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Não é o socialismo, é o “rent-seeking”.

Quer saber o que acontecerá no Brasil com a liberdade de imprensa? Não, não será a estatização. Aqui a estratégia é mais malandra. Será tal e qual…

Em junho e julho de 1938, Goebbels rejeitou a tentativa de Amann de transferir todos os grandes jornais para o Estado, mas, pouco tempo depois, concordou que o rico editor transferisse paulatinamente ‘todos os jornais para a sua propriedade’ contanto que a ‘direção política’ ficasse com o ministro da Propaganda e todas as mudanças de pessoal nos jornais influentes fossem combinadas com ele. [Longerich, P. (2014) Joseph Goebbles – uma biografia, Objetiva, p.324]

O nome disso aí? Ué, rent-seeking. O tipo de empreendimento favorito de empresários que adoram minimizar riscos associando a qualquer escória, dando sua liberdade (e a dos outros) em troca de um monopólio qualquer.

As pessoas acham que há uma prevalência da ideologia enquanto motivo último das ações de políticos e burocratas quando, na maioria das vezes, a motivação é bem mais mundana, mesmo, facilmente explicável pela Teoria Econômica básica: incentivos geram ações que geram resultados para a sociedade. Não é à toa que tantos não-economistas busquem desqualificar nossas explicações: morrem de medo de ficarem nus.

“Queria mesmo era que o tigre comesse o braço daquele opositor do nosso regime progressista!”
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História Econômica: grandes obras elegem ditadores?

Como brasileiros adoram votar em políticos que fazem grandes promessas de infra-estrutura, dentre outras, não custa lembrar que nem sempre o final da história é feliz.

Eis aí um exemplo.

HIGHWAY TO HITLER
Nico Voigtländer & Hans-Joachim Voth

Abstract: Can infrastructure investment win “hearts and minds”? We analyze a famous case in the early stages of dictatorship – the building of the motorway network in Nazi Germany. The Autobahn was one of the most important projects of the Hitler government. It was intended to reduce unemployment, and was widely used for propaganda purposes. We examine its role in increasing support for the NS regime by analyzing new data on
motorway construction and the 1934 plebiscite, which gave Hitler greater powers as head of state. Our results suggest that road building was highly effective, reducing opposition
to the nascent Nazi regime.

Pois é. Controlar o uso dos recursos públicos não tem apenas um lado, digamos, contábil. Não se trata apenas de ciclo político-econômico. Pode significar evitar algo bem mais sério…

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Nicholai Deodoro da Fonseca? Nicholai Vargas? Por que(,) Nicholai??

Prezado ex-presidente, Nicholai ______ (preencha)

O controle social da mídia é um sonho de dez entre cada dez militantes de esquerda que, sisudos como eles só porque, dizem, lutam contra a exploração que é, sim, um problema sério, não têm tempo para uma piadinha. Simples assim.

Mas aí a gente lê que a senhor Doina, na Romênia – exemplo de socialismo esquecido pelos supostos professores de História do ensino médio por algum motivo que bem pode ter a ver com doenças mentais…ou não – tinha um emprego difícil lá naquele país de língua latina (isso mesmo!). Por que?

Como revisora, sua função, quase um desafio, era verificar se os nomes de Nicolae Ceausescu e sua mulher Elena estavam grafados corretamente cada uma das 30 e tantas vezes que eram mencionados na gazeta diária (40 vezes quando ocorriam as conferências do Partido, lembrou ela). Não era uma questão sem importância. Para azar de Ceausescu, seu primeiro nome podia, com uma ligeira alteração – para “Nicholai” -, significar “pênis pequeno” em romeno. “Esse erro podia dar cadeia”. (Lewis, Ben. Foi-se o Martelo, Editora Record, Rio de Janeiro, 2014, p21)

“Que é que cê tá olhando? Faz seu xixi aí e não me espia, boiolão!”

Claro, como sou um sujeito politicamente correto, não vejo motivo para tanto. Afinal, ditadores também podem ser portadores de necessidades especiais de extensão peniana (como mostram aqueles spams que chegam para a gente de vez em quando). Qual o problema? Não é o tamanho do pênis do ditador que importa, mas sim o sofrimento, a fome, a tortura e o controle social da mídia que ele proporciona, ora bolas!

Do humor sob o controle “social”

O caso do ex-ditador romeno é apenas um dentre tantos que sobreviveram anos e anos por conta de seu aparato de repressão. O humor, no final do dia, pode ser pensado como uma última saída para a sanidade ou como uma arma de resistência contra a repressão das liberdades.

Meu humor de mau humor (ou não?)

Mas a maior ironia mesmo, na minha opinião, está com o povo mais alegre e feliz do mundo: o povo brasileiro. A patota se auto-denomina “calorosa”, “amorosa”, “amistosa” e tudo o mais. Ao mesmo tempo, adora se sentir parte da esquerda norte-americana, adotando modismos como o politicamente correto, o excesso do uso do termo “social” em qualquer conversa (não demorará para inventarem o hot dog social) e, claro, o sentimento anti-americano, que, de tão vago, é, ao mesmo tempo, anti-liberal e anti-militar.

Por que é que a ironia está conosco? Bem, tivemos um ditador, Getúlio Vargas. Um sujeito que prendeu e torturou como todo bom ditador e o povo insiste em colocar seu nome em avenidas, praças, ruas, fundações, como se herói brasileiro ele fosse. É aquela mentalidade do “mata mas faz”. Acho que não existe brasileiro mais idolatrado do que este. Nem Carlos Chagas, que deveria, este sim, ter seu nome em muito mais ruas e avenidas (ou Machado de Assis, ou Euclides da Cunha, etc) tiveram tanto sucesso com o povo que pouco lê, mas marcha bem, seja com o uniforme vermelho ou o verde.

Aliás, esta é outra ironia histórica: a luta do militante contra os fatos (se preciso for, ele acusa o juiz Joaquim Barbosa de ser negro, no mais límpido dos racismos que diz combater…). Por exemplo, como já destacou Alain Besançon (em seu A Infelicidade do Século), não há porque distinguir a violência socialista da sua irmã, a nacional-socialista. Claro, você pode achar uma piada este papo de intelectuais. Então, deixemos que o cidadão comum se expresse.

Naquele inverno de 1939, um surrado recorte do Pravda chegou a um campo de prisioneiros políticos na região de Kolima, no extremo oriente da URSS trazendo a notícia sobre o pacto e uma grande foto do chanceler soviético Molotov ao lado do colega alemão, von Ribbentrop. Uma das prisioneiras russas não se espantou: “Um retrato de família encantador”, comentou. Para elas, a surpresa não foi tão grande, pois haviam sido instruídas a respeito graças à experiência de companheiras comunistas alemãs aprisionadas no mesmo campo, em que sentiram na pele as afinidades que aproximavam os dois regimes. “Isso é da Gestapo”, disse uma delas, mostrando as cicatrizes profundas que desfiguravam suas pernas e suas nádegas. “E isso”, continuou, “é da NKVD”, exibindo as unhas deformadas em ambas as mãos, nas extremidades de dedos azulados e inchados”. (Figueiredo, Cláudio. Entre sem bater – a vida de de Apparício Torelly, o Barão de Itararé, Casa da Palavra, 2012, p.300)

Não deu para rir muito, né? Ou riu sem dar? Não, é triste demais para fazer piada, eu sei. Mas é a ironia da história da qual eu falava ali no alto. Digo mais: Vargas e outros ditadores são realmente bons motivos de piada, como nos fizeram ver o pessoal do antigo Pasquim. É surpreendente que brasileiros não façam tanta piada com ele.

Aliás, brasileiros são um tanto quanto estranhos no que diz respeito às piadas. Eles são capazes de fazerem protestos contra o desenho The Simpsons quando o mesmo faz piada com o Brasil, mas acham muito feio fazer piada com presidentes de esquerda.

É ou não é de rir? O povo que levou mais de 500 anos para ter o direito de escrever biografias não-autorizadas é o mesmo que se acha muito engraçado. Tudo ofende o mameluco-caboclo que está deitado em berço esplêndido.

Ele ri do argentino e de sua arrogância, mas arroga-se o direito de decidir o que é engraçado ou não por meios legais. Biografia não-autorizada? Só pode ser crime! O indivíduo não tem capacidade de julgar o que é ou não engraçado! Que Nicholai Vargas decida por ele. Ei, eu disse Nicholai Vargas? Desculpem-me. Eu queria dizer apenas Nicholai.

Fechando o bar

Para encerrar…bom, não acho que assunto se encerre assim, facilmente. Quando se fala em controle social de alguma coisa, até uma piada pode ser pensada como um perigo porque ofende a minoria dos humoristas gaúchos que militam na esquerda e tocam saxofone. Ou ofendem a minoria de empresários branco-descendentes que ganham favores do governo e não produziram o que prometeram. Ou, sei lá, ofendem as dondocas da Matilde. Vai saber. No final, eu acho é que são todos uns recalcados e, com sua estatura, creio que precisarão de subir nos ombros uns dos outros ao menos um milhão de vezes para que possam enxergar as vielas das ruas de Mariana. Ou de Ouro Preto.

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Economia nazista

Nada como dois artigos interessantes:

Averting the Nazi Seizure of Power: A Counterfactual Thought Experiment
Christian Stögbauer and John Komlos
Department of Economics, University of Munich

Abstract: The Great Depression in Germany led to the radicalization of the electorate, leading the country and then the world into the darkest days of Western Civilization. Could it have been otherwise? This paper explores whether the NSDAP takeover might have been averted with a fiscal policy that lowered the unemployment rate in those parts of Germany where their support rose most rapidly. A counterfactual simulation model based on estimates of the relationship between unemployment and the radical vote at the electoral district level provides a framework for considering how much lower unemployment would have to have been in those districts to prevent the NSDAP from becoming a formidable political force in Germany. Budget neutrality is maintained, so that the simulations do not depend on an expanded fiscal policy. The results indicate that such a policy could well have averted the NSDAP’s seizure of power, and the catastrophe that followed in its wake.

Guns and Butter – But No Margarine: The Impact of Nazi Agricultural and Consumption Policies on German Food Production and Consumption, 1933-38

Paper prepared for the XIV International Economic History Congress,

Helsinki, Finland, 21 to 25 August 2006

Session 85: Guns Versus Butter Paradoxes in History
22 August, 14:00-17:30 h

Mark Spoerer and Jochen Streb

This version: 1 June 2006

Abstract
The implementation of the Nazi ideology into agricultural institutions and the suppression of private consumption had a stronger impact on German food production and consumption than has hitherto been thought. We argue that the reforms of agrarian institutions reduced the growth of total factor productivity in German agriculture between 1933 and 1938 considerably. This exacerbated the restrictive effects of prioritizing the armaments industry to the detriment of the consumer goods industry and private consumption. As a consequence of less efficient food production and of consumption constraints, German consumers were forced to a diet and thus to a material standard of life that were much more frugal than national income figures suggest.

É a história econômica séria nos ajudando a entender um terrível período da história. Note estes trechos, no segundo artigo:

At a time when Keynesian ideas began to dominate the thinking of economic policy makers the apparent success of the Nazis’ interventionist policy between 1933 and 1939 was seen as a case study which might serve as a possible toolbox for democratic planners as well and was thus worth to be analyzed thoroughly.

Não apenas isto, como o próprio John Kenneth Galbraith parece ter se enganado terrivelmente sobre o regime nazista (ver p.2-3). Mais:

(…) agriculture was the only economic sector in which the Nazis implemented their ideological aims at large scale. The two most important institutional changes were the Reichsnährstand and the Reichserbhofgesetz (Hereditary Farm Law). Both new institutions decreased the scope of action of the individual farmers. The Reichsnährstand regulated prices and production programs by direct interventions which considerably constrained pioneer farmers’ possibilities to introduce innovative products or production methods according to their private knowledge, and therefore probably resulted in lower productivity growth.

A conclusão deste segundo artigo tem um interessante debate sobre como os alemães, prejudicados em seu consumo, teriam apoiado o regime de Hitler.

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Autores ocultos do marxismo: Sombart

Direto da Wikipedia:

Sombart, at that time, was an important Marxian, someone who used and interpreted Karl Marx — to the point that Friedrich Engels called him the only German professor who understood Das Kapital. Sombart called himself a “convinced Marxist

Já comentei Sombart aqui. Mas o sujeito é, realmente, de uma alucinação voraz. Após seguir os passos naturais da ditadura do proletariado para a ditadura do proletariado nacional-socialista, ele ainda me escreveu:

The antithesis of the German spirit is the Jewish spirit, which is not a matter of being born Jewish or believing in Judaism but is a capitalistic spirit.[6] The English people possess the Jewish spirit and the “chief task” of the German people and National Socialism is to destroy the Jewish spirit.[7]

Não é um intelectual ímpar?

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Himmler salvou sua vida a um pequeno custo ou “Estudos arqueológicos sobre o planejador supostamente benevolente”

Há algum tempo eu coloquei, neste blog, meus agradecimentos ao Filisteu, por me indicar um livro sobre o uso da ciência na Alemanha nazista. Eu não havia tido tempo de continuar minha leitura mas, hoje de manhã, ao retomá-la, eu me deparei com uma incrível história: a dos dispositivos de segurança noturna em bicicletas.

Como todo mundo já deve ter reparado, uma das formas de se minimizar acidentes de trânsito com ciclistas é colocar aqueles pedacinhos coloridos de plástico (ou algum outro material) nos pedais. Bacana, não? Evita acidentes e deixa todo mundo feliz.

Pois bem, este dispositivo foi inventado por Anton Loibl, um militante nazista que era um maquinista e também professor de direção (uma espécie de instrutor de auto-escola da época, se é que existiam tais escolas…). Na verdade, houve outro alemão teve idéia similar mas, como não era chegado ao partido nacional-socialista, teve sua patente anulada.

Você pode se perguntar: será a ideologia tão poderosa assim que as pessoas não agem racionalmente, mas cegas pela fé em um Hitler?

Longe disto.

Na verdade, o contexto histórico era o seguinte: Himmler estava em busca de fundos para sua fundação cujo objetivo formal era pesquisar as origens da raça “superior” alemã e não queria fundos que pagassem impostos ou que dependessem de inimigos políticos do amalucado líder nazista. O que ele fez? Fez o que todo grupo de interesse faz quando deseja ganhar às custas dos outros: inventou uma desculpa “socialmente” bonita e mandou ver. Reproduzo o trecho em inglês mesmo:

“…in 1938 Himmler used his supreme authority as the head of the German police to pass a new traffic law. This required all new German bicycles to be equipped with Loibl’s reflective pedal.

German manufactures suddenly had no choice but to use Loibl’s design and pay licensing fees to the company owned by the inventor and the SS”. [p.140]

Eu sei, eu sei, você sempre pode dizer que políticos não se preocupam com mais ninguém além deles mesmos. É verdade, mas há uma diferença: no caso de estados socialistas (ou nacional-socialistas, tanto faz), o poder de coerção destes caras é muito maior. Vejam só, neste caso, como a análise de custo-benefício é insana: você tem menos mortes na estrada, mas as licenças de patentes ajudam a financiar pesquisas fraudulentas que, inclusive, incentivam muitas mortes nos campos de extermínio. A carga tributária e o peso morto, na verdade, formam uma notável união: o peso mortífero.

Bens públicos podem advir de intenções egoístas? Podem. Tanto que o mercado provê vários deles. A diferença é que quando alguém tem o monopólio da coerção, ele também possui o monopólio da distorção econômica, do poder de destruir a economia e as ações coletivas locais e, eventualmente, faz isto com um discurso parecido com o de nossos políticos quando afirmam estar preocupados com a sua ou a minha saúde.

A história é muito interessante. Pena que é tão mal analisada por nossos doutrinadores de esquerda.

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Todo pedagogo atual também repete o que algum pedagogo morto já disse, como diria Keynes…

“A idéia de autoliderança, de auto-responsabilidade, a idéia de um Estado da juventude dentro de um Estado maior não é minha. Começou com as escolas de Hermann Lietz. Lietz fundou um novo tipo de sistema escolar em 1898, consistindo em dez ou doze escolas. Eram o que se poderia chamar de internatos rurais. A primeira escola foi fundada em Ilsenburg.

Lietz foi aluno de Friedrich Froebel, assim como Jean-Jacques Rousseau e Johann Heinrich Pestalozzi. Sua idéia era evitar os perigos que via nos centros industriais, como as cidades grandes, unindo a juventude não apenas em tarefas escolares, mas em outras atividades. Assim, por exemplo, trabalhávamos junto com os meninos, construíamos casas, oficinas de carpintaria, oficinas de hidráulica e coisas semelhantes. As escolas de localizavam em propriedades que possuíam seus próprios jardins, gado, etc. Desse modo, a própria escola era um quadro em miniatura de um Estado. Todo menino tinha sua função dentre desse Estado em miniatura. Mas eles também tinham lições para aprender. O importante era que estavam trabalhando para a comunidade. Você pode chamar esse modelo de comunista, socialista ou democrático no sentido moderno do termo. Foi desenvolvido com base em Pestalozzi, Rousseau e Froebel, oito anos antes de Lietz. Mas Lietz desenvolveu e formulou e pôs em prátia essas teorias.

(…)

A principal desvantagem das escolas de Lietz era que as cidades e as indústrias exerciam influências perigosas sobre os jovens (…). Os meninos e meninas de suas escolas – era um sistema misto, em que acredito firmemente – eram filhos de pais ricos. E as próprias escolas eram caras, de modo que a desvantagem era que aquelas eram crianças de uma só classe social, os filhos dos ricos.

Portanto, tentei construir algo que reunisse todas as classes da juventude. Era um Estado da juventude que incluía meninos das classes trabalhadoras, bem como os filhos de famílias aristocráticas: a juventude seria descoberta pela própria juventude”.

[Baldur von Schirach, 1907-74, ex-líder da Juventude Nazista, citado em “As entrevistas de Nurenberg”, de Leon Goldensohn, Companhia das Letras, 2004]

Uma política educacional que apóia visões idílicas sobre o campo e que, ao mesmo tempo, busca atenuar suas bases, digamos, anti-modernas, e com inclusão social. Nada me parece mais próximo de certos discursos do atual bolivarianismo-dentro-do-armário que impregna muita gente importante. Bem, mas é estudando a história que conhecemos as origens das idéias, as tentativas similares de implementação de políticas atuais, etc.

Por isto é que leitura é importante: para desmistificar certas lendas. Estudar e ler nos ajuda a entender melhor não apenas as idéias de gente como Pestalozzi e Froebel, mas também o uso que os adeptos da engenharia social fazem delas.