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País complicado este…

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Um dos mais belos presentes que já ganhei foi o A Cartografia Impressa do Brasil – os 100 mapas mais influentes 1506-1922, de Max Justo Guedes, Capivara Editora, 2012. Não há palavras para agradecer aos ex-alunos que me presentearam (quem foram? Quem foram? Adivinhe!).

O mapa acima é o Americae sive Orbis, nova descriptio, de Abraham Ortelius, editado em 1564. Dá para ver um Brasil mais ou menos esboçado, com um divertido rio Amazonas senoidal. Mais complicado que desenhar o mapa, como aponta o autor, é pensar que, embora o desenho geográfico, hoje, seja mais preciso, as instituições deste país são monstruosamente feias, disfuncionais e anti-cidadadania, mesmo que tenha o apoio da mesma (que, ironicamente, eu diria, sofre de um problema de meta-alienação de classe, apoiando-se em um marxismo primevo, superficial, de livro-texto dos bancos escolares…não, tô brincando, eu não acredito em burrice eterna…).

É um belo mapa, este! Meus ex-alunos – estes, especificamente – têm uma notável capacidade de leitura de personalidades: sempre que converso com eles um pouco mais posso ver que eles me entendem melhor do que eu me entendo. Bom, não vamos exagerar, mas eles captam o sentido da coisa com uma intuição de assustar.

Na ocasião deste aniversário o Brasil passava por momentos preocupantes. Hoje, eu diria, há motivos para se ficar mais preocupado. Por enquanto, o melhor que posso fazer é imaginar as viagens daquela pequena caravela ali, perto das praias nordestinas. Navegar é preciso, disse o poeta lusitano. Não foi? Naveguemos, pois.