Pague-me para emagrecer!

Seu amigo pterodoxo tá gordinho? Aposto que ele emagrece ganhando uns trocados, mesmo que fale mal da racionalidade…

Sabe aquele seu amigo que acha os dez princípios da economia enunciados no livro-texto (que muito pterodoxo não leu, sequer, até a metade) do Mankiw? Pois é. Olha aí.

Small cash rewards for big losers : experimental insights into the fight against the obesity epidemic (English)

ABSTRACT
This paper examines the sustainability of weight loss achieved through cash rewards and, for the first time, the potential of monetary incentives to prevent weight cycling. In a three period randomized controlled trial, about 700 obese persons were assigned to two treatment groups, which were promised different cash rewards contingent on the achievement of an individually assigned target weight, and to a control group. Successful participants were subsequently allocated to two treatment groups offered different monetary incentives for maintaining the previously achieved target weight and to a control group. This is the first experiment of this kind that finds sustainable effects of weight loss rewards on the body weight of the obese even 18 months after the rewards were removed. Additional incentives to maintain an achieved body weight improve the sustainability of weight loss only while are in place

Show de bola, não? Ah sim, um trecho da conclusão (onde ele discute problemas, inclusive o da validação externa…sobre o qual falei em sala, ahá, hoje).

Our experiment shows that financial incentives can have positive and sustainable effects on weight reduction of obese individuals and, hence, may be an effective measure to fight the obese pandemic. According to our results, however, it appears to be important to announce monetary rewards well in advance. Different to the effect of monetary incentives to lose weight, we are not able to provide a clear answer concerning the effects of financial incentives to sustain a certain body weight. At the end of the experiment, individuals who received both incentives for weight loss and incentives to maintain a lower body weight are neither better nor worse off than individuals who received only a weight‐loss reward.

Eu reconheço: minha aula de Econometria III é muito boa! Sem falsa modéstia porque sei bem o meu valor. ^_^

p.s. para uma definição de pterodoxo (termo que eu cunhei, há anos), pesquise este blog.

As receitas dos grandes ‘chefs’ são mais saudáveis? Viés de seleção antes da pizza da noite

Vou pedir pizza!

Ué, porque não dá para não morrer de rir com isto. A bem da verdade, o debate é mais sério do que minha piada. A repercussão da mídia:

However, although the researchers and the media have speculated on the effect that this may have, this research does not investigate this question and no conclusions can be drawn. For example, we don’t know if these recipes are cooked and eaten frequently, and we don’t know how the nutritional value of these celebrity chefs’ recipes compares with more humble cooks’ recipes.

It is also important to repeat the fact that celebrity chefs who targeted their recipes at people concerned about weight management or who were on a diet were excluded from the study.

Often, TV chefs’ recipes are designed to be ‘event meals’, with the meal being cooked for a special occasion such as a birthday or dinner party. It is unlikely that someone would use a cookbook to cook all their meals.

Acho que vou ficar com minha alimentação, digamos, adequada às minhas preferências mesmo.

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Bela foto, né?

Validade interna e externa do modelo

Brincadeiras à parte, eis algo para o leitor pensar: existe problema na amostragem? Usando o que vimos em sala de aula (falo, notadamente, com meus alunos de Econometria III – é, temos Econometria III na nossa graduação, mané!), ou seja, o capítulo 9 da última edição do livro de Stock e Watson, acerca da validade interna e externa de modelos econométricos, o que poderíamos dizer sobre este artigo?

Você pode estar pensando: “mas não vi nenhuma regressão lá”. Sim, não viu. Mas nem por isso os autores deixaram de falar do problema. Em uma seção final, em que falam dos problemas do artigo, eles dizem:

To increase the external validity of our findings we used a populist sampling frame to identify both the recipes and the ready meals. However, the nutritional content of recipes varied substantially between individual recipe books (data available from the author), suggesting that a different selection process may have led to different findings. Selecting books that were bestsellers in the run-up to Christmas may have influenced the selection of recipes, and the transient nature of bestseller charts may challenge the representativeness of the sample. The size of the sample prevented subgroup analyses comparing individual chefs or supermarkets.

Viu só? Viés de seleção é um ponto importante! É, e você achou que a aula de Econometria III só falava da relação entre nota de aluno e tamanho da classe, programas de TV que falam de crimes, lei seca ou porte de armas? Não. Nós temos mais assunto para discutir. Basta pesquisar um pouco e ter alguém que fale de títulos engraçados antes do jantar.

A dica do artigo foi da Mayumi Kanashiro, a quem agradeço, mas vou lá fazer uma pizza agora.

UPDATE: o Enoch corrigiu um impagável erro de português no título. Tão óbvio que já corrigi.

Pipocas e sua barriguinha

Com nossas pipocas atingindo o padrão norte-americano, talvez este video – e o livro – tornem-se mais relevantes por aqui. Aliás, senhores editores, ele já deveria ter sido traduzido faz tempo, né?

McKenzie também tem um ótimo livro sobre obesidade (inclusive, mostrando os problemas sérios existentes em se considerar o BMI (body mass index) como medida de obesidade. Estou lendo este livro junto com alguns outros e a propaganda dele está aqui (e eis uma entrevista com o autor).

Eis um trecho interessante da entrevista.

What do you think will be the biggest battle in the “fat war” in the next 5-10 years?
The likely biggest battle in the “fat war” will be over sugared soda taxes and taxes on one sort of fatty food or another. However, studies are showing that such taxes (and bans on sugared sodas) can cause people to gain weight by shifting people’s consumption to non-taxed sugared and fatty foods and by increasing their appetites. Then there will be legal battles over fat discrimination and fat accommodation. “Fat labeling” seems to have already become a done deal.

Aliás, complementando o que diz o autor, veja também este pequeno vídeo, de uma consultoria privada famosa, a Euromonitor mostrando que, no longo prazo, não é só a demanda que se mexe, mas também a oferta…

O bacana do McKenzie, na minha opinião, é que, há anos, ele vem fazendo o que, somente agora ficou popular por aqui: a análise econômica da vida. Bastiat falava das consequências não-intencionais dos incentivos (“o que se vê e o que não se vê”) e isto é uma característica central da Ciência Econômica.

Note que mesmo o mais sofisiticado dos econometristas não pode prescindir da teoria econômica e, portanto, deve estar sempre ciente destas consequências não-intencionais. Por exemplo, andar a pé para o trabalho pode poluir mais do que ir de carro, conforme nos ensina o autor. Quando ignoramos todas as consequências dos incentivos, corremos o risco de medir incorretamente seus efeitos. 
Isso significa que tá todo mundo errado?

Não e nem seu oposto. E também não está chovendo hambúrguer. Mas ao fazer análises de equilíbrio parcial, ou mesmo geral, sempre teremos limitações pois fenômenos sociais são bastante complexos. Lembre-se sempre do que disse Milton Friedman sobre a política monetária em seu clássico artigo, por exemplo. Eis um trecho:

I have put this point last, and stated it in qualified terms-as referring to major disturbances-because I believe that the potentiality of monetary policy in offsetting other forces making for instability is far more limited than is commonly believed. We simply do not know enough to be able to recognize minor disturbances when they occur or to be able to predict either what their effects will be with any precision or what monetary policy is required to offset their effects. We do not know enough to be able to achieve stated objectives by delicate, or even fairly coarse, changes in the mix of monetary and fiscal policy. In this area particularly the best is likely to be the enemy of the good. Experience suggests that the path of wisdom is to use monetary policy explicitly to offset other disturbances only when they offer a “clear and present danger.”

Neste trecho, Friedman recomenda que a política monetária seja feita sem solavancos, mas com mudanças marginais, precisamente porque sabemos pouco sobre a natureza dos choques na economia. Vale dizer, ele percebe claramente as limitações de nosso conhecimento sobre a realidade, algo que, inclusive, deveria ser mais considerado em proposições que envolvam a vida de terceiros.

A lição, se é que podemos dizer que alguma há, é a de que devemos ter muito cuidado ao falar do impacto de incentivos sobre as ações dos indivíduos. É por isso que você deve estudar com muito cuidado a microeconomia em sua graduação. Nas linhas – e às vezes nas entrelinhas – dos exercícios com matrizes e condições de segunda ordem você encontrará a fonte de perguntas e de respostas sobre questões de efeitos, digamos, de segunda ordem ou indiretos. Ok, o preço diminui a demanda destes dois bens, mas o que posso dizer sobre a demanda de trabalho? E o risco? E as expectativas?
Saber reconhecer as limitações é minha resposta para o “certo ou errado”. Ninguém está totalmente certo ou errado. Apenas a análise é mais ou menos limitada. O que muitos economistas não percebem é que é muito importante destacar estas limitações. Aí sim, eu diria, você tem uma análise econômica ruim. McKenzie sabe muito bem como explorar o poder dos incentivos e os livros citados neste post são um bom começo para quem se interessa pelo tema.

Ah, se tivessem dado ouvidos às evidências científicas…

Lembra de todo “auê” em torno do Fome Zero? Aquele slogan bem breguinha de que quem tem fome quer furar fila, e tal? Pois é. Aí veio a POF de 2003 e descobriu-se que não havia tanto motivo para a choradeira. Muita gente calou a boca e saiu com o rabo entre as pernas, outras apelaram, etc.

Aí você pega um bom livro para ler, como o Heavy!  (HEAVY!: The Surprising Reasons America Is the Land of the Free-And the Home of the Fat, Springer Verlag) do Richard McKenzie, e encontra:

Today, the distribution of the country’s weight problems across income classes has reversed, as excess weight problems are disproportionately concentrated among the poor.

Como está no kindle, não tenho a página. Mas digo uma coisa: as evidências empíricas não são novas. O motivo de não se dar ouvidos às evidências é uma mistura de ignorância intencional (grupos de interesse) e não-intencional. Como sempre, a gente se lembra de como as más idéias também movimentam o mundo.

Evidentemente, não há nada de indigno ou de errado em faturar um hambúrguer de vez em quando. Como nos lembra Matt Ridley, em The Rational Optimist (P.S.):

Fire and cooking in turn then released the brain to grow bigger still by making food more digestible with an even smaller gut – once cooked, starch gelatinises and protein denatures, releasing far more calories for less input of energy. As a result, whereas other primates have guts weighing four times their brains, the human brain weighs more than the human intestine. Cooking enabled hominids to trade gut size for brain size.

Sim, também no Kindle. Bom, Matt Ridley está nos dando uma interessantíssima evidência de que o processo digestivo, hoje glamourizado pela comida barata (obrigado, produtividade elevada! Obrigado, mercados!) e farta que, sim, chega à mesa de muito mais gente do que no passado, pode ter sido uma das causas de nosso progresso.

Parece que teremos muito o que aprender (e comer…moderadamente) até chegarmos a um nível de compreensão mínimo acerca dos efeitos da ingestão de calorias em nossas vidas. Em verdade, em verdade, eu vos digo: nunca chegaremos a uma compreensão completa (Hayek!) e, portanto, muito mais cuidado e humildade deveriam ter nossos “iluminados” reguladores de agências governamentais: eles mesmos não sabem direito o que fazem (tal como nós). Ora, então porque lhes dar tanto poder para decidir sobre nossa dieta? Podemos votar livremente, mas devemos ser limitados no que desejamos de sobremesa? Não, obrigado.

Selecta Matinal

1. Mudanças institucionais são difíceis. Bem, por que instituições mudam? Por que se adotam instituições melhores e, em alguns casos, piores? Este artigo desenvolve um argumento para se entender o problema.

2. Nestas discussões sobre irracionalidade racional, capital humano, ideologia e cultura, certamente há um fator que me incomoda: a burrice. A burrice é só uma característica das pessoas ou é, realmente, um determinante do desempenho de países? Bem, eis um texto que trata do assunto, embora não use o termo “burrice”.

3. Os economistas brasileiros ainda não geraram uma quantidade aceitável de estudos para se analisar uma política pública tão simples quanto a da prevenção de acidentes no trânsito. Você vê um ou outro artigo por aí, mas a verdade é que há escassez de economistas (e, no subconjunto dos economistas que estudam políticas públicas também há a escassez de competência que, claro, enfrenta a escassez artificial de dados gerada pelos governos) na área. Ok, então sempre que eu encontro artigos sobre o tema eu divulgo aqui (ainda que o pessoal frequentemente se esqueça, como é hábito na cultura ruim brasileira, de agradecer ao blog). Bem, então lá vamos nós.

4. Quer combater a obesidade? Esqueça o aumento da carga tributária para gerar empregos e benesses com esta desculpa. Confie no mecanismo de preços e contrate uma boa equipe de economistas para fazer sua política pública. Garanto que qualquer um que não seja “cabeça-de-word” fará um bom trabalho.

Economia, preços de alimentos, obesidade…

Art Carden tem um artigo sobre capitalismo aqui e um mais científico – e interessante – que cito a seguir.

The Skinny on Big Box Retailing: Wal-Mart, Warehouse Clubs, and Obesity

Charles Courtemanche
University of North Carolina at Greensboro

Art Carden
Rhodes College

Abstract:
We estimate the impacts of county-level Walmart Discount Store, Walmart Supercenter, and warehouse club presence on individual body weight, obesity status, food consumption, and exercise. Contrary to the conventional wisdom that cheap food causes weight gain, we find no evidence that any of these stores increase weight or lead to less healthy eating habits. Warehouse club entry is actually associated with reductions in weight, obesity, junk food intake, and eating at restaurants as well as increases in fruit and vegetable consumption. These results suggest that bulk buying is a more important determinant of body weight than food prices, at least in this context. Buying groceries in bulk may lead to healthier eating by allowing individuals to counteract self-control problems by constraining future choices.

Para os alunos de microeconomia:

Conventional wisdom suggests that Walmarts and warehouse clubs sell cheap food, so their entry
should cause people to eat more and gain weight. However, a more careful analysis reveals that
these stores could potentially impact weight through a number of mechanisms – including
substitution effects, income effects, bulk buying effects, and effects on exercise – and that the
direction of the net effect is unclear a priori.
Consider an individual with a fixed food budget who divides this budget between unhealthy
grocery food (such as processed snacks), healthy grocery food (such as fresh fruits and
vegetables), and restaurant food. Assume that Discount Stores, Supercenters, and warehouse
clubs all sell unhealthy food, while Supercenters and warehouse clubs also sell healthy food and
none of the stores sell restaurant food. Assume further that the foods sold at these stores are
cheaper than the same foods at conventional grocery stores.
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If the individual’s preferences are separable, then the conventional wisdom holds. The entry of a
nearby Walmart Discount Store would increase unhealthy food consumption while leaving
healthy food consumption and restaurant eating unchanged. The overall effect would be higher
caloric intake and weight gain. Supercenters and warehouse clubs would increase consumption
of both unhealthy and healthy foods while leaving restaurant eating unchanged, again leading to
higher caloric intake and weight gain.
However, in reality the three types of food are likely substitutes, in which case the net effects of
the discount retailers are more complex.

Conventional wisdom suggests that Walmarts and warehouse clubs sell cheap food, so their entry should cause people to eat more and gain weight. However, a more careful analysis reveals that these stores could potentially impact weight through a number of mechanisms – including substitution effects, income effects, bulk buying effects, and effects on exercise – and that the direction of the net effect is unclear a priori.

Consider an individual with a fixed food budget who divides this budget between unhealthy grocery food (such as processed snacks), healthy grocery food (such as fresh fruits and vegetables), and restaurant food. Assume that Discount Stores, Supercenters, and warehouse clubs all sell unhealthy food, while Supercenters and warehouse clubs also sell healthy food and none of the stores sell restaurant food. Assume further that the foods sold at these stores are cheaper than the same foods at conventional grocery stores.

If the individual’s preferences are separable, then the conventional wisdom holds. The entry of a nearby Walmart Discount Store would increase unhealthy food consumption while leaving healthy food consumption and restaurant eating unchanged. The overall effect would be higher caloric intake and weight gain. Supercenters and warehouse clubs would increase consumption of both unhealthy and healthy foods while leaving restaurant eating unchanged, again leading to higher caloric intake and weight gain.

However, in reality the three types of food are likely substitutes, in which case the net effects of the discount retailers are more complex.

Preferências separáveis? Efeitos-renda? Substitutos? Bem, acho que um bom aluno poderá fazer as conexões necessárias com alguns exercícios rapidamente…

Obesidade ótima e sub-ótima

Obesity as Market Failure: Could a ‘Deliberative Economy’ Overcome the Problems of Paternalism?
Paul Anand and Alastair Gray (KYKLOS, Vol. 62 – 2009 – No. 2, 182–190)

SUMMARY
The paper argues that the problem of obesity can usefully be seen as illustrating a new kind of market
failure. At the heart of such failures is the emergence of a sub-optimal choice environment which, though
derived from a large number of small individual optimising decisions, is not the choice environment that
peoplewould choose if they were able to choose the environment itself. This idea is claimed to be consistent with modern economic theories of freedom of choice and applicable particularly to choice environments that emerge in highly competitive market situations. The retail supply of food and consumer credit is discussed by way of example.Concluding, the paper develops the concept of a ‘deliberative economy’ as an alternative to liberal paternalism and explores conditions under which such an approach to social choice might deliver desirable outcomes.

Mais um artigo na fronteira da Teoria Econômica. Ao invés de choramingar, o pesquisador sofre com as dificuldades, mas não desiste. Talvez os insights destes dois autores possam nos levar a um novo nível teórico. Senti mesmo falta foi daquelas boas e velhas equações de otimização.

Agora, esta história de meta-jogo me parece mais antiga. Lembro sempre dos jogos ocultos do Tsebelis ou do início da Economia Política Constitucional, nos anos 90, com James Buchanan. A idéia é sempre a de que estamos diante de alguma variável – até então exógena – que deveríamos começar a estudar. 

p.s. Mais ou menos assim também se iniciou aquela área de economia comportamental. Como bem disse Byran Caplan em algum artigo, antes assumíamos preferências constantes (muiiiiito constantes) porque não tínhamos elementos para pesquisa (dados). Só com base na pterodoxia de boteco não se vai muito longe em pesquisa (já em política…). Mas com a neuroeconomia, com a economia experimental e demais, hoje, as possibilidades são muito, muito bacanas. Sorte dos que vieram após esta geração…

Obesidade sínica

Sem erros de português.

Obesity and Risk Knowledge

Kamhon KAN – Academia Sinica, Taipei, TAIWAN
Wei-Der TSAI – National Central University, Chungli, TAIWAN

Obesity is an epidemic health problem in many developed countries, and it is an emerging public health concern in developing, transitional, and newly-developed countries. The purpose of this research is to investigate the relationship between individuals’ knowledge concerning the health risks of obesity and their tendency to be obese (as measured by the \body mass index”). Instead of assuming that obesity is a pure physiological problem as in previous studies, we allow an individual’s cost/bene¯t evaluation to play a role. Based on survey data from Taiwan, we investigate the relationship with the quantile regression technique.
The results suggest that such a relationship does exist and it is different for males and females.