Uncategorized

“Trade-offs” em pesquisas econômicas: o caso do consumo de alimentos na ex-URSS

Eu sei: você achou que eu iria falar do R em comparação com o Stata. Ou achou que eu repetiria o que digo de vez em quando em sala sobre pesquisas com dados macroeconômicos comparados com estudos de séries de tempo mais longas para um único país. Ou, quem sabe, pensou que eu iria falar sobre a estimação de um vetor de cointegração pela metodologia de Johansen ou pelas alternativas existentes.

Na verdade, hoje, eu me inspirei para falar de outro trade-off, por conta de um link enviado pelo Matizes Escondidos. Trata-se deste, sobre o puzzle do consumo de alimentos na (ex-)URSS. O trade-off, neste caso, é entre você sair correndo para estimar alguma coisa com a base de dados que acabou de descobrir ou se pesquisa um pouco sobre os dados antes de correr para o computador.

O trabalho do autor do post para ter algum grau de certeza sobre a veracidade dos dados de consumo de alimentos na ex-URSS ocupa um bocado de tempo de leitura (sim, vale a pena ler com calma, mas você vai levar um bom tempo, já aviso…) e você poderia dizer para mim que basta deixar uma “nota de rodapé” que está tudo bem. Bom, isso depende do que você pretende fazer.

Digamos que eu queira fazer um post sobre o uso do R (faz tempo que não faço um, né?). Neste caso, eu concordo que seria suficiente, mas gostaria de um rodapé bem claro sobre o limite dos dados e, claro, o leitor faz o resto.

Agora, digamos que eu queira ser conhecido como um pesquisador cuidadoso sobre alimentos na ex-URSS e, ao mesmo tempo, fazer o exemplo do R. Neste caso, acho que demoraria bem mais para publicar algo e teria que ser em partes, um pouco como o autor do inspirador post tem feito no blog dele.

Claro, você poderia imaginar outros casos e o meu ponto é que você sempre seja o mais correto (honesto) possível ao descrever seus dados, deixando claro o alcance e limitação dos mesmos. Sempre que possível, é bom não deixar o leitor no escuro (embora isso também dependa do limite de espaço que um editor te dá em um artigo científico publicado, mas é bem menos complicado quando se faz um texto para um blog pessoal).

Este é um trade-off bem em comum quando se trabalha com história econômica. Claro, eu gosto de cliometria e acho que esta é uma das áreas mais interessantes para se trabalhar. Ela envolve um esforço para se conseguir dados (é, dá preguiça, não está tudo pronto em algum site, na maioria das vezes…), você tem que entender o contexto histórico e adaptar a teoria econômica para estudar o problema (o que exige um pouco de exercício mental para saber como não fazer isto de forma a colocar tudo a perder…) e ainda tem algum tipo de teste de hipótese a ser feito.

Não é trivial fazer um artigo nesta área que seja pouco trabalhoso e é por isso que muita gente desiste e parte para um estudo de história menos rigoroso e até mais perigoso, baseado apenas na retórica e não nos dados.

Enfim, apenas algumas reflexões de quem está com problemas para dormir bem, mas não por falta de nutrientes…

Anúncios
Uncategorized

Sabe aquele monte de vovôs e vovós simpáticas nas ruas de Pelotas?

Não é algo que você, mesmo que seja do RS, talvez ache normal. Aliás, os dados nos dizem que, em termos de vovós, a cidade ultrapassa o estado (mas os vovôs ficam ali no empate, ou seja, deve ter muito vovô em clássicos Bra-Pel ainda…).

Fullscreen capture 3182016 91324 AM

Claro que se você andar pelo centro de Pelotas, um bairro, como me lembra o prof. Rodrigo Nobre Fernandez (o cara que mais conhece de Parcerias Público-Privadas na cidade), é cheio de jovens universitários, notará que a pirâmide é um pouco diferente.

Fullscreen capture 3182016 91421 AM

A dica da ferramenta do IBGE foi do Matizes Escondidos, um cara sempre que nunca tem um papo ruim.

Uncategorized

Altura, peso…e o desenvolvimento econômico: o caso da revolução cardiovascular

Não, não vou falar de antropometria histórica de novo. Só para falar de doenças degenerativas. Diz o Matizes Escondidos:

Barker (1998) propõe uma interpretação alternativa da origem das doenças degenerativas. Aquele autor, médico epidemiologista, comparou mapas ingleses retratando a mortalidade infantil por distritos administrativos com outros que indicavam a incidência de doenças cardiovasculares, detectando que havia elevada coincidência entre eles. Isso o motivou a realizar estudos comparando registros de nascimentos em coortes inglesas, chinesas e finlandesas que possibilitassem o seu acompanhamento décadas depois. Barker constatou que a baixa estatura e o baixo peso ao nascer eram fatores de risco bastante fortes para o posterior desenvolvimento de doenças degenerativas.

Mais adiante ele fala de revolução cardiovascular. Para mim, tem toda a cara de que economistas da saúde estão atentos ao problema, mas posso estar enganado.