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Ngram, Google Trends, Japão, Adam Smith, Deus, etc

Um artigo jornalístico simples e interessante sobre Japão. O mais legal é conhecer o Ngram. Eis alguns exemplos de busca (clique na imagem para ampliar).

Milton Friedman vs John Maynard Keynes

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Adam Smith vs John Stuart Mill

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God vs Devil (no qual percebemos que o bem vence o mal, mas a coisa anda feia para o primeiro)

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Para mais detalhes, veja o Ngram aqui.

 

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Empreendedorismo: duas histórias

A gente acorda no sábado e encontra o jornal na porta de casa. No caso, o Utiná Press, jornal dos descendentes da província de Okinawa (a mais poderosa, eu diria, no Brasil). Aí eu vejo duas histórias de empreendedorismo.

O trabalho liberta!

Primeiro, a notícia de que a pequena Melissa Kuniyoshi está a caminho de lançar seu primeiro CD no Japão. Tendo começado no programa de Raul Gil (que sempre erra a pronúncia do nome dela, não?), a menina foi para o Japão e, como diria o pessoal da “centro-periferia”, deve começar a explorar os trabalhadores dos países centrais com seu talento musical (mais um exemplo de que esta teoria não explica muita coisa mesmo…). Confira o talento dela, por exemplo, aqui, com o grande sucesso de Rumiko Koyanagi lá dos 70-80, Seto no Hanayome e também aqui, já um pouco maior, com Hanamizuki, um sucesso mais recente da cantora taiwanesa, Hitotoyo.

Eu sei, eu sei, você também acha que o Ministério Público deveria intervir impedindo esta “exploração do trabalho infantil” porque você não consegue pensar em diferentes instituições que possam permitir que o talento individual floresça em crianças que deveriam, isto sim, estar estudando filosofia e sociologia para se tornarem cidadãs. Bem, você está errado, ponto.

O trabalho no Japão não é fácil, mas a família deu um passo arriscado e, espero, que fará de Melissa um sucesso.

“A emissora de TV do Japão Nihon Terebi veio até o Brasil para fazer uma matéria com ela”, conta Milton. No ano seguinte, foi a vez da TV Fuji manifestar interesse e Melissa percorreu o caminho inverso para participar de um programa musical exibido pela emissora japonesa.

A repercussão no YouTube foi o “cartão de visitas” de Melissa para Suzuki Jun.“Ele disse que gostaria de tê-la como aluna”, lembra Milton, afirmando que o convite feito pelo compositor é raro até mesmo para os próprios japoneses. “Nessa faixa etária da Melissa é muito difícil encontrar alguém com seu talento”, garante o pai.


A decisão, no entanto, não foi das mais fáceis para a família. Afinal, se tratava de uma mudança radical, que poderia colocar em jogo não só o futuro de Melissa como também mexeria com toda a família.

Uma trajetória de sucesso? Só esperando o CD para ver. Mas dá para perceber que talento a menina tem.

Como um japonês enriqueceu fabricando cocadas

Em segundo lugar, a história de um imigrante que começou como tantos, no interior de São Paulo, na lavoura e terminou empresário. É a história de Tokujin Higa – fundador do Higa Atacados – cuja família saiu de Okinawa e veio parar neste maravilhoso país das oportunidades que faz justiça a todas as raças (eu sei, soa nazista, mas o governo brasileiro tem promovido o termo, então, por favor, seja mais solidário e aceite o nazismo oficial em seu coração…).

Voltando ao que interessa, o jornal conta a trajetória do empreendedor. Após passar pela lavoura, virou aprendiz numa fábrica de cocadas. Obviamente, passou a vender cocadas nas ruas, em Campinas. Quando o dono da fábrica se retirou, ele assumiu. Passou a fabricar e a vender cocadas. Nada mais bonito do que ler:

Os utensílios utilizados desde esta época foram guardados com carinho por Tokujin, desde as ferramentas utilizadas para quebrar as cascas do coco, as colheres de medidas para fazer as cocadas, o primeiro tacho utilizado na fabricação dos doces e a cesta de bambu que utilizava para fazer as vendas. Tudo guardado, datado e catalogado. (Utiná Press, Mar/2014, p.22)

A expansão do negócio fez com que ele trouxesse os irmãos para a empresa. A reportagem prossegue contando como evoluiu o negócio de Higa com a construção de uma fábrica e a incorporação de novos produtos (doces) ao catálogo da empresa. Após a era heterodoxa de “planos” para combater a inflação veio a crise dos anos 90 que fez com que a fábrica parasse. O fim da produção dos doces veio com a mudança da empresa que passou a trabalhar com atacado e varejo, comercializando produtos de terceiros.

Ah sim, existe um Museu Histórico “particular” (assim nos conta o jornal), com o registro da trajetória da empresa. Mais ainda, parece que exist um livro, lançado pela ocasião dos 50 anos da empresa (1964-2014).

Pois é…

Interessante esta tal de Economia, não? Japoneses que percebem as preferências dos consumidores e aprendem a fabricar cocadas (e não doces de feijão) ou crianças que cantam músicas que agradam consumidores do outro lado do mundo usam seu talento para melhorar suas vidas.

Quem poderia ser contra empreendedores? Só mesmo gente que não trabalha ou que não tem talento. Afinal, empreender faz parte do DNA humano, não é mesmo? Bom dia.

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Tempestade de Teoria do Consumidor: sanduíches e bebidas alcóolicas…e tudo precisando de elasticidades!

Sim, mais barato! Corra lá e peça já o seu! Caso o custo da passagem seja um “sunk costs”, ok. Mas, caso contrário…

O pessoal da faculdade já pode comemorar! Desconto no Subway! Espere, calma….não é na loja ao lado da faculdade. É lá no Japão e, embora alguns alunos megalomaníacos acreditem que Harvard tem uma sala Ibmec, não estamos tão bem assim (aliás, graças ao trio Tombini-Augustin-Mantega, acabamos de ser rebaixados e um líder do partido do governo, que não previu problemas com corrupção em seu partido, acusou as agências de risco de não terem previsto a crise de 2008 e…bom…não preciso continuar, não é?).

Mas veja a promoção.

With just days left until Japan’s consumption tax jumps from five to eight percent, we’ve resigned ourselves to having to suddenly pay a little bit more for, well, just about everything. So it’s nice to know that this week brings one last hurrah for budget-based pricing, as for two days Subway is cutting us all a break by knocking the price of two of their most popular sandwiches down to almost half of what they ordinarily go for.
The internationally-loved sandwich chain has decreed that this year March 27 and 28 shall be known as Subway Days. Actually, Subway runs a similar promotion every year in Japan, but seeing how 2014 marks its 22nd year in Japan, it’s discounting two of its menu items by 220 yen to just 290 yen each.

 

A estratégia de criar um dia do Subway é tal e qual a do vendedor de auto-proclamados hambúrgueres (quer comer um de verdade? Vá ao Carl’s Jr…). Só não tem a campanha filantrópica. Ah, e a promoção é restrita a apenas cinco sanduíches por pessoa por visita. É, você entendeu corretamente: só dá para comer cinco sanduíches. Quem estiver de dieta, claro, não terá muitos problemas com isto.

Um ponto: repare que os consumidores japoneses já sabem, há meses, do aumento do imposto (para ser mais correto: muitos meses…). Um sanduíche destes pode ser conservado por pouco tempo na geladeira e, portanto, não creio que a proximidade do dia do imposto seja algo assim tão importante para os consumidores de sanduíches.

Aliás, já que falamos de aumento de impostos…

A revised excise tax for alcoholic drinks in Lithuania is set to begin on April 1, 2014, increasing taxes on wine by 14 percent, beer by 10 percent and spirits by 1 percent. This is good news for the spirits industry, as taxes on spirits will be raised the least, therefore making spirits more affordable to consumers. However, the flow of illicitly traded alcoholic drinks may increase in the country due to the new taxes, which are set to be revised and most likely increased again in 2015. – See more at: http://blog.euromonitor.com/2014/03/industry-impact-lithuani.html#sthash.LIixybc7.dpuf

Os incentivos, agora, são para os lituanos fazeremo o que, exatamente? Bom, a autora acha que a notícia é boa para o pessoal do Jim Beam/Jack Daniel’s (eu e o Ari estamos nesta, creio), mas, na verdade, deveríamos olhar a elasticidade-substituição entre estes bens, não? Não sei qual é o efeito-preço cruzado entre estes dois bens e, portanto, não tenho claramente uma noção de quanto aumenta na demanda do whiskey quando aumenta o preço do vinho. Aliás, pensando no Ari, ele teria problemas aqui. Já eu, que não sou fã de vinhos…

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Quem mexeu na minha tangerina?

Laranjas Mandarim (ou, alternativamente, tangerinas…) e kotatsu (este, na figura ao lado) têm uma relação histórica, de cartão postal e desenhos animados na sociedade japonesa.

Ah sim, o “kotatsu” é o desconhecido. Trata-se do aquecedor usado no Japão para o aquecimento durante o inverno (obviamente). Existe a versão moderna, que faz uso de energia elétrica e, bem, a Wikipedia em língua inglesa é muito boa na descrição do mesmo.

O fato é que famílias japonesas, outrora com mais filhos (dois ou três) tinham um momento de reunião nas refeições no kotatsu. “Tinham” porque estamos falando do Japão pré-videogames. Quem não se lembra do clássico Ohayou de Ozu, no qual os filhos entram em uma verdadeira guerra com os pais para que se compre uma televisão?

A diversão era assistir TV em família com os pés esquentados pelo kotatsu. Bom, associado ao momento de lazer existia o consumo das tangerinas (em um dos últimos Kouhaku Utagassen, num poutporri de músicas de antigos desenhos, os apresentadores simulavam estar em uma sala de estar, com o Kotatsu e aquela pilha de tangerinas).

Pois é. Mas a economia não pára e não estamos mais nos anos 60. A tecnologia mudou, a família japonesa diminuiu e envelheceu e o BigMac é um alimento popular por lá (alimento? Bem, é gostoso…) e alguém resolveu analisar o consumo de tangerinas no Japão e descobriu que o mesmo caiu. O autor da matéria lança a hipótese – algo ousada – de que este declínio teria a ver com o tempo menor gasto com a família no Japão (recentemente li um artigo de 1996 no qual os japoneses se mostravam bem mais preocupados com laços entre amigos do que entre familiares…e a evidência anedotal parece confirmar isto). Em suas palavras:

Come to think of it, the mikan’s prominence was at its zenith when there was a kotatsu in practically every Japanese home, and families sat around it while watching television, before it had a remote control. If the mikan’s decline is tied to less time spent together for families and friends, then that’s rather sad.

Going back to how different fruits have their own distinct image, one could say that the mikan is something people eat facing one another, while the banana is for eating alone. The latter also makes for a convenient meal substitute for people on the go.

Não sei se a história da banana me convence, mas a hipótese do autor tem algo além da simples melancolia pelo fim de uma era de relações familiares mais fortes. Trata-se da hipótese de que, de alguma forma, a demanda de tangerinas (um bem não-durável) tem a ver com a demanda de kotatsu (um bem durável). Esta é uma hipótese interessante, mas muito heróica. Repare que é uma definição de complementaridade econômica que não é derivada diretamente do preço dos bens (“um aumento do preço da tangerina leva a uma queda na demanda de kotatsus”), mas sim das preferências (“famílias japonesas curtem consumir kotatsus e tangerinas em conjunto). Hipóteses sobre preferências são mais difíceis de se testar. Aliás, usualmente usamos as demandas, observáveis que são, já que preferências somente se revelam pelas demandas.

A queda da natalidade teria enfraquecido os laços familiares? Talvez. Isto significa que a demanda de tangerinas deveria cair? Não necessariamente. O autor parece esposar uma espécie de teoria de demanda distinta (lembrei-me daquele texto do Gary Becker sobre demanda de restaurantes), na qual as famílias só consomem tangerinas quando estão em conjunto (não haveria tanto prazer assim em consumi-las sozinho(a)).

Embora eu não compre a tese do autor, fiquei curioso acerca da queda na demanda das tangerinas ao longo do tempo. Aliás, isto me lembra uma daquelas belas músicas teatrais (literalmente) japonesas cantadas pelo gigante Haruo Minami.

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O último imperador…e seu irmão

Você já deve ter ouvido falar da espiã sino-japonesa por conta do filme “O Último Imperador”. Mas já tinha ouvido falar de Hiro Saga? Realmente a Manchúria não era lá algo muito próximo do governo central chinês e, segundo me disseram, ironicamente, foram usados para massacrar civis no famoso – e pouco citado pelos nossos socialistas da cultura na imprensa – Massacre da Praça da Paz Celestial de 1989 por falarem um dialeto bem distinto (facilitando o fim das relações “pacíficas” entre os primeiros soldados enviados para conter o protesto e os posteriormente massacrados…).

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Quer falar sério sobre o Yuan?

Então não faça como o ministro da fazendinha, e sim como este autor. Vejamos o resumo:

The Yuan’s Exchange Rates and Pass-Through Effects on the Prices of Japanese and US Imports
Yuqing Xing – National Graduate Institute for Policy Studies

Abstract:
This paper estimated the pass-though effects of yuan’s exchange rates on prices of the US and Japanese imports from the People’s Republic of China (PRC). Empirical results show that, a 1% nominal appreciation of the yuan would result in a 0.23% increase in prices of the US imports in the short run and 0.47% in the long run. Japanese import prices were relatively more responsive to changes of the bilateral exchange rates between the yuan and the yen. For a 1% nominal appreciation of the yuan against the yen, Japanese import prices would be expected to rise 0.55% in the short run and 0.99%, a complete pass-through, in the long run. The high degree of pass-through effects were also found at the disaggregated sectoral level: food, raw materials, apparel, manufacturing, and machinery. However, further analysis indicated that the high pass-through effects in the case of Japan were mainly attributed to the PRC’s policy to peg the yuan to the United States (US) dollar, and that the dollar is used as a dominant invoicing currency for the PRC’s exports to Japan. After controlling the currency invoicing factor, I found no evidence that the yuan’s cumulative appreciation since July 2005 was passed on to prices of Japanese imports at either the aggregate or disaggregated levels. The estimated low pass-through effects of the yuan’s appreciation suggest that a moderate appreciation of the yuan would have very little impact on the PRC’s trade surplus.

Pronto, nada como um trabalho simples e objetivo do que declarações estranhas.

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A Fortaleza Escondida

Na sequência do que escrevi ontem, terminei de ver o último filme da “trilogia” de samurais de Mifune-Kurosawa. Diz a embalagem do DVD que George Lucas teria se inspirado neste filme para fazer Guerra nas Estrelas mas, honestamente, não vi nada similar (nem em idéia, nem em cenas, etc). O filme, sim, é muito bom, mas entre Yojimbo, Sanjuro e este, eu ficaria, em primeiro lugar, com Sanjuro, seguido de Yojimbo e “Fortaleza” vem em último.

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Economia e budismo

Boa matéria da BBC sobre o tema. Resumo: problemas religiosos do desenvolvimento econômico: como a emigração diminui a renda de monges e como os mesmos reagem utilizando estratégias de mercado.

Trecho:

Some monks are looking at alternative ways of raising money.

In Tokyo I met Kazuma Hayashi, a monk who offers bargain basement Buddhism.

He has a website which sets out the rock-bottom prices he charges for conducting a funeral service, or chanting a prayer.

He can tailor the religious experience you want to suit your budget, and yes, there are discounts for buying in bulk.

“I don’t try to steal clients from traditional temples,” he assured me.

“I just want to show people who in the past have had to pay huge amounts of money for funerals or memorials that there is another option.”

É ou não é uma questão de incentivos?

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Etmológicas

A foreigners guide to the Lands of the Sunrise

April 3rd, 2007

Dedication
To King Shō Shin, 首里城 Shurijō, Kingdom of Ryūkyū
As a 里之子親雲上 Satunushi Pēchin, any would realise I am as a samurai. In the tongue of the Japanese, 標準語 hyōjungo, “samurai” is derived from the archaic hyōjungo verb “samorau”, changed to “saburau”, meaning “to serve”. So it is that we often see actors, dancers, instruments, swords, […]

Quem diria…

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Confiança

Eis um estudo para uma sociedade homogênea (como raças não existem, deveríamos usar outro termo para o título do artigo…ou jogá-lo fora):

Using prefecture level data of Japan for the years 1979 and 1996, I explore the extent to which inequality, age heterogeneity, and social capital have an effect upon interpersonal trust. The major finding is that inequality is associated with low trust, while generational heterogeneity is associated with high trust. However, this tendency is not observed when the sample includes female respondents only. These results are not changed when I instrument for inequality using the relative size of the mature-aged cohort.

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Nada de novo na Casa dos Representantes

In this paper we applied the survival analysis to estimate the probability of re-election of the politicians. We focused on the House of Representatives members who had won at the 43rd General Election that held in November 2003 and observed whether these members keep their seat in the next election or not. The main issue of 44th General Election was the postal reform, and the anti-administration parties had disadvantages of the election. We found out that the average members of opposition party tend to lose their seat in such unfavorable situation while the hereditary members keep their seat. Our results also showed that the third-generation politician whose parents and grand-parents are politicians faces higher probability of re-election.

Ok, isto é no Japão. Alguém sabe como é no Brasil? Estudo similar já foi feito por aqui?