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Momentos em que percebo que ajudei, sim, um pouco o meu país

Ok, você já conhece o vídeo. Mas foi muito gratificante ler este comentário do Emerson Silva (que não conheço pessoalmente).

obrigadoemerson

Engraçado. Eu falei isto há anos e, por mais que eu tenha testado diversos métodos de ensino e estudo com alunos, continuo achando que o caderno é o que há. Concedo que um tablet talvez possa ajudar, como afirmam alguns brilhantes ex-alunos que tenho, como a amiga Áurea. Mas o caderno, para mim, ainda é a fonte básica (confesso que comecei a me entusiasmar com o Evernote, que ainda uso, mas não o acho tão eficaz ainda).

A bem da verdade, acho que foi o Pedro Sette-Câmara que me disse, dia destes, que o segredo está em não ter gagdets que incentivem o multi-tasking (o famoso “multi-tarefa”). Vou refletir sobre isto um dia destes (não prometerei nada, vá acompanhando o blog…quem sabe?).

Terrível como sempre me esqueço de carregar um caderno comigo para, virtualmente, todo lugar que vou. Não me entenda mal. Não sou um poço de idéias. Sou bem pouco criativo e pobre de boas idéias mas, de vez em quando, sou agraciado por alguma boa intuição e é sempre nestes momentos que o caderno faz aquela falta…

Bom saber que o Emerson poderá ter dado um salto tecnológico (por incrível que pareça, para mim o caderno é um choque tecnológico positivo em relação ao computador, neste caso) por minha conta. Ou não. ^_^

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Escrevendo para você mesmo

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Escrever uma monografia, dissertação ou tese é um trabalho extremamente difícil porque, não sei se já disse aqui, você escreve, em primeiro lugar, para você mesmo. A quantidade de alunos(as) que tenta vender ao professor a história de que ele sabia a matéria, que a escreveu na prova (ou no trabalho) ou que entende do assunto porque, sei lá, ele assim o pensa é inversamente proporcional à maturidade da escrita.

Isto é fácil de entender se você faz um exercício simples, mas com acompanhamento de profissionais de boa qualidade: escrever. Digo, fazer um resumo para você mesmo, ler em voz alta e ter a humildade de tentar se colocar no lugar do ouvinte é um exercício muito diferente do que alegam alguns alunos que se acham sábios, mas não conseguem escrever quatro parágrafos que façam sentido.

O analfabetismo funcional está no ensino superior e, infelizmente, a hora da verdade pode muito bem ser a hora da monografia. Aí o bicho pega e o orgulho do aluno(a) cai por terra. Cai com razão, claro, mas cai.

Para evitar uma queda tão cruel, eis meu conselho: leia o livro do Duílio e da Brena (foto acima) com a atenção que você nunca dedicou aos seus estudos antes. Depois, leia de novo, tentando entender e sem se deixar contaminar por sua raiva. Em seguida, leia e faça um resumo como um ser humano decente: humilde e batalhador.

Vai doer um bocado, mas vai valer a pena. Todos nós, em algum dia de nossas vidas, já passamos pela provação de aprender a redigir textos sob a avaliação de algum professor de português. Mas uma monografia vai além disso. Sim, você tem que saber escrever de maneira decente, mas o pior é que a monografia não é um concurso para a Academia Brasileira de Letras.

A dica é que a leitura – bons romances, contos, livros de divulgação científica – e um bom treino em matemática ajudam tanto no aperfeiçoamento da escrita quanto no desenvolvimento de novas sinapses que, não tenha dúvida, vão ajudar a transformar seu texto em algo razoável, bom ou excelente.

O caminho é longo, mas ele não precisa tomar tanto tempo se você começar já.

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Momentos distintivos

Existe, creio, uma diferença sutil entre “distintos” e “distintivos”. Se não o há, eis meu entendimento: algo distintivo não apenas é diferente como também se destaca. Pode ser que não seja isto, mas serve para começar este pequeno texto.

Há aproximadamente um ano e meio ou dois, tivemos um desagradável momento em sala de aula, eu e uma aluna. Até aí, tudo bem. Normal. O que não se poderia prever, normalmente, é a reação da mesma. Já vi gente se comportar como criança, chamando papai e mamãe para formar uma frente única umbilical (neste caso, realmente umbilical) e egocêntrica em defesa do erro contra a verdade. Já vi também a apatia quase vegetativa de alguns outros. Mas nunca presenciei a reação desta aluna.

Passado algum tempo do entrevero, encontramo-nos em outra disciplina e eis que o projeto de monografia dela era perfeitamente compatível com um dos temas de pesquisa que me interessam. Conversamos formalmente sobre isto e ficou claro que ela tinha todo o direito de carregar o tema para outro professor que melhor se enquadrasse em seu perfil de relacionamento e metas.

Após algumas tentativas com outro professor, vimo-nos diante do dilema: teríamos que seguir juntos. Iniciamos um novo relacionamento e não apenas o projeto se desenvolveu como a monografia acaba de ser defendida (na verdade, fazem uns três dias). Não apenas com uma nota bem razoável – algo em torno dos 90 pontos – como também houve um excelente trabalho por parte da aluna: (a) elaborou seu questionário, (b) coletou dados, (c) aprendeu rudimentos de modelos probit/logit ordenados, (d) fez a monografia no tempo que lhe foi imposto.

Isto, por si só, é um motivo de alegria para orientador e orientando. Não bastasse isto, ainda ganhei um exemplar do “A Ciência do Sucesso” (cuja tradução não é muito boa, eu notei) que me interessava. Claro que pedi uma dedicatória lá no topo da primeira página.

O que aprendemos com tudo isto? Eu creio que aprendemos sobre relacionamentos profissionais e tolerância mútua. Aprendemos também sobre pessoas que reagem a fatos adversos com empenho e vontade de se superar (e não falo só da orientanda, afinal, eu tive que superar minha impressão prévia…e topar uma orientação altamente arriscada para ambos…tenho cá meus méritos…).

Meus orientandos deste semestre devem encerrar suas bancas hoje. Quatro pessoas, quatro diferentes formas de escrever, quatro poços de problemas e também de bons momentos. Mais gente formada para a vida. Se comprendem todo o valor de uma boa monografia eu duvido. Eu mesmo demorei a entender, por mais que achasse que não. Talvez a gente entenda mas, depois de algum tempo, faça a releitura da própria história e encontre novos motivos para se sentir satisfeito com uma boa monografia. Realmente não sei.

De qualquer forma, eu agradeço à Isabela pelo livro e pela oportunidade.