmente, há “buracos” na base (preenchidos com “NA”). Em casos como este, há várias formas de se preencher os buracos. Escolhi a interpolação default do R.

Só para você ter uma idéia da planilha, eis um “printcreen” da tela.

tela_cambio

Pois é. Repare que, diferente da dica que dei sobre o pacote zoo anteriormente, neste importei os dados de forma mais simples, informando ao programa o formato da data (coluna “A” da planilha).

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A produção industrial é manchete…vamos falar dela então!

O prof. Pastore afirma, com razão, no Estadão hoje que não é fácil interpretar os sinais emitidos pela série da PIM-PF, conhecida como produção industrial mensal, divulgada pelo IBGE. Ele está certo. O problema de extração de sinal não é trivial, exceto em problemas triviais, claro.

Pois é. A notícia é que a PIM-PF, na série dessazonalizada, caiu 3.5%. O leitor mais frequente sabe que já andei brincando com a série da PIM-PF por aqui. Hoje eu não vou apresentar previsões desta série, mas apenas um gráfico (ah sim, gráficos e tudo o mais feitos no software livre R).

pim_pf_2014

 

O que temos aqui é a produção industrial logaritmizada (lprod), no período Jan/1991 a Dez/2013. Não lhe tirei a sazonalidade e, portanto, o leitor deve tomar cuidado antes de comparar meu texto com a divulgação do IBGE ou qualquer outro artigo sobre o tema.

Ah sim, no gráfico, você pode observar, eu apliquei um destes testes de quebras estruturais endógenas, só para ver o que ele poderia me dizer, gerando os cortes verticais no gráfico. As barras vermelhas no eixo horizontal são os intervalos de confiança para as quebras estimadas (os meses de quebra são: Abr/1994, Abr/2000, Fev/2004 e Abr/2007) e não vamos entrar em detalhes sobre isto aqui deixando como lembrete aos leitores que, sim o prof. Pastore tem razão: não é trivial estudar a série.

Outro gráfico que acho extremamente didático para ajudar a entender uma série de tempo é o que está aí embaixo.

lprod_month

 

 

Repare no eixo horizontal. O que temos aí são os meses. Então, “J” significa que o primeiro rabisco ali, à esquerda, são os valores da variável alinhados cronologicamente, sempre para Janeiro. Ou seja, vemos que a produção industrial havia crescido persistentemente (ou quase, há umas pequenas quedas, mas nada que interrompa a trajetória de subida observada) desde 1991, em todos os “Janeiros”. A barra horizontal é a média dos valores de todos os valores de Janeiro na amostra.

Para todos os meses temos retas positivamente inclinadas com uma perigosa inflexão ao final (ou seja, nos meses dos anos mais recentes). Eis aí o mau desempenho da indústria de que todos falam. Eu não dessazonalizei a série, mas os que o fizeram acabaram de divulgar na imprensa suas tristezas com a esta série…

Os leitores que cursam Econometria certamente acharão este post simples, incompleto e meio bobo. Mas se os outros leitores, os que não são muito próximos à área, ou que estão iniciando seus trabalhos em Economia por este semestre chegarem aqui e aprenderem algo novo, já estou satisfeito. Atiçar a curiosidade é sempre bom. Bem, quase sempre.

 

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Momento R do Dia: Bitcoins e (uma pretensa introdução superficial a uma conversa posterior sobre) Quebras Estruturais

bitcoin2

O momento R do dia é um pouco mais simples hoje, embora com mais frases. Primeiro, os dados acima são de 2013-01-01 até ontem (sábado) e tive que copiar e colar daqui.

Os dados são diários e, para isso, devemos trabalhar com o pacote zoo. Eis alguns comandos:

library(zoo)

teste <- read.zoo(“bitcoin3.csv”, header=TRUE, sep=”,”, format = “%m/%d/%Y”)

head(teste)

Os comandos acima importam os dados da planilha bitcoin3.csv, ordenados por coluna. Para fazer o gráfico acima, aproveitei-me da simplicidade do pacote lattice.

library(lattice)

xyplot(teste$Weighted_Price)

O gráfico acima, assim, é a série do preço, digamos, médio, do mtgox, a série de bitcoins mais longa que encontrei (embora ela tenha um problema no meio de 2011, motivo pelo qual eu tive que trabalhar com uma série menor (e o gráfico acima é um subconjunto desta série menor). O problema é alguma anomalia que ocorre de 20 a 25 de junho de 2011. Não sei a causa (e agradeço a quem souber).

Eu planejava fazer um post maior, sobre quebras estruturais, mas este gráfico é tão esdrúxulo – começa praticamente estacionário e muda de comportamento – que resolvi deixar esta discussão para depois. O fato é que, fazendo uma rápida análise, não consegui ver alguns fatos destacados por este jornalista.

Há vários testes de quebras estruturais em R e pretendo, ao longo dos próximos meses, usá-los aqui, com vocês. Mas entre minha intenção e a realização da mesma passam muitas quebras estruturais…

p.s. esta conversa toda sobre bitcoins e quebras começou numca conversa com o prof. Diogo Costa que, por algum motivo, ficou curioso sobre este mercado. Um outro aluno, o Jean, também queria discutir este tema. Eu, particularmente, não tenho o menor interesse em bitcoins, exceto como o de uma série adicional para exercícios de Econometria de séries de tempo. Bom, caso eu perceba que vá ganhar dinheiro com isto, aí é que vocês não me ouvirão falar mais disto por um bom tempo. ^_^

p.s.2. Ok, assim que sobrar um tempinho, eu coloco uma análise básica de quebras aqui, só para satisfazer os mais depravados.

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Quebras Estruturais no Regime Cambial Brasileiro?

Embora alguns achem que é só “olhar o gráfico” para ver se há quebras (uma abordagem bastante interessante, se você for um arqueológo estudando práticas econométricas primitivas, de uma era distante…), as coisas não são tão simples assim (os testes de raízes unitárias que o digam!).

Além disso, é necessário estudar um pouco os testes de quebra estrutural para saber quais são suas limitações e que opções existem.

Bem, junto com os imbatíveis Reginaldo e Ari, publicamos nosso primeiro paper conjunto exatamente hoje, aqui. Sim, o tema é exatamente este aí do título.