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A vida em Cuba

Parece que o governo cubano teme muito a ação dos indivíduos. Especificamente, de uma mulher: Yoani. Eu realmente não entendo como nosso fã-clube de torcedores da família do czar Castro diz querer debater idéias ao mesmo tempo em que esconde sua face diabolicamente autoritária sob o silêncio de quem vê um governo dificultar a vinda de uma única mulher para o Brasil para o lançamento do seu livro. Não é uma contradição (dialética) este homem socialista?

Gente, uma mulher de 40 anos pode ser tão perigosa que se ela sair de Cuba o regime do czar Castro cai? Que ditadura mais frágil…tanto apoio de bolivarianos, tanto dinheiro estrangeiro, tantos discursos inflamados, tanto controle da imprensa, e a igualdade socialista se limita apenas ao direito de não deixar ninguém sair de uma ilha por livre e espontânea vontade.

Engraçado o paraíso socialisa que alguns colunistas famosos da imprensa brasileira elogiam tanto. Vai ver existem duas Cubas  e a gente não sabe…

p.s. a segunda parte da entrevista está aqui. Veja as duas partes. Na próxima eleição para o Senado, se os “direitos humanos” são importantes para você, pense bem antes de votar.

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Como os impostos pesam no seu bolso? (válido para BH, RJ, RS e SP)


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Rio de Janeiro terá pela primeira vez o Dia da Liberdade de Impostos 
Evento, que também será realizado em outras três capitais, tem como objetivo conscientizar a população sobre os impostos embutidos  
em todos os produtos e serviços.

 
No Brasil, infelizmente, a maioria da população não sabe o quanto paga de tributos. Entretanto, todos os brasileiros, direta ou indiretamente, pagam uma grande quantidade de impostos, taxas, contribuições etc. O cidadão tem todo o direito de ser informado, a todo o momento, do valor dos tributos que é obrigado a pagar.
 
 

De acordo com a carga tributária atual, os brasileiros têm de trabalhar 145 dias por ano (de 1º de janeiro até 25 de maio) apenas para pagar os tributos (impostos, taxas e contribuições) cobrados pelos governos (Municípios, Estados e União Federal). Para lembrar a data e chamar a atenção da opinião pública para a questão, será realizado pela primeira vez no Rio de Janeiro, o Dia da Liberdade de Impostos, em que a população poderá adquirir gasolina sem o preço dos tributos, que será pago pelas entidades organizadoras. Parte de um esforço nacional, além do Rio de Janeiro, o evento também será realizado em Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte.   
  
No dia que simboliza a data em que o consumidor para de trabalhar para pagar impostos, a venda de gasolina será subsidiada no Posto Repsol (em frente ao Canecão), que fica na Rua Gen. Goes Monteiro, 195, Botafogo. Em lugar dos R$ 2,54 por litro/gasolina normalmente cobrado, os consumidores pagarão o valor de R$ 1.27 por litro, que é quanto a gasolina custaria se não incidissem tributos como a CIDE, PINS, Cofins e ICMS. 

 
No Rio de Janeiro, o Dia da Liberdade de Impostos está sendo organizado pelo Instituto Millenium e pelo Ordem Livre. Para Túlio Severo Jr., um dos organizadores do evento, o objetivo principal é “permitir que a população compreenda que todos pagam impostos e que todos devem participar, legitimamente, na construção de um Brasil melhor, exigindo melhores serviços públicos e maior transparência”. 

 
Paulo Uebel, Diretor Executivo do Instituto Millenium, que está colaborando para o Dia da Liberdade de Impostos, explica que decidiu apoiar o Dia da Liberdade de Impostos para ajudar na educação cidadã das pessoas. “Como temos a missão de promover a Democracia, é fundamental envolver todos os cidadãos brasileiros na discussão de temas importantes para o desenvolvimento do Brasil. Quando as pessoas tomam conhecimento de que são pagadores de impostos, mesmo que indiretamente, elas ficam mais motivadas e legitimadas a participar deste debate. A alienação popular é muito ruim para a Democracia”, explica.
 

Para Diogo Costa, coordenador geral do OrdemLivre.org, a redução dos impostos está intimamente ligada à diminuição da pobreza. “Nenhum país conseguiu se desenvolver por meio da tributação excessiva”, afirma. “Quem gasta o dinheiro dos outros, gasta mal e irresponsavelmente. Se queremos um Brasil mais próspero, um dos primeiros passos é garantir que a renda das famílias brasileiras não seja tomada de suas mãos pelos impostos do governo. É mais do que uma questão de economia. É uma questão de justiça”.

 
As vendas serão limitadas a 20 litros de gasolina por veículo. As senhas para abastecer com desconto serão distribuídas a partir das 10h e a venda se inicia às 11h. Somente os consumidores que tiverem a senha poderão abastecer com desconto e, após encerrada a cota de 4.000 litros, a ação será encerrada. Será aceito somente pagamento em dinheiro. A diferença no preço do combustível será paga pelas entidades organizadoras.
 

 
Serviço – Dia da Liberdade de Impostos Rio de Janeiro. 
Data:
 25 de maio de 2009. 
Local: Posto Repsol (Canecão)  
Endereço: Rua Gen. Goes Monteiro, 195, Botafogo 
Horário: Distribuição de senhas a partir das 10h. Abastecimento após às 11h. 
Valor da Gasolina: R$ 1,27 litro/gasolina (valor original: R$ 2,54 litro/gasolina) 
Pagamento: Apenas dinheiro. 
 

 
Demais locais onde será realizado o Dia da Liberdade de Impostos: 
Belo Horizonte:
 Posto Albatroz (Esso) – Av. Afonso Pena, esquina com a Av. Brasil – Pç. Tiradentes 
Porto Alegre: Firenze Combustíveis – Rua Santana, 345 
São Paulo: Posto Centro Automotivo Portal das Perdizes (Ipiranga): Av. Sumaré, esquina com a rua Dr. Franco da Rocha.

 
 
Sobre o Instituto Millenium (
www.imil.org.br) – é uma entidade sem fins lucrativos, sem vinculação político-partidária, que promove a Democracia, a Economia de Mercado, o Estado de Direito e a Liberdade. Entre as suas atividades, o Instituto Millenium realiza campanhas de conscientização, colaborando para ter melhores cidadãos, com valores claros e sólidos.

 
Sobre o OrdemLivre.org 
 é um projeto da Atlas Economic Research Foundation em cooperação com o Cato Institute. Fundado sobre os princípios de liberdade individual, mercado livre, paz e governo limitado, OrdemLivre.org promove uma ordem econômica eficiente e uma filosofia política moral e inspiradora por meio de publicações e eventos sobre temas relevantes para o desenvolvimento político, cultural e econômico dos países de língua portuguesa. 
 

 
Informações para a Imprensa: 
Coordenador do Dia da Liberdade de Impostos

Túlio Severo Jr – tulio@infinitecard.com.br 
Fone: (21) 8225-9927  

Diretor Executivo do Instituto Millenium

Paulo Uebel – paulo.uebel@institutomillenium.org

Fone: (21) 2220-4466 / (11) 9565-3030 e (51) 8171-3333

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Mercado e Liberdade – Comentários de um Espectador Levemente Engajado

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Ok, o encontro foi muito bacana. Primeiro, pela surpreendente quantidade de pessoas. Não muitas, mas muito mais do que eu esperava. Registra-se a presença de não-liberais (radicais) como Philipe do Matizes, Igor do Quatroventos e Áurea. Faz tempo que tento reencontrá-los em botecos.

Tivemos também a Luciana, minha ex-orientanda e ex-estagiária do CATO Institute, uma liberal estatal (piada endógena), o Juliano Torres (que foi o autor intelectual desta deliciosa subversão na faculdade), o Pedro Homo Econometricum (nosso econometrista-chefe do NEPOM).

Ah sim, o velho Instituto Liberal de Minas Gerais teve alguns amigos presentes: o eloquente Álvaro, o entusiasmado Ildeo e o discreto Sérgio.

Uma visita inesperada – e bacana – foi a do João, do IEE de Minas Gerais. Nossa faculdade tem muito empreendedor potencial, mas quase nenhum conhece o IEE, o que é uma terrível falha de mercado que o João e eu buscaremos corrigir (espero).

Bem, as palestras. Paulo Uebel tem tudo para levar o Instituto Millenium para frente. Muito boa a palestra. Explicou corretamente os pilares que o Instituto defende. Valeria a pena ter os slides disponíveis na página do mesmo. Paulo vem do IEE gaúcho que é um dos mais antigos e atuantes think tanks brasileiros na defesa de uma sociedade melhor para todos. Para quem acha que economia de mercado é um anacronismo ou uma palavra feia, a palestra do Paulo deve ter sido chocante.

Hélio Beltrão Jr. é filho do saudoso Hélio Beltrão, que tentou melhorar a vida de muita gente no final do regime militar. Hoje em dia os professores do ensino médio se esquecem de citar este nome e a juventude pensa que nunca existiu um esforço para desburocratizar o governo. Uma pena. Mas vamos à palestra. Hélio tentou explicar a crise atual do ponto de vista da economia austríaca (aliás, você sabia que há a possibilidade de você conhecer mais sobre isto no próximo semestre?), pilar do Instituto Mises Brasil. Não sei se concordo com tudo o que ele disse, mas foi uma palestra que despertou muitas perguntas.

Ah sim, João, do IEE-MG fez uma breve apresentação do Instituto para a platéia. Ao final do evento ele me surpreendeu positivamente sobre como funciona a dinâmica do instituto em Minas Gerais. Acho ótima a iniciativa mas sou sempre um pessimista. Portanto, para ele me impressionar positivamente…

O evento foi tão bacana que, ao invés de terminarmos às 21:00, fomos até 21:30. Alguns compraram camisas do Instituto Mises Brasil pela módica (mesmo!) quantia de R$ 10,00. Normalmente eu faria as honras da casa e sairia com os dois palestrantes para um jantar agradável. Bem, o legal é que o jantar foi, de fato, agradável. Mas o clima informal dominou o ambiente. Bruno do Sobretudo e mais alguns de seus amigos, meus dois monitores, o Fernando (Econometria II) e o Pedro (Teoria dos Preços) e mais um bocado de alunos e visitantes de fora da faculdade se juntaram ao Álvaro, eu, Hélio, Paulo, Ildeo, Juliano Torres na proposta de um “chopp”. O papo, novamente, rendeu. Foi muito bom. Fechamos o Sushi Beer à meia-noite e levei os palestrantes para os respectivos hotéis. Um dos alunos tirou algumas fotos e prometeu me enviar mas, até o final deste texto, nada de novo em minha caixa postal.

Surpreendentemente, para mim, há muito jovem crítico e inteligente por aí. Sempre fui pessimista quanto à velocidade na qual jovens inteligentes superariam a criminosa lavagem cerebral que alguns pedofilosófos lhes fazem no suposto ensino pré-universitário (e universitário). Não é necessário ser liberal para escapar disto, claro. Philipe e Igor – já citados – são bons exemplos de vida inteligente na blogosfera sem que sejam, necessariamente, austríacos ou liberais de outro matiz. Pedro Sette, uma vez, chamou-me a atenção para isto: há muita gente boa que escreve textos articulados, gostosos de ler e interessantes (ele mesmo é um destes jovens).

O evento, então, parece ter cumprido seu papel. Tivemos a informalidade típica dos liberais que, sim, são meritocratas mas, não, não são arrogantes (eu sei, eu sei, há exceções pouco honrosas, mas não neste caso) e tivemos o debate. Se as pessoas entenderam um pouco melhor sobre mercados e as vantagens de uma democracia liberal, é algo que somente saberemos no futuro. Mas, veja só, não é isto o que Hayek sempre dizia?

Obrigado ao Paulo Uebel e ao Hélio Beltrão Jr. Obrigado também ao João, do IEE, pela divulgação de uma nova opção para a formação complementar de futuros empreendedores.

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Entrevista com Adolfo Sachsida sobre Liberalismo, Brasil e tudo o mais

Pessoal, nesta entrevista com o Adolfo Sachsida eu procurei saber dele algumas idéias sobre o que penso serem as fraquezas do liberalismo brasileiro. Aí vai. Lá no final, meus comentários.

1. Adolfo, conte-nos um pouco sobre você, sua vida acadêmica e sua vida “política”.

R) Sobre mim mesmo: sou torcedor do Londrina e do Fluminense, minha família era de classe média até que meu pai teve um derrame. Daí em diante fomos pobres mesmo. Eu trabalhava durante o dia e cursava economia a noite. Na minha época de mestrado eu não tinha dinheiro sequer para pagar aluguel, assim eu morava na minha sala de estudos na UnB. Essa fase difícil passou, hoje trabalho regularmente pelo menos 14 horas por dia. Acordo antes das 7:00 e vou dormir depois da meia-noite.

Vida Acadêmica: terminei meu doutorado em economia na UnB em dezembro de 2000, aos 28 anos de idade. Aos 30 já era Diretor da Graduação e do Mestrado em Economia da Universidade Católica de Brasília. Aos 32 fiz meu pós-doutorado com o Professor Walter Enders, e aos 34 tive o prazer de dar aulas na Universidade do Texas – Edinburg. Eu criei e fui o primeiro editor da Revista Brasileira de Economia de Empresas, também fui o editor da Planejamento e Políticas Públicas (PPP). Atualmente tenho 25 artigos técnicos publicados em revistas científicas, ou aceitos para publicação (11 internacionais e 14 nacionais). O que na área de economia é uma bela marca. Além disso, também sou autor de um livro sobre os determinantes da riqueza de uma nação. Além do Brasil, também trabalhei com economia no Japão, Estados Unidos e Angola. Atualmente sou técnico do IPEA (antes de terminar o mestrado, aos 24 anos, fui aprovado no concurso do IPEA) e professor da UCB.

Vida Política: não sou filiado a partido político e não tenho ambições eleitorais. Mas luto diariamente para manter vivas as idéias em que acredito. Acredito que o indivíduo ou sua família, e não o Estado, é a unidade básica de uma sociedade. Acredito no direito a liberdade de escolha, na liberdade individual e na propriedade privada.

2. Há anos temos no Rio Grande do Sul um evento chamado “Fórum da Liberdade”. Tenho a impressão de que este fórum não transcende sequer a cidade de Porto Alegre. Eventualmente o IL-RJ promove eventos com o Liberty Fund, o IL-RS promove um ou outro curso e uma pequena manifestação anual, o Dia de Liberdade dos Impostos. Recentemente, o Instituto Millenium tentou trajetória similar, mas não promoveu muitos eventos ainda. Se somarmos a estes três think tanks o Ordem Livre (que só existe virtualmente) e o IEE – que se restringe a empresários – não temos nem uma dezena de ONG’s liberais. Direto ao ponto: você acha que liberalismo no Brasil só se restringe a empresários, como apontam os adversários do liberalismo?

R) De maneira alguma. Acredito que boa parte dos empresários brasileiros é CONTRA o liberalismo. A FIESP por exemplo não é liberal. Liberal é quem defende a competição, a liberdade de escolha e a propriedade privada. A FIESP não defende a abertura dos mercados brasileiros, tal como boa parte dos empresários prefere um Estado grande protegendo suas ineficiências. Liberal no Brasil são os consumidores que querem ter o direito de comprar produtos melhores e mais baratos. Quem mantém vivo o liberalismo no Brasil são indivíduos comuns, sem o apoio de grandes grupos ou de interesses ocultos. Por isso acredito que os Blogs e a internet foram a salvação do liberalismo brasileiro, sem essas ferramentas estaríamos ainda mais isolados.

3. Uma outra crítica: até hoje, não vejo nada comparável à quantidade e/ou qualidade das pesquisas acadêmicas (ou semi-acadêmicas) de instituições como o Cato Institute, uma Heritage Foundation ou mesmo o American Enterprise Institute, para citar apenas os mais famosos entre nossos liberais. Você acha que o liberalismo brasileiro tem aversão à pesquisa? Por que tão poucos “working papers” nos think tanks liberais brasileiros? Seria apenas falta de recursos?

R) Creio que o problema vai além da falta de recursos, ele reside na falta de conhecimento. Os institutos liberais que operam no Brasil parecem não acreditar muito no poder da pesquisa acadêmica, preferem se concentrar em artigos para jornais ou revistas. As pessoas que estão a frente de tais institutos simplesmente parecem não dar valor à pesquisa acadêmica, o que é uma pena. Assim, preferem contratar pessoas com um perfil que dificilmente as habilitariam a pesquisas científicas.

4. Já que falamos de entidades liberais, vamos discutir, agora, um ponto que tem pouco a ver com a pesquisa científica e mais com a mobilização de pessoas. Você promoveu, no último sábado, uma passeata liberal em Brasília. Houve algum apoio – divulgação, esforço em comparecimento, networking, etc – destes órgãos à sua passeata? Por outro lado, você prefere não ter o apoio dos mesmos? Por que será que – esta é uma impressão minha – o liberalismo brasileiro não consegue atingir tantos cidadãos comuns quanto empresários? Será que podemos jogar a culpa sempre na “doutrinação das esquerdas”? Ou há algo inerente à (in)ação dos nossos amigos liberais?

R) A única pessoa que me ajudou na organização do evento foi um aluno da graduação (Nilo). Na divulgação, o Instituto Federalista (IF) divulgou o evento em seu site. Talvez outros Institutos tenham feito o mesmo, não sei. Acredito que a maior parte das organizações liberais no Brasil não apóia iniciativas que não partam delas mesmo. De qualquer maneira, tais organizações são tão inoperantes que não creio que elas façam alguma falta. O seu blog e o do Tambosi têm muito mais poder de penetração junto ao público do que os sites dos Institutos Liberais. O Liberalismo não atinge o cidadão comum simplesmente porque o cidadão comum NÃO É exposto ao liberalismo. Por exemplo, eu só fui conhecer a obra de Hayek depois dos 30 anos de idade. Entre numa livraria e peça um livro de Hayek, ou Von Mises, ou Friedman. Você verá que tais livros ou não estão disponíveis ou custam 60 reais. Peça um livro de Marx e você encontrará pilhas deles a 10 reais. O que falta é divulgar as idéias liberais. Essa é uma tarefa extremamente difícil, pois os professores do ensino médio e fundamental são basicamente marxistas. O mesmo se repete nas universidades. Assim, as idéias liberais ficam completamente de fora da formação educacional de um aluno brasileiro.

5. Acho que você foi o único liberal que conseguiu, em muitos anos, fazer duas discussões liberais seguida de uma passeata em um curto espaço de tempo. Que balanço e perspectivas você pode nos apresentar sobre o liberalismo no Brasil?

R) O liberalismo irá triunfar no Brasil, só que isso não irá acontecer nesse natal. Hoje passamos por uma época nebulosa onde o Estado tenta comprar a todos com bolsas e subsídios, isso fortalece a posição do Estado junto aos formadores de opinião. E estes se encarregam de divulgar as belezas da intervenção estatal para o grande público. A única maneira de combatermos isso é divulgando nossas idéias para o grande público, e a internet nos dá essa chance. Acho que o Brasil irá enfrentar tempos difíceis nos próximos anos. Acredito que as coisas irão piorar, mas cedo ou tarde o que parece impossível hoje será a solução de amanhã. É disso que temos que nos conscientizar, minha geração não verá a vitória do liberalismo. A tarefa de minha geração é manter viva as idéias liberais para que a próxima geração, tendo contato com tais idéias mais cedo, possa combater de maneira efetiva os males associados a perda da liberdade individual.

6. Fique à vontade para concluir, Adolfo

R) Eu só tenho a agradecer você pela gentileza de sua entrevista. Saiba que são pessoas como você que fazem a diferença.

Comentários

Caro leitor, como os que me conhecem sabem, tenho uma boa relação com vários liberais das instituições citadas acima. Eu mesmo já fiz um ou outro trabalho para eles. Também é fato que nunca escondi deles minhas críticas (até porque liberalismo não é religião). Os pontos que o Adolfo destaca são importantes. Eles mostram que existe, primeiro, uma boa pergunta acadêmica: “quais os incentivos que regem as ações dos think tanks liberais no Brasil”? Em segundo lugar, é possível fazer mais sozinho do que em grupo (algo que qualquer aluno de economia que já estudou bens públicos e variantes sabe), inclusive quando se fala de liberais brasileiros. O problema de ação coletiva existe aqui.

Gostei também do insight do Adolfo: o consumidor é o grande liberal brasileiro, embora nem sempre tenha consciência disto. Mas se assim o é, Adolfo, por que o mesmo não se manifesta como tal? Por que esta insistência em se identificar com seu algoz, o Estado?

Note, leitor, a história de vida do Adolfo. Nada diferente do que a de muitos brasileiros. Liberalismo, na prática, é coisa que qualquer um tem em sua vida, em maior ou menor aspecto. Quem luta para se sair bem na escola não quer seu sucesso roubado por colegas picaretas. Já o discurso liberal, este cabe na boca de muito empresário nem sempre liberal de fato. Há que se distinguir entre o liberalismo de balcão (ou de quermesse, como diria o Alex Schwartsman) e o liberalismo legítimo.

Meus amigos liberais têm ouvido muitas críticas cretinas e injustas. Estas, desta entrevista, não fazem parte desta besteira destrutiva que temos por aí. Aliás, são muito mais um alerta do que uma crítica. Ou os liberais prestam atenção nisto, ou estarão entregando o poder aos inimigos dos indivíduos por muitos anos…é o que penso.