Taleb é muito “pop” mas de pouco conteúdo?

Neste ótimo blog sobre o R (link direto ao post), uma crítica ao Nassim Taleb, já ao final do texto:

Overall, I don’t like Taleb’s The Black Swan. While some of what it has to say (the fallacy of seeing things as a controlled dice game) is very sound, it is riddled with straw man propaganda techniques when he gets on to his critique of statistics. I can only presume he received some exceptionally bad, old fashioned teaching of economics, econometrics and statistics, and didn’t take the trouble to look beyond to the amazing things that have been going on in this field. He writes as though no-one before him had noticed non-normal distributions or outliers. See my answer on Cross-Validated.

A sequência do debate no Cross-Validated é interessante. Aliás, quem tomou o lugar de Taleb na lista dos “economistas pop” é o Thomas Piketty que, talvez, tenha até mais produção científica relevante do que ele.

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Economia Brasileira Contemporânea

Citei este texto em um post há uns dias. Acho ótimo para debates em sala de aula. Dica para os professores de História Econômica que não têm medo de Econometria (até porque isso não faz sentido…).

Eis o gráfico que arrastará amizades para a discórdia e, se você for destes militantes, para a inimizade.

carrasco

Para um resumo do texto, veja o EconomistaX: http://economistax.blogspot.com.br/2014/07/a-decada-perdida.html

Então, junte-se a este trabalho mais alguns fatos indicados no livro Complacência do Giambiagi e do Schwartsman, os insights de Acemoglu e cia no Por que as Nações Fracassam e, claro, também observe o recrudescimento recente da base do tripé macroeconômico que é a relação governo-mercado no episódio do Santander e você tem muitos temas para debate.

Só um conselho: não faça como os militantes. Amizades são mais fortes, justamente, quando resistem à intolerância que é um valor oposto ao bom desempenho social e econômico (para mim são sinônimos, mas vá lá) de um país. Aqueles que resistem às tensões – os que são antifrágeis, no sentido que lhe dá Taleb (obrigado, Diogo, pelo presente) – sobrevivem.

Não fique a mimar sua indústria, agricultura, etc… – a importância do antifrágil

Além da emporiofobia mencionada anteriormente aqui, talvez os amantes dos novos conceitos curtam a antifragilidade de Nassim Taleb. Diz o autor:

Basicamente, se a antifragilidade é uma propriedade de todos aqueles sistemas naturais (e complexos) que sobreviveram, privar esses sistemas de volatilidade, aleatoriedade e agentes estressores os prejudicará. (Taleb, N.N. Antifrágil – coisas que se beneficiam com o caos, Best Seller, Rio de Janeiro, 2014, p.23)

 

O que seria a “antifragilidade”? Algo como uma propriedade que se beneficia dos choques e da volatilidade para se aperfeiçoar (um ser humano, por exemplo).

Pois junte-se à emporiofobia o conceito de antifragilidade e fica fácil de se perceber que os conceitos nos remetem a uma questão filosófica mais antiga, relacionada ao temor do desconhecido. Devemos nos proteger do mundo externo? Ou precisamos experimentar choques aleatórios para crescermos?

Acho que Virginia Postrel também falou sobre isso em seu – menos lido do que deveria, creio eu – The Future and its Enemies e, claro, a inspiração importante aqui é Hayek. Será que estamos diante de um momento histórico no qual retornamos a problemas que pensávamos exclusivos do passado?

Vai saber…(assim que eu acabar o gigantesco livro do Taleb eu conto para vocês se há algo interessante nesta história…).