Ampliando a base de dados sobre liberdade econômica

Este novo artigo promete.

Economic Freedom of the Worlds in the 1950s and 1960s

Ryan H Murphy, Robert A. Lawson
November 28, 2016

Abstract:
This paper uses newly gathered and available data and autoregressive methods to create an economic freedom index for the 1950s and 1960s for up to 95 countries. This index is designed to be as compatible as possible with the Economic Freedom of the World (EFW) index published annually by the Fraser Institute. Finally, the new index is used to investigate recent a claim attributed to Jeffrey Sachs by Tyler Cowen that institutions are poor predictors of long term economic growth.

A China é um país pouco emporiofóbico? Evidências.

Pesquisa do Gallup indica que maioria dos chineses é a favor do comércio. Será que são menos emporiofóbicos? Lembre-se do que é emporiofobia aqui (o mesmo lugar de onde vem o gráfico abaixo).

Capitalismo e Democracia: compatíveis?

The theory in this paper suggests that the association between economic growth and democracy is not causal as Lipset suggested. Thriving markets and economic growth do not produce democracy. Instead, both democracy and markets require the limit condition. Countries that have devised means to satisfy the limit condition can therefore sustain both democracy and the market. The two go together. Thriving markets are part of how countries get rich. To become rich, countries had to provide for the restrictions associated with economic liberty. These countries therefore have strong limits on the government and hence have strong limit conditions. Democracies with markets and economic liberty are therefore likely to be both rich and stable.

O trecho acima é deste novíssimo texto para discussão do Barry Weingast. Temos ali um esboço de teoria da democracia muito interessante.

Cultura pró-mercado e felicidade gay andam juntas?

Como prometi ontem, eis aqui uma correlação simples e interessante.

gay_2

Em escala logaritmica, temos o valor do índice de felicidade gay no país e a medida de cultura usada por Claudia Williamson em um artigo (e por mim, Ari e Pedro neste). A medida de cultura é compatível com a aprovação social do mecanismo de mercado como forma de alocação de recursos.

Ainda estou buscando tempo para uma análise mais apurada, mas esta talvez seja mais uma evidência de que o pessoal LGBT não quer, mesmo, viver sob teocracias ou sob ditaduras bolivarianas. A evidência histórica de perseguição a este pessoal sob estas ditaduras, aliás, não desabona esta correlação.

Claro, não dá para falar muita coisa com uma simples relação entre duas variáveis, mas já é um começo, não? Ah sim, aposto que a emporiofobia não é uma característica aprovada pelos gays, mas isto fica para mais tarde.

Será que homossexuais gostam de liberdade econômica? (Gays gostam de Uber?)

gay_economic_freedomEis a correlação – ao longo dos próximos dias talvez eu analise uma base de dados maior – entre a liberdade econômica (valor do índice) e o de felicidade gay (valor do índice). Parece que algumas minorias estão se auto-enganando? Serão os(as) homossexuais menos emporiofóbicos?

Dados originais aqui e aqui.

Liberdade econômica para quem já conhece ou para quem ainda não conhece? Uma iniciativa interessante, mas limitada (ainda)

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Bacana, legal. Gostei. Mas colocar um cartaz destes perto da nossa faculdade é como colocar uma bandeira do Vasco em São Januário. Interessante mesmo, se é para disseminar a mensagem, é colocar estes cartazes em toda a cidade, não apenas na cômoda zona sul.

Aceito links de fotos em nos comentários para refutar minha visão inicial viesada.

p.s. A iniciativa é do EPL.

Índice de Liberdade Econômica Estadual (EUA)

Eis a nova edição aqui. Há, sim, uma anterior, mas acho que era feita por outra ONG. Aí você me pergunta: por que não temos este índice no Brasil? É culpa da presidente? Não. É culpa dos empreiteiros e banqueiros e da Petrobrás? Talvez, já que ao invés de financiar um projeto como este saía mais barato comprar uns “trabalhadores” do partido dos supostos trabalhadores.

É culpa dos economistas? Bem, os que acreditam que econometria ou estatística podem ser úteis podem até ter tido a idéia, mas não vi. Claro, a turminha da panfletagem, que diz que econometria deve ser tratada como lixo e seus usuários deveriam ser imolados no altar (ou que “medir a liberdade econômica é uma mera questão acadêmica”) carregam parte da culpa por criarem uma cultura obscurantista quanto à econometria.

Mas a gente precisa de um indicador como este? Olha, eu tenhoa sempre várias restrições a indicadores assim, mas entre ter algum indicador e não ter nenhum, eu prefiro ter algum. Sou destes que acredita que alguma medida ainda é o começo de uma discussão menos fanática, menos non-sense.

A discussão sobre se existe algum impacto institucional começa aí. Olhe uma pergunta simples: qual o impacto de se investir tanto em movimentos liberais se a liberdade econômica não muda? Bem, não sabemos se muda porque…não temos o índice. Isso atrapalha a decisão dos gestores que desejam investir em organizações liberais porque eles não enxergam claramente o retorno e arcam com os custos.

Ou você poderia se preocupar com o crescimento econômico regional controlando pela liberdade econômica. Este seria um outro trabalho interessante. Enfim, possibilidades existem, várias. Quem sabe um dia, né?

A honestidade é um bem normal?

Nada como umas horas fazendo levantamentos bibliográficos para animar o dia. A gente encontra uns autores venezuelanos em um journal que alguns heterodoxos curtem (o que os diferencia dos pterodoxos, claro) e a festa começa…

Journal of Institutional Economics (2012), 8: 4, 511–535
Can capitalism restrain public perceived corruption? Some evidence
Hugo J. Faria, Daniel R. Morales, Natasha Pineda & Hugo Montesinos

Abstract: A growing body of evidence documents a vast array of economic an social ill-effects of public perceived corruption. These findings and the scant evidence of recent success in the fight against corruption beg the question: how abate it? We document the existence of a negative, statistically significant and quantitatively large impact of economic freedom (our proxy for institutions of capitalism, markets and competition) on public corruption. This negative response of corruption to economic freedom holds after allowing for non-linearities interacting economic freedom and political rights, endowments, legal families ethnicity and for robust determinants of corruption uncovered by Daniel Treisman [‘What Have We Learned About the Causes of Corruption From Ten Years of Cross-National Empirical Research?’,Annual Review of Political Science,10:211–244], such as income, democracy, freedom of the press and fuel exports. Thus, this paper helps to explain why high-income prosperous countries exhibit low levels of public perceived corruption, and why honesty is a normal good.

Notavelmente, veja este trecho:

Similarly, results displayed in Table 3 indicate that freedom of the press is a fragile predictor of corruption after allowing for the EFW index. Freedom of the press enters significantly in one out of three regressions presented in Table 3. This evidence is consistent with the notion that the press has to be free from governmental meddling but also from private rent-seeking groups to become an effective corruption fighter. If there are media financed by rent-seeking groups, it is critical that there is existence of a counterweight by means of social communication outlets financed by wealth-creating groups (see Becker, 1983, 1985). In much of Latin America and in particular in Venezuela, the government-owned media are socialist oriented and the privately owned media have a mercantilist bias (rent-seeking), not pro-capitalist.

Imprensa com viés rent-seeking? Onde já vimos isto? Pois é. Outra variável que não se mostrou importante no estudo deles foi a proxy de democracia (o que é fácil de se entender caso você tenha lido Buchanan, Tullock ou Olson ao menos uma vez na vida). Outro bom trecho:

For example, Alesina and Angeletos (2005) explain the permanence of low equilibriums in Latin America democracies due to the existence of a paradoxical coalition between the poor, who benefit from redistribution financed by high taxes, and the privileged rich who benefit from corruption and rent-seeking in an enlarged government.

Ou seja, sim, nossos sociólogos deveriam estudar melhor esta relação e, sem rodeios, é importante saber se programas como o Bolsa-Família podem ter um efeito socialmente negativo que é o de manter equilíbrios ruins como este. Como já falei aqui, e não preciso repetir, o Bolsa-Família é um programa interessante de inclusão das pessoas no mercado (embora muito sociólogo com preocupações ideológicas não curta isto…) o que não quer dizer que ele não possa ser usado para o fim exclusivo de perpetuação de um equilíbrio democrático ruim para a sociedade (embora possa ter uma externalidade positiva que pode acabar sendo vendida como sua principal finalidade: a de combater a pobreza).

Claro, este é apenas um artigo, mas ele levanta bons pontos para a eterna polêmica do uso político de programas de transferência de renda. Eterna, sim. Mas seu debate é mais do que necessário. Afinal, como já disse alguém, o sucesso de um programa destes se mede pelo número de pessoas que o deixa (para subir na pirâmide, obviamente). Ou você quer eternizar a pobreza só para se manter no poder?

Ah sim, uma conclusão dos autores, retoricamente falando, é a de que a honestidade é um bem normal. Bem, ela deve ser mesmo, o que não quer dizer que a quantidade ótima para a sociedade é a que observamos…

Até o momento, ninguém no Gallup perdeu o emprego por insatisfação de Obama: uma breve reflexão sobre nossa selva

 

É, minha gente. A confiança econômica nos EUA caiu.

Gallup’s U.S. Economic Confidence Index dropped six points last week to -21 — the largest one-week drop since last October, and the lowest weekly index score since December. Americans’ confidence in the economy’s future waned more than their views of the current conditions.

Apesar disto, ninguém perdeu o emprego na Gallup. É um fato da vida: indicadores econômicos nunca agradam a todos. A diferença entre um selvagem e um civilizado está na atitude diante disto e nós sabemos quem é o selvagem, certo?

Ok, e daí? 

Agora, falando em campanha eleitoral, tem gente que me diz assim: “mas o candidato X também não gosta de jornalistas. Não tenho provas, mas ele causou a demissão de fulano”. Ai me cobram coerência. Bem, agora virou, né?

Veja, diante da realidade política atual, e lembrando um pouco das minhas leituras de política, Bobbio e Buchanan, principalmente, está óbvio para mim que não existem políticos angelicais, santos. Diante desta realidade – e diante da realidade de que eu e meus críticos também não o somos – sou pela opção do menos pior.

No meu caso, eu prefiro discutir um pouco do que entendo: programa econômico. No dia 22 de Julho, em um blog público, que alcança mais gente do que os correntistas do Santander, o prof. Ellery criticou o programa do candidato Aécio. Fica em aberto, aqui, o convite para que ele me conte das pressões que sofreu por fazer críticas – e não apenas elogios – a tal programa.

Vamos combinar que críticas, por mais ferinas que sejam, não são como as famosas bombas de black blocs contra jornalistas, ok? Caso alguém não concorde, pode ir lá ler Sorel, vestir seu uniforme e fazer turismo nas cavernas do Afeganistão.

Bom, depois do episódio – que só posso chamar de censura na falta de um termo mais adequado – aos analistas do Santander, Ellery fez como nossa imprensa fazia na época em que a presidente sofria porque, segundo ela, defendia nosso direito à liberdade de expressão e crítica ao governo militar. Assim, ele fez esta crítica ao programa da candidata.

Cadê os libertários?

Como vocês sabem, conheço um bocado deles. Todos muito enfáticos em se dizerem contra o governo, anarco-isso, anarco-aquilo, etc. No entanto, eles estão incrivelmente calados. Ou então estão apenas xingando algum conservador, ou brigando entre si. Senti falta do tal movimento libertário em manifestações pela internet. Acho que estão de férias. Por incrível que pareça, isso explica muito da paradeira deste pessoal. A maioria é jovem, outros acham que correlação é coisa do demônio e uns outros, mais radicais, acham os economistas do Santander merecem perder o emprego porque, sei lá, não são seguidores de algum oráculo austríaco.

Não sei onde estão os libertários. Mas eu sei onde estão os economistas do Santander: estão prestes a serem despejados porque fizeram seu serviço honestamente. Os que falam do candidato Aecio e falam de supostas perseguições a jornalistas estão calados, mostrando que não são, realmente, muito fiéis ao princípio da liberdade de expressão. Outros temem por seus empregos e se calam. Outros, como os libertários, sempre tão barulhentos e cheios de energia para brigar por linhas ou parágrafos de “A Ação Humana”, estão sem energia para protestar diante do fato.

Concluindo…

Pensando bem, será que eu deveria me esquecer das evidências empíricas sobre o papel das instituições no desenvolvimento econômico? Isto é irrelevante? E isto aqui? Vamos nos esquecer disto? Vou até reproduzir o trecho de Mill citado no último link:

Let us suppose, therefore, that the government is entirely at one with the people, and never thinks of exerting any power of coercion unless in agreement with what it conceives to be their voice. But I deny the right of the people to exercise such coercion, either by themselves or by their government. The power itself is illegitimate. The best government has no more title to it than the worst. It is as noxious, or more noxious, when exerted in accordance with public opinion, than when in opposition to it. If all mankind minus one, were of one opinion, and only one person were of the contrary opinion, mankind would be no more justified in silencing that one person, than he, if he had the power, would be justified in silencing mankind. Were an opinion a personal possession of no value except to the owner; if to be obstructed in the enjoyment of it were simply a private injury, it would make some difference whether the injury was inflicted only on a few persons or on many. But the peculiar evil of silencing the expression of an opinion is, that it is robbing the human race; posterity as well as the existing generation; those who dissent from the opinion, still more than those who hold it. If the opinion is right, they are deprived of the opportunity of exchanging error for truth: if wrong, they lose, what is almost as great a benefit, the clearer perception and livelier impression of truth, produced by its collision with error.

Este, meus amigos, foi John Stuart Mill. Nos outros links você encontrará algumas correlações básicas e algumas referências para artigos que falam sobre o papel das instituições sobre a prosperidade de uma sociedade.

O mundo está mais igualitário…na repressão aos que discordam

“Controle ‘social’ da mídia = Menos liberdade imprensa”

Ok, nem vou discutir este tema (já falamos muito dele no blog). Os novos dados estão aqui. Quanto ao Brasil, esta potência econômica…

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Posso estar enganado, mas o grande ganho de 1993 a 2002 (de 27 a 38 pontos) perdeu-se sob os governos que diziam ser mais “pluralistas” e “contra a censura” (de 36 a 45 pontos). Acho que há muito o que liberar ainda (veja os outros países) e seria desejável, em termos morais e éticos mesmo, ver a imprensa mais livre no Brasil.

Em temos de eficiência econômica, claro, já discuti o tema (faça o dever de casa e pesquise pelo blog) e não vou discutir isto agora. Mas a base de dados merece um estudo cuidadoso, com inter-relações com outras variáveis, não merece?

Sociedades inovadoras…(tente adivinhar o resto)

Como eu sempre digo, uma correlação não faz verão. Mas pode-se começar a pensar em alguns problemas do mundo real observando-se correlações. Pensando no post anterior, eis algumas, com o score do país no índice de inovação e variáveis como….

a) Liberdade econômica

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b) Índice de Falência Estatal (ranking)

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c) Índice de Filantropia (ranking)

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d) Cultura pró-mercado

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e) Índice de Cronismo (da The Economist)

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Como se vê, não dá para tirar conclusões com estas correlações bivariadas. Obviamente, você precisa de uma teoria para relacionar estas variáveis. E este não é o único problema. Afinal, os dados apresentados são todos de corte transversal e sabemos que pode haver uma dinâmica para cada variável, ao longo do tempo (embora também seja verdade que este tipo de variável tenha apresente pouca variação ao longo do tempo).

Então, antes de cair nos braços das conclusões apressadas, meu conselho é: escolha a teoria que vai utilizar.

Ah sim, eu continuo achando este indicador da The Economist um pouco complicado, no sentido de que não sei se ele, de fato, capta o cronismo das sociedades. Quanto aos demais, bem, você já os viu neste blog em diversas ocasiões. Basta ter paciência e fazer uma busca pelo blog que você os encontrará aqui (eu diria que sua pesquisa poderia começar em Dezembro de 2013).

 

Quer menos jornalistas assassinados? Então aumente a liberdade de imprensa, econômica, política, etc

Tristes trópicos brasileiros…

Um jornalista publica hoje que:

Um levantamento publicado hoje pela entidade PEC (Press Emblem Campaing), com sede na Suíça, aponta que apenas o Iraque registrou um maior número de mortes de jornalistas que o Brasil em 2014.

Os dados revelam que cinco jornalistas foram assassinados no Iraque nos três primeiros meses do ano. Já no Brasil, o número chegou a quatro, o mesmo que foi registrado no Paquistão.

O número de mortes no Brasil seria ainda superior ao que foi registrado na Síria, país em plena guerra civil e com dois mortos, ou no Afeganistão com 3 mortes.

Não é uma notícia assustadora? Pois é. As pessoas estão aproveitando a oportunidade narcísica de se fotografarem semi-nuas para falar de estupro com base em uma pesquisa cheia de problemas metodológicos – já divulgados amplamente pela imprensa – mas não parecem ter o mesmo ânimo quando o assunto é assassinato de jornalistas (ou assassinato de pessoas na Venezuela).

Sabemos muito bem por onde passam as soluções possíveis mas…

Em outras oportunidades, neste mesmo blog, pude mostrar que a liberdade de imprensa é parte do pacote maior das liberdades (ver aqui e aqui). No mínimo, uma correlação positiva entre as duas parece resistir ao passar dos anos. Claro, eu poderia citar alguns artigos e, para você não ficar na vontade, eis um deles.

Who Owns the Media?
Simeon Djankov, Caralee McLiesh, Tatiana Nenova, Andrei Shleifer
NBER Working Paper No. 8288
Issued in May 2001
NBER Program(s): PE
We examine the patterns of media ownership in 97 countries around the world. We find that almost universally the largest media firms are owned by the government or by private families. Government ownership is more pervasive in broadcasting than in the printed media. Government ownership of the media is generally associated with less press freedom, fewer political and economic rights, and, most conspicuously, inferior social outcomes in the areas of education and health. It does not appear that adverse consequences of government ownership of the media are restricted solely to the instances of government monopoly.

Algumas pessoas, que não gostam de evidências empíricas, preferem defender a maior monopolização dos meios de comunicação nas mãos do governo com um argumento tão infantil quanto ingênuo e maquiavélico de que “nas mãos do governo a coisa fica séria, há pluralismo, não há grupos de interesse no comando”. Curiosamente, são os primeiros a se revoltarem com as denúncias de corrupção no governo. Apelam, sempre, para um mundo mítico no qual existe um bom selvagem rousseaniano, tudo depende da boa vontade política, das boas intenções, dos anjos, e o Papai Noel é vizinho dos duendes.

…preferimos defender a intolerância ao discurso que não nos agrada.

Nesta semana vimos alunos de uma faculdade pública de Direito – não é em uma faculdade “pública” que deveríamos proteger o pluralismo das idéias sem a ação do “frio e insensível setor privado aliado ao mercado neoliberal”? – praticamente agredirem um professor que tinha uma opinião diferente da deles. Sim, o sujeito defendia a Revolução de 1964 (ou o golpe, como queiram) e nem todos concordam com a defesa ou com os argumentos utilizados. Mas o fato é que quem ataca o professor hoje, amanhã, está muito mais propenso a assassinar jornalistas (ou a censurar “biografias não-autorizadas”…).

Vamos nos lembrar de algumas evidências empíricas preliminares?

Sim, os gráficos são oriundos dos posts anteriores e, sim, eu acho que eles são uma pista muito importante sobre o que acontece quando tomamos posição contra a liberdade de imprensa ou contra a liberdade econômica e isto não depende de o sujeito ser “de direita”, “de esquerda”, “comunista”, “admirador de Che”, “fã de Costa e Silva”, “defensor de Fidel Castro”, “tucano”, “petralha”, etc. As evidências apresentadas neste gráfico são para países. São padrões, por assim dizer, médios. Transcendem a questão das preferências dos indivíduos por este ou aquele político ou por este ou aquele projeto de governo. Faça a si mesmo a pergunta: e se Amarildo fosse venezuelano?

As evidências, como já discutido antes, são de que a liberdade de imprensa vai junto com as outras liberdades. Ao contrário do que muita gente pensa, mais liberdade econômica não é sinônimo de mais assassinatos de jornalistas ou de censuras (que governo, na América Latina, mais “pede” para o Google retirar conteúdo, ameaçando diretores com ordens judiciais e outros instrumentos legais?).

brazil_marcocivilnada

 

Curioso né? Nosso governo fala do Obama, mas faz o mesmo. Mais ainda, não consegue proteger jornalistas de assassinos, mas é bem eficiente em tentar retirar conteúdo da internet. Há algo errado aí, não há?

Ah sim, veja aí como foi em 2012.

brazil_marcocensurador

Nem Obama, nem NSA: viva o governo brasileiro! Falou algo que alguém não curtiu? Que você seja calado! Não calou? Bom, o jornalista aí citado no início mostrou uma outra forma de solucionar o problema…

Infelizmente…

Não adianta discutir com quem tem duplo padrão para avaliar o papel das instituições. Tive um colega que participava do grupo de jovens da igreja do bairro. Após entrar na faculdade, o sujeito entrou para um partido de esquerda e me disse, uma vez, que tudo que ele lia, tentava ler na ótica do partido, separando “o joio do trigo” segundo o critério do partido (ele se transformou em militante, destes que só fazem ativismo e não se formam nunca…não sei nem se se formou).

É natural que existam pessoas com menor capacidade analítica e que se achem cidadãos mesmo que não sejam bons em raciocínio lógico mas, convenhamos, cidadãos sem raciocínio lógico são pessoas que não conseguem raciocinar e são facilmente manipuláveis pelos que não têm a mesma dificuldade. Agora, honestamente, manipular cidadãos é cidadania? Não sei. Mas sei que, sim, faz parte da lógica política e é por isto que tanta gente honesta se afastou da política…

Vale a pena ver de novo

Eu avisei. Avisei, avisei e avisei. E você não ouviu, nem ele, nem ela, nem eles. Bom, mas eu falei. Agora, bom, agora é sobreviver porque viver ficou difícil.

Um outro Vietnã, que largou a bobagem comunista e sabe fazer contas?

Em alguns momentos anteriores, neste blog, falei do PISA. Aqui e aqui, por exemplo (mas tenho mais a dizer ao longo do texto…). Não é todo dia que você vai me ver falar de Capital Humano aqui. Meu trabalho é tentar criá-lo (ou aperfeiçoá-lo, corrigí-lo, etc). Já é demais fazer isso e ainda vir aqui falar disso, notadamente em véspera de feriado.

Mas vamos lá. O aplicativo citado anteriormente em um dos links tenta ilustrar, graficamente, a relação entre ocupação dos pais e desempenho dos alunos no exame.

How much can we infer about a student’s performance in school by looking at what his or her parents do for a living? To find out, PISA 2012 asked participating students about their parents’ occupations. Occupations@PISA2012 is a web-based application that allows you to explore the relationship between parents’ occupations and their children’s performance in mathematics, reading and science – in your own country and in other countries.

 

E já que o BID destacou o Vietnã neste post, eis aqui algo.

vietnam_brazil

 

 

Honestamente, eu não sei se esta figura me informa muito sobre alguma suposta influência da ocupação dos pais sobre o desempenho dos meninos e meninas. Mas eu vejo que o diferencial de nota é gigantesco com os vietnamitas na frente em larga vantagem.

Aliás, os alunos do Vietnã foram uma grande surpresa, segundo o post, pelo seu alto desempenho no exame.

Una de las mayores sorpresas de la publicación de los resultados del Programa para la Evaluación Internacional de Alumnos (PISA 2012) fueron los impresionantes resultados registrados por Vietnam, el cual se ubicó en la posición 17 entre los 61 países que participaron. Su puntaje fue de 511 en matemáticas, superior al promedio de la Organización para la Cooperación Económica y el Desarrollo (OCDE) que fue de 494.

 

Você terá toda razão de me perguntar se isto é fruto da educação comunista do país. Repare que o governo do país é comunista e o estilo autoritário lembra muito o da China. Tal como a China, contudo, o Vietnã se abriu aos mercados (sim, o tal “capitalismo” que seu professor de História tanto odeia).

Não vou entrar aqui na – interessante-mas-que-fica-para-a-próxima – discussão de se é a liberdade econômica que traz a liberdade política, ou vice-versa (entretanto, veja o que eu andei estudando aqui, para o Brasil).

Repare que o ensino de matemática não tem nada daquelas baboseiras que alguns Rasputins tentam vender aos pais (bobagens com belos nomes, claro). E nem tudo está perdido. No Brasil, claro, tem gente séria querendo fazer o ensino da Matemática alcançar um nível decente, como o Flávio Comim e o pessoal do Círculo da Matemática.

Finalmente, para os que, como eu, gostam de olhar para os dados, a dica é a OCDE e, claro, a pergunta que fica é: quais as chances de o Vietnã nos ultrapassar? Eu aposto que, com nossa educação toda ideologizada e falida, seremos um dos países mais pobres do mundo, em capital humano. Exagero meu. Digamos que seremos o último colocado no PISA (e não adianta melhorar a colocação fazendo “pré-vestibular” do PISA, senhores burocratas).

Liberdade econômica, caridade e capital humano: uma lição de como se começar uma pesquisa

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Eu já disse aqui que uma correlação não faz verão, mas resolvi colocar este resultado aqui para despertar a curiosidade das pessoas. Então, no eixo vertical temos o último índice de liberdade econômica do Fraser Institute e, no eixo horizontal aquele índice de caridade que o pessoal gosta de discutir de vez em quando. Só, que desta vez, eu coloquei os pontos da correlação ponderados pela medida de capital humano de 2010 do Barro (Barro & Lee) que são os anos médios de estudo.

Existe uma correlação positiva entre caridade e liberdade econômica? Eu diria que, caso exista alguma, ela parece ser fracamente positiva. O que istor quer dizer? Não sei. Mas sei o que isto não quer dizer.

1. Mais liberdade econômica inibe a caridade: Não sei. Com uma base de dados cross-section, apenas, não posso dizer muito. Além disso, níveis de variáveis fraca ou fortemente relacionadas não significam que variações das variáveis se relacionem.

2. Menos liberdade econômica favorece a caridade: Olha, meu caro, se não há correlação clara, ou se ela é fracamente positiva, não me parece também que isto seja sinônimo de dizer que existe uma forte correlação negativa. Veja o gráfico. Isto sem falar das outras observações feitas.

3. Caridade não tem a ver com anos de estudo: Talvez sim, talvez não. Não dá para dizer com o gráfico acima. Aliás, nem sei porque anos de estudo teria alguma relação com a caridade. Qual é a sua teoria?

Assim, no mínimo, você precisa de duas coisas: (a) uma teoria a ser testada e (b) uma base de dados maior que considere a possibilidade de outras variáveis interferirem nesta correlação simplória.

Quero fazer uma pesquisa sobre o tema! Devo sair correndo atrás de um orientador?

Calma que o mundo não vai acabar amanhã (eu acho).

Primeiramente, não incomode seu provável orientador com uma correlação sobre a qual você ainda sequer pensou. Veja, é muito importante ter alguma hipótese a ser testada. Eu até imagino que existam teorias para nos dizer que a caridade pode ser desincentivada pelo aumento no tamanho do governo (aliás, estas teorias existem e, se não me engano, existem artigos científicos sobre o tema).

Outra coisa: o que compõe cada um destes índices? Este é outro trabalho pré-encontro-com-o-provável-orientador que você deveria fazer. Trata-se do que poderíamos chamar de eu sei sobre o que estou falando. Você conhece seus dados? Pensou sobre eles? Entendeu a metodologia? Nem precisa concordar com a metodologia de coleta dos dados, por exemplo, mas tem que entender como ela é feita ou o que ela nos diz (e, o mais importante, o que ela não nos diz).

Bem, eu não sei se fiz uma caridade com este texto, mas pelo menos espero que alguém tenha entendido um pouco melhor sobre o início de uma pesquisa. Talvez até tenha ajudado a melhorar um pouco seu capital humano. Viu só como estas coisas são complicadas? ^_^

Liberdade de Imprensa sem Liberdade Econômica? Sheherazade deve ter o direito de se expressar?

Continuo o tema do post anterior. Primeiro, a resposta é: sim, Sheherazade tem o direito de se expressar. Não concorda com ela? Mude de canal. Simples assim.

Chamo a atenção para esta polêmica apenas para introduzir a segunda parte dos meus breves dois centavos sobre a liberdade de imprensa.

Na figura abaixo, você encontra as correlações anuais entre liberdade de imprensa (d$media_freedom, no eixo vertical) e liberdade econômica (d$economic_freedom). Não tive tempo para ficar arrumando muito os dados. Só a tabulação me deu um bocado de trabalho. Ah sim, o pessoal do Reporters Without Borders não fez índice para 2010 e 2011, criando uma única medida para os dois anos. Optei por repetir o valor em 2010 e em 2011. Alguns poucos países saíram da amostra (realmente uns três ou quatro, no máximo) e temos aí os mesmos países do post anterior.

liberdade

Como você pode rapidamente perceber, se há uma correlação entre calar jornalistas e liberdade de se comprar e vender quaisquer bens, bem, a correlação é a de que mais liberdade econômica se associa a mais liberdade de expressão para jornalistas.

Sim, trata-se do resultado anterior, repetido por anos e anos. Eu já expliquei diversas vezes neste blog as limitações do alcance de análises de correlação e, novamente, no post passado, apresentei algumas evidências (trabalhos de terceiros) de que os jornalistas deveriam, sim, pedir mais liberdade econômica.

Lembra daquela medida do tamanho do governo? Bem, aí está. A correlação que nos mostra que países com governos muito grandes também são países piores para os jornalistas é bem robusta.

tamanhodoestado

Ok, você querer falar da liberdade de fazer negócios. Abrir e fechar empresas. Coisas assim. Bem, aí vai.

business

A história não parece mudar muito. Ah sim, os países nem sempre tiveram dados coletados durante todo o período. A tendência, claro, é que com o passar dos anos, mais países entrem na coleta de dados. Os gráficos também nos mostram isto.

Ah sim, e quanto à liberdade dos trabalhadores de um país? Segundo a Heritage Foundation, entende-se como liberdade dos trabalhadores:

The labor freedom component is a quantitative measure that considers various aspects of the legal and regulatory framework of a country’s labor market, including regulations concerning minimum wages, laws inhibiting layoffs, severance requirements, and measurable regulatory restraints on hiring and hours worked.

Six quantitative factors are equally weighted, with each counted as one-sixth of the labor freedom component:

Based on data collected in connection with the World Bank’s Doing Business study, these factors specifically examine labor regulations that affect “the hiring and redundancy of  workers and the rigidity of working hours.”

In constructing the labor freedom score, each of the six factors is converted to a scale of 0 to 100 based on the following equation:

Factor Scorei= 50 × factoraverage/factori

where country i data are calculated relative to the world average and then multiplied by 50. The six factor scores are then averaged for each country, yielding a labor freedom score.

The simple average of the converted values for the six factors is computed for the country’s overall labor freedom score. For example, even if a country had the worst rigidity of hours in the world with a zero score for that factor, it could still get a score as high as 83.3 based on the other five factors.

For the six countries that are not covered by the World Bank’s Doing Business study, the labor freedom component is scored by looking into labor market flexibility based on qualitative information from other reliable and internationally recognized sources.

Está claro que a liberdade do trabalhador significa que ele encontra menos burocracia no mercado de trabalho. Eu imagino que o personagem que citei no post anterior, de forma bem hipócrita, seja um fã da liberdade do trabalhador, ao mesmo tempo em que prega um maior controle social da imprensa (provavelmente ele deseja ser amigo do político e viver como um monopolista ineficiente, destes que infestam o Brasil).

Bem, vejamos as correlações.

labor Então, países com mercados de trabalho mais desregulamentados, também são aqueles nos quais o jornalista sofre menos agressões físicas ou censuras. Interessante, não?

Ok, sei que o leitor pode discordar de mim sobre muitos pontos, mas os dados não mentem. Evidentemente, é preciso mais do que correlações para se estabelecer uma causalidade. Existem teorias para nos justificar estas correlações, eu sei. Entretanto, uma coisa é teorizar e outra é usar a teoria para estudar a realidade. Acho que o leitor curioso já tem material suficiente para pensar na demanda de liberdade de imprensa.

Existiria um tamanho ótimo de liberdade? Existirá uma censura ótima? Ou a liberdade de imprensa é um valor maior que não se presta a censuras? Caso sua resposta seja positiva para a última pergunta, por que será que alguns não usem o mesmo critério para falar da liberdade econômica? Vivemos em uma sociedade de rent-seekers, eu sei, e eles lutam para criar double standards de julgamentos que os favoreçam (e aos seus financiadores).

É, Sheherazade ou não, o jornalista e você ou eu temos o direito de nos expressar sem ameaças. Sociedades que enriquecem também são sociedades em que todos se manifestam. Nos EUA, por exemplo, até nazistas e comunistas, criadores do maior holocausto do século XX, como sabemos, têm o direito de criarem partidos políticos. No Brasil, apenas os herdeiros de uma das correntes têm estes direitos. Somos, de fato, um país que se acha tolerante, embora achemos bonito proibir biografias não-autorizadas, reprimir integralistas ao mesmo tempo em que aceitamos comunistas (que elogiam, inclusive, carniceiros, como o presidente da Coréia do Norte), e, claro, gostamos de falar de “crime de opinião”.

Entretanto, as correlações indicam que nossa fantasia é tão sólida que deve se desmanchar ao menor contato com o ar. Pois bem. Acho que já fiz minha parte. Cabe a você coletar os dados e trabalhar como eu trabalhei para encontrar evidências contra ou a favor do meu argumento. Tema polêmico, mas que não pode ser discutido sem uma análise mínima que seja dos dados.

Como disse (ou como dizem que ele disse) Deming: In God we trust. All others must bring data.

Até mais.

Liberdade de imprensa sem liberdade econômica?

Um dia, um sujeito – bastante desinformado – que se dizia assessor de imprensa de uma empresa veio à Faculdade falar do papel da mídia. Ele começou com uma frase bastante autoritária. Para ele, liberdade de imprensa é apenas a liberdade dos donos de jornais publicarem o que querem. Aí ele dizia que “controle social” (sem entrar em detalhes) seria bom.

A frase tem um erro muito básico que é ignorar o contexto. Sim, em uma ditadura, com apenas um jornal, apenas o dono de jornal diz o que quer mas, não, em uma democracia, com muitos jornais, há competição e você pode falar o que quer, mas também pode ouvir o que não quer.

Claro, como muitos, o sujeito tem aquele preconceito contra o dinheiro. Ele gosta de encher os bolsos vendendo gato por lebre (e gato por gato também, imagino), mas acha horrível alguém ter o poder de publicar o que pensa. Vai ver nem é a favor de blogs ou de biografia não-autorizadas.

Em certo momento da palestra, tive vontade de me levantar e sair da sala. Meu tempo vale mais e se há uma polêmica boa, ok. Mas ali, naquela palestra, não havia nada de interessante.

Bem, muitos estudantes, mais novos, ainda nos bancos escolares ou da faculdade, podem ter dúvidas similares. É para estes que se destina este que, se tudo der certo, será o primeiro de dois posts sobre o tema.

Então, ok liberdade econômica – “livre mercado” – é inimigo da liberdade de expressão? É isso mesmo? Então, na Coréia do Norte, jornalistas devem estar se esbaldando xingando a mãe do presidente, não? Não?? Então, como é que fica o seu argumento?

Um pouquinho de realidade: dados!

Pode até acontecer que a liberdade de imprensa exista, no curto prazo, com a falta de liberdade econômica. Mas, como sabemos, uma correlação não faz verão. É preciso ver se uma variável causa a outra. Sendo assim, que tal este estudo de 2011? Cito trecho da conclusão:

Our study addresses the role of media in economic development. We set up a simultaneous equation system that jointly determines share of domestic investment in GDP (a proxy for economic development or growth) and socio-political stability (an index constructed by applying the principal components analysis to various indicators of socio-political stability). We show that free media has a positive correlation with socio-political stability and greater socio-political stability enhances domestic investment. Thus we claim that free media may promote economic development by improving socio-political stability. Several sensitivity tests reinforce our hypothesis.

Os autores acham que suas conclusões são uma evidência favorável à causalidade seguinte: mais liberdade de imprensa gera mais liberdade econômica de forma indireta, na minha opinião. Por que? Porque há vários estudos mostrando uma forte correlação entre a liberdade econômica e o desenvolvimento econômico.

Que tal observarmos a liberdade econômica e a liberdade de imprensa em um único gráfico? Eu pensei que teria mais tempo para um gráfico mais elaborado (utilizando uma amostra maior no tempo). Talvez mais tarde, hoje, eu divulgue algo assim.

Mas, por enquanto, vejamos os dois índices em 2014, para quase duzentos países.

Antes, uma observação sobre a escala de cada índice. O de liberdade de imprensa deve ser lido em escala invertida. Isto é, países com maior liberdade de imprensa têm valores menores no índice. Já o índice de liberdade econômica da Cato Foundation/Heritage Foudnation é lido de forma direta: países mais economicamente livres têm valores maiores no índice.

O índice de liberdade econômica tem vários sub-componentes. Um deles é o gasto do governo em percentual do PIB. Sei que não é a única medida da mão pesada do governo, mas é um indicador muito utilizado e relativamente bem aceito por aí em início de debates. Então veja o primeiro gráfico, relacionando a liberdade da imprensa com o que podemos chamar de “tamanho do governo”. Há evidências de que esta correlação pode não ser espúria, é bom ressaltar.

gov

A correlação entre estes dois indicadores é positiva: ceteris paribus, países com maiores governos (em nossa medida) também são países em que a imprensa sofre mais.

gov

 

Quanto ao índice de liberdade econômica, temos o gráfico abaixo que parece indicar uma evidência preliminar de que liberdade de imprensa e liberdade econômica podem, sim, estar relacionadas.

freedom2Algumas observações iniciais importantes:

a) Ok, eu só olhei 2014. Eu sei que você pode me falar que o que importa é a evolução dos índices ou mesmo as suas taxas de variação. Bem, isto exige que eu trabalhe na base de dados (não tenho ajudantes quando preciso, na hora em que preciso, né?) por muito mais tempo. Prometo tentar fazer algo assim mais tarde.

b) Outras variáveis não são importantes? Claro que são. Mas, meu objetivo aqui foi só levantar a bola. Então, você acha que na verdade estas correlações são espúrias? Pode ser. Mas eu acho que elas têm o potencial de nos contarem uma história que faça sentido, pensando na Liberdade como um conceito mais amplo que inclui a de expressão não apenas falada mas o que eu chamaria de expressão humana, o que inclui meu direito de comprar e vender o que é meu de direito.

c) Outros componentes do índice de liberdade econômica? Claro. Eu poderia fazer mais uns gráficos, mas todos padecerão dos mesmos problemas apontados antes.

Tem mais?

Eu diria para você que a liberdade de imprensa é muito importante para a democracia. E é mesmo, como você pode ver aqui. A imprensa livre e competitiva ajuda na manutenção da democracia, dizem alguns. Como ela ajuda? Por exemplo, denúncias – falsas ou não – são sempre alvo de investigação e, sim, o episódio do mensalão (o que envolve a esquerda toda: começando em Minas Gerais e terminando na Papuda, por assim dizer) é um bom exemplo disto. Tá, o mensalão é um exemplo, mas não é o único.

Jornalista é anjo?

Não. Longe disto. Há os honrados e honestos, mas há os que gostam de ver como tal, embora estejam bem longe disto. Jornalistas são seres racionais, maximizadores, e nem sempre se preocupam com a ética (veja a quantidade de livros com supostas denúncias que surgem no Brasil, sempre que algum oposicionista aponta um problema no governo, por exemplo). Moll (2008) tem um paper interessante sobre o tema (e você o encontra, junto com outros artigos interessantes, aqui (acesso pago)).

O jornalista é um homo economicus como qualquer outro, na minha opinião. Como qualquer outro homo economicus, ele tem o direito de, na minha opinião de um liberal, ressalto novamente, vender e comprar e, claro, falar o que quiser. Há normas em uma sociedade, claro, mas esta é uma outra discussão. Sociedades que não se fundam em liberdades básicas não são lugares onde, imagino, você queira viver.

Bem, eu queria falar mais sobre isto e trabalhar com uma base de dados maior, mas o tempo urge. Comentários e sugestões, por favor, na caixa de comentários.

Liberdade econômica, heterofobia e homofobia

Eis aí um mapa interessante. Ele mostra que o ódio é inimigo do PIB per capita (ou vice-versa). Você pode dizer que não se deve odiar ou discriminar pessoas que namoram outras do mesmo gênero ou de gêneros diferentes. Dá na mesma para mim. Até onde sei, a liberdade individual é um valor muito caro para nós, liberais.

Agora, infelizmente o autor não disponibilizou os dados e não posso replicar seu mapa ou sua correlação. Mas posso dizer que, como sempre, uma correlação não faz verão. O fato de observarmos maior tolerância com atitudes gays em correlação positiva com o PIB per capita não nos diz muita coisa. Afinal, alguém arriscaria a dizer que pobre é mais preconceituoso do que rico? Creio que não.

Mas o que o autor não disse é o que eu acho mais interessante. Ele se esqueceu – ou não pensou no assunto – de falar que a correlação entre PIB per capita e liberdade econômica também é muito elevada, talvez mais forte do que com a tolerância com a galera LGBT. Há outros valores, inclusive, que são compatíveis com a liberdade econômica, valores caros ao povo LGBT e ao restante da humanidade (sim, não sejam heterofóbicos, leitores atleticanos!).

Em outras palavras, a discussão sobre tolerância LGBT não pode ser dissociada da liberdade econômica. Muita gente jovem já entende isto no Brasil, embora haja quem consiga, ao mesmo tempo, apoiar ditaduras horrorosas e, ao mesmo tempo, dizer-se tolerante com posturas distintas no estilo LGBT. Não faz o menor sentido teórico, eu sei. Mas, neste pequeno post, você vê que, muito menos, não faz qualquer sentido empírico.

Assim, se há alguém que precisa mudar sua cabeça, este alguém é o militante destes movimentos que é sempre refratário à liberdade econômica. O que ele defende com uma mão, ele esmaga com a outra. Sem saber, serve a dois senhores mas quem lhe agradecerá, no fim, é o diabo.

Liberdade e Desigualdade…again

Sabe o que falei do Erik aí embaixo? Pois é. O food for brain dele veio deste ótimo texto do Roberto Ellery. Embora ele só apresente uma correlação, existem outros estudos sobre o tema. Se eu pudesse sugerir uma rápida revisão da literatura, eu diria que a página do Fraser Institute tem boas referências. Além disso, nosso estudo no CATO Journal baseou-se em ótimos trabalhos, inclusive os da Claudia Williamson, os quais, claro, eu recomendo.

Muitas destas referências tratam da liberdade, mas nem tanto da desigualdade (mas você encontrará artigos sobre o dilema nestes links). Vale a pena trabalhar sobre o tema? Bem, Erik já deu a dica.

Você é contra a liberdade das pessoas fazerem trocas?

Então é bom pensar de novo. Há evidências de que esta mesma liberdade gera mais felicidade. Aliás, sobre instituições e tudo o mais, que tal ver a cara da esquerda revolucionária (aquela que invade fazendas e destrói laboratórios alheios) quando descobrir que as coisas funcionam mais ou menos totalmente ao contrário do que eles pensam?

É, a gente não aprende ciência, vai pro bazar dos bens inferiores para comprar ou vender discursos bombásticos e vazios de conteúdo.

Liberdade nos EUA, impostos no Brasil e gente que só pensa em populismo…

Não se trata apenas da liberdade econômica, mas da liberdade em seu conceito mais amplo. A iniciativa é ótima e foi pouco divulgada no Brasil (as usual…), mas não apenas vale citá-la como também adaptá-la para verificar nossa baixíssima liberdade econômica, vítima, inclusive, de políticas sem sentido algum, mas com um apelo populista enorme.

Por falar nisso, lembrando do bom lembrete do Ronald Hillbrecht, eis uma campanha cujo custo marginal é praticamente zero e o benefício marginal é positivo: o abaixo-assinado por menos impostos e mais eficiência no Brasil. Não, não é uma campanha liberal. O movimento popular que endossa o abaixo-assinado tem o – sempre elogiado pelo sr. da Silva – Delfim Netto, o heterodoxo Nakano e o liberal Rabello de Castro.

Ganhadores do concurso do Fraser Institute

Assista todos os vídeos! O da limonada, o “let it be” e Sarah são os melhores, para mim. Eis o anúncio oficial (os links dos vídeos cortesia deste blogueiro).

Winners of Fraser Institute student video contest showcase economic prowess, filmmaking skills

Release Date: January 26, 2010
VANCOUVER, B.C.—Sixteen students from across Canada and the U.S. share $10,000 in prizes in the annual student video contest held by the Fraser Institute, one of Canada’s leading public policy think-tanks.

Students in Victoria, Vancouver, Calgary, Thunder Bay, Toronto, and Ottawa received awards for their entries. A complete list of the winners is below.

Students were asked to create a video answering the question “what is the appropriate role of government in the economy?” Sixty-two videos submitted by 133 university and high school students from across Canada and the U.S. were entered in the contest—more than triple the number of videos entered in last year’s contest.

“The creativity and adept analyses these students put into their videos is remarkable. It’s very encouraging to see young people engaged in such a critical debate about the role of government in the economy,” said Peter Cowley, Fraser Institute senior vice president of operations.

The winning entries were selected based on originality, clear expression of ideas, production values, quality of story, and understanding of the topic. A special Viewer’s Choice Award was also awarded in each category to the videos with the highest rating on YouTube. All videos can be viewed at http://www.youtube.com/fraserinstitute.

Brendan Conway-Smith from the University of Ottawa took second prize in the post-secondary category.

“Brendan’s video was a clear standout. The high production values and sharp examination of the topic made this an impressive entry,” Cowley said.

Jason Killion from Reynolds Secondary School in Victoria, B.C. won third prize in the high school category.

“Another great entry showcasing a keen grasp of economics and video production—very well done,” Cowley said.

The contest was sponsored by The Lotte and John Hecht Memorial Foundation.

2009 Student Video Contest winners

Post-secondary category

1st place ($2,000)
My Friend Sarah
Created by Mark Meranta (George Mason University—Fairfax, V.A.)
and Terra Strong (George Mason University—Fairfax, V.A.)

2nd place ($1,500)
Letting Be
Created by Brendan Conway-Smith (University of Ottawa—Ottawa, O.N.)

3rd place ($750)
Laissez Faire
Created by Ty Mills (University of Calgary—Calgary, A.B.)
Kasper Woiceshyn (University of Toronto—Toronto, O.N.)
Robert Wensley (Bob Jones University—Greenville, S.C.)
Marc LeClair (Westmount Charter School—Calgary, A.B.)

Runner-up (received a handheld camcorder valued at $500)
Let it be
Created by Tori Finlayson (University of British Columbia—Vancouver, B.C.)

Viewer’s Choice Award ($750)
My Friend Sarah
Created by Mark Meranta (George Mason University—Fairfax, V.A.)
and Terra Strong (George Mason University—Fairfax, V.A.)

High school category

1st place ($1,500)
Government’s Practical & Moral Role
Created by Lance Knight (Peripatos Academy—Pittsboro, N.C.)

2nd place ($1,000)
Public Option, Post Office—Are You PO’d Yet?
Created by Travis Knight (Peripatos Academy—Pittsboro, N.C.)

3rd place ($750)
My Crazy Dad and the Role of the Government
Created by Jason Killion (Reynolds Secondary School—Victoria, B.C.)

Runner-up (received a handheld camcorder valued at $500)
Capitalist Rap
Created by Aiden Wilks (St. Mary’s Senior High School—Calgary, A.B.)
Paula Turcotte (St. Mary’s Senior High School—Calgary, A.B.)
Matthew Tiberio (St. Mary’s Senior High School—Calgary, A.B.)

Viewer’s Choice Award ($750)
A Tale of Two Citrus—A Canadian Allegory
Created by Lucas McEachern (Westgate Collegiate & Vocational Institute—Thunder Bay, O.N.)
and Craig Draeger (Westgate Collegiate & Vocational Institute—Thunder Bay, O.N.)

View the winning videos at www.youtube.com/FraserInstitute.