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Pela segunda vez, Verissimo erra ao falar de Economia

Da outra vez, há uns 10 anos, eu me lembro bem, ele trocou até a data da publicação do livro de David Ricardo. Desta vez, ele mostra que, mesmo após este tempo todo, continua não estudando história econômica ou história do pensamento econômico ao citar, no caso, Keynes.

Este é o problema do sujeito que deseja falar de um assunto que não domina. Eu gostaria muito de dizer que matemáticos, cientistas de computação ou engenheiros estão errados. Mas não sou especialista na área. Nem me arrisco.

Há os que se dão ares de sábios – embora o currículo Lattes não seja lá aquelas coisas (e falo de qualidade tanto quanto quantidade do que é publicado – e posam de grandes conhecedores da “metodologia científica”. Sobre estes, realmente, não há o que falar. Sigo a regra do Monasterio dos desvios-padrões (perguntem a ele no Twitter).

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Ciclos econômicos, Keynes, Hayek

Eis um resumo (os artigos do Vox são sempre resumos de pequisas) de um trabalho em que os autores tentam ver aspectos hayekianos e keynesianos em ciclos econômicos, de forma integrada. Aparentemente, os autores encontram evidências de que Hayek e Keynes podem estar, ambos, corretos.

Para entender como isto ocorre, você precisa abandonar o discurso juvenil de que “quem lê Keynes precisa ser exorcizado” ou “não preciso ler Keynes, está tudo claro lá no Ação Humana” ou “se você não leu Keynes, não entendeu nada” e variantes que são difundidas por aí pelo pessoal que não quer incentivar o pensamento, mas sim a adesão a uma causa.

Obviamente, mesmo abrindo mão de seus preconceitos, é preciso manter o espírito cético e crítico, que caracteriza a análise científica – e não adianta sentar e fazer birra dizendo que “Economia não é Ciência” – dos fatos econômicos. Em outras palavras, é preciso ler criticamente o argumento dos autores, considerando tanto problemas de consistência teórica quanto seus aspectos empíricos.

O que restar disto aí, se você avançou, é uma posição nova na qual você não cai mais na conversa açucarada dos doutrinadores, mas também não enxerga a realidade de forma confusa. Encarar a complexidade de frente é um exercício que jamais deve ser esquecido pelo bom pesquisador, por pior que a realidade possa parecer…

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Concursos de Beleza Keynesianos

Pois é. Agora que temos sua atenção, vale a pena citar o assunto principal.

Quantifying the Beauty Contest: Density Inflation-Forecasts of Professional Japanese Forecasters

Yosuke Takeda
Professor, Department of Economics, Sophia University
Abstract
The paper aims at quantifying the higher-order expectations that Keynes (1936) compared to the beauty contest, applying a measure of relative entropy to the Japanese ESP Forecast Survey data during the deflationary period. We conclude that during the deflationary period from June 2009 to April 2010 and from April 2010 to February 2011, professional Japanese forecasters faced the Keynesian beauty contest, in which average expectations dominate agents’ expectations.

Satisfeito?

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Mr. Keynes and the Classics

Um falecido professor da UFMG era ávido leitor de Leijonhufvud, o pós-keynesiano que os pós-keynesianos mineiros adoram ignorar. Talvez porque o falecido professor não pertencesse ao mainstream heterodoxo, claro. Ficou de fora da panela, já viu, né?

Mas o fato é que ele gostava muito do clássico artigo cujo título está citado acima. Sempre achei interessante, do ponto-de-vista da história do pensamento econômico, que alguém fizesse um trabalho sério com este artigo porque, infelizmente, Leijonhufvud não fez mais do que um resumo verbal.

Aí, procurando por outra coisa, trombei com este artigo hoje. Achei interessante porque a proposta é justamente fazer algo que poderá ficar para o futuro como um ótimo resumo crítico do modelo IS-LM, reformulado segundo a interpretação do autor (que seria baseada na interpretação de Leijonhufvud do que seria a interpretação, por sua vez, digamos, legitimamente keynesiana) da Teoria Geral.

Esforços como este valem a pena.

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Discussão macroeconômica

Sumners comenta Krugman em uma discussão bastante relevante para se entender a situação econômica atual. Atenção para esta frase:

Krugman clearly admires Keynes, and I think that clouds his judgment

Notou, leitor, a semelhança com outros pterodoxos que rezam pelos livros ao invés de estudá-los? Isto não vale só para Keynes, mas também para Marx, Mises ou qualquer outro ser humano que já tenha escrito alguma besteira sobre economia.

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O problema não é Keynes mas sim…

David Henderson reproduz trechos de um artigo do – eterno militante – Lew Rockwell sobre a política econômica de Hitler.

Em determinado trecho se lê que:

Keynes himself admired the Nazi economic program, writing in the foreword to the German edition to the General Theory: “[T]he theory of output as a whole, which is what the following book purports to provide, is much more easily adapted to the conditions of a totalitarian state, than is the theory of production and distribution of a given output produced under the conditions of free competition and a large measure of laissez-faire.”

Pois é, Keynes gostava de uma intervenção governamental. Não me parece que tenha sido um entusiasta seguidor de Hitler, mas o ponto importante não se Keynes disse ou não disse isso (ou se pensou em algo assim ou assado). As idéias de um homem nem sempre são uma correspondência biunívoca de sua prática profissional: veja a história de vários carrascos nazistas que eram excelentes pais de família, senão homens de boa cultura para a época.

De qualquer forma, o próprio Henderson (ou Rockwell) chama a atenção para o que importa:

Can’t we separate Hitler’s Keynesian economics from his murderous policies? In principle, yes. But Rockwell makes the point that a government powerful enough to control this many aspects of the economy will be powerful enough to do some of those other nasty things.

A análise é adequada. O problema de Keynes foi não enxergar as consequências do que disse (coisa à qual qualquer humano está sujeito). Errou feio? Errou. Mas isso já foi demonstrado há anos por James Buchanan e Richard Wagner em um pequeno artigo sobre o problema do multiplicador keynesiano que é, justamente, o de ignorar os incentivos políticos.

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Sobre Keynes

Primeiro, o Google Chrome não abre o link por algum motivo maluco. Se você gosta da discussão sobre o que Keynes realmente queria (-poderia-pensou-refletiu-mas-não-escreveu) dizer, talvez seja um bom texto. Principalmente sobre a crise atual. 

Mas é como discutir o que Karl Marx ou David Ricardo queria dizer sobre a crise de hoje. Essencialmente, não queriam dizer nada pois nem sabiam de crise no século XXI. 

Os formuladores de política econômica atual podem até se dizer keynesianos ou qualquer outra coisa mas entre o que dizem e o que fazem vai uma grande diferença (ponto com o qual concordo em relação ao artigo citado). Contudo, se o que eles falam é menos importante, só podemos propor uma alternativa se observarmos os fundamentos do que realmente fazem. Não há como escapar: você tem que entender é de ciclos reais, expectativas racionais, etc.

p.s. na mesma linha de discussão sobre o que disse fulano ou beltrano, veja este. Para uma visão mais prospectiva sobre a crise atual, ver Acemoglu.

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Por que o keynesianismo pterodoxo não explica nada?

Resposta de um respeitável economista:

Keynesian economics failed because Keynes did not provide an intellectual foundation to his policies that was consistent with the underlying microeconomic theory of behavior; economists express this critique by saying that Keynesian economics does not have a microfoundation. Expectations… provides this foundation by explaining why unemployment cannot be cured by a fall in the money wage. It also provides a dynamic version of Keynes’ theory of aggregate demand that suggests a policy to maintain full employment that is different from the two remedies that are common today.

Keynes’ theory was static; he did not account for decisions that are made by households that take account of the future in a consistent way. He argued that the Depression occurred because firms were not spending enough on factories and machines: This lack of private investment expenditure should be replaced by government expenditure through deficit spending and his arguments were responsible for the fact that government in the US currently accounts for more than 20% of purchases and 30% of total expenditure Expectations, Employment and Prices explains how an alternative policy can maintain full employment without the need for government to have such a large footprint in the economy. I argue instead for the creation of a new institution, similar to the Fed, that is charged with the role of maintaining asset prices much in the way that the Fed controls the interest rate.

Eis o original. Moral da história: não me venha com este lero-lero furadíssimo de que temos que “reler a Teoria Geral no original”. Não há nada disto. O que é importante é avançar no conhecimento, não se dedicar a adorações messiânicas de economistas mortos.

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O heterodoxo que presta…

…contas de sua formação é aquele que se preocupa em testar sua teoria contra a realidade. Este, por exemplo, saiu do lenga-lenga do “fulano-realmente-disse” e fez algo útil.

Se eu fosse um autor importante ficaria feliz não com a idolatria estéril dos eunucos teóricos, mas sim com o contraponto do que eu disse com a verdade, de algum jeito sério, i.e., estatístico. Quem gosta de idolatria é bezerro de ouro e mamar nas tetas da vaca heterodoxa (ou homodoxa, rs) não é bem minha praia. Para os que gostam, a mensagem é: “got milk?”

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Dissecando Keynes

Eis um artigo muito interessante. Keynes, como se sabe, escreveu um bocado de coisas além do confuso (mas importante) Teoria Geral do Emprego, Juros e da Moeda. O que Lee Ohanian se propõe a fazer aqui é ver se as “previsões” de Keynes se concretizaram. Veja o resumo:

This article analyzes Keynes’s Economic Possibilities for our Grandchildren an essay presenting Keynes’s views about economic growth into the 21st century from the perspective of modern growth theory. I find that the implicit theoretical framework used by Keynes to form his expectations about the 21st century world economy is remarkably close to modern growth models, featuring a stable steady-state growth path driven by technological progress. On the other hand, Keynes’s forecast of employment in the 21st century is far off the mark, reflecting a mistaken view that the income elasticity of leisure is much higher than that of consumption.

Eis aí o tipo de estudo em história do pensamento econômico que eu gosto. Nada de idolatria. Keynes acertou? Talvez. Errou? Talvez. Então vejamos o que ele dizia do futuro e o que ocorreu depois dele. Exegético, mas bacana.