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Ontem, no IEE

Ontem, como sabem, estive em um jantar-debate na seccional mineira do IEE. Fui presenteado com um livro de pequenos artigos dos associados do Instituto, recém-lançado no último Fórum da Liberdade. 

Devo dizer que foi um evento dos mais agradáveis, como é costumeiro quando se fala em eventos do instituto citado. Foi a segunda vez que fiz uma palestra não estritamente econômica, mas ligada à minha vida profissional e pessoal. O mais interessante é que o conhecimento é mesmo uma construção hayekiana. Durante o nosso longo e divertido debate, alguns pontos que eu havia elaborado tornaram-se mais claros para mim. 

Só tenho a agradecer àqueles que me convidaram e também aos que me aturaram por quase três horas.

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Mercado e Liberdade – Comentários de um Espectador Levemente Engajado

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Ok, o encontro foi muito bacana. Primeiro, pela surpreendente quantidade de pessoas. Não muitas, mas muito mais do que eu esperava. Registra-se a presença de não-liberais (radicais) como Philipe do Matizes, Igor do Quatroventos e Áurea. Faz tempo que tento reencontrá-los em botecos.

Tivemos também a Luciana, minha ex-orientanda e ex-estagiária do CATO Institute, uma liberal estatal (piada endógena), o Juliano Torres (que foi o autor intelectual desta deliciosa subversão na faculdade), o Pedro Homo Econometricum (nosso econometrista-chefe do NEPOM).

Ah sim, o velho Instituto Liberal de Minas Gerais teve alguns amigos presentes: o eloquente Álvaro, o entusiasmado Ildeo e o discreto Sérgio.

Uma visita inesperada – e bacana – foi a do João, do IEE de Minas Gerais. Nossa faculdade tem muito empreendedor potencial, mas quase nenhum conhece o IEE, o que é uma terrível falha de mercado que o João e eu buscaremos corrigir (espero).

Bem, as palestras. Paulo Uebel tem tudo para levar o Instituto Millenium para frente. Muito boa a palestra. Explicou corretamente os pilares que o Instituto defende. Valeria a pena ter os slides disponíveis na página do mesmo. Paulo vem do IEE gaúcho que é um dos mais antigos e atuantes think tanks brasileiros na defesa de uma sociedade melhor para todos. Para quem acha que economia de mercado é um anacronismo ou uma palavra feia, a palestra do Paulo deve ter sido chocante.

Hélio Beltrão Jr. é filho do saudoso Hélio Beltrão, que tentou melhorar a vida de muita gente no final do regime militar. Hoje em dia os professores do ensino médio se esquecem de citar este nome e a juventude pensa que nunca existiu um esforço para desburocratizar o governo. Uma pena. Mas vamos à palestra. Hélio tentou explicar a crise atual do ponto de vista da economia austríaca (aliás, você sabia que há a possibilidade de você conhecer mais sobre isto no próximo semestre?), pilar do Instituto Mises Brasil. Não sei se concordo com tudo o que ele disse, mas foi uma palestra que despertou muitas perguntas.

Ah sim, João, do IEE-MG fez uma breve apresentação do Instituto para a platéia. Ao final do evento ele me surpreendeu positivamente sobre como funciona a dinâmica do instituto em Minas Gerais. Acho ótima a iniciativa mas sou sempre um pessimista. Portanto, para ele me impressionar positivamente…

O evento foi tão bacana que, ao invés de terminarmos às 21:00, fomos até 21:30. Alguns compraram camisas do Instituto Mises Brasil pela módica (mesmo!) quantia de R$ 10,00. Normalmente eu faria as honras da casa e sairia com os dois palestrantes para um jantar agradável. Bem, o legal é que o jantar foi, de fato, agradável. Mas o clima informal dominou o ambiente. Bruno do Sobretudo e mais alguns de seus amigos, meus dois monitores, o Fernando (Econometria II) e o Pedro (Teoria dos Preços) e mais um bocado de alunos e visitantes de fora da faculdade se juntaram ao Álvaro, eu, Hélio, Paulo, Ildeo, Juliano Torres na proposta de um “chopp”. O papo, novamente, rendeu. Foi muito bom. Fechamos o Sushi Beer à meia-noite e levei os palestrantes para os respectivos hotéis. Um dos alunos tirou algumas fotos e prometeu me enviar mas, até o final deste texto, nada de novo em minha caixa postal.

Surpreendentemente, para mim, há muito jovem crítico e inteligente por aí. Sempre fui pessimista quanto à velocidade na qual jovens inteligentes superariam a criminosa lavagem cerebral que alguns pedofilosófos lhes fazem no suposto ensino pré-universitário (e universitário). Não é necessário ser liberal para escapar disto, claro. Philipe e Igor – já citados – são bons exemplos de vida inteligente na blogosfera sem que sejam, necessariamente, austríacos ou liberais de outro matiz. Pedro Sette, uma vez, chamou-me a atenção para isto: há muita gente boa que escreve textos articulados, gostosos de ler e interessantes (ele mesmo é um destes jovens).

O evento, então, parece ter cumprido seu papel. Tivemos a informalidade típica dos liberais que, sim, são meritocratas mas, não, não são arrogantes (eu sei, eu sei, há exceções pouco honrosas, mas não neste caso) e tivemos o debate. Se as pessoas entenderam um pouco melhor sobre mercados e as vantagens de uma democracia liberal, é algo que somente saberemos no futuro. Mas, veja só, não é isto o que Hayek sempre dizia?

Obrigado ao Paulo Uebel e ao Hélio Beltrão Jr. Obrigado também ao João, do IEE, pela divulgação de uma nova opção para a formação complementar de futuros empreendedores.

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Pensamentos liberais

João L. Antunes, do IEE em Belo Horizonte, deu uma entrevista ao Diogo Costa, tem vários pontos interessantes para um debate. Algumas coisas que gostaria de saber: empresários realmente estudam Hayek e Mises? Na entrevista, João afirma – e eu acho que ele está correto – que autores como estes não são estudados nas faculdades. Eu sempre me pergunto onde está o interesse de um aluno de Administração ou de Economia nestes casos.

Explico-me.

Se o sujeito acha desagradável a falta de acesso a autores liberais, por que não pedem por uma disciplina optativa, uma alteração curricular ou algo assim?

A impressão que me dá é que, como o frustado proto-empreendedor tem que provar seu valor no melhor sentido “Ayn Randiano” – ou seja, tem que ser macho e provar para si mesmo que é um sujeito forte em princípios (como em The Fountainhead que, aliás, Cristiano Gomes não gostou, mas que eu, pelo mesmo motivo, gostei) fazendo provas sem medo de mostrar sua competência a ninguém, ele afina. Poucos são os que topam o desafio (o blog do Juliano Torres é um exemplo positivo, neste aspecto). Provas, trabalhos, tudo isto incomoda, embora sejam obstáculos positivos no caminho do aprendizado.

É fácil prever que pessoas realmente interessadas na leitura de autores busquem soluções alternativas como um clube de leitura e debates. Trata-se de uma consequência natural da falta de opção nas faculdades. É verdade que há, sim, muita doutrinação e má vontade ideológica por parte de muitos, muitos professores. Mas será que todos os alunos proto-empreendedores são, realmente, exemplos de gente sinceramente interessada em ler Law, Legislation and Liberty, de Hayek ou Human Action, de Mises e mais tantos outros textos? Parece-me que a cerveja no bar da esquina é uma opção mais fácil e agradável para a meninada.

Neste sentido, vejo com certo ceticismo a queixa de meus amigos liberais como no caso da entrevista citada. Há falta de informação sobre autores liberais nas faculdades, claro. Mas arcar com os custos do conhecimento não é um pensamento tão disseminado assim na sociedade brasileira. Basta pensar no grau de rent-seeking em nossa sociedade, da qual nossos empresários fazem parte. Portanto, antes de culpar os poderosos professores malvados e capazes das piores artimanhas para evitar que um menino leia Hayek, é bom perguntar sobre o demandante deste conhecimento. O que ele, realmente, fez, para conseguir estudar Hayek ou Mises na faculdade? Quanto de esforço ele empregou nisto? Quanto de seu tempo ele usou para buscar o conhecimento com seus professores?

Ah sim, duas coisas: a crítica do Cristiano sobre o filme de Rand está perfeita, mas é justamente pelos tipos exagerados (caricatos mesmo) que Ayn Rand ficou famosa. Para ela, creio, isto tinha uma função pedagógica. Após quase 40 anos nesta selva, acho que este tipo de filme acaba tendo um papel educativo. Mas Cristiano tem razão: é preciso paciência se você pensa em filmes com menos estereótipos. Claro que a sociedade não é um problema de binômios (o bem contra o mal, o limpo contra o sujo, etc), mas é sempre bom lembrar as referências.

O blog do Juliano Torres: não é a única forma de se buscar conhecimento sozinho. Pode-se ler em casa ou em grupo (como se diz na entrevista sobre o IEE). Mesmo assim, a boa e velha teoria econômica tem algo a nos dizer aqui: (a) se o cara não quer arcar com os custos de aprender sozinho, não aprende; (b) se deseja trazer conhecimento para si e para os colegas, enfrenta o clássico dilema da ação coletiva e não consegue obter este conhecimento.

Os nossos liberais têm um único desafio que consiste em vencer estes dois itens. Na minha opinião, ainda, não tiveram sucesso.