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Curva de Phillips, sempre.

Dizem Machado & Portugal (2014):

This paper estimates reduced-form Phillips curves for Brazil with a framework of time series with unobserved components, in the spirit of Harvey (2011). However, we allow for expectations to play a key role using data from the Central Bank of Brazil’s Focus survey. Besides GDP, we also use industrial capacity utilization rate and IBC-Br, as measures of economic activity. Our findings support the view that Brazilian inflation targeting has been successful in reducing the variance of both the seasonality and level of the inflation rate, at least until the beginning of the subprime crisis, when there was a dramatic drop in activity. Furthermore, inflation in Brazil seems to have responded gradually less to measures of economic activity in recent years. This provides some evidence of a flattening of the Phillips curve in Brazil, a trend previously shown by recent studies for other countries.

Então, é mais ou menos assim: (1) meta de inflação funciona (para o desespero dos pterodoxos); (2) a curva de Phillips tá ficando horizontalzinha (o trade-off está mudando, mas não vou especular sobre os motivos).

Será que vemos uma mudança estrutural em nossa economia, fruto das políticas econômicas dos últimos anos? Liberamos o câmbio, mantivemos – até o segundo governo Lula – o sistema de metas e redistribuimos renda. Entretanto, a abertura econômica não é lá aquelas coisas (e, se não estou enganado, isso também poderia impactar no trade-off ilustrado pela curva mais famosa do debate do café entre economistas).

Estabilizou mesmo?
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Pesquisas interessantes

O último número da Revista de Economia e Administração (vol.10, n.1, em breve já disponível na página da revista) tem alguns artigos que me chamaram a atenção (sem falar no meu próprio, com Ari e Juliana). Vamos a eles:

1. “Sistema financeiro, segurança jurídica e crescimento econômico” – Este é um excelente exemplo de artigo que procura fazer com que o leitor entenda o que os autores fazem. A explicação dos procedimentos (que culminam em um VECM e nos testes de causalidade) está ótima. Não chequei se o teste de causalidade foi feito sobre o VECM ou não, mas é um belo artigo.

2. “Industrialização do Brasil na década de 1930: uma análise com teoria dos jogos” – O autor é da área de história econômica e, de certa forma, a parte da história ocupa 2/3 do artigo. Sempre é bom contextualizar, mas o bacana do artigo é a modelagem do autor. Mais uma vez, alguns aspectos das hipóteses que Furtado criou (e nunca testou) são refutados, neste caso, pelo modelo do autor.

3. “Persistência inflacionária: comparações entre três economias emergentes” – Vamos falar sério. A última coisa que me interessou no artigo foram as três economias emergentes. Ok, é o tema principal, mas os autores foram muito bem-sucedidos na parte mais difícil do artigo que foi a de explicar os modelos ARFIMA. Até eu que sou burrinho consegui pegar a idéia.

Assim, meus parabéns aos autores destes artigos. Há tempos eu não via artigos que eram realmente “bens públicos”. Aprendi algo novo com cada um deles. Seja na forma de explicar um tópico, seja no aprender um novo método, ou admirar um artigo bem escrito.

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Os males dos grupos de estudo

Várias pessoas me perguntaram: e o NEPOM, não teve reunião este mês? Pois é, com as férias, a moçada ou ficou de prova especial ou já está de férias. Eu apostaria na manutenção da taxa, como ocorreu, mas não reestimamos o modelo. Espero que, em fevereiro, estejamos todos de volta ao debate.

Por enquanto, acompanhamos a conjuntura lentamente…

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Sobre o NEPOM, hoje

A primeira faculdade de MG a fazer tal coisa. Estamos na história. Para incentivar os colegas, eis algumas dicas:

a) A apresentação do NEPOM, hoje.

b) Um comentário do Pedro, co-blogueiro e membro do NEPOM, sobre a apresentação de hoje e sobre como tudo evoluiu.

c) Meu comentário sobre o NEPOM (antigo NEPM), hoje.

d) Adicional: Alexandre Schwartsman sobre as commodities.

e) Meu relato sobre o NEPOM para a Rádio Alvorada.

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História da Política Monetária

Quem deseja escrever a história do sistema de metas de inflação moderno pode gostar disto:

“The Great Inflation: Did The Shadow Know Better?”
by William Poole, Robert H. Rasche, and David C. Wheelock

The Shadow Open Market Committee was formed in 1973 in response to rising inflation and the apparent unwillingness of U.S. policymakers to implement policies necessary to maintain price stability. This paper describes how the Committee’s policy views differed from those of most Federal Reserve officials and many academic economists at the time. The Shadow argued that price stability should be the primary goal of monetary policy, and favored gradual adjustment of monetary growth to a rate consistent with price stability. The paper evaluates the Shadow’s policy rule in the context of the New Keynesian macroeconomic model of Clarida, Gali and Gertler (1999). Simulations of the model suggest that the gradual stabilization of monetary growth favored by the Shadow would have lowered inflation with less impact on output growth, and with less variability in output and inflation, than a one-time reduction in monetary growth. We conclude that the Shadow articulated a sensible policy that would have outperformed the policies actually implemented by the Federal Reserve during the Great Inflation era.

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A besteira de sempre

Vou explicar como se cria má economia. Faz-se assim:

1. Tome um jargão técnico (e.g. “metas de inflação”);

2. Crie seu jargão usando uma variação do jargão técnico (e.g. “metas de crescimento”, “metas de câmbio”, “metas sociais”, “metas de empadinhas socialmente corretas”, etc);

3. Encontre interesses insatisfeitos com o sucesso da aplicação que envolve, dentre outras, um papel positivo para o jargão técnico e inicie um discurso sem qualquer fundamentação teórica ou científica com seu jargão.

4. Repita o passo 3 até que algum jornalista desavisado – mas chegadão em modismos e adjetivações pós-modernas – caia na rede.

5. Repita mais e xingue (de forma educada ou não, com ironias ou não) as pessoas sérias que sabem que você está simplesmente criando bolhas de sabão e vendendo-as como aço inox.

Pronto, você tem seus cinco minutos de fama. Talvez até apareça no Jô ou fique conhecido na blogosfera como um blogueiro chique, desvinculado dos “pensamentos dominantes”, um “independente” (como se isto fosse sempre algo positivo), um “alternativo”, etc. Algo como “o fiel da balança” do debate porque, afinal, “in medio virtus (sempre, em qualquer contexto, eternamente, etc)”.

Agora que você já sabe como funciona, não é de se estranhar porque batistas e contrabandistas (até eles!) acham esquisito este papo – que veio sabe-se lá de que grupo de interesse – de meta de câmbio é uma baboseira. Batistas e contrabandistas sabem diferenciar a lógica da fantasia (desfeita ou não).

Como professor de Economia, sinto-me no dever de fazer o que os escondidinhos (nossos famosos economistas pterodoxos) não foram capazes: procurar evidências históricas de que algo como uma “meta de câmbio” poderia funcionar, na prática. A única encontrada, até agora, mostra que não funciona, como dizem. Conclusão? Fácil: ignorar a evidência histórica, como vimos ontem pela excelente colaboração do Leo Monasterio, é a pior coisa que alguém pode fazer. Além disso, ignorar a teoria quando se analisa a evidência histórica (ou não), como vimos pela excelente colaboração do Alex, não é um pecado muito diferente.

Não merece nem uma pauta de jornal. Não sei como tem gente que ainda ouve a pterodoxia nestas redações. Chego a pensar se não rola um almoço pago em algum bom restaurante, ou se é ingenuidade mesmo.

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Das simplificações

Tem gente falando sobre uma suposta “heterodoxia” do FED. Contudo, o mundo é mais complicado do que as pautas apertadas dos jornais brasileiros. Por exemplo, considere o que disse o próprio John Taylor, pai da moderna política monetária, tal como praticada por muitos banqueiros centrais:

“However, Taylor (1993a, 197) did not advocate that policymakers follow a rule mechanically:”…There will be episodes where monetary policy will need to be adjusted to deal with special factors”.

E então?

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Artigo que não será comentado na blogosfera…

…nem com o devido espaço e, no caso brasileiro, nem com o devido respeito.

Taylor Rule Under Financial Instability

Author/Editor: Bauducco, Sofia | Bulir, Ales | Cihák, Martin
Authorized for Distribution: January 1, 2008
Electronic Access: Free Full Text (PDF file size is 967KB)
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Disclaimer: This Working Paper should not be reported as representing the views of the IMF. The views expressed in this Working Paper are those of the author(s) and do not necessarily represent those of the IMF or IMF policy. Working Papers describe research in progress by the author(s) and are published to elicit comments and to further debate.

Summary: This paper contributes to the analysis of monetary policy in the face of financial instability. In particular, we extend the standard new Keynesian dynamic stochastic general equilibrium (DSGE) model with sticky prices to include a financial system. Our simulations suggest that if financial instability affects output and inflation with a lag and if the central bank has privileged information about credit risk, monetary policy that responds instantly to increased credit risk can trade off more output and inflation instability today for a faster return to the trend than a policy that follows the simple Taylor rule with only the contemporaneous output gap and inflation.