Analisando audiências dos libertários (consultoria simples gratuita…)

Libertários gostam de mercado. Bem, vamos ver como anda ao mercado para as idéias liberais em alguns casos. Vou utilizar o Facebook como base de dados. Primeiro, a página do Estudantes Pela Liberdade.

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Neste caso, observa-se uma evolução dos indicadores de audiência (se bem que muitos são do próprio movimento…) a partir, notadamente, de 2013.

O pessoal do ILIN, lá do Nordeste, é mais recente na rede, mas não menos promissor. Entretanto, o tamanho da amostra é muito pequeno ainda para que possamos fazer alguma comparação.

ilin_nordeste

Finalmente, o Ordem Livre, sob a batuta do Diogo Costa.

ordemlivre

 

Os resultados, eu diria, são mistos. Contudo, parece que os “likes” têm aumentado. Como a página do Ordem Livre pasou por mudanças, pode ser que estas medidas não mostrem exatamente a evolução da audiência.

Agora, é inegável que os libertários ainda têm um desempenho muito fraco na internet. Há comentaristas que acusam os liberais/libertários de serem “poderosos” e “influentes”, mas os dados mostram que isto não é bem assim. Pelo menos para estes três exemplos. Obviamente, alguém pode analisar outros institutos e achar um número impressionantemente maior em qualquer um dos três indicadores. Duvido, contudo, que alguém consiga alcançar o desempenho de, digamos, partidos políticos ou de auto-denominadas ONGs ligadas a partidos de esquerda.

Um pesquisador que esteja interessado em marketing político até que poderia se divertir um bocado, não? Há o Instituto Millenium e outros por aí. Isto apenas entre os liberais. Na esquerda há também um bocado de organizações cuja audiência poderia ser estudada para que se possa verificar como anda o espectro ideológico no Brasil. 

Um campo, no mínimo, promissor, não? Claro, fazer isso dá um trabalho (sem contar nas leituras, estudos, pesquisas), mas é um tipo de análise que acho interessante.

p.s. Sim, eu analisei algumas outras páginas do Facebook. Um dia destes, se for o caso, continuo com isso.

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A depredação da escola pública tem a ver com a crença do brasileiro médio na “não-importância” dos direitos de propriedade

Falei sobre o tema em duas variantes do mesmo texto. Uma no Ordem Livre, outra na A Voz do Cidadão.

Excelente ponto

Importa aos liberais combater esse tipo de atitude por ser ela utilizada para combater posições políticas ou econômicas fundamentadas em primeiros princípios. Diz-se que libertários são marxistas com os sinais trocados, que são tão utópicos quanto aqueles que pretendem combater, que pregam o fundamentalismo do mercado, o radicalismo da liberdade desgovernada. Talvez. Mas a não ser que se discutam os fundamentos do mercado e a veracidade das premissas e dos argumentos dos liberais, a presunção da sabedoria da moderação não passa de uma falácia ad temperantiam. Como se, entre duas idéias opostas, entre duas posições radicais, o meio-termo fosse necessariamente verdadeiro, substancialmente a melhor prática. Quem é que nunca ouviu algo parecido com “entre capitalismo radical e o comunismo totalitário, fico no meio termo, com um socialismo de mercado, ou um capitalismo bem regulado”.

O cientista social que deseja compreender a justiça e oferecer respostas legítimas à questão do bem comum não deve tentar estabelecer um compromisso entre diferentes ideais, ou enveredar por um pragmatismo ordinário na crença de que assim seus objetivos serão assim menos ideológicos, preconceituosos, ou mais verossímeis.

Diogo escreve – e argumenta – muito bem. O trecho acima ilustra o que digo. Aliás, o artigo todo vale a leitura.

Liberdade na Estrada

Reproduzo o itinerário (on the road!) dos beatnicks do Ordem Livre:

Segue o itinerário com as universidades confirmadas para o Liberdade na Estrada durante o mês de outubro. Vá, divulgue, e leve seus amigos socialistas.

Dia 5 – 8h-12h UFRGS, Porto Alegre

Dia 6 – 8h-12h UFSC, Florianópolis

Dia 7 – 8h-12h Unicuritiba, Curitiba

Dia 8 – 8h-12h USP, São Paulo

Dia 8 – 18h-22h Faculdade Mario Schenberg, São Paulo

Dia 9 – 13h-17h FAAP, São Paulo

Dia 13 – 8h -12h Mackenzie-RJ, Rio de Janeiro

Dia 14 – 18-22h IBMEC-MG, Belo Horizonte

Dia 15 – 8h-12h UFMG, Belo Horizonte

Dia 16 – 8h-12h UFES, Vitória

Dia 19 – 13h-17h UFBA, Salvador

Dia 20 – 13h-17h UFAL, Maceió

Dia 21 – 8h-12h UFPE, Recife

Dia 22 – 8h-12h UFRN, Natal

Dia 23 – 8h-12h UFC, Fortaleza

Dia 23 – 18h-22h FA7, Fortaleza

Liberdade na Estrada – Edição de BH

O pessoal do Ordem Livre promove uma excelente iniciativa de discutir as idéias da liberdade com a sociedade. Eis aqui a edição de BH. Não é restrito ao público interno, embora o anúncio não seja específico. Se quiser ajudar na divulgação, eis o convite.

Creio que os leitores deste blog residentes em BH apreciarão o debate. O momento atual impõe especiais desafios para o liberalismo no Brasil. Não há um pensamento único liberal e aqueles que aparecerem para o encontro terão a oportunidade, creio, de perceber isto por meio de um debate saudável e, espero, divertido.

Só não sei se o site “liberdadenaestrada.com” já está ativo.

p.s. recomendo fortemente ao público externo que confirme presença pelo telefone 3247-5757.

História econômica e Fábula econômica: qual a diferença?

Robert Higgs geralmente é ótimo quando se trata de sua especialidade: história econômica dos EUA. Um artigo curto e interessante é este cujo trecho reproduzo a seguir.

A maior parte das pessoas ouve falar da relação entre o crescimento das grandes empresas e a expansão do governo como se fosse um auto de moralidade. Na versão mais difundida, apresentada em quase todos os livros-textos de história americana, o surgimento das grandes empresas (no papel de diabo) teria causado diversos males e abusos — monopolismo, poluição, exploração de trabalhadores etc. Usando um estilo pungente (ainda que não muito escrupuloso quanto aos fatos), Matthew Josephson conta essa história em The Robber Barons [“Os barões do crime”]. As massas também teriam gritado por auxílio e teriam pressionado seus representantes políticos a criar legislações protetoras. Assim, sobretudo em períodos como a Era do Progresso, da Grande Sociedade e do New Deal, surgiu uma profusão de programas governamentais e agências regulatórias, bem como a participação direta do governo na vida econômica (como se fosse a intervenção divina), que serviu para proteger o povo do efeito supostamente esmagador do brutal capitalismo laissez-faire.

Em geral, muita gente aprende imprecisões como se verdades fossem – como no popular e muito problemático livro de Leo Huberman – sobre história econômica mundial. Na faculdade, temos que corrigir os estragos feitos por professores que se esqueceram, eles mesmos, no ensino médio, de fazer o dever de casa básico: pesquisar antes de lecionar.

Ah sim, Higgs é bom, mas quando se mete a falar de Ciência Econômica, costuma bater em obstáculos.

A minha tia velhinha de Taubaté

Tem tido alguma repercussão a série da minha tia velhinha de Taubaté, lá no Ordem Livre. Tivemos um, dois, três textos ao todo. Neste último, ela estava muito irritada com a falta de vergonha de nossos políticos (e diplomatas).

Sobre Honduras

Os líderes bolivarianos, com a coerência da pura conveniência, condenam as ações contra a imprensa apesar de os governos venezuelano e equatoriano reprimirem a imprensa em seus próprios países. Mas um erro não justifica o outro, apenas confirma a não exclusividade entre imitação e hostilidade.

Muito bem, Diogo.

Como os impostos pesam no seu bolso? (válido para BH, RJ, RS e SP)


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Rio de Janeiro terá pela primeira vez o Dia da Liberdade de Impostos 
Evento, que também será realizado em outras três capitais, tem como objetivo conscientizar a população sobre os impostos embutidos  
em todos os produtos e serviços.

 
No Brasil, infelizmente, a maioria da população não sabe o quanto paga de tributos. Entretanto, todos os brasileiros, direta ou indiretamente, pagam uma grande quantidade de impostos, taxas, contribuições etc. O cidadão tem todo o direito de ser informado, a todo o momento, do valor dos tributos que é obrigado a pagar.
 
 

De acordo com a carga tributária atual, os brasileiros têm de trabalhar 145 dias por ano (de 1º de janeiro até 25 de maio) apenas para pagar os tributos (impostos, taxas e contribuições) cobrados pelos governos (Municípios, Estados e União Federal). Para lembrar a data e chamar a atenção da opinião pública para a questão, será realizado pela primeira vez no Rio de Janeiro, o Dia da Liberdade de Impostos, em que a população poderá adquirir gasolina sem o preço dos tributos, que será pago pelas entidades organizadoras. Parte de um esforço nacional, além do Rio de Janeiro, o evento também será realizado em Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte.   
  
No dia que simboliza a data em que o consumidor para de trabalhar para pagar impostos, a venda de gasolina será subsidiada no Posto Repsol (em frente ao Canecão), que fica na Rua Gen. Goes Monteiro, 195, Botafogo. Em lugar dos R$ 2,54 por litro/gasolina normalmente cobrado, os consumidores pagarão o valor de R$ 1.27 por litro, que é quanto a gasolina custaria se não incidissem tributos como a CIDE, PINS, Cofins e ICMS. 

 
No Rio de Janeiro, o Dia da Liberdade de Impostos está sendo organizado pelo Instituto Millenium e pelo Ordem Livre. Para Túlio Severo Jr., um dos organizadores do evento, o objetivo principal é “permitir que a população compreenda que todos pagam impostos e que todos devem participar, legitimamente, na construção de um Brasil melhor, exigindo melhores serviços públicos e maior transparência”. 

 
Paulo Uebel, Diretor Executivo do Instituto Millenium, que está colaborando para o Dia da Liberdade de Impostos, explica que decidiu apoiar o Dia da Liberdade de Impostos para ajudar na educação cidadã das pessoas. “Como temos a missão de promover a Democracia, é fundamental envolver todos os cidadãos brasileiros na discussão de temas importantes para o desenvolvimento do Brasil. Quando as pessoas tomam conhecimento de que são pagadores de impostos, mesmo que indiretamente, elas ficam mais motivadas e legitimadas a participar deste debate. A alienação popular é muito ruim para a Democracia”, explica.
 

Para Diogo Costa, coordenador geral do OrdemLivre.org, a redução dos impostos está intimamente ligada à diminuição da pobreza. “Nenhum país conseguiu se desenvolver por meio da tributação excessiva”, afirma. “Quem gasta o dinheiro dos outros, gasta mal e irresponsavelmente. Se queremos um Brasil mais próspero, um dos primeiros passos é garantir que a renda das famílias brasileiras não seja tomada de suas mãos pelos impostos do governo. É mais do que uma questão de economia. É uma questão de justiça”.

 
As vendas serão limitadas a 20 litros de gasolina por veículo. As senhas para abastecer com desconto serão distribuídas a partir das 10h e a venda se inicia às 11h. Somente os consumidores que tiverem a senha poderão abastecer com desconto e, após encerrada a cota de 4.000 litros, a ação será encerrada. Será aceito somente pagamento em dinheiro. A diferença no preço do combustível será paga pelas entidades organizadoras.
 

 
Serviço – Dia da Liberdade de Impostos Rio de Janeiro. 
Data:
 25 de maio de 2009. 
Local: Posto Repsol (Canecão)  
Endereço: Rua Gen. Goes Monteiro, 195, Botafogo 
Horário: Distribuição de senhas a partir das 10h. Abastecimento após às 11h. 
Valor da Gasolina: R$ 1,27 litro/gasolina (valor original: R$ 2,54 litro/gasolina) 
Pagamento: Apenas dinheiro. 
 

 
Demais locais onde será realizado o Dia da Liberdade de Impostos: 
Belo Horizonte:
 Posto Albatroz (Esso) – Av. Afonso Pena, esquina com a Av. Brasil – Pç. Tiradentes 
Porto Alegre: Firenze Combustíveis – Rua Santana, 345 
São Paulo: Posto Centro Automotivo Portal das Perdizes (Ipiranga): Av. Sumaré, esquina com a rua Dr. Franco da Rocha.

 
 
Sobre o Instituto Millenium (
www.imil.org.br) – é uma entidade sem fins lucrativos, sem vinculação político-partidária, que promove a Democracia, a Economia de Mercado, o Estado de Direito e a Liberdade. Entre as suas atividades, o Instituto Millenium realiza campanhas de conscientização, colaborando para ter melhores cidadãos, com valores claros e sólidos.

 
Sobre o OrdemLivre.org 
 é um projeto da Atlas Economic Research Foundation em cooperação com o Cato Institute. Fundado sobre os princípios de liberdade individual, mercado livre, paz e governo limitado, OrdemLivre.org promove uma ordem econômica eficiente e uma filosofia política moral e inspiradora por meio de publicações e eventos sobre temas relevantes para o desenvolvimento político, cultural e econômico dos países de língua portuguesa. 
 

 
Informações para a Imprensa: 
Coordenador do Dia da Liberdade de Impostos

Túlio Severo Jr – tulio@infinitecard.com.br 
Fone: (21) 8225-9927  

Diretor Executivo do Instituto Millenium

Paulo Uebel – paulo.uebel@institutomillenium.org

Fone: (21) 2220-4466 / (11) 9565-3030 e (51) 8171-3333

“Mate seus inimigos” – diz Mises

Duvida? Leia aqui. O interessante do trecho – inacreditável – escrito por Mises é que, além de ele convenientemente tê-lo suprimido em edições posteriores de seu principal livro, é que ele ou nos abre uma nova linha de pesquisa sobre “o uso da violência para garantir a liberdade” (lembra alguma cartilha de esquerda?) ou então nos permite algo mais singelo: perceber que não existe intelectual acima dos seres humanos.

Aliás, esta foi sempre minha crítica a alguns austríacos radicais. Pelo seu próprio bem e, claro, o meu. Afinal, eu não concordo com tudo o que Mises diz. Será que vão lutar até a morte por isto?

p.s. depois cito uma crítica de Lachmann a Mises para não deixar os amigos (e inimigos) austríacos chateados (ou felizes?).

Lições de economia

Ludwig von Mises, o grande economista austríaco que morreu em 1973, descreveu aquilo que chamava “a lógica do intervencionismo”. A lógica é simples – ainda que seja triste. As intervenções governamentais na economia, que muito provavalmente piorarão as coisas, ainda geram outras intervenções governamentais.

Em parte, esse crescimento da intervenção se deve à desesperada corrida ao governo toda vez que surgem novos problemas. Mas parte dessa corrida também é causada pelo fato de os novos problemas raramente têm suas origens investigadas – que são as próprias intervenções.

Clique no trecho acima e leia todo o artigo de Don Bodreaux.

Sobre o liberalismo

Um trecho de longo texto de Milton Friedman:

Qualquer que seja a razão para o seu apelo, a adoção do laissez-faire teve algumas conseqüências importantes. Uma vez que o laissez-faire foi adotado, o incentivo econômico à corrupção foi removido. No fim das contas, como os funcionários do governo não possuíam favores a conceder, não havia necessidade de suborná-los. E se não havia nada a ser ganho a partir do governo, ele dificilmente poderia ser fonte de corrupção. Além disso, as leis que sobraram eram em sua maior parte – e mais uma vez estou simplificando e exagerando um pouco – leis amplamente aceitas como apropriadas e desejáveis; leis contra roubos, furtos, assassinatos etc. Esse é um contraste gritante com a situação na qual a estrutura legislativa considera crimes o que as pessoas individualmente não consideram crimes ou torna ilegal a prática de atividades que parecem sensatas. Essa última situação tende a reduzir o respeito às leis. Dessa maneira, um dos efeitos indiretos e inesperados do laissez-faire foi o estabelecimento na Grã-Bretanha de um ambiente de maior obediência e respeito pelas leis em relação à situação anterior. Provavelmente havia outras forças trabalhando nesse desenvolvimento, mas acredito que o estabelecimento do laissez-faire foi o fundamento para a reforma do serviço público na última parte do século – o estabelecimento de um serviço público cuja escolha era baseada em exames, no mérito e na competência. Você conseguiria esse tipo de desenvolvimento porque os incentivos para se buscar tais empregos com o propósito de se exercer influências “impróprias” foram drasticamente reduzidos quando o governo passou a ter poucos favores a conceder.

O sempre razoável Pedro Sette

PSC (não resisto à piadinha com o partido político), como sempre, escreve com clareza e inteligência. A crítica ao messianismo de Obama – e de seus seguidores mais fanáticos – está perfeita. De um realismo ímpar.

Pensamentos liberais

João L. Antunes, do IEE em Belo Horizonte, deu uma entrevista ao Diogo Costa, tem vários pontos interessantes para um debate. Algumas coisas que gostaria de saber: empresários realmente estudam Hayek e Mises? Na entrevista, João afirma – e eu acho que ele está correto – que autores como estes não são estudados nas faculdades. Eu sempre me pergunto onde está o interesse de um aluno de Administração ou de Economia nestes casos.

Explico-me.

Se o sujeito acha desagradável a falta de acesso a autores liberais, por que não pedem por uma disciplina optativa, uma alteração curricular ou algo assim?

A impressão que me dá é que, como o frustado proto-empreendedor tem que provar seu valor no melhor sentido “Ayn Randiano” – ou seja, tem que ser macho e provar para si mesmo que é um sujeito forte em princípios (como em The Fountainhead que, aliás, Cristiano Gomes não gostou, mas que eu, pelo mesmo motivo, gostei) fazendo provas sem medo de mostrar sua competência a ninguém, ele afina. Poucos são os que topam o desafio (o blog do Juliano Torres é um exemplo positivo, neste aspecto). Provas, trabalhos, tudo isto incomoda, embora sejam obstáculos positivos no caminho do aprendizado.

É fácil prever que pessoas realmente interessadas na leitura de autores busquem soluções alternativas como um clube de leitura e debates. Trata-se de uma consequência natural da falta de opção nas faculdades. É verdade que há, sim, muita doutrinação e má vontade ideológica por parte de muitos, muitos professores. Mas será que todos os alunos proto-empreendedores são, realmente, exemplos de gente sinceramente interessada em ler Law, Legislation and Liberty, de Hayek ou Human Action, de Mises e mais tantos outros textos? Parece-me que a cerveja no bar da esquina é uma opção mais fácil e agradável para a meninada.

Neste sentido, vejo com certo ceticismo a queixa de meus amigos liberais como no caso da entrevista citada. Há falta de informação sobre autores liberais nas faculdades, claro. Mas arcar com os custos do conhecimento não é um pensamento tão disseminado assim na sociedade brasileira. Basta pensar no grau de rent-seeking em nossa sociedade, da qual nossos empresários fazem parte. Portanto, antes de culpar os poderosos professores malvados e capazes das piores artimanhas para evitar que um menino leia Hayek, é bom perguntar sobre o demandante deste conhecimento. O que ele, realmente, fez, para conseguir estudar Hayek ou Mises na faculdade? Quanto de esforço ele empregou nisto? Quanto de seu tempo ele usou para buscar o conhecimento com seus professores?

Ah sim, duas coisas: a crítica do Cristiano sobre o filme de Rand está perfeita, mas é justamente pelos tipos exagerados (caricatos mesmo) que Ayn Rand ficou famosa. Para ela, creio, isto tinha uma função pedagógica. Após quase 40 anos nesta selva, acho que este tipo de filme acaba tendo um papel educativo. Mas Cristiano tem razão: é preciso paciência se você pensa em filmes com menos estereótipos. Claro que a sociedade não é um problema de binômios (o bem contra o mal, o limpo contra o sujo, etc), mas é sempre bom lembrar as referências.

O blog do Juliano Torres: não é a única forma de se buscar conhecimento sozinho. Pode-se ler em casa ou em grupo (como se diz na entrevista sobre o IEE). Mesmo assim, a boa e velha teoria econômica tem algo a nos dizer aqui: (a) se o cara não quer arcar com os custos de aprender sozinho, não aprende; (b) se deseja trazer conhecimento para si e para os colegas, enfrenta o clássico dilema da ação coletiva e não consegue obter este conhecimento.

Os nossos liberais têm um único desafio que consiste em vencer estes dois itens. Na minha opinião, ainda, não tiveram sucesso.