Liberdade de imprensa…

Lembra deste texto? O que mudou desde então, nos itens dos últimos parágrafos, aqueles que falam do Google? Primeiro, a maneira como eles divulgam o relatório mudou. Em segundo lugar, nosso governo continua muito ocupado reclamando do conteúdo publicado sobre ele mesmo ao invés de cuidando da inflação, crimes, etc.

Arrisco quase a dizer que há uma tendência – extremamente preocupante – crescente nos dados, a despeito do pico no final de 2012. Será? Bem, há várias organizações que se dizem “liberais” (ou “libertárias”) no Brasil. Eles devem ter gente qualificada para uma análise mais fundamentada dos dados. Fica a dica.

censura_governoUPDATE: A tendência não é clara, mas eis os dados anuais para o Brasil:

liberdadedeimprensa2

Em termos mundiais, as médias do país estão mais ou menos assim:

liberdadedeimprensa1

Repare que “court_orders” e “exec_police_etc” são os itens considerados pelo Google ao fazer os gráficos que apresentam em no link da imagem inicial deste post. Infelizmente, eles só têm dados semestrais, o que limita bastante o escopo da análise.

De qualquer forma, vale a pena trabalhar mais nestes dados, não?

Anúncios

Corrupção no Brasil: instituições e liberdade de imprensa

Texto interessante, descoberto por meio do Mansueto. Destaco, inicialmente um trecho cujo tema que tenho sempre enfatizado aqui: a liberdade de imprensa.

Brazil seems to be unique in terms of how citizens view the role of the media in the fight against corruption. In the 2010–11 Global Corruption Barometer, Brazil was the country where the media was selected as the institution most trusted in the fight against corruption with 37 percent of those surveyed choosing the media from the selection of institutions in the survey, the highest percentage of all
countries (n= 99). The corresponding figures for Chile, Argentina, and Mexico were 11 percent, 24 percent, and 16 percent.

The independent nature of Brazil’s web of accountability institutions has the potential to elevate the cost of political wrongdoings even from a politically and constitutionally powerful executive. The mensalão was the most publicised event pertaining to corruption in Brazil. In 2005 and 2006 there were over 28,000 exposés in national newspapers about the mensalão (see Figure 12). The Clean Slate Law (discussed below) ran a close second. Under the current PT government,many proposals for regulating the media have been proposed in reaction to its role in uncovering official wrongdoing.

Entendeu? Como a imprensa investiga, os políticos que estão há mais de uma década no poder ficam incomodados. Ah, vamos ver outro trecho.

Alston, Melo, Mueller, and Pereira (2010) propose a checks-and-balance index built with information on the quality of state institutions: the audit courts, the state public ministries, the share of independent media in states, the quality of regulatory bodies, the local judicial systems, along with the NGO density in the different states. Table 2 contains the states’ scores for two periods in time. Figure 13 plots the checks-and-balance scores against the level of political pluralism in the state, reflecting the degree of competition within their elections.

Alston et al. found that wealth accumulation by state political elites is much greater in states with weak checks and balances. On average, a decrease of one point in
their checks-and-balances index implies that the probability of self-enrichment rises by 8 percent. Media independence shows great variation across the states. States’political elites control about 8 percent of all local concessions for radio and TV in Rio Grande do Sul, but 100 percent in the state of Roraima. The study shows that the more independent the media, the less the degree of wealth accumulation in the states.

Pois é. Vejam como são as coisas. Ao invés de elogiar uma revista e criticar a outra, você deveria defender a existência de uma imprensa livre. Muito mais importante, né?

A honestidade é um bem normal?

Nada como umas horas fazendo levantamentos bibliográficos para animar o dia. A gente encontra uns autores venezuelanos em um journal que alguns heterodoxos curtem (o que os diferencia dos pterodoxos, claro) e a festa começa…

Journal of Institutional Economics (2012), 8: 4, 511–535
Can capitalism restrain public perceived corruption? Some evidence
Hugo J. Faria, Daniel R. Morales, Natasha Pineda & Hugo Montesinos

Abstract: A growing body of evidence documents a vast array of economic an social ill-effects of public perceived corruption. These findings and the scant evidence of recent success in the fight against corruption beg the question: how abate it? We document the existence of a negative, statistically significant and quantitatively large impact of economic freedom (our proxy for institutions of capitalism, markets and competition) on public corruption. This negative response of corruption to economic freedom holds after allowing for non-linearities interacting economic freedom and political rights, endowments, legal families ethnicity and for robust determinants of corruption uncovered by Daniel Treisman [‘What Have We Learned About the Causes of Corruption From Ten Years of Cross-National Empirical Research?’,Annual Review of Political Science,10:211–244], such as income, democracy, freedom of the press and fuel exports. Thus, this paper helps to explain why high-income prosperous countries exhibit low levels of public perceived corruption, and why honesty is a normal good.

Notavelmente, veja este trecho:

Similarly, results displayed in Table 3 indicate that freedom of the press is a fragile predictor of corruption after allowing for the EFW index. Freedom of the press enters significantly in one out of three regressions presented in Table 3. This evidence is consistent with the notion that the press has to be free from governmental meddling but also from private rent-seeking groups to become an effective corruption fighter. If there are media financed by rent-seeking groups, it is critical that there is existence of a counterweight by means of social communication outlets financed by wealth-creating groups (see Becker, 1983, 1985). In much of Latin America and in particular in Venezuela, the government-owned media are socialist oriented and the privately owned media have a mercantilist bias (rent-seeking), not pro-capitalist.

Imprensa com viés rent-seeking? Onde já vimos isto? Pois é. Outra variável que não se mostrou importante no estudo deles foi a proxy de democracia (o que é fácil de se entender caso você tenha lido Buchanan, Tullock ou Olson ao menos uma vez na vida). Outro bom trecho:

For example, Alesina and Angeletos (2005) explain the permanence of low equilibriums in Latin America democracies due to the existence of a paradoxical coalition between the poor, who benefit from redistribution financed by high taxes, and the privileged rich who benefit from corruption and rent-seeking in an enlarged government.

Ou seja, sim, nossos sociólogos deveriam estudar melhor esta relação e, sem rodeios, é importante saber se programas como o Bolsa-Família podem ter um efeito socialmente negativo que é o de manter equilíbrios ruins como este. Como já falei aqui, e não preciso repetir, o Bolsa-Família é um programa interessante de inclusão das pessoas no mercado (embora muito sociólogo com preocupações ideológicas não curta isto…) o que não quer dizer que ele não possa ser usado para o fim exclusivo de perpetuação de um equilíbrio democrático ruim para a sociedade (embora possa ter uma externalidade positiva que pode acabar sendo vendida como sua principal finalidade: a de combater a pobreza).

Claro, este é apenas um artigo, mas ele levanta bons pontos para a eterna polêmica do uso político de programas de transferência de renda. Eterna, sim. Mas seu debate é mais do que necessário. Afinal, como já disse alguém, o sucesso de um programa destes se mede pelo número de pessoas que o deixa (para subir na pirâmide, obviamente). Ou você quer eternizar a pobreza só para se manter no poder?

Ah sim, uma conclusão dos autores, retoricamente falando, é a de que a honestidade é um bem normal. Bem, ela deve ser mesmo, o que não quer dizer que a quantidade ótima para a sociedade é a que observamos…

O mundo está mais igualitário…na repressão aos que discordam

“Controle ‘social’ da mídia = Menos liberdade imprensa”

Ok, nem vou discutir este tema (já falamos muito dele no blog). Os novos dados estão aqui. Quanto ao Brasil, esta potência econômica…

imprensabovina

 

Posso estar enganado, mas o grande ganho de 1993 a 2002 (de 27 a 38 pontos) perdeu-se sob os governos que diziam ser mais “pluralistas” e “contra a censura” (de 36 a 45 pontos). Acho que há muito o que liberar ainda (veja os outros países) e seria desejável, em termos morais e éticos mesmo, ver a imprensa mais livre no Brasil.

Em temos de eficiência econômica, claro, já discuti o tema (faça o dever de casa e pesquise pelo blog) e não vou discutir isto agora. Mas a base de dados merece um estudo cuidadoso, com inter-relações com outras variáveis, não merece?

Liberdade de imprensa não se coloca atrás da porta dos fundos

É realmente um tema importante, não é? A tal liberdade de imprensa. Já passei raiva demais explicando o óbvio para alguns. Já tive bons momentos debatendo o não-óbvio com outros. Entretanto, não dá mesmo para aturar a falta de argumentos de algumas pessoas. Acho que o Felipe Moura sente o mesmo.

Ah, mas o Felipe cita um filósofo que não curto

Veja bem, leitor, não sou olavete, mas nem por isso acho que leitores de Olavo não possam citá-lo e, obviamente, se o Felipe está na Veja e cita o Olavo isto não o torna um cidadão de segunda categoria. Caso ele degolasse alguém, poderiámos discutir. Mas ter opiniões diferentes faz parte do jogo democrático. O ponto importante é a coerência da argumentação e, sim, há uns valores morais importantes como a tolerância com as opiniões distintas (e é por isto que admiro a democracia norte-americana que permite praticamente todas as manifestações ideológicas, desde que não haja agressão física).

Caso você julgue pessoas por parte do que ele fala ou porque ele está à direita ou à esquerda de alguém, então você não deveria estar lendo este texto, ok? Pré-conceitos devem ser substituídos pelos conceitos, em um processo natural de evolução, imagino eu. Não sou perfeito, mas não pretendo piorar.

O último que sair apague a luz dos fundos

Liberdade de expressão, meu caro humorista, é importante demais para ser tratada como se fosse uma porta dos fundos de algum barraco. Estou aqui educando, corrigindo provas, falando de esforço individual, participando de grupos de estudos, debatendo, ensinando, aprendendo para que o Brasil não tenha pessoas que achem que a melhor argumentação possível é uma frase no twitter. Eu ganho inimigos que não assumem que suas notas ruins são fruto de suas escolhas e você pode ignorar os comentários de que não gosta, não é? Isso quando não faz um “Portaria” como os primeiros, nos quais a gente quase sentia a vontade que você tinha de mandar algumas pessoas para aquele famoso lugar. É, é bom ser famoso e poder mandar as pessoas para aquele lugar, eu imagino.

Ensinando o óbvio para os que não toleram aprender: pão e circo

Vamos usar a divisão do trabalho, tão bem descrita por Adam Smith? Eu, que já estudei instituições, falo da liberdade de expressão e do desenvolvimento econômico. Você, que sabe fazer boas piadas, dá circo para as pessoas, ok? Mas não fique aí pedindo que pessoas não possam trabalhar para colocar pão na mesa porque você, que defende a liberdade de fazer piadas com cristãos (eu não tenho problemas com isto, ok?), acha que a intolerância só vale para alguns. Lembre-se: pão e circo. Cuide das palhaçadas que nós cuidamos do nosso pão.

Qualidade institucional, contabilidade (criativa?) e o jornalismo sério

Vou direto ao trecho do texto:

Recent research in accounting has examined the link between political connections and accounting quality. Researchers in this area have posited that political connections may increase accounting quality because connected firms are subject to greater media scrutiny, which could provide for stronger monitoring of earnings manipulation. Connected firms may also have readier access to subsidized financing or government contracts, which may blunt incentives to manage earnings for capital market and contracting purposes. On the other hand, politically connected firms may be shielded from the consequences of poor accounting quality or the revelation of earnings management. Moreover, connected firms may manage their earnings to avoid detection of payments to political insiders to maintain their connected status.

Preliminary evidence from this body of research suggests that politically connected firms tend to have lower financial reporting quality. However, there is reason to expect that a country’s political, legal, and media institutions—which affect firms’ financial reporting environment more generally (Leuz et al. 2003)—may moderate the relationship between political connections and accounting quality. For example, lack of transparency may limit media outlets’ role in scrutinizing political cronyism. Strong investor protection laws, accompanied by prosecutorial and judicial independence, may impact a connected firm’s ability to escape the consequences of accounting manipulation.

Antes que você fique “nervosinho”, o artigo trata da Venezuela. Quer ler mais? Dá uma olhada lá.

 

Ainda a liberdade de imprensa (sempre ajudando os jornalistas aqui…)

Algumas pessoas me perguntaram sobre o porquê de um economista dar tanta importância as uns jornalistas assassinados (meta-amarildos?) ou à liberdade de imprensa.

Bem, talvez porque eu esteja no meio daqueles que aprenderam algo sobre o papel das liberdades no desenvolvimento econômico e, claro, também porque eu estudei um pouco o tema. Como assim? Ué, assisti a algumas aulas, como todo bom estudante. Não cheguei a fazer este curso inteiro, mas recomendo-o. Veja sobre o que trata o curso:

In the Information Age, media is everywhere. This course will help you make sense of it all, providing insight into the structure of media firms, the nature of their products and how they make money.

Is media biased? Is consolidation of media companies bad for consumers? This course will address those questions as well as how the government affects the structure of media through policies such as net neutrality, copyright, TV regulation, and spectrum allocation.

This course will provide a general background on the research from economists on media and journalism. There will be a lot of economics and not too much math.

Só temas que aparecem em debates pela rede. Difícil imaginar alguém que não queira assistir algumas aulas sobre o tema antes de voltar a discutir temas polêmicos, não? Eis aí, por exemplo, um tema que muita gente pensa entender.

Divirtam-se!

Ainda a liberdade de imprensa

Ainda voltando ao tema da liberdade de imprensa e assassinato de jornalistas, mais cedo, falei da questão institucional. Um gráfico que eu havia elaborado sobre o tema está aqui.

Espero que o leitor saiba aproveitá-lo em seus debates sobre a liberdade de imprensa e o assassinato de jornalistas.

Links sobre o tema neste blog: este, este, este e este.

Quer menos jornalistas assassinados? Então aumente a liberdade de imprensa, econômica, política, etc

Tristes trópicos brasileiros…

Um jornalista publica hoje que:

Um levantamento publicado hoje pela entidade PEC (Press Emblem Campaing), com sede na Suíça, aponta que apenas o Iraque registrou um maior número de mortes de jornalistas que o Brasil em 2014.

Os dados revelam que cinco jornalistas foram assassinados no Iraque nos três primeiros meses do ano. Já no Brasil, o número chegou a quatro, o mesmo que foi registrado no Paquistão.

O número de mortes no Brasil seria ainda superior ao que foi registrado na Síria, país em plena guerra civil e com dois mortos, ou no Afeganistão com 3 mortes.

Não é uma notícia assustadora? Pois é. As pessoas estão aproveitando a oportunidade narcísica de se fotografarem semi-nuas para falar de estupro com base em uma pesquisa cheia de problemas metodológicos – já divulgados amplamente pela imprensa – mas não parecem ter o mesmo ânimo quando o assunto é assassinato de jornalistas (ou assassinato de pessoas na Venezuela).

Sabemos muito bem por onde passam as soluções possíveis mas…

Em outras oportunidades, neste mesmo blog, pude mostrar que a liberdade de imprensa é parte do pacote maior das liberdades (ver aqui e aqui). No mínimo, uma correlação positiva entre as duas parece resistir ao passar dos anos. Claro, eu poderia citar alguns artigos e, para você não ficar na vontade, eis um deles.

Who Owns the Media?
Simeon Djankov, Caralee McLiesh, Tatiana Nenova, Andrei Shleifer
NBER Working Paper No. 8288
Issued in May 2001
NBER Program(s): PE
We examine the patterns of media ownership in 97 countries around the world. We find that almost universally the largest media firms are owned by the government or by private families. Government ownership is more pervasive in broadcasting than in the printed media. Government ownership of the media is generally associated with less press freedom, fewer political and economic rights, and, most conspicuously, inferior social outcomes in the areas of education and health. It does not appear that adverse consequences of government ownership of the media are restricted solely to the instances of government monopoly.

Algumas pessoas, que não gostam de evidências empíricas, preferem defender a maior monopolização dos meios de comunicação nas mãos do governo com um argumento tão infantil quanto ingênuo e maquiavélico de que “nas mãos do governo a coisa fica séria, há pluralismo, não há grupos de interesse no comando”. Curiosamente, são os primeiros a se revoltarem com as denúncias de corrupção no governo. Apelam, sempre, para um mundo mítico no qual existe um bom selvagem rousseaniano, tudo depende da boa vontade política, das boas intenções, dos anjos, e o Papai Noel é vizinho dos duendes.

…preferimos defender a intolerância ao discurso que não nos agrada.

Nesta semana vimos alunos de uma faculdade pública de Direito – não é em uma faculdade “pública” que deveríamos proteger o pluralismo das idéias sem a ação do “frio e insensível setor privado aliado ao mercado neoliberal”? – praticamente agredirem um professor que tinha uma opinião diferente da deles. Sim, o sujeito defendia a Revolução de 1964 (ou o golpe, como queiram) e nem todos concordam com a defesa ou com os argumentos utilizados. Mas o fato é que quem ataca o professor hoje, amanhã, está muito mais propenso a assassinar jornalistas (ou a censurar “biografias não-autorizadas”…).

Vamos nos lembrar de algumas evidências empíricas preliminares?

Sim, os gráficos são oriundos dos posts anteriores e, sim, eu acho que eles são uma pista muito importante sobre o que acontece quando tomamos posição contra a liberdade de imprensa ou contra a liberdade econômica e isto não depende de o sujeito ser “de direita”, “de esquerda”, “comunista”, “admirador de Che”, “fã de Costa e Silva”, “defensor de Fidel Castro”, “tucano”, “petralha”, etc. As evidências apresentadas neste gráfico são para países. São padrões, por assim dizer, médios. Transcendem a questão das preferências dos indivíduos por este ou aquele político ou por este ou aquele projeto de governo. Faça a si mesmo a pergunta: e se Amarildo fosse venezuelano?

As evidências, como já discutido antes, são de que a liberdade de imprensa vai junto com as outras liberdades. Ao contrário do que muita gente pensa, mais liberdade econômica não é sinônimo de mais assassinatos de jornalistas ou de censuras (que governo, na América Latina, mais “pede” para o Google retirar conteúdo, ameaçando diretores com ordens judiciais e outros instrumentos legais?).

brazil_marcocivilnada

 

Curioso né? Nosso governo fala do Obama, mas faz o mesmo. Mais ainda, não consegue proteger jornalistas de assassinos, mas é bem eficiente em tentar retirar conteúdo da internet. Há algo errado aí, não há?

Ah sim, veja aí como foi em 2012.

brazil_marcocensurador

Nem Obama, nem NSA: viva o governo brasileiro! Falou algo que alguém não curtiu? Que você seja calado! Não calou? Bom, o jornalista aí citado no início mostrou uma outra forma de solucionar o problema…

Infelizmente…

Não adianta discutir com quem tem duplo padrão para avaliar o papel das instituições. Tive um colega que participava do grupo de jovens da igreja do bairro. Após entrar na faculdade, o sujeito entrou para um partido de esquerda e me disse, uma vez, que tudo que ele lia, tentava ler na ótica do partido, separando “o joio do trigo” segundo o critério do partido (ele se transformou em militante, destes que só fazem ativismo e não se formam nunca…não sei nem se se formou).

É natural que existam pessoas com menor capacidade analítica e que se achem cidadãos mesmo que não sejam bons em raciocínio lógico mas, convenhamos, cidadãos sem raciocínio lógico são pessoas que não conseguem raciocinar e são facilmente manipuláveis pelos que não têm a mesma dificuldade. Agora, honestamente, manipular cidadãos é cidadania? Não sei. Mas sei que, sim, faz parte da lógica política e é por isto que tanta gente honesta se afastou da política…

Liberdade de Imprensa sem Liberdade Econômica? Sheherazade deve ter o direito de se expressar?

Continuo o tema do post anterior. Primeiro, a resposta é: sim, Sheherazade tem o direito de se expressar. Não concorda com ela? Mude de canal. Simples assim.

Chamo a atenção para esta polêmica apenas para introduzir a segunda parte dos meus breves dois centavos sobre a liberdade de imprensa.

Na figura abaixo, você encontra as correlações anuais entre liberdade de imprensa (d$media_freedom, no eixo vertical) e liberdade econômica (d$economic_freedom). Não tive tempo para ficar arrumando muito os dados. Só a tabulação me deu um bocado de trabalho. Ah sim, o pessoal do Reporters Without Borders não fez índice para 2010 e 2011, criando uma única medida para os dois anos. Optei por repetir o valor em 2010 e em 2011. Alguns poucos países saíram da amostra (realmente uns três ou quatro, no máximo) e temos aí os mesmos países do post anterior.

liberdade

Como você pode rapidamente perceber, se há uma correlação entre calar jornalistas e liberdade de se comprar e vender quaisquer bens, bem, a correlação é a de que mais liberdade econômica se associa a mais liberdade de expressão para jornalistas.

Sim, trata-se do resultado anterior, repetido por anos e anos. Eu já expliquei diversas vezes neste blog as limitações do alcance de análises de correlação e, novamente, no post passado, apresentei algumas evidências (trabalhos de terceiros) de que os jornalistas deveriam, sim, pedir mais liberdade econômica.

Lembra daquela medida do tamanho do governo? Bem, aí está. A correlação que nos mostra que países com governos muito grandes também são países piores para os jornalistas é bem robusta.

tamanhodoestado

Ok, você querer falar da liberdade de fazer negócios. Abrir e fechar empresas. Coisas assim. Bem, aí vai.

business

A história não parece mudar muito. Ah sim, os países nem sempre tiveram dados coletados durante todo o período. A tendência, claro, é que com o passar dos anos, mais países entrem na coleta de dados. Os gráficos também nos mostram isto.

Ah sim, e quanto à liberdade dos trabalhadores de um país? Segundo a Heritage Foundation, entende-se como liberdade dos trabalhadores:

The labor freedom component is a quantitative measure that considers various aspects of the legal and regulatory framework of a country’s labor market, including regulations concerning minimum wages, laws inhibiting layoffs, severance requirements, and measurable regulatory restraints on hiring and hours worked.

Six quantitative factors are equally weighted, with each counted as one-sixth of the labor freedom component:

Based on data collected in connection with the World Bank’s Doing Business study, these factors specifically examine labor regulations that affect “the hiring and redundancy of  workers and the rigidity of working hours.”

In constructing the labor freedom score, each of the six factors is converted to a scale of 0 to 100 based on the following equation:

Factor Scorei= 50 × factoraverage/factori

where country i data are calculated relative to the world average and then multiplied by 50. The six factor scores are then averaged for each country, yielding a labor freedom score.

The simple average of the converted values for the six factors is computed for the country’s overall labor freedom score. For example, even if a country had the worst rigidity of hours in the world with a zero score for that factor, it could still get a score as high as 83.3 based on the other five factors.

For the six countries that are not covered by the World Bank’s Doing Business study, the labor freedom component is scored by looking into labor market flexibility based on qualitative information from other reliable and internationally recognized sources.

Está claro que a liberdade do trabalhador significa que ele encontra menos burocracia no mercado de trabalho. Eu imagino que o personagem que citei no post anterior, de forma bem hipócrita, seja um fã da liberdade do trabalhador, ao mesmo tempo em que prega um maior controle social da imprensa (provavelmente ele deseja ser amigo do político e viver como um monopolista ineficiente, destes que infestam o Brasil).

Bem, vejamos as correlações.

labor Então, países com mercados de trabalho mais desregulamentados, também são aqueles nos quais o jornalista sofre menos agressões físicas ou censuras. Interessante, não?

Ok, sei que o leitor pode discordar de mim sobre muitos pontos, mas os dados não mentem. Evidentemente, é preciso mais do que correlações para se estabelecer uma causalidade. Existem teorias para nos justificar estas correlações, eu sei. Entretanto, uma coisa é teorizar e outra é usar a teoria para estudar a realidade. Acho que o leitor curioso já tem material suficiente para pensar na demanda de liberdade de imprensa.

Existiria um tamanho ótimo de liberdade? Existirá uma censura ótima? Ou a liberdade de imprensa é um valor maior que não se presta a censuras? Caso sua resposta seja positiva para a última pergunta, por que será que alguns não usem o mesmo critério para falar da liberdade econômica? Vivemos em uma sociedade de rent-seekers, eu sei, e eles lutam para criar double standards de julgamentos que os favoreçam (e aos seus financiadores).

É, Sheherazade ou não, o jornalista e você ou eu temos o direito de nos expressar sem ameaças. Sociedades que enriquecem também são sociedades em que todos se manifestam. Nos EUA, por exemplo, até nazistas e comunistas, criadores do maior holocausto do século XX, como sabemos, têm o direito de criarem partidos políticos. No Brasil, apenas os herdeiros de uma das correntes têm estes direitos. Somos, de fato, um país que se acha tolerante, embora achemos bonito proibir biografias não-autorizadas, reprimir integralistas ao mesmo tempo em que aceitamos comunistas (que elogiam, inclusive, carniceiros, como o presidente da Coréia do Norte), e, claro, gostamos de falar de “crime de opinião”.

Entretanto, as correlações indicam que nossa fantasia é tão sólida que deve se desmanchar ao menor contato com o ar. Pois bem. Acho que já fiz minha parte. Cabe a você coletar os dados e trabalhar como eu trabalhei para encontrar evidências contra ou a favor do meu argumento. Tema polêmico, mas que não pode ser discutido sem uma análise mínima que seja dos dados.

Como disse (ou como dizem que ele disse) Deming: In God we trust. All others must bring data.

Até mais.

Liberdade de imprensa sem liberdade econômica?

Um dia, um sujeito – bastante desinformado – que se dizia assessor de imprensa de uma empresa veio à Faculdade falar do papel da mídia. Ele começou com uma frase bastante autoritária. Para ele, liberdade de imprensa é apenas a liberdade dos donos de jornais publicarem o que querem. Aí ele dizia que “controle social” (sem entrar em detalhes) seria bom.

A frase tem um erro muito básico que é ignorar o contexto. Sim, em uma ditadura, com apenas um jornal, apenas o dono de jornal diz o que quer mas, não, em uma democracia, com muitos jornais, há competição e você pode falar o que quer, mas também pode ouvir o que não quer.

Claro, como muitos, o sujeito tem aquele preconceito contra o dinheiro. Ele gosta de encher os bolsos vendendo gato por lebre (e gato por gato também, imagino), mas acha horrível alguém ter o poder de publicar o que pensa. Vai ver nem é a favor de blogs ou de biografia não-autorizadas.

Em certo momento da palestra, tive vontade de me levantar e sair da sala. Meu tempo vale mais e se há uma polêmica boa, ok. Mas ali, naquela palestra, não havia nada de interessante.

Bem, muitos estudantes, mais novos, ainda nos bancos escolares ou da faculdade, podem ter dúvidas similares. É para estes que se destina este que, se tudo der certo, será o primeiro de dois posts sobre o tema.

Então, ok liberdade econômica – “livre mercado” – é inimigo da liberdade de expressão? É isso mesmo? Então, na Coréia do Norte, jornalistas devem estar se esbaldando xingando a mãe do presidente, não? Não?? Então, como é que fica o seu argumento?

Um pouquinho de realidade: dados!

Pode até acontecer que a liberdade de imprensa exista, no curto prazo, com a falta de liberdade econômica. Mas, como sabemos, uma correlação não faz verão. É preciso ver se uma variável causa a outra. Sendo assim, que tal este estudo de 2011? Cito trecho da conclusão:

Our study addresses the role of media in economic development. We set up a simultaneous equation system that jointly determines share of domestic investment in GDP (a proxy for economic development or growth) and socio-political stability (an index constructed by applying the principal components analysis to various indicators of socio-political stability). We show that free media has a positive correlation with socio-political stability and greater socio-political stability enhances domestic investment. Thus we claim that free media may promote economic development by improving socio-political stability. Several sensitivity tests reinforce our hypothesis.

Os autores acham que suas conclusões são uma evidência favorável à causalidade seguinte: mais liberdade de imprensa gera mais liberdade econômica de forma indireta, na minha opinião. Por que? Porque há vários estudos mostrando uma forte correlação entre a liberdade econômica e o desenvolvimento econômico.

Que tal observarmos a liberdade econômica e a liberdade de imprensa em um único gráfico? Eu pensei que teria mais tempo para um gráfico mais elaborado (utilizando uma amostra maior no tempo). Talvez mais tarde, hoje, eu divulgue algo assim.

Mas, por enquanto, vejamos os dois índices em 2014, para quase duzentos países.

Antes, uma observação sobre a escala de cada índice. O de liberdade de imprensa deve ser lido em escala invertida. Isto é, países com maior liberdade de imprensa têm valores menores no índice. Já o índice de liberdade econômica da Cato Foundation/Heritage Foudnation é lido de forma direta: países mais economicamente livres têm valores maiores no índice.

O índice de liberdade econômica tem vários sub-componentes. Um deles é o gasto do governo em percentual do PIB. Sei que não é a única medida da mão pesada do governo, mas é um indicador muito utilizado e relativamente bem aceito por aí em início de debates. Então veja o primeiro gráfico, relacionando a liberdade da imprensa com o que podemos chamar de “tamanho do governo”. Há evidências de que esta correlação pode não ser espúria, é bom ressaltar.

gov

A correlação entre estes dois indicadores é positiva: ceteris paribus, países com maiores governos (em nossa medida) também são países em que a imprensa sofre mais.

gov

 

Quanto ao índice de liberdade econômica, temos o gráfico abaixo que parece indicar uma evidência preliminar de que liberdade de imprensa e liberdade econômica podem, sim, estar relacionadas.

freedom2Algumas observações iniciais importantes:

a) Ok, eu só olhei 2014. Eu sei que você pode me falar que o que importa é a evolução dos índices ou mesmo as suas taxas de variação. Bem, isto exige que eu trabalhe na base de dados (não tenho ajudantes quando preciso, na hora em que preciso, né?) por muito mais tempo. Prometo tentar fazer algo assim mais tarde.

b) Outras variáveis não são importantes? Claro que são. Mas, meu objetivo aqui foi só levantar a bola. Então, você acha que na verdade estas correlações são espúrias? Pode ser. Mas eu acho que elas têm o potencial de nos contarem uma história que faça sentido, pensando na Liberdade como um conceito mais amplo que inclui a de expressão não apenas falada mas o que eu chamaria de expressão humana, o que inclui meu direito de comprar e vender o que é meu de direito.

c) Outros componentes do índice de liberdade econômica? Claro. Eu poderia fazer mais uns gráficos, mas todos padecerão dos mesmos problemas apontados antes.

Tem mais?

Eu diria para você que a liberdade de imprensa é muito importante para a democracia. E é mesmo, como você pode ver aqui. A imprensa livre e competitiva ajuda na manutenção da democracia, dizem alguns. Como ela ajuda? Por exemplo, denúncias – falsas ou não – são sempre alvo de investigação e, sim, o episódio do mensalão (o que envolve a esquerda toda: começando em Minas Gerais e terminando na Papuda, por assim dizer) é um bom exemplo disto. Tá, o mensalão é um exemplo, mas não é o único.

Jornalista é anjo?

Não. Longe disto. Há os honrados e honestos, mas há os que gostam de ver como tal, embora estejam bem longe disto. Jornalistas são seres racionais, maximizadores, e nem sempre se preocupam com a ética (veja a quantidade de livros com supostas denúncias que surgem no Brasil, sempre que algum oposicionista aponta um problema no governo, por exemplo). Moll (2008) tem um paper interessante sobre o tema (e você o encontra, junto com outros artigos interessantes, aqui (acesso pago)).

O jornalista é um homo economicus como qualquer outro, na minha opinião. Como qualquer outro homo economicus, ele tem o direito de, na minha opinião de um liberal, ressalto novamente, vender e comprar e, claro, falar o que quiser. Há normas em uma sociedade, claro, mas esta é uma outra discussão. Sociedades que não se fundam em liberdades básicas não são lugares onde, imagino, você queira viver.

Bem, eu queria falar mais sobre isto e trabalhar com uma base de dados maior, mas o tempo urge. Comentários e sugestões, por favor, na caixa de comentários.

O avanço totalitário

Os bolivarianos – nome dado aos socialistas, por eles mesmos, para se desvincularem de sua história manchada de sangue alheio – buscam derrubar o último (suposto) obstáculo que lhes atrapalha: o controle da imprensa. Obviamente, a RSF, que adora reclamar de perseguição a jornalistas, ainda não foi capaz de se tornar mais eloquente diante destas notícias (sic).

Obviamente (de novo), a resposta para estes ultrajes governamentais não deve se basear em alguma imagem mitológica do jornalista enquanto “herói que busca a verdade”. São todos uns auto-interessados, como os economistas, leitores deste blog e outros seres ditos humanos. O ponto é que a busca do auto-interesse é bom para a imprensa: significa mais vontade de fiscalizar o governo ou a oposição. Ao tentar controlar a imprensa, regular seu conteúdo, etc, age-se como no clássico 1984 de George Orwell (que o pessoal da esquerda odeia ler), na tentativa de controlar, em algum momento do futuro, o que você, leitor, pensa.

Lamentável mesmo é que a RSF nem se manifeste.

p.s. outro momento imbecil da esquerda latino-americana (e do bolivarianismo iraniano): o multiculturalismo de um único lado. Dá para prever o aumento do consumo de alfafa na América Latina…

Na Argentina, dinheiro do governo cala jornais. E aqui?

Excelente ver que já há gente preocupada com a questão na Argentina. No Brasil, será que as evidências são similares? Eis um bom tema de monografia.

Veja só: não é a liberdade de imprensa em si que gera democracia. É a liberdade de imprensa com independência editorial (você pode ser chapa-branca, mas receber dinheiro do governo é uma distorção e tanto) que gera desenvolvimento econômico, ceteris paribus. Eis minha tese.

Males do jornalismo brasileiro

Eis o mal maior: medo de perder lentilhas oriundas das esmolas dos “informes publicitários” governamentais. Por isto há coisas como a que o Diogo cita na matéria cujo link está aí. Agora, veja, como mudar isto? Deveria haver algum tipo de incentivo que proibísse os jornais de terem sua receita vinculada a mais do que 1% de informes oficiais, diariamente. Ou algum outro incentivo neste sentido.

Aí a imprensa brasileira seria mais, digamos, independente. Por falar nisto, você viu a entrevista do Renato Lima aqui?

O portal Yahoo News forçou a barra tal como o portal UOL

A imprensa é cheia de ruídos. Quem é contra a liberdade de imprensa deve adorar coisas como esta. Para mim, novamente, imprensa ruim se cura com imprensa boa, não com regulações governamentais.

Liberdade de se eleger presidente e governar supõe alguma responsabilidade

Resposta simples ao sr. da Silva. Vejamos como anda a agenda de responsabilizações: (a) mensalão, (b) cartões corporativos, (c) uso indevido (leia-se: ilegal) de grampos e escutas telefônica, (d) outros.

Assim fica difícil, não? Até o dr. Hélio se cansou.

Eu adoro este papo de jornalista alinhado com o governo de que “a imprensa é irresponsável”. No entender desta gente – e pela lógica elementar de seu argumento – somente haverá imprensa responsável quando…o dito cujo for o dono dos meios de comunicação, dos métodos de comunicação, da linguagem de comunicação, etc.

É por isto que não dá para discutir com esta gente. Só dá mesmo para propor um processo no CADE por práticas monopolistas. ^_^

p.s. vá examinar os dados de liberdade de imprensa no mundo para verificar o que acontece. Eis uma boa agenda de pesquisa para um trabalho acadêmico: qual o papel da imprensa no desenvolvimento econômico? Quem define o que é “responsabilidade” para a imprensa? Aquele que deve ser vigiado por ela? Os que vigiam? A “sociedade civil organizada” (por nós, o grupelho)? Parece pura ironia, mas não é. De fato é um tema que exige reflexão.

O papel da imprensa, sua liberdade e sua obrigação

Observe, leitor, o absurdo acima. Não houve um único liberal perseguindo o jornalismo (“jornalismo”?) que afirma ter sido a dona Ingrid “hospedada” pela força narco-terrorista chamada FARC. Contudo, o uso da força política contra o jornalismo parte sempre de quem é contra a liberdade de imprensa. Quem mais poderia ser? Eis aqui um exemplo: prefeito do partido do sr. da Silva põe as garras de fora.

Uma boa ação seria informar a RSF sobre isto.

Políticos são sujeitos que concentram poder em suas mãos. Uma imprensa livre, justamente por representar vários interesses (desde nazistas e socialistas até conservadores), mitiga um pouco deste poder. É importante que ela exista, mesmo que não concordemos com ela. A “Hora do Povo” tem todo o direito de publicar matérias com títulos inacreditáveis. Mas os que discordam dela também têm o direito de criticá-la no mesmo nível ou em um nível mais civilizado. Não me interessa se o tal “Diarinho” fala ou não besteira. A “Hora do Povo” falou e não foi impedida de circular. Pode-se sempre invocar algum artigo, num parágrafo, de alguma lei complementar que ninguém conhece para se perseguir este ou aquele jornal. Mas isto é um subterfúgio que até indica o tamanho do problema.

Agora, perseguir jornal, para mim, não pode.

Por outro lado, a imprensa livre só funciona se ela, de fato, informa o leitor. O caso do cartel dos postos de gasolina em Belo Horizonte é notório: nem o poder público (prefeito e governo, aliás, aliados), nem a imprensa mineira, muito bananona, divulgaram quais os postos venderiam gasolina adulterada. Imagino que somente o repórter envolvido na matéria e seu chefe de redação saibam onde não estragar o motor de seu carro. Como já disse antes, aqui, não é questão de criminalizar os suspeitos de cartelização. Agora, as pessoas têm todo o direito a ter esta informação. Elas têm o direito de poder escolher entre abastecer em um posto destes ou em um outro.

Mais ainda, não quero saber das bobagens que os supostos “defensores dos direitos dos consumidores” dizem. A escolha do consumidor pode até ser entre postos que adulteram e os que não o fazem. Por que? Porque pode ser que o consumidor esteja no meio da noite, em uma região desconhecida, e precise voltar para casa. Há casos em que ele fará o cálculo: “já fui enganado por muito tempo, agora que volto para casa e estou próximo de uma favela perigosa, ou abasteço com gasolina adulterada, ou me arrisco a morrer aqui”. Melhor ter este direito do que não ter outra opção a não ser se sujeitar a um assalto.