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Incentivos nas prisões norte-coreanas

Falam tanto de valor trabalho e de socialismo, mas na hora de implantar segurança (real ou imaginária) a seus regimes ditatoriais, mostram-se bons conhecedores da Ciência Econômica:

Por causa da maneira como a sociedade norte-coreana é subdividida, da classe hostil à classe central, somente cidadãos ‘confiáveis’ podem trabalhar como guardas. ‘Confiável’, na prática, significa membro da elite abastada. Esses guardas são treinados para desumanizar seus prisioneiros, para vê-los como ‘cães’ ou ‘animais’, e não seres humanos. Também são recompensados por evitarem fugas e, assim, abundam histórias sobre guardas fingindo ajudar um prisioneiro a escapar para atirar nele ou vê-lo ser eletrocutado até a morte na cerca elétrica, antes de arrastar seu corpo de volta a fim de coletar o bônus. [http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=29140, p.204-5]

Incentivos funcionam, não é? E já que o assunto da moda é falar de presídios, eis um bônus de leitura para quem não tem fraquezas…

De acordo com algumas poucas testemunhas, os prisioneiros [dos campos de concentração] não têm permissão para manter relações sexuais e, assim, nas prisões mistas, os abortos e o assassinato de recém-nascidos são sancionados pelo Estado. Os abortos forçados são realizados pela injeção de veneno no feto, simplesmente abrindo o útero da mãe ou, se tudo mais falhar, estrangulando a criança assim que nasce. (…) Um ex-prisioneiro descreveu uma tentativa de fuga fracassada. Enquanto o fugitivo jazia espancado no chão, os outros prisioneiros receberam ordens de andar sobre ele, estilhaçando seus ossos e pisoteando seus órgãos até que morresse. [idem, p.205]

Incrivelmente triste, não?

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Pague-me para emagrecer!

Seu amigo pterodoxo tá gordinho? Aposto que ele emagrece ganhando uns trocados, mesmo que fale mal da racionalidade…

Sabe aquele seu amigo que acha os dez princípios da economia enunciados no livro-texto (que muito pterodoxo não leu, sequer, até a metade) do Mankiw? Pois é. Olha aí.

Small cash rewards for big losers : experimental insights into the fight against the obesity epidemic (English)

ABSTRACT
This paper examines the sustainability of weight loss achieved through cash rewards and, for the first time, the potential of monetary incentives to prevent weight cycling. In a three period randomized controlled trial, about 700 obese persons were assigned to two treatment groups, which were promised different cash rewards contingent on the achievement of an individually assigned target weight, and to a control group. Successful participants were subsequently allocated to two treatment groups offered different monetary incentives for maintaining the previously achieved target weight and to a control group. This is the first experiment of this kind that finds sustainable effects of weight loss rewards on the body weight of the obese even 18 months after the rewards were removed. Additional incentives to maintain an achieved body weight improve the sustainability of weight loss only while are in place

Show de bola, não? Ah sim, um trecho da conclusão (onde ele discute problemas, inclusive o da validação externa…sobre o qual falei em sala, ahá, hoje).

Our experiment shows that financial incentives can have positive and sustainable effects on weight reduction of obese individuals and, hence, may be an effective measure to fight the obese pandemic. According to our results, however, it appears to be important to announce monetary rewards well in advance. Different to the effect of monetary incentives to lose weight, we are not able to provide a clear answer concerning the effects of financial incentives to sustain a certain body weight. At the end of the experiment, individuals who received both incentives for weight loss and incentives to maintain a lower body weight are neither better nor worse off than individuals who received only a weight‐loss reward.

Eu reconheço: minha aula de Econometria III é muito boa! Sem falsa modéstia porque sei bem o meu valor. ^_^

p.s. para uma definição de pterodoxo (termo que eu cunhei, há anos), pesquise este blog.

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História também é Economia: três “puzzles” no escravismo da mineração

Nada como um pouco de História para refrescar a leitura. Façamos um passeio por Luna & Klein (2010) [Luna, F.V. & Klein, H.S. Escravismo no Brasil, EDUSP/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo], em sua descrição da economia escravista no século XVIII.

Então a Coroa portuguesa concedia áreas para que particulares explorassem (leia-se: minerassem) usando o seguinte critério: o número de escravos dos particulares. Não apenas isto, mas “(…) a Coroa decidiu criar um imposto sobre a mineração baseado não na produção de ouro, mas em uma taxa per capita sobre os escravos” (p.54).

Por que é que a taxa per capita foi adotada? Por que usar o número de escravos e não a área em alguma medida simples (metros quadrados, por exemplo)? Quais os incentivos econômicos para se desenhar este tipo de arranjo?

Mais ainda:

A Coroa reservava as datas minerais para seus descobridores e para os mineiros possuidores de doze cativos ou mais; os que tinham número menor de escravos podiam obter áreas menores, proporcionais ao tamanho de seu plantel, mas a maioria desses mineiros pequenos proprietários de escravos tendia a concentrar-se na exploração itinerante, o que significava uma liberdade extraordinária para seus poucos cativos empregados na mineração: eles eram pagos pela produção de ouro”. [p.56]

Por que pagar pela produção em ouro para estes escravos de pequenos mineradores? Quais os incentivos econômicos?

Mais um pouco da Organização Industrial da coisa:

Mineiros com pouco capital para explorar uma lavra, ou sem cativos suficientes para obter uma concessão da Coroa, recorriam a faiscação itinerante, individualmente ou com poucos escravos. Os escravos na faiscação costumavam passar um tempo considerável longe de seus senhores garimpando ouro e entregando-lhes um(a) quantia fixa; eventualmente pagavam seu sustento e podiam acumular recursos até mesmo para comprar sua liberdade. [p.57]

Por que cobrar de um escravo uma quantia fixa? Por que não cobrar pela produtividade marginal?

Tenho três perguntas para você

Então estas são minhas três questões para você, que curte História Econômica. Vou rascunhar algumas hipóteses, mas espero mesmo ouvir comentários interessantes.

1. Por que é que a taxa per capita foi adotada? Por que usar o número de escravos e não a área em alguma medida simples (metros quadrados, por exemplo)? Quais os incentivos econômicos para se desenhar este tipo de arranjo?

A taxa per capita sobre escravos me parece um jeito de maximizar a eficiência do plantel de escravos. Caso a Coroa cobrasse pela produção – muito mais aleatória, inclusive – total, perderia o incentivo individual. Ao cobrar por cabeça, você incentiva o senhor de escravos a cobrar mais individualmente. É uma forma simples de combater os free-riders.

2. Por que pagar pela produção em ouro para estes escravos de pequenos mineradores? Quais os incentivos econômicos?

Como a mineração era itinerante, uma forma de incentivar o escravo a buscar ouro seria recompensá-lo com parte da produção. A produção do ouro é incerta e não se sabe até quando você conseguirá extrair o recurso.

3. Por que cobrar de um escravo uma quantia fixa? Por que não cobrar pela produtividade marginal?

Os autores afirmam que havia muito mais liberdade para os escravos. Isto significa que os escravos poderiam, inclusive, “roubar” ouro de seu patrão. Estabelecer uma quantia fixa é uma forma de garantir um mínimo de esforço do escravo. Problema clássico de agente-principal quando não se observa o esforço do agente? Parece. A produtividade marginal funciona bem quando você observa o esforço do agente.

Não gostou? Comente aí com sua sugestão!

Serão aceitos comentários com ênfase econômica, ok? Nada de comentários que dizem que “nem tudo é economia” ou que “o homem não é racional”.

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O famoso poder real de compra encontra o baile funk: prostitutas, calcinhas e a pizza

Digamos que você ainda não entendeu a diferença de grandezas nominais e reais porque está, penso eu, no primeiro ano de curso e não lê muito fora de sala de aula. Ok, vou te ajudar usando aquela música “maravilhosa” (não para mim): o funk.

Uma postagem no Facebook, anunciando um evento chamado “Funk de Segunda Apresenta: Baile Funk de Carnaval”, circulou e chamou a atenção do público frequentador da casa de shows Granfinos, na tarde desta quinta-feira (20).
O evento anunciava como ação promocional que 50 mulheres que            fossem ao evento sem calcinha (sem explicar qual seria o critério               de comprovação), ganhariam um drink por conta da produção.

Calcinhas e Economia

Primeiro, deixa eu lembrar o leitor que a Economia pode ser definida como a ciência das trocas (um dia destes eu exponho meu ponto de vista sobre a definição de nossa ciência, aliás, meu não, mas de Demsetz ou Alchian). Não nos achamos superiores a outros seres humanos para julgar valores individuais. O que nos importa é entender o papel dos incentivos. Então, sim, meu caro, se eu tivesse uma filha de 12 anos que me falasse do baile, eu não deixaria ela ir ou criaria incentivos muito fortes para que ela mudasse de idéia.

Então, acho que não há motivos para críticas. Não gostou? Não deixe sua filha ir. Ponto. Mas quanto à estratégia de mercado, é uma bela iniciativa. Nada de novo, é bom dizer, exceto que agora é só baixar a calcinha para o felizardo do segurança (caso ele não seja homossexual, claro). Ah sim, não vou nem discutir a opinião de alguns que vão se achar discriminados porque não podem baixar a cueca para ganhar uns drinques. Haja paciência…mas vamos à parte divertida: a economia!

Calcinhas e drinques

Suponha uma moça não muito chegada a valores morais quanto ao sexo. Digamos que ela imagine que a Bruna Surfistinha é um modelo de mulher moderna. Novamente, se fosse minha filha, ia ouvir poucas e boas. Mas vamos supor esta moça hipotética, convexa, bem-comportada, contínua e muito sexualizada para a sua idade (se é que me entendem). Então esta moça provavelmente já se livraria desta “opressora calcinha machista” por uns R$ 100,00, à noite, ali perto da avenida Afonso Pena em BH. Eu sei, eu sei, você também está chateado com esta história aqui no blog. Mas meu objetivo não é incentivar a prostituição ou a audiência às pregações de Marcos Feliciano. Isto é problema seu. Meu ponto é puramente econômico.

Agora, imagine que esta donzela ganhou uma grana no dia anterior com sua profissão paralela  é uma das primeiras a chegar ao baile funk. Suponha que o drink custe R$ 5.00. Então, veja só, a dona moça aumentou seu poder de compra duas vezes. Sua renda nominal (digamos que ela tinha apenas R$ 50.00 que ganhou dos pais…que nada sabem sobre sua vida verdadeira) que eram R$ 5.00 agora são R$ 150.00. Mais ainda: ela deixou de pagar R$ 5.00 no drinque. Ganhou um drinque com preço R$ 0.00.

Calcinhas, drinques e pizzas

Eu espero que nem tudo termine em pizza, mas a simpática rapariga desta história, mas veja como funcionam os incentivos. Inicialmente, a restrição orçamentária da moça era: tudo o que eu posso gastar em drinques e no restante com apenas R$ 50.00. Temos que sua restrição era, inicialmente:

50 = 5x + D

em que x = quantidade de drinks (ou, alternativamente, mililitros do tal drink) e D é o gasto com outros bens, em reais (R$). Como o preço de R$ 1.00, obviamente, é R$ 1.00, isto é a mesma coisa que escrever: 50 = 5x + 1*D no qual 1*D = D, claro.

Agora, o que acontece quando ela se prostitui? A restrição orçamentária dela se transforma em:

150 + 5x + D

Mas lembre-se que a história não terminou aqui. Ela conseguiu chegar entre as 50 “felizardas” da fila e ganhou um drinque de graça. Apenas um, claro. Então, para o primeiro drinque, o preço é zero. É como se a restrição dela fosse:

D = 150 para x  ≤  primeiro drink (em mililitros).

A partir daí, a restrição é: 155 + 5x + D

Em poucas palavras, ela ganhou R$ 5.00 no orçamento. Por conta do que ela ganhou com a prostituição, já poderia comprar um número de drinks equivalente a R$ 150/5. Com o desconto, R$ 155/5 (a partir do segundo drink). Toda a história está resumida na figura abaixo.

bailefunk

Tudo parece terminar em pizza, não? Digo, este exemplo é muito parecido com aquele da pizza sobre o qual falei em sala de aula.

Mas isto não é repugnante?

Como já disse antes, eu concordo com você que não é um incentivo que me agrade. Mas é justamente por ele funcionar que tantos se incomodam. A pergunta anterior, portanto, é: como você sabe que ele funciona? Está aí em cima, de forma estilizada, com um pouco de drama porque tornei nossa personagem uma prostituta para mostrar como ela ganhou duas vezes com uma mudança de preço relativo (para 0 < drinks ≤ 1) e com a grana de sua atividade em venda de seu próprio corpo da noite anterior.

Então, você tem que deixar de lado a questão de se isto é ou não repugnante em primeiro lugar, caso contrário não conseguirá entender como os incentivos operam. Por que você precisa entender isto? Bem, se você quer combater este tipo de coisa, tem que usar os incentivos adequados.

Em minha opinião, não é coibinido a prática por meio de algum tipo de lei. Isto não muda os incentivos, apenas mostra que você não consegue lidar com eles e que forçar a barra proibindo uma troca voluntária. Parece fácil pensar que tudo ser resolve com uma canetada, mas mesmo bons juízes têm dificuldades com seus filhos e filhas em casa e sabem muito bem que não é assim que você resolve o problema.

Pense bem: não é proibindo a prostituição (ou ofertas de pizzas gratuitas na compra da primeira pizza) que você diminui a ocorrência destas trocas.  Acho que a solução passa por uma conversa muito simples que também envolve incentivos. Vou ajudar os pais que não conseguem conversar com suas filhas.

a) Andar sem calcinha em baile funk nos sábados – a moça que faz isto sinaliza para todos os amigos e conhecidos o seu tipo e, o tipo é o de que não valoriza muito a monogamia. Aliás, é alguém que corre mais riscos, porque prefere a promiscuidade (ou aparenta preferir, já que, bem, está sem calcinha todo final de semana e todos sabem disto). Converse com sua filha sobre o futuro. O mundo não termina com a festa de quinze anos dela. O mundo continua e um dia ela pode querer arrumar uma pessoa para uma convivência mais duradoura. A reputação ajuda, não? Embora olhar para o futuro seja importante, o fato é que olhamos para o passado das pessoas.

b) Andar sem calcinha e seu valor – a moça tem um corpo e o corpo tem valor. Falando friamente, é como um capital qualquer. Cuide bem de seu carro e ele anda mais. Cuide bem de seu corpo e ele funciona melhor. Pode ser muito fácil ganhar dinheiro saindo por aí se prostituindo. Mas não existe almoço grátis, minha cara. Mais sexo pode ser sexo mais seguro (como nos ensina Steven Landsburg em um capítulo polêmico do livro que leva justamente este nome), mas também pode significar (até para ser mais seguro), mais custos com prevenções de doenças. Quem vai pagar por isto? Você mesma? Seus pais? Qual o tamanho do custo de oportunidade?

Pensando, portanto, até em futuras relações com outras pessoas, o mais razoável é buscar preservar seu ativo, o corpo. Evidentemente, imagino que os pais tenham argumentos até melhores do que os meus mas, novamente, não estamos analisando aqui o aspecto moral da matéria sobre o baile funk. Estamos usando o fato para aprendermos mais sobre Economia (e ninguém precisa tirar a calcinha ou a cueca para aprender Economia, né? Basta sentar, abrir um livro, ler, estudar, fazer exercícios, ler de novo, estudar, etc).

Do fundo do meu coração (se é que tenho isto), espero que você tenha uma vida menos desregrada, ok?

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Aula e pesquisa

Cristiano começou uma discussão muito interessante. Erik resumiu e difundiu mais ainda o ponto. Aparentemente, é uma boa desculpa para picaretas pois qualidade de ensino e pesquisa poderiam não ser bens complementares. Também é um bom ponto para se pensar seriamente sobre o que fazem alunos e professores em faculdades.

Claro, há várias combinações. Basicamente, há alunos que só querem mesmo o diploma (se a faculdade tiver um “bom nome”) e os que querem estudar. Alunos, claro, podem ser de vários tipos, simplificadamente, bons e ruins (em termos de capital humano acumulado).

Professores, por sua vez, podem dedicar seu tempo a três atividades: pesquisa, ensino e lazer (uma quarta existe se ele trabalhar também na área burocrática). Em resumo, a lei de que o total de horas em um dia é igual a 24 implica que pesquisa + ensino + lazer (+ burocracia) = 24. Pensando-se que dormir faz parte do lazer, claro, não há como escapar: existe uma substituição entre o tempo dedicado a cada atividade. Pode-se discutir se um minuto gasto em pequisa é exatamente igual a um minuto perdido em “24 – restante”, mas isto não muda o fato de que há, de fato, um trade-off.

Uma idéia que tem me ocorrido cada vez mais ao longo destes quase 20 anos de sala de aula (isto significa que a amostra é grande, não necessariamente que eu seja um mestre do saber) é que quase tudo é sinalização. Diploma, para 100% dos alunos, é só um papel que deve significar um x% de aumento de salário segundo a carreira de alguma empresa na qual trabalha. Ou então é um sinal que, supostamente, imputa-lhe alguma competência…até a hora do processo produtivo em si.

Dar boas aulas e ser um péssimo pesquisador é uma característica comum por aí. Mais difícil é encontrar um bom professor que também seja um bom pesquisador. Geralmente, claro, maus professores que não pesquisam se acomodam em escolas de má qualidade ou saem do mercado.

Se a aula tem acréscimo desprezível no aprendizado do aluno – já que a sinalização é o jogo – então deveríamos partir para uma estratégia de ensino fortemente ligado à pesquisa, caso queiramos fazer algo de útil com os alunos. Em outras palavras, deveríamos promover uma interação dos alunos com atividades de pesquisa.

Nestas horas, eu sei, você vai me dizer: “Mas, Cláudio, e se o cara não quiser? E se ele achar que aquilo não é importante na vida dele”? Bem, então pelo menos o professor deveria se dedicar mais à pesquisa. Ao menos alguém, no todo, estaria melhorando o capital humano total da sociedade.

Há vários pontos interessantes a serem discutidos aqui.

Por exemplo, como fica a faculdade privada com seus recursos escassos? No Brasil, há poucos exemplos de faculdades privadas com esforço em pesquisa de alta qualidade – e há muitas com elevado esforço em pesquisas de baixa qualidade. O exemplo não é exclusivo do setor privado, perceba. É um fenômeno generalizado. Ainda assim, muita gente do setor privado pensa que é possível ter o melhor dos dois mundos sempre (ou chuta o balde e vende a mediocridade total).

Outro ponto, derivado da discussão do Cristiano, é como trabalhar na função de produção do ensino para tornar as atividades mais Cobb-Douglas e não tanto substitutas perfeitas (ou complementares perfeitas). Se a única coisa que acontece é alunos bons se destacarem sobre alunos ruins, então seria de se esperar que os primeiros se interessassem um pouco por pesquisa. Claro, pode-se discutir mecanismos de tentar transformar as laranjas podres em boas laranjas (isto é possível, no que tange ao ensino, mas não tenho evidências empíricas significativas).

Mais ainda, a discussão sobre pesquisa, aluno e professor passa por uma mudança na atividade didática do professor. Ao invés de se fornecer, de mão beijada, dados já deflacionados, bem-comportados, com instruções detalhadas (como a que se dá a uma criança), o correto seria alterar o foco para instruções genéricas que obrigassem os alunos a aprenderem, por conta própria, a construirem suas bases de dados.

Perguntas como: qual a melhor proxy para a demanda de moeda, qual o índice de inflação adequado neste caso, qual é a especificação funcional da demanda de moeda a ser estimada, etc, todas seriam estímulos para os bons alunos melhorarem e os maus alunos se decidirem se querem melhorar ou capitular.

Este é apenas um exemplo. Claro, há muito o que se elaborar sobre o tema. Mas acho que o Cristiano deu um chute inicial muito bom. A pelota, como dizem, está no ar.