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História(s)

Você acha que o bom é ter empresários ou burocratas no governo do país? Sério? Você realmente está perdido nesta discussão? E a tal política industrial? Você esposa a tese maniqueísta também? Então você precisa de um pouco de estudo e pesquisa. Para sua sorte, algumas pessoas já fizeram um bom trabalho para você. Por exemplo, nestes dois textos, a política industrial japonesa é estudada e, vejam só, este papo de proteger setores fica bem mal na fita.

Já neste clássico (já havia me esquecido do quanto eu adorei ler o texto lá nos anos 90) de Shleifer & DeLong temos um estudo cliométrico bem simples, mas muito interessante. Qual o tema deste texto? Bem, vai lá dar uma lida nele. Aposto que você vai gostar.

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A economia da política industrial instaurada pelo sr. da Silva

Marcelo Paiva Abreu está preocupado com os desvios lógicos da pterodoxia que – a cada dia que passa – instala-se com mais força na administração da Silva:

É penoso e preocupante o contraste entre as entusiásticas avaliações recentes de analistas internacionais quanto às perspectivas econômicas do País e a precariedade das propostas do governo, quando pretende aproveitar o bom momento macroeconômico para viabilizar o crescimento econômico sustentado a taxas decentes. O conjunto de medidas listadas explicita a preferência no governo pela escolha pelo Estado dos setores que serão beneficiados pelas políticas públicas. Essa predileção tem raízes profundas na tradição luso-brasileira de patrimonialismo e rent seeking. Baseia-se no diagnóstico de que a sinalização dos “mercados” é imperfeita e que cabe ao Estado a correção de tais imperfeições por meio de tratamento fiscal favorável e concessão de empréstimos subsidiados por parte do BNDES. Parece quase impossível abandonar o “gosto de escolher”.

Para tentar instilar racionalidade no seu programa, o governo trata de propagar justificativas pouco convincentes. Crucial no discurso governamental é a reiteração de que os empréstimos concedidos pelo BNDES, sobre os quais incide a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), não são subsidiados. O argumento-padrão é que não há subsídio, dadas as disposições legais quanto à remuneração do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), e que as taxas cobradas de mutuários do BNDES são superiores à taxa de remuneração do FAT. É claro que não se menciona a discrepância entre o nível de remuneração do FAT e a taxa Selic, que reflete de forma adequada o custo de recursos para o governo. Nem que o BNDES é comensal único do FAT, pois no mínimo 40% dos recursos do fundo são vinculados a aplicações em programas de crescimento econômico desenvolvidos pelo banco. Não há falar grosso que compense a fraqueza do argumento.

Difícil é discordar dele sem mostrar falta de conhecimento econômico e/ou um comprometimento com interesses nem-tão-ocultos assim (várias matérias interessantes sobre isto aqui).

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Por que a Política Industrial brasileira não ajuda (a todos, mas somente a alguns)?

Eis aqui um bom texto, didático, fácil de ler, sobre o problema. Outro dia, como indiquei aqui, neste blog (não se acanhe: use a busca aí ao lado), mostrei um artigo neo-schumpeteriano que não era nada simpático à esta história de política industrial. Ou seja: o consenso não é nada “mainstream”, “ortodoxo” ou “neoclássico”, como querem os detratores do mercado. Pelo contrário, até gente simpática à atuação do governo fica de cabelo em pé com esta história.

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Eu também quero uma boquinha

“O governo federal tem tentado criar as condições para salvar a Gradiente… Luciano Coutinho, presidente do BNDES, é um companheiro que está tentando ajudar, nós vamos fazer o que estiver ao nosso alcance para ajudar a Gradiente a voltar a produzir e a gerar empregos”, afirmou Lula durante seu discurso, distribuído pela assessoria da Presidência.

Muitas vezes o papel do SERVIDOR público é manter-se silencioso ante à pressão dos interesses organizados. Falar, creio, pode atrapalhar. Declaração complicada esta. BNDES voltou a ser hospital de empresas privadas? Por falar em BNDES, eis aqui a origem de vários dos comentários ignorantes (que ignoram o assunto) e mal-educados que aparecem neste e em outros blogs de vez em quando.

Nunca antes na história deste país o pessoal sério do BNDES se sentiu tão mal…

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Preços mais altos dos alimentos podem ser bons?

Alguns pensam que sim. Por que?

Rising food prices have caused street protests from Mexico to India to Senegal. But this could be a blessing in disguise if it makes governments eliminate the trade barriers that exacerbate high prices: the poorest countries will benefit most from dropping their own tariffs.

Nobel economics laureate Gary Becker estimates that a 30 per cent rise in food prices over five years would cause living standards to fall by 3 per cent in rich countries and by more than 20 per cent in poor countries.

Um pouco otimista demais, eu diria. O movimento do governo brasileiro (e dos grupos sindicais patronais e de trabalhadores que o apóiam) parece mostrar que isto não acontecerá. A conferir.

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Todo mundo quer (dinheiro para) inovação, mas ninguém quer se esforçar

Então, tá. O sindicato das indústrias cumpre seu papel de pedir subsídios para seus sindicalizados:

Ontem, a entidade divulgou um estudo sobre competitividade em 26 setores industriais, elaborado por Fiesp, Secretaria de Desenvolvimento e Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). O levantamento, que também contou com o apoio de universidades, traz informações qualitativas e conclui, por exemplo, que, para ganharem competitividade, os setores aeronáutico, de transformados plásticos, defensivos agrícolas, tecnologia da informação e computação demandam mais mão-de-obra qualificada. Os setores automotivo, aeronáutico, de petróleo e gás e de bens de capital precisam atrair mais investimentos estrangeiros, sobretudo para desenvolvimento de produtos para exportação.

Já os setores farmacêutico, de tecnologia da informação e de equipamentos hospitalares teriam maior estímulo ao crescimento com a ampliação do programa de governo de compras públicas. “Existem gargalos que podem ser solucionados com mudanças na legislação ou alguma outra ação de governo que não demanda investimento. E existem problemas que podem ser resolvidos pelas empresas”, observou Roriz. 

Nada mais natural para um sindicato do que defender os interesses de seu grupo. Outra história é se o que se pede gera mais ganho do que perda para toda a sociedade porque, obviamente, para o grupo, só existem ganhos.

No estudo citado, as universidades, obviamente interessadas em seu quinhão de subsídios também já saem com a marchinha clássica: “centros de excelência” são os que “inovam” e a sociedade é que, em tese, ganha com isto. Já sabemos, pelo noticiário da semana, que muito reitor de universidade pública não age como fala, tal como os políticos que a comunidade acadêmica tanto critica (embora muitos de nós morram por uma boquinha na assessoria de algum senador, qualquer um).

Tudo isto é muito interessante, já ouvimos muito esta história, mas deixa eu acrescentar mais uma coisa: se o lero-lero do pessoal é que “política industrial gera inovação”, eles terão, além de se preocupar com os argumentos óbvios contra uma política industrial (há vários, use o google), em diferenciar exatamente o que é inovação como devem ser construídos os incentivos para que ela ocorra. Por exemplo, inovar não é o mesmo que se esforçar e, possivelmente, há uma relação entre ambos mas o design dos incentivos não é necessariamente o mesmo para um e outro. Tal diferenciação, obviamente, só é possível dentro da empresa, ali, nas mãos do gerente do departamento de pesquisa. Aí é que eu penso: estão os empresários brasileiros prontos para fazerem o dever de casa?

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Política industrial importa?

Ninguém, que eu saiba (mas posso estar enganado), estudou a relação entre políticos e política industrial no Brasil, para valer. Se realmente tenho razão, eis a dica para os que gostam do assunto. Embora o exemplo seja para os EUA – mais uma vez provando que o governo dos EUA não é algo “liberal” – a metodologia bem poderia ser aplicada aqui.

Agora eu é que peço sua ajuda, leitor: há algum estudo científico sério, similar, para o caso brasileiro? Espaço aberto nos comentários.