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Excesso de opções? Eu diria: maior diversidade!

O título da matéria parece carregar na conotação negativa implícita. Eu reescreveria para: ampliação das opções de consumo faz com que diminua o consumo relativo de uma das opções. Fica meio óbvio, mas é isso.

A matéria, contudo, lembra-nos de algo muito interessante sobre teoria do consumidor: a questão das preferências e a própria definição de “bem”. Afinal, como sabem os estudantes do primeiro ano, “um copo de água” e “um copo de água no deserto após dois dias de caminhada” não são o mesmo bem.

Então, sim, “sucos e achocolatados” não é a mesma coisa de “sucos e achocolatados no café da manhã” e, de novo sim, a ampliação das opções faz com que o mesmo consumidor tenha mais itens para serem gastos com sua renda (permanente) o que, portanto, faz com que caia a proporção do item no total do orçamento.

Eu, por exemplo, não conhecia alguns tipos de cerveja e, após conhecer, passei a apreciar um pouco mais o produto. Obviamente, outras cervejas perderam espaço em minha restrição orçamentária, como eu disse a esta repórter.

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Preferências mudam?

Dinheiro para comprar mortadela era pouco e contado...tempos difíceis de alta inflação...
Dinheiro para comprar mortadela era pouco e contado…tempos difíceis de alta inflação…

Não para mim. Tomo dois exemplos:

a) Kare Raisu (Curry with Rice) – tradicional comida japonesa importada da Índia. A brasileirada não conhece muito porque acha que no Japão há ninjas andando nos telhados e só se come peixe cru. Anyway, minha mãe sempre fez esta comida, mas não era gostosa para mim. Depois que eu me casei, passei a adorar. Mas há uma diferença entre o mesmo prato feito pela mãe e pela minha esposa. Uma diferença que não conta a favor da minha mãe, neste caso.

b) Mortadela – sempre odiei. Mas minha sobrinha adora. Assim, ontem eu comprei na padaria. A moça partiu em fatias finas e, creio, é uma mortadela de qualidade superior às de meu tempo de infância. Para ser sincero, eu já havia experimentado a Ceratti lá no mercado municipal de São Paulo e havia gostado. Poderia até ser uma mudança de preferências, mas acredito que a qualidade mudou muito. Minha família nunca foi abastada e, portanto, nossa vida era mais regrada. Acho que nossa mortadela não era tão boa.

Assim, para mim, ainda vale a conclusão de que preferências não mudam. Sou um destes economistas mais tradicionais, eu sei. É a vida.

p.s. ok, vamos ser sinceros: 90% dos brasileiros não sabe o que é comida japonesa, o que é até bom…existe aí um mercado potencial. ^_^

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O que você prefere?

Este artigo me deixou curioso sobre um tema avançado – para a graduação brasileira – em Economia: preferências. Todo aluno quer saber de onde elas vieram. Bem, nós assumimos que existem e mandamos bala na álgebra. É mais simples e, se você é aluno de primeira viagem, deveria agradecer a Deus por facilitarmos sua vida.

Agradecer a Deus, mas não deixar de continuar se questionando. Isso significa que você deve tentar construir seu conhecimento da maneira correta: aprenda primeiro muito bem a usar a ferramenta e, depois, procure por alternativas (ou aperfeiçoamentos da mesma). A mesma coisa se dá com o termo “preferências”.

Lembra do post de hoje sobre “cultura”? Pois é a mesma coisa. Eu só comecei a estudar o tema depois apanhar muito (e ainda apanho) da teoria tradicional. Aliás, até prova em contrário, ainda sou da velha guarda pois, de gustibus non est disputandum.

Ah é, falaram para você de interdisciplinaridade mas só te mostraram a porta do partido político do professor? Então esqueça. Há vida interessante na academia e ela inclui relações com a computação, com a matemática, com as ciências biológicas, da saúde, com a história, com a neurologia, etc. Antes de dar o salto, faça como economistas: suba os degraus. O ganho é sempre marginal.

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Os negócios e os professores do Senhor

Empirics on the Origins of Preferences: The Case of College Major and Religiosity

Miles S. Kimball, Colter M. Mitchell, Arland D. Thornton, Linda C. Young-Demarco

NBER Working Paper No. 15182

—- Abstract —–

Early life experiences are likely to be important for the formation of preferences. Religiosity is a key dimension of preferences, affecting many economic outcomes. This paper examines the effect of college major on religiosity, and the converse effect of religiosity on college major, using panel data from the Monitoring the Future survey as a way of gauging the extent to which various streams of thought, as taught in college, affect religiosity. Two key questions, based on the differences in college experience across majors, are whether either (a) the Scientific worldview or (b) Postmodernism has negative effects on religiosity as these streams of thought are actually transmitted at the college level. The results show a decline in religiosity of students majoring in the social sciences and humanities, but a rise in religiosity for those in education and business. After initial choices, those respondents with high levels of religiosity are more likely to enter college. Of those who are in college, people with high levels of religiosity tend to go into the humanities and education over other majors.

Interessante, não? Bem, sobre religião e economia, no Brasil, eis um exemplo.

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O menino que decidiu mudar de gênero…aos 4 anos

Eis um intrigante caso de clara definição de preferências por alguém que ainda não tem idade legal para se decidir sobre o assunto. Eu me lembro, nestas horas, de um capítulo de “The Machinery of Freedom” no qual a discussão teórica era interessantíssma e dizia respeito aos limites dos direitos individuais dos menores de idade. Sempre achei o assunto meio esotérico, até ler esta matéria. O que se percebe é que David Friedman – o autor do livro citado – estava à frente do seu tempo…

p.s. quem assiste Law and Order vai se lembrar, ao ler a matéria, de um episódio sobre o tema…