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Claudia Goldin: uma bela entrevista

The income effect and the substitution effect come from a set of preferences. If individual families have more income in a period when there are various constraints on women’s work, they’re going to purchase the leisure and consumption time of the women in the family, and the income effect will be higher. But if well-paying jobs with lower hours and better working conditions open up, then the income effect will decrease and the substitution effect will increase and both will serve to move women into the labor force.

Preciso dizer mais? Mulheres inteligentes não criam espantalhos (como dizer que a decomposição de Oaxaca-Blinder é “machista”). Elas fazem como Claudia Goldin.

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Quando o salário mínimo é menor do que o de equilíbrio…

…o próprio mercado tem incentivos para levar o salário ao equilíbrio, certo? Errado. Ou melhor, depende. No modelo de livro-texto, do primeiro período de Economia, sim, é isso que acontece. Mas aquilo mal é um modelo, né? Super-simples, hipóteses nem sempre claras e você tem que acreditar no professor.

Há quem pense que a vida é melhor quando se sabe menos, porque, claro, você sofre menos. É a galera do obscurantismo fácil: dizem para você que não há que se preocupar com a matemática porque “o mundo é complexo demais para isso” e que “sua intuição é suficiente, só precisa ler uns autores que eu, sábio, vou te indicar, e que você tem que concordar sem pestanejar”.

Mas há quem pense que a vida é mais interessante do que a repetitiva fotossíntese. O prof. Shy, então, fez-se a mesma pergunta e fez algumas mudanças no modelo básico, pensando, creio eu, naquelas perguntas que alguns alunos lhe fizeram por anos e anos nas salas de aula, ainda que inconscientemente. Eis o resultado.

When Do Firms Prefer Low Minimum Wage Over No Minimum Wage?
Oz Shy

Federal Reserve Banks – Federal Reserve Bank of Boston
Abstract:

I analyze labor markets where the legal minimum wage is lower than the equilibrium wages. In these labor markets, firms have incentives to collude on paying minimum wage rather than engage in wage competition in order to attract more workers. The model analyzes firms competing simultaneously in their product and labor markets to identify how varying the degree of competition affects firms’ incentives to collude on paying minimum wage. I find that more intense labor market competition makes collusion on paying minimum wage less likely. In contrast, more intense product market competition makes collusion more likely. (grifos meus)

Fascinante, não? Sabe, isso tem a ver com gorjetas. É, isso mesmo.

Shelkova (Forthcoming) provides the main empirical support for this paper. Using 1990–2002 data on service occupation workers, she shows that on average 19.3% and as much as 31% of service occupation workers who earned minimum wage or less could be affected by collusive wage-setting during this time period. Relatedly, looking at labor markets where service workers collect tips, Shy (Forthcoming) explains why restaurant owners may collectively benefit by encouraging their customers to follow the “social norm” of leaving tips. This is because the long-term (over a century) increase in tipping rates resulted in lower wage rates. (p.1-2)

Coalizão? Fixação de salários? Como assim? Pois é. Tem que ler o artigo. Mas repare que tudo começa com um mercado de trabalho imperfeito e o reconhecimento de que não se pode analisar o mercado de trabalho sem uma análise com o mercado do produto.

Como sempre digo para os alunos – os que não estão dormindo ou que não estão (ainda) catatônicos por excesso de uso de ‘zap-zap’ no celular – a Ciência Econômica é fascinante. Diante de uma evidência empírica, desenvolve-se um modelo para se explicar o evento. Obviamente, isso significa que é preciso muito cuidado para se dizer que a evidência empírica é, de fato, uma regularidade ou um “fato estilizado” com o qual valha a pena investir algum tempo teorizando.

Poderíamos ter o oposto, como é o caso da economia novo-keynesiana, que se iniciou, conta-nos Snowdon e Vane naquele livro-texto clássico (esqueci a referência agora), construindo modelos teóricos para, depois, buscar as evidências empíricas.

O que eu quero dizer é que, em última instância, ambos os procedimentos são válidos, falhos e necessários ou, sei lá, indispensáveis.

Bacana, né?

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Salário mínimo maior, mais emprego?

O Estadão traz hoje, na capa de seu caderno de Economia, uma análise sobre o emprego no Brasil. O destaque é a criação de empregos no interior do país.

O interior do Brasil ultrapassou as áreas metropolitanas e criou mais empregos com carteira assinada em 2013. As grandes cidades lideravam a abertura de postos formais no País desde 2005, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

Em seguida, busca-se explicar este bom resultado do crescimento dos empregos.

A análise detalhada dos números da série sem ajuste do emprego formais feita pela LCA Consultores mostra que, dos cinco grandes setores empregadores da economia, quatro tiveram melhor desempenho no interior: indústria, construção, comércio e serviços (ver quadro). A exceção foi a agricultura, mas o desempenho ruim pode ser explicado pela baixa participação das grandes cidades nesse setor.

Aparentemente, a análise é relativa. O que parece ter sido feito é uma razão entre alguma medida de criação de empregos no interior relativamente à capital e, aí sim, a última frase poderia fazer algum sentido. .

Mas o ponto intrigante do artigo é o argumento relativo ao salário mínimo. Os jornalistas destacam a explicação dos consultores de que aposentados são uma parcela da população que gera demanda e não aumentam – diretamente – custos das empresas. Digo “diretamente” porque, claro, se o salário mínimo tem aumentos, os custos aumentam, mesmo que os aposentados não estejam trabalhando.

Podemos imaginar uma empresa que, mediante o aumento de custos dado pelo aumento do salário mínimo, deixe de contratar 10 pessoas e mantenha apenas os 10 atuais pois percebe que o aumento de demanda de produtos por parte dos aposentados não é um estímulo suficiente para que a empresa invista na ampliação do quadro de funcionários. Neste exemplo, a criação de emprego foi zero e, alguns dirão, foram destruídos 10 empregos potenciais. Faz sentido, não? Vejamos mais um pouco:

É justamente o impacto do mínimo, aumentando o poder de consumo, que pode explicar o bom desempenho da indústria no interior – o setor criou 61.097 empregos formais em 2013 na série sem ajuste, acima dos 27.079 abertos em 2012. (…)

O interior concentra boa parte da indústria voltada para a produção de bens não duráveis, setor mais resiliente à variação de renda, mas também mais impactado pelo reajuste do mínimo. No ano passado, por exemplo, a indústria de alimentos e bebidas contratou 21.268 empregados no interior e 13.240 em áreas metropolitanas.

Novamente, o argumento é de que o salário mínimo teria gerado mais demanda do que custos no interior, relativamente às áreas metropolitanas. Sou só eu que continuo achando esta história estranha? Antes que você me acuse de ser contra a criação de empregos, adianto que acho ótimo que haja criação de empregos mas não sei se a explicação para tal é o aumento do salário mínimo.

Duas variáveis: salário nominal e salário real

O que importa para o trabalhador? O valor do salário no contrato ou o quanto este salário vale em termos de poder de compra? Sim, é o último que importa. Quem se lembra da hiperinflação (não tenhamos modéstia: este é o nome correto do que tivemos, quer se goste ou não) dos anos 80, sabe que não importa indexar salários se os preços também são indexados.

Mais ainda, salários nunca são indexados na mesma velocidade que os preços e, portanto, sempre há perdas. Por exemplo, não adianta você me dizer que, em seis meses, o salário será indexado à inflação se você passará 5 meses e 29 dias passando fome, né?

Então, temos salários e temos preços. Algo como “w” (salário nominal, em R$) e “p” (índice de inflação, digamos, o IPCA). O salário real é w/p. Agora, na análise da reportagem, não temos qualquer menção a w/p e eu sei o porquê disto e acho que você também sabe: qualquer índice de preços medido no Brasil não tem uma abrangência suficiente, em termos geográficos, para nos permitir medir o custo de vida no interior. Na melhor das hipóteses, o índice capta a região metropolitana de alguns estados. Logo, minha primeira questão é: o salário real no interior é maior ou menor do que o salário real das capitais?

Minha intuição me diz que há uma grande chance de que a resposta seja: o salário real é maior no interior. Poderíamos imaginar que o custo de vida no interior é menor do que nas regiões metropolitanas e que pessoas não se mudam apenas para o entorno das capitais, por exemplo, porque “é mais seguro”. Mudam-se porque “é mais seguro e o custo de vida é mais barato e não sai tão caro ir e vir para a capital trabalhar todos os dias”. Mas há quem não consiga um emprego na capital (ou na área metropolitana). Para este, o negócio é ficar no interior e arrumar um emprego por lá. Neste caso, com mobilidade reduzida, ele é mão-de-obra potencial para sua pequena cidade.

Em poucas palavras, seria uma questão a ser analisada se tivéssemos uma medida do nível de preços no interior para saber como é o custo de vida lá. Claro, a análise envolveria algo mais complicado como a composição da cesta de consumo no interior e na capital (esboço algo bem incompleto no apêndice deste texto).

Assim, por mais que eu queira acreditar neste otimismo de alguns quanto ao impacto de aumentos do salário mínimo, não é esta notícia que me convence. Também, perceba, não é o modelo simples, de equilíbrio parcial, que se ensina no primeiro ano de faculdade, que explica isso. Neste pequeno texto você percebeu que tivemos que pensar em dois mercados (região metropolitana e interior), mobilidade de fatores e, claro, o custo de vida (que também precisa ser analisado em separado). Nem entramos em detalhes quanto à transmissão de choques de demanda e oferta inter-regiões, mas eles estão presentes e podem não ser desprezíveis.

Apêndice – Um pouco de letrinhas: como detectar erros em análises de modelos incompletos

Vou ilustrar aqui o modo como um economista pensa. Na verdade, vou trilhar parte do caminho porque, adiantando a conclusão, faremos um modelo que estará incompleto e que, se você não tomar cuidado, pode acabar sendo usado por aí como se fosse um modelo “simples, mas explicativo” quando, na verdade, ele é “simples, mas incompleto”.

Muito leitor já ouviu este papo de que “economistas complicam as coisas”, mas os mesmos que vendem esta conversa mole não consertam seus carros e nem se auto-medicam: preferem pessoas com vocabulários “complicados” que “complicam as coisas” e…resolvem seus problemas.

Vamos lá. Suponha, para simplificar, que o salário nominal (“W”) seja o mesmo na capital e no interior (cuja denominação será “C” e “I”). Ou seja, não vamos complicar a análise comparando um médico com um pedreiro.

Além disso, digamos que os alimentos sejam produzidos no interior e transportados para a capital com um custo fixo de transporte, “F”. Digamos também que o custo de vida (“P”) é maior na capital do que no interior. Assim, embora seja verdade que Wc/Pc < Wi/Pi, o sujeito mais rico que compra uma casa no interior e trabalha na capital tem Wc/Pi que segue: Wc/Pi > Wi/Pi.

Agora, o custo de vida na capital, é uma combinação do nível de preços de bens e serviços produzidos na capital e os do interior. Suponha uma combinação simples de forma que o custo de vida (“CV”) é:

CVc = (Pc)α(Pi)β

Com α+β = 1.

Isso significa que o nível de preços relevante para o consumidor da capital é CVc e não apenas Pc, certo? Eis seu salário real:

Wc/CVc =Wc/(Pc)α(Pi)β 

Ok, digamos que o bem produzido no interior seja alimento. Este, por sua vez, é produzido com mão-de-obra local (que recebe o salário Wi) e é transportado para a capital com um certo custo fixo de transporte F e não se produz, por hipótese, alimento na capital. Logo, o salário real do sujeito que mora na capital é:

Wc/CVc =Wc/(Pc)α(Wi+F)β 

No interior, temos, sob a hipótese de que não há importação de produtos da capital (apenas para simplificar):

Wi/CVi =Wi/(Pa)

Neste exemplo, estou supondo que não há o caso do sujeito que mora no interior e trabalha na capital (ou vice-versa) porque o objetivo é verificar se existe mesmo esta diferença entre as duas regiões em termos do impacto do salário mínimo. Ademais, nem todo interior é tão perto da capital assim e, portanto, acho que estamos observando a maioria das situações reais.

Agora, um aumento do salário nominal significa aumentar Wi e Wc por um mesmo montante, digamos, “d”. Como fica a vida do sujeito do interior?

Wi ‘/CVi =(Wi+d)/(Pa)

Ok, tá ótimo, né? Bom, depende de se este aumento de salário não vai gerar desemprego para ele. Ah sim, uma queda na demanda de alimentos na capital também pode ser um problema. Voltaremos a isto no final.

E o salário real do sujeito da capital? Ei-lo:

Wc ‘/CVc =(Wc+d)/(Pc)α(Wi+d+F)β 

Na capital, as coisas não são tão simples, não é? Aumenta o salário do sujeito, mas também aumenta o custo de vida dele. Calculando o impacto de “d” (fazendo a derivada parcial, para ser mais exato) sobre Wc/CVc, verifica-se que o mesmo é positivo, o que não é estranho se você pensar na forma como construí o modelo, já que o preço dos produtos na capital não aumentou com o aumento no salário. Desta forma, ele perde uma fração β de “d” do poder aquisitivo, mas ganha “d”.

Final feliz? Cuidado. Estas equações estão nos escondendo algo importante: o nível de emprego de equilíbrio. Afinal de contas, estes níveis de salário real são compatíveis com que níveis de oferta e com que níveis de demanda de trabalho?

Mais ainda: o aumento do custo da mão-de-obra no interior não gerou queda no emprego? E o da capital? Nada? O custo de produção na capital não cresceria com o aumento de salário dos que trabalham na capital? Enfim, qual é a elasticidade-salário da demanda por trabalho (e a da oferta?)?

Sim, há várias formas de se ampliar este modelo, mais ou menos complicad(or)as. Poderíamos dizer que o preço dos produtos da capital variam com a taxa de câmbio (tradables) ou que os mesmos são produzidos em uma terceira região (ou na própria capital). Por exemplo, é provável que, o ganho do salário mínimo fosse menor em uma economia mais fechada ao resto do mundo (como é o caso do Brasil). Mas vamos parar por aqui.

Perceba que é provável que alguns queiram ver aumentos de salário mínimo sendo “bons” baseados apenas em um modelo como este, incompleto, no qual, veja só, a inflação na capital sequer se mexe quando há um aumento no salário mínimo…na capital!

Então, sim, aumentos de salários mínimos são um sonho mas, não, não dá para ser tão otimista assim e, claro, sem um modelo mais detalhado, o raciocínio é manco. Sugestões? Bem, os comentários estão aí!

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A juventude se diverte mais no carnaval, trabalha mais ou estuda mais?

Em suas aulas de Macroeconomia, lá no início do curso, você já deve ter ouvido falar de “estoques” e “fluxos”. Deve ter visto um diagrama, ouvido umas histórias e, se aprendeu algo, nem precisa ler este texto porque vou apenas usar estes conceitos com uma reportagem que li hoje de manhã. É, você já notou que o “carnaval” do título foi só para te enganar…

Vamos lá?

Estoques e fluxos: mercado de trabalho

Diz lá o Estadão, citando o IBRE:

Os reajustes salariais tiveram, em 2013, o menor peso no crescimento da renda do trabalho desde 2005. Do aumento de 1,8% no rendimento (também o menor avanço desde 2005), 0,7 ponto porcentual, ou 40% do total, deveu-se ao fato de menos jovens estarem entrando no mercado de trabalho, segundo estudo inédito do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

Sim, é verdade que estamos tendo menos filhos, mas não é este, ainda, o ponto central desta queda. A matéria não é sobre o fluxo de jovens, mas sobre o estoque atual e, neste, um bocado deles resolveu esticar seus estudos. Como se diz lá em casa, “trabalhar que é bom, nada”.

Mas isso é ótimo por um lado (embora os pobres pais tenham que pagar, geralmente, para o moleque um almoço, janta e até uma ajuda para as farras…): o número de anos estudados por indivíduo está aumentando.

Duas mudanças socioeconômicas acompanham o fenômeno: o aumento da escolaridade e o crescimento real da renda das famílias nos últimos anos. “Antes do fim da década de 1990, se você pegasse pessoas de 22 anos de idade, só 30% chegavam ao ensino médio. Hoje, são mais de 70%”, diz o economista Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas (CPP) do Insper.

O crescimento econômico com crescimento da base da pirâmide da classe média.

Sem a frieza dos dados estatísticos, Ricardo do Nascimento Reis, gerente de metodologia do Grupo Multi, sente essas mudanças na demanda pelos cursos técnicos. Segundo Reis, entre os jovens, sobretudo entre 15 e 20 anos, há uma pressa latente de alcançar cargos mais altos. Por isso, muitos preferem se afastar do mercado de trabalho ou atrasar o início da profissão para se qualificar e conseguir cargos melhores.

Há jornalistas e jornalistas e alguns não parecem ter superado o preconceito de associar “dados estatísticos” com “temperaturas polares”. O Estadão é um ótimo jornal, mas de vez em quando você lê estas frases estranhas. A ironia da coisa é que os jovens estudam, estudam, mas nem sempre aprendem tudo. Por exemplo, alguns continuam com a idéia de que dados estatísticos são “frios”. Um aumento do PIB em 2% é frio, uma desvalorização da taxa de câmbio em 1% é fria, mas, um “black bloc” espancando jornalista, bem, isto é quente.

Fluxos, Estoques…intertemporais…

Mas vamos seguir em frente, sem a frieza do preconceito contra dados estatísticos (a matéria é bem escrita, exceto por esta frase).

Além disso, há também um fator demográfico estrutural por trás do fenômeno. “Está caindo o porcentual de jovens na população em idade ativa (PIA), e aí, logicamente, você tem um menor contingente de jovens no mercado de trabalho”, ressalta Moura, do Ibre/FGV.

Eu já havia falado lá em cima, né? Aqui está a questão do fluxo. O fluxo de jovens está diminuindo. O estoque futuro, portanto, deve ser menor do que o atual, diz o pesquisador do Ibre implicitamente. Não apenas isto, mas este estoque tem a característica de alongar seu período de estudos. Nem discutimos a qualidade do ensino, mas tão somente a quantidade de tempo que o sujeito fica sem trabalhar (ou trabalhando pouco) para estudar. Por exemplo, o garçom – oriundo da classe média – que resolveu estudar mais, daqui a um tempo, anotará seu pedido em um português que todos entendam? Espero que sim.

Repare como a alteração nos estoques (via fluxos) dá-se por meio de milhares e milhares de decisões descentralizadas individuais não apenas de jovens que decidem estudar, mas também de pais que decidem ter mais ou menos filhos. Não é meio óbvio que as consequências macroeconômicas são fundamentadas em decisões microeconômicas? Por que é que você acha que economistas desenvolveram pesquisas em tópicos como a economia da família (veja também este texto), etc?

Ok, vamos em frente.

Possíveis reflexos de um melhor capital humano? Digressão idiossincrática.

Tenha em mente que o estoque de capital humano de um país é parte integrante do desenvolvimento econômico do mesmo (basta lembrar do modelo de Solow, né?). Quer ver algo que eu esperaria de um país que se quer desenvolvido com um capital humano decente? Eu esperaria:

1. Comentários civilizados: Páginas de jornais e outras páginas estão cheias de comentários mal escritos, curtos, sem conteúdo e/ou com apenas xingamentos. Isto sem falar nas frases desconexas. Melhorar o capital humano significa melhorar o conteúdo dos comentários em todas estas dimensões.

2. Aumento na produção de vídeos educativos: Meu amigo Diogo sempre comenta sobre sua decepção com a quantidade de vídeos educativos produzidos aqui e (como diriam os nacional-desenvolvimentistas) alhures. Acho que ele pretende fazer um post sobre isto no blog dele, então não vou me aprofundar (mas se ele demorar…).

3. Banheiros mais limpos: Espero que a educação escolar, lá na creche complemente a educação doméstica e a civilização geralmente vem acompanhada de gente que não chuta catracas, quebra paredes ou deixa as privadas em estado calamitoso.

Ok, o último ponto é menos relacionado com os anos de estudo, mas não é menos importante…certo?

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Mercado de trabalho

O problema de se medir o efeito da discriminação no mercado de trabalho é que muitas vezes você é discriminado. Por exemplo, um amigo meu, falando a uma platéia de brasileiros não-brancos (e não-amarelos e também não-ameríndios), quase foi linchado porque mostrava que existem outros tipos de discriminação (contra as mulheres, por exemplo).

Claro que ele quase foi linchado pelas mulheres quando falou da questão da gravidez versus produtividade.

Enfim, a ciência sempre esbarra em interesses que nem sempre são o de estudar o fenômeno, mas objetivam conseguir uma grana do governo. Até aí, nenhuma novidade.

Mas o que acontece quando alguém fala que gays são discriminados no mercado de trabalho…francês? É engraçado imaginar a coleta de dados no Brasil. Se alguém souber que existe a possibilidade de ganhar uma grana do governo por ser gay, eu posso prever sem muita dificuldade que o tradicional machismo latino-americano que dizem existir por aí cairá por terra…

Não deixa de ser divertido imaginar as perguntas do questionário: “o senhor sabia que gays são discriminados no mercado de trabalho? Esta pesquisa objetiva fundar uma política pública simples: arrumar uns trocados para os gays por conta disto. Agora, a primeira pergunta: o senhor escorrega no quiabo ou é só heterossexual?”

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It’s the economy, stupid – versão Apartheid

Labor Markets in South Africa During Apartheid

Mariotti, Martine (2009): Labor Markets in South Africa During Apartheid. Unpublished.
Abstract

Conventional wisdom holds that international political pressure and domestic civil unrest in the mid-1970s and 1980s brought an end to apartheid in South Africa. I show that, prior to these events, labor market pressure in the late 1960s/early 1970s caused a dramatic unraveling of apartheid in the workplace. Increased educational attainment among whites reduced resistance to opening semi-skilled jobs to Africans. This institutional change reflected white economic preferences rather than a relaxation of attitudes toward apartheid. I show that whites benefited from the relaxation of job reservation rules and that this is the primary cause of black occupational advancement.

Conclusão interessante.

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Capital humano ou preço do insumo?

De Tóquio para a BBC Brasil – As indústrias japonesas estão contratando “estagiários” de outros países asiáticos a um baixo custo, ameaçando a mão-de-obra brasileira no Japão.

(…)

Os brasileiros e filipinos concorrem principalmente às vagas na fábrica local da Sony. “A vantagem deles (filipinos) é que não reclamam do serviço e nunca faltam”, analisa Márcio Nakamura, funcionário de uma empresa de recursos humanos que emprega brasileiros e filipinos na indústria.

“Esses estagiários são uma mão-de-obra muito barata para o Japão”, explica o professor Edson Urano, da Universidade Sophia de Tóquio.

O restante da notícia é interessante, claro. Em uma sociedade na qual o crescimento populacional não aumenta tanto, a dependência da mão-de-obra estrangeira é, cada vez mais, um problema sério. Um perfeito exemplo de fundamentos microeconômicos da macroeconomia…

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De médico e louco, todo mundo tem um pouco. Mas só o médico garante seu empreguinho…

Psychiatric Disorders and Employment: New Evidence from the Collaborative Psychiatric Epidemiology Surveys (CPES)

Pinka Chatterji, Margarita Alegria, David Takeuchi

NBER Working Paper No. 14404
Issued in October 2008
NBER Program(s): HE

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—- Abstract —–

This paper uses data from the NIMH Collaborative Psychiatric Epidemiology Surveys to estimate the effects of psychiatric disorder on employment. We model the employment and disorder outcomes jointly with a bivariate probit model using local availability of treatment resources and early onset of disorder as identifying variables. As a complement to our main findings, we apply methods proposed in Altonji, Elder and Taber (2005) that allow one to gauge the sensitivity of the estimated effect of disorder to various degrees of selection on unobserved variables, without relying on identifying exclusions. Among males, psychiatric disorder in the past 12 months is associated with a reduction of 9 to 11 percentage points in the likelihood of current labor force participation and a reduction of about 10 percentage points in the likelihood of employment. Among females, we also find negative, but less consistent, associations between recent disorder and labor force participation and employment.

Não falei? Agora, note a última frase acima: mulher doida ainda se garante! ^_^