Oferta e Demanda para todos (oferta – e demanda – válidas para todos os dias)

c8grh7ixyaa98uqBem fácil esta: há aumento de demanda no dia do jogo, a firma percebe que pode vender em um dia em que estaria fechada (ou seja, a expectativa de que o custo seja menor que a receita no dia do jogo está valendo). Aí ela abre e faz promoçãohá aumento de demanda no dia do jogo, a firma percebe que pode vender em um dia em que estaria fechada (ou seja, a expectativa de que o custo seja menor que a receita no dia do jogo está valendo). Aí ela abre e faz promoção.

Como é que oferta e demanda não funciona, minha gente?

p.s. desta vez, a propaganda é gratuita. Mas só desta vez.

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Oferta e demanda no espaço

Eis um artigo legal sobre o tema. Trechos:

Currently, the prices of launch are still high enough that demand remains relatively inelastic. At a recent Mitchell Institute for Aerospace Studies panel event, part of the conversation centered around that discussion of inelasticity. One of the panelists, Dr. Scott Pace, the director of the Space Policy Institute at George Washington University, argued that thus far SpaceX has been successful at winning market share, but that its lower prices have not yet generated a spike in increased demand. He also pointed out that, on the demand side, technological progress is creating competition between plans for smaller satellites in larger numbers and larger satellites with improved capabilities. How that competition plays out will help determine the nature of the demand for space launch, which will also change elasticity to price.

These are, as-of-yet, hypotheticals. It may well be that SpaceX’s reusable rockets move prices below a point that opens up more demand for launch. Increasing demand for space-based data, mixed with lower access costs, could be the right mix to spark a long-awaited renaissance in space use.

Será?

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Oferta e demanda

Eis um exercício simples para se fazer em sala de aula com seus alunos: o aumento da oferta de feijão, por meio da liberação das importações do produto, tenderão a diminuir/aumentar/não terá impacto algum sobre o preço e a quantidade do feijão?

Basta esboçar curvas de oferta e demanda para se responder a esta pergunta. Claro, elas podem ter inclinações distintas e a resposta será, qualitativamente, a mesma (exceto, claro, pelos casos extremos).

Em seguida, você pode se perguntar sobre as elasticidades, sobre a diferença entre tarifas menores e cotas maiores para a importação, sobre o bem-estar, etc.

Diz que não é um exercício legal?

p.s. isso tudo só com equilíbrio parcial, heim?

Oferta e Demanda

Eis um exercício simples de oferta e demanda: dizer qual curva se deslocou, conforme esta notícia. O que acontece com a oferta e a demanda no mercado de viagens interestaduais (ou mesmo inter-países do Mercosul) quando…

A Empresa do Terminal Rodoviário de Pelotas (Eterpel) espera incremento no número de partidas e chegadas à cidade em decorrência do feriado de Natal, o mais movimentado do ano. Mesmo assim, a movimentação deve ser 10% menor se comparada a 2014, quando mais de 340 veículos circularam pela rodoviária carregando 65 mil passageiros.  (…) os resultados serão inferiores a 2014 devido à crise econômica e à alta do dólar. Desde 2013, o fluxo de viagens nesta época do ano vem caindo na Rodoviária pelotense. Para Rodrigues, a elevação no preço das passagens e o crescimento da frota veicular da cidade tem impacto importante neste cenário.

Em outras palavras: o entrevistado se refere ao movimento de estrangeiros e pelotenses reagindo à variação do dólar e à crise (queda de renda do consumidor nacional).

Além disso, há a questão da substituição de viagens de ônibus por automóveis (diante do aumento no preço das passagens por conta dos custos mais elevados dos insumos, o consumidor substitui ônibus por automóveis).

O exercício interessante é colocar todos estes fatores em ação em um diagrama de oferta e demanda. [Dica: comece com o aumento de custos das empresas de ônibus e depois incorpore a mudança no câmbio e a queda na renda dos consumidores]

Liberação de drogas: Uruguai e Brasil

Os economistas já falaram muito sobre o tema. Agora, com o experimento uruguaio, há uma oportunidade de se mensurar seus efeitos, conforme noticia o Diário Popular, de Pelotas.

O que os economistas esperam? Bem, não é difícil saber. O cientista político Diogo Costa já disseminou boa parte das nossas opiniões por aí. Você também pode pesquisar sobre o tema nos escritos do Jeffrey Miron, de Harvard. A The Economist tem uma opinião aqui. Finalmente, um estudo da London School of Economics sobre o tema, aqui. Aliás, o legal deste último estudo é a elasticidade-preço da demanda calculada.

Hence, even if one somehow knew that legalisation would reduce retail prices by 75 percent for cannabis and 90 percent for cocaine, and even if one knew those drugs’ elasticities over modest prices changes in the past were -0.5 and -0.75, respectively, it would almost certainly be wrong to project a price-induced increase in consumption of only 0.75*0.5 = 37.5 percent and 0.9*0.75 = 67.5 percent, respectively. Indeed, Caulkins and Kilmer et al. show that one cannot rule out the possibility that the actual increases could be very much larger. (p.22 do referido estudo)

Outro estudo interessante é este no qual encontramos o conceito de elasticidade-preço total da demanda.

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O tema é, certamente, interessante e importante. O grande problema é conseguir os dados, notadamente no caso do Brasil. Com esta pesquisa nova que envolve alunos e pesquisadores da área de Saúde da UFPel, espero, minimizaremos este problema.

Sabe aquela história de oferta e demanda? Funciona até na Avenida Paulista.

Oferta e demanda. Cai a renda, demanda é deslocada e, ceteris paribus, o preço de equilíbrio cai. Quer um exemplo? Este aqui, com as devidas adaptações (pode-se discutir um deslocamento conjunto de oferta e demanda, mas aposto que a última se desloca mais).

p.s. tem até discussão de impacto do preço sobre a receita, algo que todo aluno já estudou no início do curso.

p.s.2. Veja este trecho: “O mesmo aconteceu no Progress Park que, após o aumento da diária de R$ 35 para R$ 40, viu o movimento cair 30%”. Preciso dizer que dá para fazer um exercício simples de cálculo de elasticidade-preço da demanda?

Metodologia Pedagógica – Usando o R para organizar seus argumentos na hora de tirar dúvidas

Culturas perdidas, hábitos piorados

Há uma cultura que se perdeu com a péssima pedagogia brasileira, a despeito das boas intenções de alguns: a forma de se tirar dúvidas com o professor. Há mais de 15 anos leciono e vi piorar uma prática simples. Casos bizarros? Posso contar vários. Por exemplo, o caso mais comum e absolutamente insano é o do aluno que encontra o professor na calçada, já fora da faculdade, de maneira aleatória e antes de qualquer coisa, solta um: “- Professor, tenho uma dúvida…”. Como se isso fosse normal.

Tirar uma dúvida com o professor não é algo que surge na sua cabeça de repente, ao vê-lo. Faço idéia as dúvidas que o sujeito não tem sobre sua existência ao dar de cara com um bode, uma foto da Dilma ou um bem-te-vi. Sim, meus caros, é bizarro.

A primeira coisa que você deve fazer, neste caso, seria cumprimentar o professor e perguntar-lhe pelos horários de dúvidas. Simples assim? Nem tanto. A ocorrência bizarra descrita é sintoma de algo mais grave e profundo: a desorganização. Sim, porque quem acha que pode tirar uma dúvida no meio da rua (ou no mictório), provavelmente vai perguntar algo incompreensível para a espécie humana.

O que é a dúvida e como sair desta fria

A dúvida surge de um processo doloroso e lento chamado “estudo”. O “estudo”, bem, este você já deveria saber o que é. Você, primeiro, lê a matéria, tenta entendê-la com o livro-texto indicado ou, se necessário, complementa sua compreensão com outros livros (é sempre menos burro pensar assim, por comparação, até porque podem haver erros de tradução em alguns livros, quando for este o caso). Isto dura dias, não minutos. Além disto, há os exercícios. Ok, o resto você já conhece.

Usando a Reproduci(ti)bilidade

Mas na hora de tirar a dúvida, supondo que você já se reeducou até aqui, ainda assim a coisa pode ficar feia. Por que? Porque você não sabe por onde começar. Ora, é aí que entra o principal tema do meu texto: você deve pensar como pensam os programadores, notadamente a galera que usa o R. Você deve tentar reproduzir seu problema para o professor. Isto não é sinônimo de jogar a batata quente no colo dele, como um javali correndo que tromba na panela do guisado e derrama tudo.

A palavra é a reproducibilidade (nunca sei se a tradução correta é esta ou reprodutibilidade) e nem é um nome tão lindo assim para uma prática bem trivial. Vou adaptar os passos descritos por Wickham para nossa situação.

1. Você deve ter uma lógica ao resolver um exercício. Geralmente há uma teoria por trás. Certifique-se de tê-la bem memorizada (no sentido de apre(e)ndida) ao se preparar para tirar a dúvida.

2. Exercícios específicos possuem dados/informações específicas. Não cometa o erro de entrar na sala do professor sem eles. É constrangedor para você e sinaliza ao professor que você não é um aluno que se empenha. Afinal, que tipo de sujeito reivindica a atenção do professor mostrando-se como um despreparado? Então, não se esqueça disto.

3. Mostre ao professor seu exercício, documentado. Ou seja, descreva (ou tenha por escrito, quando for o caso) a descrição de cada passo (cada passo mesmo) do que fez. Ou seja, não pule etapas. Você pode se lembrar delas, mas se você é quem tem dúvidas, deve deixar claro ao professor (que lerá seu exercício) tudo o que você fez. Ou seja, vale a pena você investir um bom tempo detalhando seus passos de maneira que qualquer um possa entender o que está escrito. Use uma simbologia simples, comum às aulas ou ao livro-texto (ou à maioria deles, claro).

4. Indique claramente onde (em que etapa) ocorreu o problema. Caso você tenha usado mais de uma fonte bibliográfica, deixe isso claro também.

Exemplo?

Olha, se você quer um exemplo, veja o texto do Wickham, aplicado ao contexto do R. Para nós, que não estamos nos preocupando exclusivamente com o R, considere este breve exercício de oferta e demanda.

D = a – bP e O = c + dP com o equilíbrio: D = O

O aluno que deseja tirar a dúvida, estaria em minha sala com o livro-texto do qual tirou a pergunta e o caderno, com sua resolução. Teríamos algo como (suponha que o que se segue em itálico é o caderno do aluno):

Da demanda e da oferta e da condição de equilíbrio, obtive: 

a – bP = c + dP 

Em seguida, encontrei P de equilíbrio, que chamei de P*: P* = (a + c)/(d + b). Mas a resposta não confere com o gabarito.

Pronto. Não tivemos muitos passos para analisar. Primeiro, temos que lembrar ao aluno que encontrar o equilíbrio, neste exercício, implica em encontrar Q* e P* e que ele está parado no meio do problema. Onde está o erro? Na álgebra elementar. Ele isolou P mas errou o sinal de “c” no meio de suas contas. Basta ele notar que se o denominador é “(b+d)”, então…

Como se corrige isto? Com prática. O aluno deveria fazer mais e mais exercícios como este, similares, para se certificar de que não cometerá um erro algébrico. Outro ponto é pensar no que se faz. Não se trata de um problema matemático apenas, mas sim de um problema econômico. Logo, não é só encontrar P*, mas Q* e interpretar o que significam.

Conclusão

Não é apenas parar o professor na rua, no banheiro ou no corredor, e sair despejando frases, né? Tem que trabalhar um pouco. Mas, convenhamos, não é tão difícil assim, é? O processo é auto-educativo. Ao buscar sua dúvida, claro, pode ser que você a resolva sozinho, o que é ótimo. Caso isso aconteça, ótimo: você usou o seu tempo de forma eficiente e também ajudou o professor a usar o tempo dele também desta forma.

hehehe

Multa ou desconto? Racionamento de água e nós

Discussão do dia: as administrações da Silva e Rousseff não conseguiram. Não deram conta e há um risco de apagão. Isto é um fato e cara-de-pau tem é quem não quer ouvir a verdade.

Posto isto, uma questão relevante é: como lidar com a situação? Em São Paulo há uma discussão muito interessante. Veja o trecho da notícia:

Após o programa de descontos criado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para quem reduzir o consumo de água na Grande São Paulo, o comitê anticrise criado para tentar evitar o racionamento generalizado nas cidades abastecidas pelo Sistema Cantareira deve propor hoje que prefeituras paulistas adotem medidas efetivas para coibir o desperdício.

Entre as medidas estão a aplicação de multas por desperdício, além da cobrança para que entidades que representam as indústrias e os grandes produtores rurais estimulem o uso racional da água.

Antes de qualquer coisa, que bom ver que a discussão saiu da torpe briga ideológica na qual uns analfabetos funcionais insistem em dizer que “cobrar pela água é neoliberalismo”. Bom saber que, na burocracia do governo paulista, há gente séria.

Sim, sim, embora alguns achem que exista almoço grátis, não, ele não existe. O caso da água é um exemplo de livro-texto tão óbvio que dói falar dele desta forma. Em outras palavras, esta história de não individualizar a cobrança do consumo da água já deveria ter sido deixada para trás faz tempo. O bem água é, sim, rival e excludente. Seu consumo de água é rival ao do seu vizinho e é bem simples cobrar por ele de forma individual, tal como se cobra a conta de luz no prédio.

Mas, por motivos, muitas vezes, políticos, a mudança na forma de se cobrar a água não ocorre. E não é preciso estimar nem uma reta de regressão para adivinhar que, do jeito que cobramos pela água, incentivamos o seu desperdício.

Então, eis aí o problema de incentivos: existem multas e descontos. Multas pelo desperdício (medido de alguma forma) e descontos pela economia (também medido de algum jeito). Digamos que os dois métodos gerem queda no desperdício. Entretanto, implementá-los tem algum custo. Certamente, imagino eu, o custo de qualquer um deles, no curto prazo, é menor do que o de trocar a medição conjunta do consumo de água pela individualizada. Então, sim, vamos de multas e descontos.

Mas, haverá alguma diferença no impacto destes incentivos? O grande problema é saber qual será a base a partir do qual se falará de “desperdício”. Famílias têm composição distintas, riquezas distintas e necessidades distintas. Mas todo mundo adora economizar. Eu imaginaria que estabelecer uma política de descontos seja menos impopular e possa incentivar a economia de água, conforme o tamanho dos descontos (alguém tem que estimar isto). Por outro lado, a economia dos descontos pode ser pequena e a multa pode ter um impacto distinto sobre o indivíduo.

Engraçado é que, no fundo, você está simplesmente criando um incentivo que olha para aumentos e para quedas no consumo de formas distintas. Talvez o mais simples fosse aumentar o preço da tarifa e deixar que as famílias se ajustassem, você dirá. Mas este é justamente o problema de não termos consumo individualizado. A multa ou o desconto não melhorarão muito a situação neste aspecto (os gastadores continuarão fazendo com que os poupadores paguem no consumo de água de um prédio).

Bem, eu não sou especialista no estudo da economia dos recursos naturais. Engenheiros têm algo a dizer sobre o tema, certamente. Economistas, idem. Na verdade, você deveria ter uma estimativa da demanda de água, como fizeram estes autores, na Austrália. Veja o resumo do trabalho:

We estimate an aggregate daily water demand for Sydney using rainfall, temperature, and price data for the period 1994-2005. The estimated demand is used to calculate the difference in Marshallian surplus between using the metered price of household water to regulate total consumption in Sydney versus mandatory water restrictions for the period 2004/2005. Using a choke price of $5.05/kL for outdoor water demand, equal to the levelised cost of supplying and storing rainwater in a household water tank, we calculate the loss in Marshallian surplus from using mandatory water restrictions to be $235 million for the period 1 June 2004 to 1 June 2005. On a per capita basis this equates to approximately $55 per person or about $150 per household — a little less than half the average Sydney household water bill in 2005.

Neste texto, eu aprendo que (negritos meus):

The justification for rationing water versus charging a higher volumetric price is threefold. First, if water is considered a basic need then allocating it on the basis of price, especially if demand is price inelastic, may be inequitable because it can place a large cost burden on poorer and larger households. Second, in some communities, especially in poor countries, household water consumption is not metered. Thus raising the water price in the form of a fixed charge provides no financial incentive to consumers to reduce their demand. Third, even when households are metered and are charged a volumetric price for their water the billing period is such (usually quarterly) that if an immediate and temporary reduction in demand is required, it may be more effective to implement a rationing scheme rather than raise the price.

Notou, né? Então, qual é a elasticidade-preço da demanda no Brasil? Em São Paulo? Ou na sua cidade? Para começar a discussão, temos que começar com esta demanda. Em segundo lugar, algo que é, no curto prazo, dado, é esta questão da mensuração do consumo de água. Passamos da época de medir o consumo individualmente, não? Finalmente, para quem estuda Ciências Econômicas, este texto não deixa de ter um valor didático. Afinal, elasticidades, curto e longo prazo, excedente do consumidor, todos estes conceitos são memorizados e engolidos por milhares de alunos que nem sempre param para se perguntar sobre o porquê de se aprender isto tudo.

Bem, olha você não pergunta o porquê das coisas, agora tem que racionar água. Acho que dá para entender as fontes do problema, né?

Gol, Azul, Avianca e a liberdade tarifária

tarifasMercados são criaturas interessantes. Deixe-os livres e eles gerarão resultados inesperados. Regule-os e, bem, eles gerarão resultados inesperados, mostrando que a regulação é muito menos fácil do que se pensa (e, para enfurecerer os reguladores, talvez eles ganhem um salário muito bom para as soluções falhas que propugnam).

Antes que você fique nervoso, pense no exemplo das companhias aéreas no Brasil. O órgão regulador parece não curtir muito a competição e não tem mostrado muita fé no aumento da competição. Assim, o que informalmente se conhece como “oligopólio” está aí. Lembro-me de uma notícia na qual o regulador reclamava de uma das companhias ter baixado o preço, o que me lembrou rapidamente da hipótese da captura de Stigler.

Mas vamos lá. Nosso mercado oligopolista tem novidades: uma das companhias afirma que tem fé no livre mercado e que seus concorrentes que se danem. A “fé” é, no caso, a afirmação de que a empresa curte “liberdade tarifária”. A concorrência preferiu anunciar um teto para o valor das tarifas (eu vou chamar isto de preço porque, sinceramente…). Então é assim:

1. A companhia X quer liberdade de preços

2. A concorrência diz que há um teto para seus preços.

Isto é bom ou ruim? Bom, não é nem bom, nem ruim. Na verdade, o negócio todo é usar a boa e velha amiga do estudante, a oferta e a demanda. Sabemos que, durante a Copa, a demanda deve aumentar. Dizem por aí que o número de vôos deve aumentar também pelo lado da oferta. Bom, acredito que sim, embora não seja por maior número de empresas. Então tá. Eu duvido que a oferta vá aumentar mais do que a demanda e também duvido que as curvas de demanda e oferta neste mercado tenham sensibilidade-preço incomuns. Então, o diagrama padrão se aplica e, sim, um aumento da demanda gerará um aumento no preço da passagem.

Sim, se eu fosse dono da companhia citada, eu também seria a favor da liberdade tarifária. Agora, por que a concorrência não adota a mesma prática e esquece esta história de “teto” para o preço das passagens? Acredito que a resposta esteja relacionada às elasticidades-preço e market share que cada empresa estima para si e, claro, estas estimativas não são independentes das ações da companhia “pró-liberdade tarifária”.

Ah, claro, não confunda as coisas. A companhia citada fala em “liberdade tarifária” e você não deve achar que o empresário adore um livre mercado. Ele seria um amante do livre mercado se falasse em “liberdade tarifária” também quando de uma queda na demanda.

 

Sabe aquela aula de Economia, lá no início do curso?

Claro que você se lembra. Havia um capítulo bacana sobre a diferença entre a incidência legal e a incidência efetiva de um imposto. Não importa o que a lei diga, o fato é que o mercado é, em última instância, com toda sua complexidade, quem determinará a carga efetiva do imposto.

O exemplo tradicional é aquele em que uma curva de demanda é bastante inelástica, em todos os seus pontos, relativamente à curva de oferta de um bem. Neste caso, o imposto recai mais fortemente sobre o ________(preencha o espaço).

Pois é. Na prática, como é isto? Eis um estudo recente para os EUA, dica do Café Hayek.

Dois curtos textos bem didáticos

O Bank of Japan (BOJ, a autoridade monetária deles) tem dois pequenos textos bem didáticos sobre a mensuração do produto potencial e também sobre os efeitos do terremoto/tsunami no Japão.

Não é tão difícil um aluno de graduação fazer coisa similar, né?

Mercado ilegal de órgãos

Eis aqui a excelente análise do Cristiano Costa. Há alguns anos, eu e o Ari publicamos um artigo sobre uma possível – e simples – forma de se detectar o preço do suborno. Uma versão ligeiramente distinta da publicada encontra-se aqui.

Oferta, demanda e a falta de lógica

Diz Sardenberg:

Coloque-se na posição de um produtor de arroz no Rio Grande do Sul. Durante muitas safras você lutou com os preços baixos e sofreu a concorrência do arroz uruguaio, que entrava, via Mercosul, mais barato, dado o custo de produção menor (incluindo uma carga tributária menos punitiva). Você reclamou dessa situação e lhe disseram: “O que fazer? São as forças do mercado global…”

Aí, pelas forças do mercado, os preços sobem e ficam bons do ponto de vista do produtor. E agora, não pode? Vem o governo e ameaça com restrições à exportação e com o controle de preços internos.

Seria a mesma violação das regras do jogo que sofrem os produtores rurais argentinos. Exportadores de carne, por exemplo, fizeram um esforço danado para cumprir as regras sanitárias internacionais, livraram-se da febre aftosa e conseguiram colocar seu bife nos supermercados dos países ricos. Aí vem o governo Kirchner, proíbe as exportações e tabela os preços internos.

Continue lendo o texto (veja o link nos parágrafos). Difícil de entender?