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O fracasso do libertarianismo, o liberalismo mais ou menos e o sucesso do comunismo?

Sempre é interessante verificar tendências. Graças a Eric Crampton pude fazer um pequeno exercício de descoberta de tendências. A ferramenta é o “Google Insights”. Só para explorar o tema, vejamos quem é o campeão na preferência das buscas.

Atenção: calma com as análises, heim? O fato de um termo ser popular nas buscas significa apenas que vale o ditado: “falem mal, mas falem de mim”. Em outras palavras, pode ser que um sujeito busque por um termo não porque o ame, mas porque busque notícias negativas sobre o mesmo. Claro, também há o que busca um termo porque gosta do mesmo. No mínimo, é um bom indicador de interesse, seja ele positivo ou negativo.

Aí vão (clique nas figuras para ampliar):

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Redação, Interpretação e Confusão (não-intencional)

Aí o Daniel Piza me vem com esta:

Como se já não estivesse com a situação complicada, o ministro Carlos Lupi agora é acusado de liberar verba para a prefeita de São Gonçalo pouco depois que ela mudou para seu partido, o PDT. Viva o trabalhismo brasileiro! Muita gente pensa que o desrespeito com o dinheiro público é exclusividade de oligarquias e grandes empresas, mas não: vide a história dos sindicatos brasileiros desde os tempos de Getúlio Vargas. A maioria deles foi e é “pelega”, age a serviço de seus interesses e não tem a menor independência em relação a instâncias públicas.

Ao contrário do que dizem neoliberais, o capitalismo não se fez sólido apenas com livre-mercado e competição desenfreada. Nos países desenvolvidos, ele é regulado e fiscalizado e submetido a pressão constante das demandas sindicais. Nos EUA não existe o gasto social que existe na Europa, mas olhe a participação dos sindicatos em sua história. Eles são fortes e lutam muito pelos direitos e benefícios dos trabalhadores. Muitos, claro, já foram pegos em corrupção – basta lembrar os tempos mafiosos de Jimmy Hoffa, representado por Jack Nicholson no cinema -, mas muitos não vivem do subsídio político.

Bacana, não? Aliás, ao contrário do que dizem os democratas, a demoracia não se fez sólida apenas com as assembléias gregas e com referendos a toda hora. Nos países desenvolvidos, ela é regulada e fiscalizada e submetida a pressão constante dos neonazistas, neofascistas e neocomunistas.

E agora? Ficou boquiaberto?

Este é o problema destes argumentos bombásticos. Olha que o Piza ainda é um dos sobreviventes no mar da lama que são os cadernos de cultura dos jornais. O problema do trecho acima é a forma como Piza escreve. Primeiro, parece que confunde “liberal” com “neoliberal” (falei disto outro dia, lembra?). Além disso, a forma como escreve gera uma interpretação ambígua que você deve ter notado ao ler minha paródia acima, na qual reproduzo seu trecho, mas com outro argumento, típico de gente que confunde “democracia” com “não-liberalismo” (veja o link citado).

Ao confundir os conceitos e ao acreditar em conexões que não existem (como a tal “mais democracia = menos liberdade”), você perde poder de reflexão e debate. Não acho que Piza esteja fazendo tal confusão, mas acho que sua redação mais atrapalhou do que ajudou, pelo menos no caso acima.

Não, não acho que você não deva ler Piza. Mas, tal como eu e você, ele não é perfeito e fala bobagens de vez em quando.

Mudando de assunto, talvez Piza devesse abrir os olhos para a iluminação cultural que é este sensacional livro, he he he.