Direitos autorais importam: o caso da Mulher-Hulk

Quando Stan Lee começou a achar que a Universal ia inventar uma Hulk mulher na série de TV, sobre a qual passaria a teros direitos, preparou uma solução preventiva a toque de caixa. (…) ‘Foi uma coação’, disse David Anthony Kraft, que assumiu os roteiros da série. ‘Foi tipo: ‘Precisamos inventar uma personagem chamada Mulher-Hulk, e tem que ser daqui a trinta segundos’ (…)’. [Sean, Howe. Marvel Comics: A História Secreta, Leya, 2013, p.235]

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Custos de Transação da Marvel Comics

Em Marvel Comics – a história secreta, de Sean Howe (Editora Leya, 2013), encontro um exemplo para se explicar o conceito de custo de transação que me lembra muito o que a profa. Farina usava no mestrado.

Bem, ela falava de costureiras no bairro do limão (em SP), mas vejamos como era o caso do famoso Stan Lee. Ele criou uma seção de resposta ao leitor que vendia a idéia de que o ambiente de trabalho era um no qual “…os joviais artistas trocavam piadas enquanto labutavam alegremente sob o mesmo teto” [p.53].

Entretanto, não era bem assim. Jack Kirby aparecia lá uma vez por semana, por exemplo. Vejamos o depoimento de Don Heck: “Aquilo era um negócio que o Stan Lee botava nas revistinhas, mas os artistas ficavam esparramados pela ilha (…). Eu ia ao escritório umas duas vezes por semana e outros iam também duas vezes…mas a gente nunca se cruzava”.[p.53-4]

No exemplo da profa. Farina, as costureiras não se concentravam em um único espaço físico porque o custo de se fazer isso seria maior do que deixá-las em suas casas. O custo da transação de se colocar todas num mesmo galpão seria maior do que na opção de se buscar os produtos nas casas das costureiras.

De certa forma, isso me lembra o conceito de subaditividade de custos (a idéia de que o custo de se ter uma planta produzindo vários bens é menor do que a soma de custos de várias plantas produzindo os mesmos vários bens). Pensando no caso da Marvel, é como se tivéssemos o contrário, ou melhor, a não-subaditividade de custos, pois cada desenho seria produzido na casa de cada desenhista. Pensando mais ainda, é um processo um tanto quanto mais interessante, pois, parte do processo era o desenho, mas Stan Lee daria seu toque final no escritório.

Bem, é isso por enquanto. Até mais.