Lei seca

Lembra do nosso e-book sobre lei seca? Pois eis outro e-book, mais antigo, sobre o que podemos chamar de “teoria da proibição”, de autoria de Mark Thornton.

O curioso é que não temos nada similar ao livro de Thornton no Brasil, um país muito mais intervencionista. Por que isto ocorre é uma pergunta boa para o pessoal da Sociologia da Ciência. Será que o brasileiro já se acostumou com a passada de mão na bun** que os políticos lhes impingem a cada segundo? Ou será que o ganho em agradar burocratas não investigando temas que os incomodam é maior do que o ganho pessoal de expor suas trapalhadas? Ou há outro motivo?

Fica aí a sugestão para reflexão.

Melhor que a lei seca: divulgue os dados do bêbado

Interessante achado do Marcelo Soares. Alguns pontos bacanas, na minha opinião: i) o federalismo, de verdade, funciona; ii) só porque é difícil de medir o custo-benefício desta opção não é desculpa para se defender a lei seca atual (o vício do econometrista pterodoxo que, se bobear, defende até eficiência de campo de concentração).

Palpites?

A falta que faz uma boa econometria

Então os iluminados comentaristas estão confusos com os últimos dados: a lei seca aumenta ou diminui mortes? No Rio de Janeiro, pelo visto, aumenta. Como sempre, o que falta é uma análise teórica séria sobre os incentivos (não vi nenhuma) e uma análise igualmente séria sobre os impactos de similares leis no restante do mundo. O teor das entrevistas e declarações de especialistas e comentaristas não revela evidências de que as coisas sejam tecnicamente bem-feitas por aqui mas, claro, pode ser que algum bom técnico não tenha falado nada ainda.

Até lá, eu só digo: que falta faz um bom conhecimento de econometria…

Incentivos em ação

A notícia é esta.

Empresas que manobram veículos na frente de bares de regiões boêmias de São Paulo têm usado a comunicação via rádio e celular para alertar clientes sobre as blitze da lei seca. Das 30 empresas de valets que prestam serviços na Vila Madalena, na zona oeste, pelo menos nove se comunicam para trocar informações e avisar os freqüentadores das noitadas.

É isso aí! Incentivos funcionam. Aliás, você já deve ter visto isto.

Ahá

Depois da punição para quem mistura álcool e direção, o Ministério das Cidades estuda agora uma “lei seca” para usuários de remédios no País. A proposta do ministro Márcio Fortes já foi encaminhada ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), às Câmaras Técnicas e ao Comitê de Saúde e Segurança no Trânsito. A idéia é incluir um dispositivo na legislação que imponha restrição a motoristas que tomam determinados medicamentos, em especial os psicotrópicos (de venda controlada). 

O problema todo é o de sempre. Ou seriam os problemas?

Basta a “Lei Seca”?

Traffic Fatalities and Public Sector Corruption
Nejat Anbarci,Monica Escaleras, and Charles Register

Traffic accidents result in 1 million deaths annually worldwide, though the burden is disproportionately felt in poorer countries. Typically, fatality rates from disease and accidents fall as countries develop. Traffic deaths, however, regularly increasewith income, at least up to a threshold level, before declining. While we confirm this by analyzing 1,356 country-year observations between 1982 and 2000, our purpose is to consider the role played by public sector corruption in determining traffic fatalities. We find that such corruption, independent of income, plays a significant role in the epidemics of traffic fatalities that are common in relatively poor countries.

Onde? Kyklos, 2006. Concluo: o estudo científico mostrou que é importante combater a corrupção do setor público para diminuir os acidentes de trânsito. Temos uma diminuição do nível de álcool permitido no sangue com a nova “lei seca” mas, e quanto à corrupção? Talvez você se interesse pelo tema. Eis um resumo.

O preço do chopp aumenta mais ainda

Lei Seca é isto: preço alto. Num “outro mundo possível”, este seria o único instrumento de combate aos acidentes do trânsito (gerados por bebedeira). Neste mundo, o policiamento poderia se dedicar a algo realmente mais sério ou mesmo ser realocado para outras funções. Claro, neste mundo, apenas ricos beberiam. Finalmente, neste mundo, a polícia seria suficientemente honesta para que o suborno fosse mínimo.

Mas há muitas hipóteses aí. A primeira delas é que o governo não falha. Melhor tomar uma…

Lei Seca

Muita gente deve estar desesperada com a falta de álcool no sangue. As buscas os trazem aqui atrás de “receita para engordar”, “sexo anal” e “atrizes pornô”. Pelo visto, eles precisam ler este e-book:

Aliás, o pessoal do Abulafia e do Econosheet seguiu boa parte da blogosfera e nos citou. Muita gente já fez isto como você pôde ver aqui, aqui e aqui. A coisa repercutiu também na imprensa, neste jornal cujo sistema de busca é o pior de toda a blogosfera (quando troquei mensagens com o responsável pela “arquitetura” do “sistema” de busca deste jornal, tive momentos de gargalhadas…e continuo sem entender como alguém acha algo lá…).

Se eu fosse você, ao invés de “sexo anal”, “receitas para engordar” ou “atrizes pornô”, leria este livro.

Cálculo racional na Lei Seca

Gary Becker deveria ganhar uma estátua da sociolândia tupiniquim. Na época em que os distintos falavam apenas de esotéricas dialéticas (e xingavam o velho Durkheim de tudo quanto era palavrão), nosso economista falava da importância do cálculo de custo-benefício individual na economia do crime.

Alguém já deve ter ouvido falar da tal probabilidade de ser detectado (ou pego no ato criminoso). Até gente que nunca estudou Becker enche a boca para citar seu insight.

Voltemos à Lei Seca. Um comentário enviado para este blog me redirecionou para o tal BlitzBH. O objetivo é claro: minimizar a probabilidade de ser pego, tal como ensinou o “neoclássico” (ou “malvado”, “estadunidense”, “positivista”) Gary Becker.

Ok, eu sei que você bebeu e está bravo com o desprezo destes moleques sem “consciência-de-classe” que só pensam racionalmente. Eu sei que sua teoria não se encaixa nos fatos e nem serve para explicar a ação da moçada. Eu sei disto tudo. Mas veja, é a vida: pessoas reagem a incentivos.

p.s. se você ficou bravinho com os parágrafos acima (fé é igual a bund*: cada um tem uma. Ainda mais quando é fé em socialismo científico, aí a coisa fica feia), então me desculpe, mas você também reage a incentivos…

O Lefevbre odiou este livro. E você?

O blogueiro Lefevbre torceu o nariz para todo o conteúdo do livro (é o que entendo de seu comentário). Diz ele que não gosta de discutir com economistas.

Ah sim, Lefevbre precisa atualizar seu RSS. Tive um trabalho para encontrar o link original. Eis aí minha ajuda para melhorar a interconexão de blogs (Saboya, seu RSS leva para algum saboya.org que não existe).

E você? Também pensa como Saboya? Não? Tem outra opinião? Já leu o livro? Eis o link.

Coletânea sobre a Lei Seca

Já falei sobre ela hoje. Eis o link.

Reações e comentários da blogosfera e dos próprios autores? Ei-los:

Alguns comentários retirados dos links acima: Leo Monasterio acha que quem diz que a lei acusa um crime que não existiu, deveria ser contra a velocidade máxima (será que ele tem razao?). Ronald, um dos autores, afirma: ” Para evitar acidentes, não dirija depois de ler. Mas não proíba sua leitura por aumentar o risco de acidentes”.

Eu só posso dizer que se você não leu ainda, está perdendo.

p.s. o leitor que encontrar problemas de grafia e afins pode nos enviar um comentário. Ficaremos felizes em corrigir os eventuais problemas.

A quem (realmente) servem os bafômetros?

Já disponível aqui. Eis a discussão sobre a “lei seca” brasileira que prometi. Vários pontos-de-vista (mas não muitos para não sobrecarregar a rede, risos) interessantes. Confira lá quem são os autores e o que eles têm a dizer sobre o tema.

p.s. aparentemente há um problema com os links fixos do e-book. Tentaremos consertar isto…mas o essencial está lá.