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Construtivismo não leva ninguém a…

Quer saber? Então leia a entrevista. Depois, chore. Os resultados no PISA não negam e já geraram até a reação bizarra de “não concordamos com o PISA porque é um exame neoliberal e excludente”.

Sim, tem gente que além de não saber ler, não sabe perder ou pensar.

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ENADE e ideologia

Mansueto gostou das páginas amarelas da Veja. Agora, o teste de se o ENADE é ou não ideológico, ele e eu sabemos, relatado por lá não é exatamente um bom teste.

Mas isto não muda o fato de que parece haver, de fato, uma pedra no meio do caminho. Uma pedra ideológica. Duvido que alguém que tenha feito esta prova consiga ter sucesso em uma prova ideologicamente neutra, como o PISA, por exemplo. Imagine um teste PISA para universitários, feito por pessoas que, reconhecidamente, não ficam por aí promovendo políticos daqui ou dali.

Aposto que chegaríamos a uma conclusão similar à do texto citado.

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O viés dos progressistas: lamentação pelo IBGE

Tanto no episódio do IPEA como neste péssimo episódio da PNAD do IBGE, o que não me espanta mais é o silêncio dos auto-denominados (e supostos) progressistas. Geralmente se dizem tolerantes com a divergência, mas não perdem a oportunidade de de cobrar, daqueles que deles discordam, uma suposta neutralidade porque, conforme dizem: sua opinião é viesada porque ideológica e a minha não. Cadê a neutralidade?

Pois é. Agora entendo a neutralidade deles: significa neutralidade de ação. Eles preferem se calar nestes episódios. Ou tentam arrumar uma desculpa para continuar sua agenda política como se a mesma fosse neutra (ou, como dizem: a sua é que não é neutra, logo…).

O ocaso do IBGE é perigoso. Repare que, mesmo para os admiradores do nacional-inflacionismo (nacional-desenvolvimentismo para alguns), que adoram o governo Médici (e também o do general Geisel), este é um péssimo precedente. Nem nos anos da ditadura houve tamanha interferência no órgão. Em democracias sérias, no outro extremo, isto também não ocorre.

O viés dos auto-denominados progressistas, para mim, está claro: além de carregarem a bandeira de neutralidade e diversidade enquanto praticam o oposto, eles se calam diante de perigosas interferências como estas.

Em ano eleitoral, com a credibilidade econômica reduziada a zero – e não falo do setor financeiro que, como o Ellery mostrou, é otimista e não pessimista, como afirma o “nervosinho” Mantega –  agora o governo começa a destruir a credibilidade daqueles que fornecem dados públicos. Combine a isto os poderosos interesses contrários a um bom desempenho no PISA e você terá um bando de gente analfabeta funcional que serve de massa de manobra ou para ações páramilitares no estilo black bloc contra os que discordam de você.

No final, você ainda vai achar que isto tudo é democracia, tolerância e diversidade, com o aval de alguns auto-denominados (e supostos) intelectuais que nunca perdem a oportunidade de ganhar um dinheiro governamental (= vindo do seu bolso) para divulgar suas idéias bovinas e dóceis ao governante da hora enquanto também achincalham adversários sérios ou não, imaginários ou não. Falam de “observar” (= vigiar e eliminar a divergência?) de imprensa, de democracia, mas o fato é que ninguém quer aprender sobre anos e anos de pesquisas sobre instituições e resultados econômicos ou políticos.

Pobres técnicos do IBGE. Passaram anos fazendo um trabalho sério, acreditando pessoalmente em alguns políticos ou partidos, obviamente, mas sempre separando o lado pessoal do profissional e, agora, isto. Não é só perigoso e triste: é frustrante.

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A qualidade do ensino no Brasil

Está fazendo muito sucesso na internet um video, no mínimo triste. Aparentemente, o professor parece mais preocupado em doutrinar do que em ensinar e, não, não vou entrar neste debate de que “ensinar é uma doutrina”. Nós sabemos muito bem do que estamos falando quando assistimos um video como este. Perturbador? Para muitos pais totalmente despreocupados com os filhos, não. Para outros, sim.

Após assistir o video, eu me lembrei de um artigo (que foi publicado em algum journal) do Lott, na época em que ele ainda tinha um pouco mais de brilho (ele perdeu credibilidade em um caso lamentável que você pode pesquisar por aí, na internet).

Mas seu trabalho anterior era muito bom. Aliás, o artigo é este aqui. Veja um trecho da introdução para saber do que se trata.

The standard public goods argument for education assumes that a better educated populace is more likely to support democracy. This presupposes that either more educated people are inclined to make decisions for themselves or that education inherently instills the belief that democracy is desirable (Cohn, 1979, p. 206 and Solmon,
1982, p. 8). These arguments largely depend on the level of marketable human capital, such as literacy and reasoning ability, and ignores the question of methods: subsidies versus public provision. Yet, politicians in more totalitarian countries should wish to avoid creating a more independent and critically reasoning constituency. Hence, the public good explanation would imply a consistent negative relationship between totalitarianism and expenditures on public schooling. I will provide evidence that this is not the relationship that we observe.

John Lott Jr. pode ser acusado de muitas coisas, mas não se pode negar que ele tinha excelentes idéias sobre como testar hipóteses. Também mostrou ser inteligente no argumento central deste artigo. Afinal, alguém acredita que educação tem que ser subsidiada se o objetivo é aterrorizar as pessoas? Acho que não, né? Então, mais devagar com esta história de que devemos gastar mais no ensino público.

Mais um pouco do texto.

Governments have gone to great lengths to instill desired values in children. Yet, it is not just Germany during the 1930’s and 1940’s or communist countries like the former Soviet Union that have actively tried to influence children’s views. A good example is Sweden, which aggressively instituted a very costly system of nursery school care. When Ingvar Carlsson (the current Prime Minister) was education minister he said: “School is the spearhead of Socialism” and “pre-school training is essential ‘to eliminate the social heritage’” of undesirable parental views (Huntford, 1972, pp.222 and 233). Swedish educational theorists even advocated tax and government employment policies “to get both parents out of the home, so that children are forced out as well” (p. 222, and see also
Rosen, 1996).

Pois é. Não se trata apenas de ditaduras. Claro, Lott é economista e, portanto, seu argumento é inspirado em um outro modelo, mais famoso na literatura de Regulação, do Sam Peltzman.

Building on Peltzman’s (1976) work, my model showed that public educational expenditures should increase with “totalitarianism” as well as government transfers (Lott, 1990, pp. 201-8). The model assumes that totalitarianism has two effects: 1) it increases the cost of organizing opposition groups but 2) it restricts the opportunity set of individuals and hence lowers their real wealth, and this works to increase the level of opposition.

Interessante, não? Vou te ajudar nesta. Trechos da conclusão e negritos por minha conta.

A consistent relationship exists between the form of government and the level of investments made in public education. Totalitarian governments and governments with high transfers spend a lot on public education and are likely to own television stations. This cannot be explained simply by greater involvement in all sectors, as data on health care show. The finding is borne out from crosssectional time-series evidence across countries. A similar relationship was also found for public educational expenditures during Eastern Europe’s and the former Soviet Union’s recent transition from communism. In addition, this paper examined a broad array of phenomena that are consistent with more totalitarian and socialist governments raising the costs of parental involvement in shaping their children’s values. Examples ranged from raising the female labor participation rate, the illegitimate birth rate, and divorce rates, as well as lowering the school age for the public school system.

Eu não tenho nada contra a mulher no mercado de trabalho (nem Lott tem), mas o fato é que as evidências empíricas do artigo corroboravam a tese de que governos com tendências autoritárias buscam moldar o pensamento das pessoas. Não é novidade, eu sei, mas duvido que alguém já tenha visto evidências empíricas antes. O discurso é sempre uma retórica bonita, mas inútil, com memes de Marx ou Mises, frases de efeito, etc.

O que Lott apresenta no artigo é muito mais interessante e sofisticado do que a retórica que tanto encanta o brasileiro que acha bonito ver um poema na sentença de um juiz, mesmo que ele calcule as indenizações de forma totalmente errada. Mas o leitor médio deste blog não faz parte desta parcela do Brasil.

De verdade mesmo, eu queria era ver um estudo similar, aplicado ao Brasil. Queria ver o quanto estas tentativas de doutrinar com sociologia, filosofia, história geram em ganhos monetários para o futuro trabalhador. Gostaria de saber como os defensores da doutrinação explicam os nossos resultados em testes como o PISA. Bem, eu sei que sou curioso, mas só estas duas perguntas já seriam suficientes para eu entender um pouco a cabeça de quem pensa e também a de quem não pensa.

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Um outro Vietnã, que largou a bobagem comunista e sabe fazer contas?

Em alguns momentos anteriores, neste blog, falei do PISA. Aqui e aqui, por exemplo (mas tenho mais a dizer ao longo do texto…). Não é todo dia que você vai me ver falar de Capital Humano aqui. Meu trabalho é tentar criá-lo (ou aperfeiçoá-lo, corrigí-lo, etc). Já é demais fazer isso e ainda vir aqui falar disso, notadamente em véspera de feriado.

Mas vamos lá. O aplicativo citado anteriormente em um dos links tenta ilustrar, graficamente, a relação entre ocupação dos pais e desempenho dos alunos no exame.

How much can we infer about a student’s performance in school by looking at what his or her parents do for a living? To find out, PISA 2012 asked participating students about their parents’ occupations. Occupations@PISA2012 is a web-based application that allows you to explore the relationship between parents’ occupations and their children’s performance in mathematics, reading and science – in your own country and in other countries.

 

E já que o BID destacou o Vietnã neste post, eis aqui algo.

vietnam_brazil

 

 

Honestamente, eu não sei se esta figura me informa muito sobre alguma suposta influência da ocupação dos pais sobre o desempenho dos meninos e meninas. Mas eu vejo que o diferencial de nota é gigantesco com os vietnamitas na frente em larga vantagem.

Aliás, os alunos do Vietnã foram uma grande surpresa, segundo o post, pelo seu alto desempenho no exame.

Una de las mayores sorpresas de la publicación de los resultados del Programa para la Evaluación Internacional de Alumnos (PISA 2012) fueron los impresionantes resultados registrados por Vietnam, el cual se ubicó en la posición 17 entre los 61 países que participaron. Su puntaje fue de 511 en matemáticas, superior al promedio de la Organización para la Cooperación Económica y el Desarrollo (OCDE) que fue de 494.

 

Você terá toda razão de me perguntar se isto é fruto da educação comunista do país. Repare que o governo do país é comunista e o estilo autoritário lembra muito o da China. Tal como a China, contudo, o Vietnã se abriu aos mercados (sim, o tal “capitalismo” que seu professor de História tanto odeia).

Não vou entrar aqui na – interessante-mas-que-fica-para-a-próxima – discussão de se é a liberdade econômica que traz a liberdade política, ou vice-versa (entretanto, veja o que eu andei estudando aqui, para o Brasil).

Repare que o ensino de matemática não tem nada daquelas baboseiras que alguns Rasputins tentam vender aos pais (bobagens com belos nomes, claro). E nem tudo está perdido. No Brasil, claro, tem gente séria querendo fazer o ensino da Matemática alcançar um nível decente, como o Flávio Comim e o pessoal do Círculo da Matemática.

Finalmente, para os que, como eu, gostam de olhar para os dados, a dica é a OCDE e, claro, a pergunta que fica é: quais as chances de o Vietnã nos ultrapassar? Eu aposto que, com nossa educação toda ideologizada e falida, seremos um dos países mais pobres do mundo, em capital humano. Exagero meu. Digamos que seremos o último colocado no PISA (e não adianta melhorar a colocação fazendo “pré-vestibular” do PISA, senhores burocratas).

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Porque o BNDES não salva

Tentaram de tudo nos últimos anos – e o governo do RS continua tentando, como se vê no caso das estradas – para desmoralizar o modelo regulatório que nunca chegou a se consolidar no país. Além disso, os pterodoxos de esquerda fizeram a farra: ganharam grana e poder para implantarem suas idéias (e ainda não terminaram de fazer isto), novamente transformando a sociedade em um laboratório de suas idéias heterodoxas.

Pois é. Copa do Mundo, Friboi, Eike Batista, todo aquele papo de “desenvolvimentismo”, “escolha de campeões”…tudo muito legal, sonoro e não havia quem não dissesse que este era o país do futuro. O “Barba” deixou o segundo mandato se sentindo “o cara” porque, numa clara demonstração de que a senzala nunca lhe saiu do coração (ao contrário do que parece crer certa filósofa e chef paulista) só porque foi o Obama o outro cara a dizê-lo.

Eis o clima da festa. Até a presidenta se elegeu, sem conseguir mostrar à classe letrada do país que conseguia se lembrar de seu livro favorito. Uma festa, não?

Pois é. Mas por mais que a gente tente, não dá para tapar o sol com a peneira. Aliás, o sol foi culpado de apagões no Nordeste. Os marqueteiros ficaram ouriçados, arregaçaram suas manguinhas de camisas (lançamento da última temporada em Paris) e deram outro nome para apagões. A imprensa, devidamente mansa e dócil, comprou o neologismo porque, sabe como é, tá na moda ser politicamente correto e não ser investigativo. O alto da medicina neste país é a estética e o jornalismo, claro, não quer ser diferente. Com dinheiro do BNDES sobrando, otimismo e Corcovado decolando, porque o jornalismo quer ser investigativo? Ele prefere uma vida sakamôtica.

Falando em apagões, eis o motivo do título deste post: ele pode vir com força este ano. Lembra que falávamos de modelo regulatório? Pois é, leitor(es). Falou-se tanto em Bolsa-Família, na “guerra psicológica”, numa suposta conspiração da direita para dominar o mundo (até o Pirulla já deixou claro que não existe conspiração e que devemos olhar para os fatos), mas as promessas de que não enfrentaríamos apagões ficou escondidinha, guardadinha porque, sabe como é, eleição em 2014 não pega bem com apagão (embora eleição rime com apagão -> #ficadica).

Não é de hoje que o apagão nos ameaça. Antes dos anos 2000, técnicos do IPEA alertavam para o risco. Como todo mundo sabe que usina termelétrica, nuclear, hidrelétrica, etc, não se constrói em um dia, é óbvio que alguém tinha que pensar no problema. Bem, com ou sem BNDES, manipulações contábeis (bem desmoralizantes para quem é contador, imagino) e “guerras psicológicas” por parte do governo, tivemos o tal apagão que, dizem alguns, tirou-nos Serra e nos deu Lula (eu diria: “seis por meia dúzia”, mas há quem discorde…aliás, na era da internet, há quem discorde sempre…).

O sol, aquele engraçadinho do texto de Bastiat (Petição), continua, ironicamente, demonstrando a importância do poder criativo a que se referia Julian Simon, nosso “último recurso“. Claro, agora já é 2014. As eleições estão aí. O governo desprezou o Sistema de Metas, chutou o balde na política fiscal, destruiu a Responsabilidade Fiscal e, bem, vejam só, tal como aquela história de que Hitler cometeu o mesmo erro de Napoleão, ele menosprezou a importância dos apagões.

Acredito que menosprezou menos, mas com a politicização dos cargos técnicos (lembram do IPEA antes da mudança recente?) típica dos governos de esquerda (as evidências se avolumam, não é difícil constatar), eu diria que o apagão tem boa chance de vir com força total este ano. Não, não estou dizendo que viveremos em um mundo apocalíptico. Mas aquele populismo de “baixar a tarifa” que, descobriu-se, foi um erro grosseiro do próprio governo, e se transformou em “governo terá que se endividar para te dar um desconto populista” não ajudou em nada. Os mais chegados na ideologia do que na ciência, claro, farão como o governo situacionista do RS e pedirão por estatizações dizendo que a culpa é do setor privado que “não soube empreender em um ambiente que nós, governo, sabotamos, sempre que possível só para ver o quão macho é o empreeendedor”.

Sim, amigos, o BNDES não salva. É preciso ter inteligência (lembra do último recurso?) e qualificação.

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A educação, as instituições e o PIB (atualizado com novos dados)

Observação inicial: a atualização está no final deste post. Basicamente, o que há de novo é que temos também o ranking com os dados totais (isto é, incluindo o setor privado). Assim, os leitores podem apreciar a diferença (se é que alguma há) nas correlações quando se considera também a educação privada dos estados. Pela falta de tempo, deixarei aqui as correlações novas e ficam os leitores convidados a fazerem comentários. A planilha com os dados já foi atualizada e está no mesmo endereço anterior.

Desejo a todos boa passagem de ano!
O Estadão de hoje nos deu os dados estaduais do PISA (no caso, apenas do ensino público estadual). Segundo eles, a fonte é o INEP e, claro, eu acredito, mas foi impossível, para mim, achar os dados lá para download. Assim, tive que tabular os dados a partir da edição digital do jornal (é, eu o assino). Como isto aqui não é um estudo exaustivo, peguei apenas a pontuação do PISA agregada (não peguei os exames separadamente) e fiz umas correlações.

Obviamente, há teorias a serem testadas aqui. Basta pensar em toda aquela história de capital humano e desenvolvimento econômico. A correlação mais óbvia é entre o PIB e  o PISA. Podemos imaginar que estados mais ricos também têm melhor desempenho escolar. Bem, é o que os dados mostram.

pisa1

Claro, você tem toda razão se me disser que correlação não é causalidade, mas eu não disse que o gráfico acima era uma causalidade. Pode bem ser…uma casualidade (desculpem-me, não resisti à piada). Mesmo assim, há teorias que nos dizem que esta correlação é esperada. Aliás, imagino que o PIB de 2013 seja favorecido pelo PISA de 2012: a boa educação hoje deve gerar mais riqueza no futuro. Ou poderíamos falar de taxas de variação, mas não temos dados suficientes do PISA para análises de mais fôlego.

Outra boa história sobre desenvolvimento econômico tem a ver com instituições econômicas. Alston, Melo, Muller & Pereira, em um artigo apresentado na ANPEC há alguns anos (agradeceria muito ao leitor que me fornecer a referência completa do artigo, caso já tenha sido publicado), construíram um índice de qualidade institucional para os estados brasileiros. Fizeram-no para dois sub-períodos: 1999-2002 e 2003-2008.

Bom, para não falar que não falei da importância das instituições, eis as correlações.

pisa2

pisa3

Para você que é leigo, o experimento mental é dividir o retângulo em quatro partes e imaginar que o quadrante nordeste é o melhor dos mundos (maiores resultados em ambos os indicadores) e o sudoeste, o pior (menores resultados em ambos os indicadores).

Não há grandes diferenças, há? Observando os três gráficos, percebe-se que o distrito federal (DF) possui uma elevada renda per capita, mas não vai tão bem assim na avaliação do PISA, embora, em geral, sua posição seja uma das melhores nos gráficos. O Maranhão (MA), sempre no sudoeste dos gráficos, mereceria uma verdadeira revolução institucional. Para os entusiastas das charter cities, eis aí um estado que mereceria ser submetido a este experimento (ou alguma variante do mesmo…para todo o estado).

O Rio Grande do Sul (RS) parece estar à frente nos indicadores de qualidade institucional e também no PISA, embora, neste último item, perca para Santa Catarina. Aliás, a ordem, no PISA, é: 1o – SC, 2o – RS e 30 – MG. Neste sentido, note que MG precisa melhorar bastante seu desempenho institucional. Eu diria que o PIB per capita aumentaria  (é minha aposta) com melhores instituições, embora eu não possa dizer a magnitude deste aumento (não fiz um estudo aprofundado sobre isto).

Os gráficos acima são apenas uma ilustração de uma realidade que envolve muito mais realidades, claro. Você pode explorar os dados do PISA com mais variáveis. Por exemplo, usando uma reportagem do Estadão de algum tempo (só consegui este link), vi que estados que arrecadam mais não necessariamente apresentam melhor desempenho no PISA. Uma correlação como esta pretende ilustrar que instituições mais extrativas nem sempre geram melhores resultados sociais (você pode discordar, mas é uma proxy). Outra boa hipótese a ser testada é se há diferença entre o desempenho em termos do ensino público e privado. Aliás, uma boa discussão sobre o tema deve sempre começar pelo estudo detalhado destes dados (um pouco sobre isto aqui).

Obviamente, a discussão econométrica pode ser mais profunda e a análise deste post é bem superficial (para detalhes, veja, por exemplo, isto aqui). Eu não sei não, mas aposto que qualquer estudante (inclusive os de Ciências Econômicas) com um pouco de boa vontade e imaginação, certamente conseguirá fazer algo mais detalhado e interessante sobre o tema. Claro, minha aposta é a de que instituições importam e a hipótese de que instituições causam melhores resultados de bem-estar (instituições -> bem-estar) é algo razoavelmente verificado na literatura.

E agora, para algo mais interessante

Este é meu presente para os leitores deste blog. Primeiro, a base de dados está aqui. Em segundo lugar, os comandos para fazer alguns gráficos (como os que fiz acima) usando o R estão abaixo.

# copy and paste a base de dados

base <- read.table(file = “clipboard”, sep = “\t”, header=TRUE)
head(base)

library(lattice)
library(latticeExtra)

xyplot(base$PISA_2012~base$PIB_cap_2010) +
layer(panel.ablineq(lm(base$PISA_2012~base$PIB_cap_2010)))
xyplot(base$PISA_2012~base$CB_99_02)+
layer(panel.ablineq(lm(base$PISA_2012~base$CB_99_02)))

xyplot(base$PISA_2012~base$CB_03_08)+
layer(panel.ablineq(lm(base$PISA_2012~base$CB_03_08)))

xyplot(PISA_2012~CB_03_08, data=base, groups=estado, panel=function(x,y,groups) {
ltext(x = x, y = y, labels = groups)})

xyplot(PISA_2012~CB_99_02, data=base, groups=estado, panel=function(x,y,groups) {
ltext(x = x, y = y, labels = groups)})

xyplot(PISA_2012~arrec_bruta_2006_milhoesreais, data=base, groups=estado, panel=function(x,y,groups) {
ltext(x = x, y = y, labels = groups)})

Conclusão temporária

Pois é. Este deve ter sido o post mais longo deste ano (senão o mais denso). Algumas correlações, poucos resultados e um bocado de questões que ficam sem resposta até o estudo mais detalhado por parte de outros pesquisadores. Tomara que esta pequena análise tenha despertado seu interesse para um tema tão importante em um país tão mal educado. Não se trata de “guerra psicológica”, como quer a presidente, em recente devaneio midiático. Trata-se de capital humano. Quer apostar?

UPDATE: Thomas Kang, meu amigo e professor da ESPM, enviou-me outro ranking que, parece, considera os dados não apenas das redes públicas estaduais, mas também as do setor privado. A nova planilha está no mesmo endereço anterior. Os novos gráficos estão aqui embaixo. Primeiro, o do PIB per capita.

newpisa3

Em seguida, os dois gráficos com os índices de qualidade institucional. Como estou com pouco tempo agora, não posso analisar os novos gráficos com cuidado. Fica para os amigos que estiverem com tempo e disposição, a dica para usarem os comentários. Valeu pelo envio dos dados, Thomas!

newpisa2 newpisa1

Como não tenho muito tempo para refazer tudo, fica aqui a dica.

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PISA

É sempre um prazer ler as reflexões de Simon Schwartzman, um dos poucos sociólogos não-arrogantes e que se preocupa, de fato, com problemas sociais do Brasil sem se deixar levar pelo ideologismo barato. Posto isto, eis aqui o motivo deste post.

Eu não tenho nada a oferecer para tentar responder as perguntas do Simon, mas acho que há algo a ser feito por quem sabe que evidências empíricas são essenciais em questões como esta. Afinal, o primeiro passo seria ter os dados do teste PISA. Mais ainda, o bacana seria ter acesso a vários dados de educação. Há um pacote do R que tem um pouco da base de dados do PISA (não me lembro de cabeça) mas não é difícil encontrar o restante.

Capital humano, como sempre, é uma questão central aqui…