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Batalhas ideológicas: aqui e lá – Hayek, Mises, Marx, Smith e Gramsci

Olá. Seguindo a sequência dos textos anteriores e também a minha mórbida curiosidade por famosos já falecidos, aí vai o resumo das visualizações dos verbetes de Hayek, Mises, Marx, Smith e Gramsci, tanto na Wikipedia de língua inglesa quanto na de língua portuguesa.

ideologia

Antes que alguém pergunte: os dados são mensais e começam em Jan/2008 indo até Mai/2015. Curiosamente, Marx e Smith, em ambas as línguas, são as únicas séries estacionárias deste conjunto acima. Todas as outras possuem uma raiz unitária (usei o KPSS).

Notável é o crescimento de “Hayek” e “Mises” em língua portuguesa. “Gramsci” parece crescer mais lentamente, mas também merece destaque. Ficou feliz, né? Mas não sei não. Algo aí me incomoda. Por enquanto, fica a dica.

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Foi ao cinema e matou o filho

Gosto muito da sacada do jornalista que começou esta matéria com a chamada bombástica de que “nada mata mais crianças no Brasil do que a ignorância”.

Mesmo que ele não perceba, acabou de cutucar onças com varas curtas. Claro que a intenção é dizer que a falta de investimento em educação ajuda a piorar tudo e tudo o mais. Quem pode ser contra a educação para todos?

Contudo, muitas questões ficam em aberto. Por exemplo, medir educação como anos de estudo é uma prática comum no meio, mas não sinaliza a qualidade da educação. Eu não cobro dos pesquisadores esta medida, mas quando se fala de educação matando crianças, a gente fica apreensivo: será que uma escola da Al-Qaeda, alfabetizando todos, seria menos causadora de mortes do que uma escola pública da periferia? Ou uma escola privada em Higienópolis (nem sei se existe, mas vamos lá, sou ignorante nisto (e espero não ter matado ninguém no futuro…)) é tão boa quanto uma escola em Cuba?

Claro que eu também acredito que gente mais estudada deve cuidar mais dos filhos porque, novamente acredito, sabe ler bula de remédio, entende o que o médico diz, não pergunta quatro vezes a mesma coisa para o farmacêutico, etc. Seria ótimo se todos fossem assim.

O estudo merece leitura, obviamente (quem sou eu para desestimular a leitura de um artigo econômico que usa métodos estatísticos?), mas fica no ar uma crítica – que nem sempre é feita de forma honesta, é bom dizer – sobre o que significa, exatamente, a tal educação dos pais. O futuro, acredito, vai nos trazer estudos mostrando que um ano de estudo na Coréia do Norte pode não ter exatamente os mesmos impactos que um ano de estudo na Alemanha. Dito de outra forma, embora ambos saibam ler bulas de remédios, ceteris paribus, os filhos de ambos vão crescer e um deles preconizará mais e mais restrições sobre a sociedade (seja no mercado, seja na vida pessoal, etc), enquanto que o outro tentará, pelo desejo de controlar a própria vida, lucrar com, digamos, a sua descoberta da cura de alguma doença.

Enquanto isto, quem não quer ler mais que um tweet, quem deseja vadiar, claro, vai ao cinema e mata o filho. Figuradamente, digo (eu acho).

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Obsolescência Planejada

Existe um vídeo-documentário popular na Internet sobre uma tal Obsolescência planejada praticada por firmas para aumentarem suas vendas. O problema deste documentário é que ele não vai até as últimas consequências do conceito. Afinal, o que é a Obsolescência planejada? Não é apenas a condição tecnológica de um produto que ainda é “útil” (no sentido tecnológico do termo) ser descartado. Este conceito, aliás, não diz nos diz nada, já que ignora a questão dos custos econômicos.

Ironicamente, as pessoas que usam este conceito para criticar os produtores de alguns produtos, deixam de usar sua lógica de raciocínio (ainda útil) e a substituem rapidamente por uma crítica incompleta. Ao fazerem isto, procedem exatamente como aqueles que criticam. Obviamente, nem sempre o fazem de má fé, mas porque lhes falta mesmo alguma intuição no momento de sua análise. O que eu quero dizer, portanto?

Vamos levar a sério o conceito de Obsolescência planejada. Existe uma tecnologia que, de há muito tempo, funciona para alocar o que nós, economistas, chamamos de bens públicos. Trata-se da democracia. Há outras formas, como o socialismo, mas este provou-se tecnologicamente inferior há muitos anos (o que não impede alguns tiranos de o utilizarem para se locupletarem com o dinheiro alheio).

A democracia, obviamente, como fruto das ações humanas, não é perfeita. Não apenas não é perfeita, como é bastante criticada pelos mais diversos e insuspeitos escritores, filósofos e até por artistas de MPB patrocinados por verbas públicas e com grande penetração nos principais meios de comunicação. Democracia, assim, é igual a batata frita: está na boca de todos, dos mais imbecis aos mais inteligentes, sem distinção (até sua crítica é feita, portanto, de forma democrática).

Para que serve a democracia? Supostamente, para resolver problemas que o mercado não resolve. Adam Smith, dentre outros, já havia nos dado pistas sobre o que a democracia poderia fazer. Ele chamava isto de “papel do Estado (governo) na economia”. Como Adam Smith é um ser humano, obviamente, sua descrição deste papel sofreu críticas por parte de outros seres humanos não menos imperfeitos (alguns, eu diria, até meio imbecis).

Como disse meu amigo Diogo Costa, a democracia moderna é a democracia descoberta/inventada pelos norte-americanos. Pode-se chorar, espernear, bater os pezinhos, mas não adianta, é um fato histórico já ocorrido e consumado este o de que a democracia que temos veio mesmo da prática norte-americana. Posto isto, o leitor já deve estar se perguntando o que tem a democracia a ver com a Obsolescência planejada. Talvez a resposta não esteja tão óbvia e, portanto, pode ser interessante pensar em termos de exemplos.

Imagine o leitor o funcionamento de uma democracia como a que temos (por enquanto) no Brasil: há lá um presidente, senadores, deputados, governadores, prefeitos, ministros, etc. Quase todos eles são eleitos pelo voto popular. Custamos a chegar no voto popular, é verdade, mas assim também o foi nos EUA. Claro que há algumas diferenças entre os países (como o fato de que alguns juízes são eleitos lá, mas não aqui), mas isso não é muito importante para o argumento deste texto.

Ainda pensando no exemplo, o leitor pode escolher pensar nos governantes como seres binários: se pensam como o leitor, são “do bem”. Caso contrário, “do mal”. Obviamente, este conceito jogará por terra boa parte dos estudos humanos desde Freud e, para não ser acusado de anti-semita, vou desconsiderar esta hipótese e assumir que governantes são como nós: possuem interesses próprios e nem sempre estão preocupados em fazer o que lhes pedem os eleitores (aliás, o que lhes pedem os eleitores? Alguém sabe? Está escrito em algum documento?).

Nosso exemplo prossegue com os governantes e seus potenciais governantes (todos podem ser chamados de “políticos”, para poupar espaço e tempo de leitura) são, assim, auto-interessados e, caso não haja algum controle, tenderão a usar do monopólio legal da força e da coerção para arrecadarem o maior valor possível em reais sob a alcunha de “receita tributária” para fins os mais diversos possíveis. Eventualmente, alguns destes fins poderão trazer, não-intencionalmente, algum benefício para os eleitores, eventualmente…não.

É muito tentador, portanto, ser um político neste nosso exemplo. Mas podemos colocar alguns obstáculos à atuação desenfreada dos políticos. É verdade que eles continuam sem saber direito o que querem os eleitores, mas isso não justifica suas tentativas de tributá-los abusivamente. Há que oferecer algo em troca (como saúde pública, segurança pública, etc). Os obstáculos que podemos criar podem ter a forma de uma divisão entre eles. Crie-se um Legislativo e um Executivo que se complementem e, portanto, não possam agir individualmente. Caso você não seja um destes “amigáveis” defensores dos mensaleiros, pode também colocar neste exemplo um Judiciário independente.

O leitor, bem como eu, sabe que ainda assim há brechas para que os políticos nos roubem. Mesmo assim, como nos resumiu divinamente Churchill, a democracia ainda é o menos pior dos regimes. Bem, mas nada disso deixa os políticos felizes. Eles ainda querem, dado o poder enorme que possuem, criar tributações e tributações. Faz parte do jogo. Políticos não são atores imbecis nesta peça teatral. Eles sabem que podem criar privilégios para alguns, financiá-los com os impostos que recaem sobre todos e ainda roubar (de fato, o nome seria roubar) para si uma parte. É o famoso: “rouba, mas faz” noticiado pela imprensa, ela mesma, imperfeita, porém necessária (como nós, eleitores, imperfeitos, mas necessários).

Contudo, há alguns políticos que desejam mais. Assim que tiverem o poder, tentarão minar os controles que existem sobre suas ambições. Como fazer isso? Com a mais antiga técnica existente na história política da humanidade: a Obsolescência planejada. Funciona assim: ele usa a democracia para se eleger e aos seus aliados. Em seguida, tenta minar a democracia de todas as formas. A primeira forma é tentar vender aos eleitores a imagem de que não pode fazer tudo o que eles querem (novamente: o que eles querem?) porque há, digamos, “trezentos picaretas no Congresso”.

O passo seguinte é tentar minar a atuação dos tais trezentos. Dissemine a compra de votos e depois deixe vir à tona. Isso aumentará mais ainda a imagem de que há, de fato, trezentos picaretas contra alguns outros angelicais políticos. Claro que o leitor dirá que o Congresso é o espelho de seus eleitores, mas é esta imagem, justamente, a que se procura esconder com a primeira parte da Obsolescência planejada da democracia.

Depois (pode ser concomitantemente, claro), tentam minar o Judiciário. Tentam ocupar os cargos com aliados e/ou caluniar os que não concordam com estas práticas. Sempre, eu sei, existirá a imprensa para incomodar. Mas esta pode ser comprada com verbas públicas e sempre há quem se acovarde por um bom preço nas redações de jornais. Caso o político consiga alguns jornalistas incompetentes (do ponto de vista do mercado jornalístico) e ambiciosos, pode até lhes fornecer recursos para que abram jornais e revistas “chapa-branca”.

Pode-se destruir a política econômica que preconiza a competição com baixo desemprego e que busque a também baixa inflação por algo mais desorganizado, confuso, que não seja mais transparente para as pessoas. Eventualmente, empresas estrangeiras (que empregam nossos compatriotas) podem ser expropriadas sob um discurso de que “exploram nossos recursos”. Comprando alguns sindicalistas, isso não será impossível. Mas a democracia continua a ser minada.

O processo pode seguir, desde que existam recursos para comprar pessoas no setor público ou privado. Empresários que ganham “presentes” costumam trocar de lado tão rápido quanto políticos, sindicalistas, jornalistas, etc. Talvez alguém possa dizer, neste ponto, que um país abençoado com extrema abundância de algum recurso natural (como o petróleo) possa financiar esta Obsolescência planejada da democracia. Isso não só é possível, como também pode tomar proporções mundiais, com interferência em eleições de países vizinhos e com a compra de aliados nestes países, criando uma verdadeira quinta coluna para ser utilizada nos momentos certos.

A Obsolescência planejada da democracia tem um único objetivo: sua substituição por algo mais favorável ao ambicioso político e seus aliados. Geralmente é um regime autoritário e/ou totalitário como os que conhecemos. Embora a democracia tenha uma vida útil muito longa (e desejadamente longa, diriam os eleitores que não curtem a concentração de poder), ela é minada e trocada por algo mais adequado aos desejos de poucos.

Do meu humilde ponto de vista, esta Obsolescência merecia uma análise maior em vídeo-documentários e artigos de jornais do que a que supostamente existe em alguns setores econômicos. Não que eu não tenha críticas a algumas práticas de mercado, mas me parece que se há dois problemas de gravidade distintas do ponto de vista social, o mais grave deveria ser atacado primeiro. Não acha?

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Violência no campo, governos e conflito

Um bom texto para discussão do Barros, Araujo Jr e Faria.

Veja o resumo:

This paper analyzes conflicts and violence in Brazil involving landless peasants occupying privately-owned land, for the period 2000-2008. It is the first study to be undertaken at a national level, with a contemporary data span, using a count data model that allows for heterogeneity, endogeneity and dynamics. Results from the estimated model show that the violent land occupation grows with left-wing political support for land occupation, rural population density, and agricultural credit, and decreases with poverty, agricultural productivity. The study discusses the interconnection of land reform, poverty and conflict.

Fascinante, não? Se você gosta do assunto, veja também este outro texto, para Minas Gerais e vários dos textos do Bernardo Mueller (com seus bons co-autores) que se encontram aqui.

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A persistência das más idéias

Leo Huberman pode ser bom em despertar em qualquer um o sentido de revolta. Mas não entende nada de economia. Em resumo, assim se pode ver seu livro mais famoso. E, novamente, nosso amigo Tambosi reclama da persistência aparentemente irracional de muitos em adotarem seu livro no século XXI.

Este é um tema muito interessante na história da ciência: sabe-se que o sujeito errou, mas persiste-se no erro maior de divulgá-lo como correto. A adoção de idéias estranhas pode ocorrer por má formação de quem as lê (nível baixo de capital humano) ou por algum outro mecanismo no qual o custo de se acreditar em bobagens seja baixo para o crente

O resultado disto, para mim, é que a ideologia passa a exercer um papel muito maior no receituário que a pessoa pensa ser adequado para entender/resolver algum problema do que o raciocínio científico normal (erro-e-tentativa). Minha leitura – ainda li pouco, sei disso, sobre este tema – sobre a ciência na Alemanha nazista e na Rússia soviética (pense em exemplos mais recentes, leitor) – mostra que é o que acontece: gente absolutamente sem preparo assume o poder por conta de lealdade ao regime muito mais do que por conta de algum conhecimento científico (geralmente até o tem, mas é menor do que a maioria dos pares) e tudo é resolvido por ideologia. 

Note que o caminho da ideologia não é exclusivo desta ou daquela corrente de pensamento. O sinal de que a canoa virou ocorre quando o sujeito começa a negar que sua teoria tenha falhas. Ou ela é “científica” e as outras não o são, ou ela é perfeita e definitiva. Mais ou menos o contrário do que se propõe para a empreitada científica. Simplesmente: se você acha que sua teoria é definitiva, então deve investir apenas em divulgação ideológica (e não em desenvolvê-la já que não há porque desenvolvê-la).

Se fizermos um estudo empírico simples sobre isto no Brasil, o que será que encontraremos?

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Apertem os cintos, a ciência sumiu (e foi substituída pela doutrina)!

Mais fatos aparecem sobre como o presidente da CAPES pensa ser uma avaliação científica de programas de Economia. A decepção, claro, só aumenta. Que eu tenha minha ideologia, vá lá. Mas que eu a misture com minhas bizarras preferências ideológicas, este é um problema sério que, como já citei aqui, é similar – em gênero mas talvez não em grau (ainda) – ao de Himmler e sua pseudo-ciência da raça ariana.

Já que o discurso é neste nível, que tal isto: o principal assessor econômico de Hitler, Otto Wagener, presenteou seu chefe com o mais famoso livro de Keynes, dizendo que o ponto-de-vista do economista era compatível com o ideário nacional-socialista. Será que vamos agora dizer que programas de doutorado em economia que glorificam Keynes (ao invés de ensinar sobre os pontos válidos e inválidos de sua análise econômica) deveriam ser classificados como nacional-socialistas?

Lamentavelmente perigosas as declarações de alguns burocratas. Alguém precisa ler menos Gramsci e mais Bobbio, ou mesmo Aron

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Crise mundial

Mais uma explicação sobre a crise, desta vez, de Larry White. Já notou, leitor, quantos economistas norte-americanos se aprofundaram consistente e rapidamente sobre a crise para entendê-la e melhorar nosso conhecimento sobre a mesma? No Brasil, ao contrário do que disse o presidente da CAPES, o número de artigos de economistas – com o mesmo grau de consistência e seriedade – é muito menor.

Parece que o modelo norte-americano e europeu ainda é melhor, não é? Ah sim, talvez devêssemos excluir Cambridge e a New School of Social Research de nossas prioriedades de bolsas para doutorandos. É o que entendi da declaração de nosso burocrata do topo hierárquico da CAPES. Se estou enganado, por favor, corrijam-me.

Mais reações na blogosfera sobre a desastrada declaração? Eis aqui uma, mais uma e, claro, esta.

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Mais água no feijão dos doutrinadores

Em entrevista ao O Globo, o Presidente da CAPES, Jorge  Guimarães, sobre as mudanças na política de bolsas para o exerior da CAPES diz:

“Por exemplo, neste quadro que estamos vivendo hoje, a pergunta em relação à formação de doutores na área economia é: nós vamos continuar mandando alunos para formar doutores num modelo que faliu o mundo? Então nós temos que perguntar a nossa área de economia o que eles vão nos dizer agora. Nós vamos mandar fazer aonde? Vai ser no mesmo modelo? Este modelo mostrou-se totalmente anticientífico, para dizer o mínimo.”

Imagino que a CAPES usará o mesmo critério para a área de energia, responsável pelo aquecimento global; e das ciências médicas, responsáveis pela explosão populacional e todas suas consequências perniciosas. E fico me perguntando aonde ele pensa que o Brasil vai conseguir formar economistas capazes de lidar com a crise, que trabalhem com um “outro modelo”: na China, será?

Quem disse isso? Vai lá e confere.

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Educação privada e pública

A pergunta do autor deste interessante texto sobre “tutores” vale para nós, brasileiros, que nos submetemos de bom grado à regulação filosófico-sociológica do ensino médio de forma acrítica:

A big question remains—will governments treat these businesses with benign neglect, promote them as a useful complement to the public sector, or attempt to legislate them out of existence, as has occurred in Cambodia and elsewhere?

Pense nisto. É a educação do seu filho – e os valores que você pensa serem os melhores para ele – que estão em jogo. Não é só seu dinheiro não, cara.

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A má ciência

Mungowitz tem uma coletânea de besteiras ditas por gente que bem poderia estar nos “programinhas” supostamente intelectuais dos canais “cabeça” da TV paga. Confira aqui. Moral da história: pesquise, porque cabeças-de-bagre abundam na rede e se arrogam o direito de representar algum papel na tal “formação de opinião”. Digo, até formam, mas é uma opinião de muito má qualidade.

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A ciência e o mercado são compatíveis – evidência n.45336.33

Esta entrevista é bem interessante. Trechos:

Os cientistas, via de regra, não se arriscam o suficiente?

Como um grupo, os cientistas são a sociedade mais conservadora que existe. A maioria dos cientistas não pesquisa o desconhecido. A maioria estuda aquilo que já se sabe e evita aquilo que não se sabe. É a maneira mais fácil de fazer uma carreira em ciência. Mas para ter impacto é preciso fazer coisas diferentes daqueles que vieram antes de você. É assim que se descobre coisas novas.

Ou seja, cientistas, supostamente os empreendedores que necessitam de fundos públicos para se arriscarem….não se arriscam. É o que muitos já sabem. Só não sabemos, ao certo, quantos não fazem o que dizem estar fazendo. Em economia, eu, Ari e Jocka pesquisamos alguma coisa a respeito aqui e aqui.

A busca pelo lucro não “corrompe” a ciência? Ou a busca pelo lucro e pelo conhecimento são objetivos compatíveis?

Eles podem ser perfeitamente compatíveis. A pergunta vale para qualquer profissão. Até que ponto o lucro “corrompe” o que você escreve nas suas reportagens, por exemplo? É tudo uma questão de integridade pessoal. Acho que a maioria dos cientistas tem muita integridade ou estaria fazendo outra coisa. Claro que há cientistas que já forjaram pesquisas para obter fama e fortuna, mas o espectro é muito amplo. Não acho que seja justo condenar um cientista por tentar ganhar dinheiro para sustentar sua família. Eu tive a sorte de ganhar mais dinheiro do que a maioria dos cientistas, mas coloco 90% de tudo que ganho de volta no meu instituto, para financiar mais pesquisas.

Nunca antes, na história deste país, alguém disse tanta obviedade de forma tão simples e resumida. Apesar disto, os “cabeças-de-ideologia” (ou “monstrinhos não-liberais”, ou neocons latino-americanos) continuam a ignorar os fatos (queda da ex-URSS inclusa) para fazer doutrinação nas escolas de ensino básico, médio e superior. Basta lembrar que a ex-URSS, bastião do não-liberalismo mundial, é famosa pelo imenso número de fraudes em pesquisas científicas. Em outras palavras, não é com a supressão do mercado que você diminuirá as fraudes na ciência (o caso da educação socialista na ex-URSS é o melhor exemplo disto).

O problema, como sempre, é mais embaixo.

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Lições de bolivarianismo: Hitler

Caplan rules!

Why Hitler Chose the Jews


A reader sent me an excerpt from a fascinating interview with Hitler (by one Major Josef Hell) on why he singled out the Jews for extermination:

When I now broached the question of what the source of his so strongly felt hatred for the Jews was, and why he wanted to destroy this so undeniably intelligent race – a race to which the Germans and all other Aryans, if not the entire world, owed an incalculable debt in virtually all fields of art and knowledge, research and economics – Hitler suddenly calmed down and gave this unexpectedly sober and almost dispassionate explanation:

It is manifestly clear and has been proven in practice and by the facts of all revolutions that a struggle for ideals, for improvements of any kind whatsoever, absolutely must be supplemented with a struggle against some social class or caste.My object is to create first-rate revolutionary upheavals, regardless of what methods and means I have to use in the process. Earlier revolutions were directed either against the peasants, or the nobility and the clergy, or against dynasties and their network of vassals, but in no case has revolution succeeded without the presence of a lightning rod that could conduct and channel the odium of the general masses.

With this very thing in mind I scanned the revolutionary events of history and put the question to myself against which racial element in Germany can I unleash my propaganda of hate with the greatest prospects of success? I had to find the right kind of victim, and especially one against whom the struggle would make sense, materially speaking. I can assure you that I examined every possible and thinkable solution to this problem, and, weighing every imaginable factor, I came to the conclusion that a campaign against the Jews would be as popular as it would be successful.

In short, Hitler’s take on internal hate-mongering directly parallels Göring’s take on external hate-mongering.The lingering mystery in my mind is how people like Hitler could occasionally admit their true strategy without undercutting their public pronouncements. Perhaps that’s the reason why Mein Kampf was so poorly written?

Genial, não? O homem era um líder nato. Líder de operários, reprimido pela burguesia, com um partido popular, bons aliados, amigos de longa data e uma militância aguerrida. Este era Hitler, um verdadeiro ícone das lutas sociais. Aliás, recomendo fortemente que o leitor procure por “The lost literature of socialism” em livrarias virtuais. É um clássico sobre como autores aparentemente insuspeitos também tiveram seus momentos de totalitarismo. Marx, Hitler, Engels, Stalin, só gente revolucionária. Se você sair na rua com um Hitler na camisa, será bem tratado? E se a camisa tiver a foto de um Che Guevara? Então, vem cá, por que somos intolerantes só com um tipo de assassino? Pergunta retórica, claro, mas onde há fumaça…

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Vem aí o lobby dos nanicos

Paulo Okamotto está incomodado com as estatísticas.

Agora, vem cá, amiguinho: quem disse que o objetivo de vida de todos os pequenos empresários é exportar…a vida toda? Será que incentivos de mercado não fazem, justamente, com que empreendedores (olha que nome bonito! O sujeito empreende!) se adaptem aos novos tempos? E aquele papo de que “a crise é uma oportunidade”?

Voltamos, como sempre, à velha questão:

Qual dos dois prevalece no seu país? Como sempre: discuta com o seu professor.

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Interessante hipótese

O xará ficou bravo e disse:

Guerra é guerra!

Diante de um inimigo tão terrível, não resta ao Estado outra alternativa que não seja a violação dos direitos civis mais básicos.

Não, não falo do terrorismo e nem do Ato Patriótico nos EUA.

Falo disso aqui:

RIO – O governador Sérgio Cabral e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciaram nesta sexta-feira um plano de combate ao mosquito da dengue no Estado do Rio. Um projeto de lei enviado para a Alerj obriga moradores a abrirem as portas para os agentes de saúde.


Pena que não veremos nenhum colunista batendo pezinho por aqui como eles fazem contra as “arbitrariedades do Buxi”.
Pois é. Ele tem um bom ponto que, creio, aplica-se também à blogosfera. Afinal, há blogs por aí de gente que é paga pelo Estado (governo) e que prefere atacar o governo norte-americano ao invés de atacar também as trapalhadas do governo brasileiro. Faz sentido que seja do desejo de cada um pautar seu próprio blog, mas também faz sentido que o bom dinheirinho no bolso seja a causa de tanta xenofobia (ou mesmo de ataques a críticos do governo).

Será que blogs de gente ligada à folha de pagamentos do governo são mais “chapa-branca”? Eis uma hipótese difícil de ser testada. Em princípio, se eu não tivesse dito isto e coletasse os dados antes, não haveria problema. Mas como resolvi facilitar a vida dos elementos da amostra, é preciso que o pesquisador seja inteligente e, como faz Levitt na maioria das vezes, dê um jeito de fazer um teste indireto.

Boa hipótese, xará. Mas sabemos que há muito disto na blogosfera também, não apenas nas redações dos jornais.

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Nem toda a UFRGS capitulou

Neste endereço (http://www.clipping.ufrgs.br/) você encontra o debate entre meu amigo e colega Sabino, Paulo Moura e mais dois outros senhores, todos sobre aquela questão do vestibular da UFRGS que só não causa polêmica se o autor não coloca a questão em seu blog (vá ao link, selecione “televisão” e vá até 14.01.2008).

Assista ao debate (em três partes, no dia 14/01), mas cuidado. A UFRGS não fez a página para que usuários de Firefox naveguem confortavelmente. Deve-se usar o Internet Explorer.

Aparentemente, nem toda a UFRGS capitulou. Parabéns, Sabino, pela dose de realidade em meio ao misticismo fantástico que grassa o Rio Grande do Sul.