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Google Trends e nós: mais um artigo publicado

Com dois anos de atraso (2012, vai…) – a USP Leste teve vários problemas de instalação, lembram? – acaba de ser publicado meu artigo com Renato Byrro, Ari e Salvato na Revista Gestão & Políticas Públicas.

A idéia inicial, do Renato, ainda no Nepom, foi usar o Google Trends para análises de conjuntura. Após buscar a bibliografia, descobrimos que o grande Hal Varian já havia feito algo assim. Ele e mais uns outros. Daí desenvolveu-se o restante da história.

Quanto ao resumo do artigo…

This article’s aim is to replicate the tests of Choi & Varian (2009a) for Brazilian economic variables, analyzing ARIMA time series models and evaluating the reduction in forecasting errors when introducing a Google Trends variable in order to check if this is a good leading indicator. We used time series related to the labor market and credit market. For the first, the forecasting of the unemployment insurance had a better performance after the inclusion of the Google Trends. Regarding the unemployment rate, the performance was not good. For the credit market we used two series: concession of lendings linked to credit card and mortgages. Their forecasting were not better after the inclusion of the Google Trends.

Ah sim, para um gráfico que possa despertar sua curiosidade…

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Bem, é isto. Mais um artigo publicado!

Tendências, Previsões, Google e Hal Varian: aposto que você já ouviu falar de pelo menos dois deles!

Lembra do Google Trends? Bem, você não deveria desprezá-lo. Eis meu exemplo.

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Ok, pode não ser o serviço mais interessante do mundo, se você pensar nele como um simples mecanismo de busca. Mas você pode fazer como Choi & Varian (2009). Ah, o código, no final do texto, foi escrito em…………….R! Isso mesmo.

A previsão é boa? Citando os autores em uma das séries:

Note that the model that includes the Google Trends query index has smaller absolute errors in most months, and its mean absolute error over the entire forecast period is about 3 percent smaller. (Figure 1.4). Since July 2008, both models tend to overpredict sales nd Model 0 tends to overpredict by more.It appears that the query index helps capture the fact that consumer interest in automotive purchase has declined during this period.(p.4)

É, você não deveria desprezar o R, heim?

UPDATE: Alguns slides, apresentação deles, em vídeo.

Espero que, no futuro, eu possa esperar mais do que espero hoje!

Pessimismo com o PIB? Ninguém esperava nada muito diferente, né? Trecho:

Após a prévia do PIB ter decepcionado o mercado na sexta-feira, economistas já começam a rever suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A previsão de crescimento da economia brasileira em 2014 passou de 1,90% para 1,79% na pesquisa Focus do Banco Central. Para 2015, a estimativa recuou de 2,20% para 2,10%. Há quatro semanas, as projeções eram, respectivamente, de 2% e 2,50%.

O IBC-Br já não foi lá aquelas coisas. O passado recente não foi lá aquelas coisas e o futoro que se espera também não…já está repetitivo, eu sei. As expectativas quanto ao futuro em ano eleitoral poderiam ser melhor?

Abre alas que a política quer passar!

Olha, eu diria que poderiam se houvesse um pouco mais de seriedade quanto às regras do jogo. Há um tempo atrás Brender & Drazen [Brender & Drazen (2006)] encontraram evidências de que a política poderia ser melhor com a prática. Como assim? Em resumo, é como se eu te dissesse que eles encontraram sólidas evidências estatísticas de que a prática eleitoral constante faz com que os eleitores aprendam a controlar melhor seus políticos (um resumo grosseiro, mas, ei, você pode ler o artigo).

Por exemplo, pense no caso do desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal. No dizer dos autores, isto só ocorre porque estamos há pouco tempo em democracia (somos uma democracia jovem, na definição do trabalho deles). Não quer dizer que não possam surgir governos super-irresponsáveis como o da Grécia, que jamais fez o que deveria ter feito (lembro-me de citar, neste blog, ou em outro lugar, o trabalho do Robert Mundell, sobre uniões monetárias da primeira metade da década dos 90 no qual o autor citava explicitamente o caso da Grécia, Espanha e mais alguém que precisavam fazer o ajuste fiscal…).

Eu gosto do argumento destes autores e, então, sim, no longo prazo, eu sou otimista. Mas, no curto prazo, não. No curto prazo, aliás, talvez você prefira o debate que o Mansueto apresenta aqui.

Formação de expectativas

Existe toda esta literatura que anda na moda sobre a capacidade do sujeito formar expectativa de forma mais ou menos racional. É sempre bom ter a ciência avançando, mas a verdade é que estes modelos ainda estão longe de nos dar resultados mais conclusivos. O caminho entre a ciência e o livro-texto do aluno no primeiro é muito mais longo. Notem como o próprio livro-texto do Mankiw, após algumas edições, ganhou lá um capítulo sobre economia comportamental e outras coisas (quer uma boa introdução? Leia isto).

Mas não precisamos de muito debate para saber quais são as expectativas do mercado. Olhe o que nos diz o relatório Focus do Banco Central. Seja de forma racional, irracional, piparótica, estrambótica ou taciturna, o fato é que agentes formam expectativas e são capazes de nos dizer o que esperam do futuro e, bem, não estão tão otimistas assim.

Eu sei, eu sei, você não aguenta mais ver gráficos aqui e eu já falei de muita coisa aí para cima. Mas veja aqui um pedaço da série da mediana das expectativas (peguei lá na excelente página do Banco Central). Admire o gráfico por 30 segundos.

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Pois é. Você achou bonito, né? Parece que o governo conseguiu estabilizar a inflação, né? Porém, lembre-se: a meta é 4.5% ao ano. O Excel, para otimizar a escala, jogou a meta lá embaixo. Isso mesmo, meu caro. A coisa está feia, muito feia.

Ok, eu sei que tem gente que adora chegar com aquele papo de “a meta não é adequada”, mas isto me cheira (embora eu possa até discutir méritos desta proposta em debate sérios) a picaretagem: perdeu o gol e diz que as traves deveriam ser mais abertas? Ora, ora…

Então é isto. Nada de muita análise estatística hoje. A coisa está feia demais sem precisar de muito esforço, infelizmente.

Previsões e modelos de previsão

Minha previsão é a do CPTEC/INPE e ela me indica que não chove hoje. Pior para os burocratas reguladores (e, claro, dos ministérios, já que o ex-presidente dizia que o modelo regulador não era tão bom quanto as estatais…ah o Brasil de Raymundo Faoro…) do setor.

Mas, falando em previsões, eis aqui um curso que eu gostaria de assistir. Claro, a área de séries de tempo é cheia de modelos interessantes e, às vezes, algo obscuros (nada que um Yule-Walker não ajude a resolver).

p.s. Caso você seja um entusiasta de bases de dados, veja a diversidade que existe lá no START, sobre terrorismo no mundo.

Por que é importante entender as preferências?

Adversaries the U.S. currently faces in Iraq rely on surprise and apparent randomness to compensate for their lack of organization, technology and firepower. If one could find some method to their madness, however, the asymmetric threat could be made significantly less serious, according to scientists at The University of Alabama in Huntsville. These UAHuntsville scientists hope to help provide a better intelligence posture on these asymmetric threats by developing computer models that identify trends in the behaviors of the adversaries.

Trends in the behaviors? Pois é. Como os caras fizeram isto?

The four steps were: create a database of past attacks; identify trends in the attacks; determine the correlation between attacks and use analysis to calculate the probabilities of future attacks and their location.

Entendeu, né? No fundo, a questão é sobre como prever as ações dos adversários dadas as suas preferências e restrições, no contexto específico do combate. Conheça mais sobre este tipo de modelagem aqui.