A Simple Theorem

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Ok, not a real theorem, but you got the idea.

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Como perder uma boa chance com o ferro, o nióbio, o cobre, o grafeno, etc

Há três infalíveis receitas para nos garantir um destino medíocre como exportadores de minério. A primeira é criarmos um monopólio estatal de exportação; isso afugentaria rapidamente as usinas consumidoras, receosas de manipulação de preços ou orientação política do abastecimento. A segunda é procurarmos valorizar o nosso produto mediante a ‘sustentação’ de preços; graças a esse processo logramos reduzir a nossa participação no mercado mundial de café, de 75 para 40% em cinco lustros, e não há a menor razão para não realizarmos façanha ainda mais radical no caso do minério. A terceira é evitarmos a associação com as usinas consumidoras; nesse caso, sempre que declinar a procura mundial, seremos os primeiros a ser expelidos do mercado, preservando-se assim as nossas jazidas. [Roberto de Oliveira Campos, “A técnica e o riso”, Apec, 1976, 3a ed, p.48]

Um título alternativo, na era da fake news seria: Roberto Campos humilha potencial candidato à presidência mesmo depois de morto.

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Entendeu? Ou quer que eu desenhe um diagrama de oferta e demanda?

Por que sua esposa só se lembra de quando você esquece de comprar pão?

As the psychologist Eliot Hearst explains: ‘In many situations animals and human beings have surprisingly difficulty noticing and using information provided by the absence or nonoccurrence of something…Nonoccurrences of events appear generally less salient, memorable or informative than occurrences’. [Anderson, C. & Sally, D. (2013) The Numbers Game, Penguin Books, 2013, p.126]

Ou seja, seguem os autores (e aqui traduzo livremente): isso faz com que descontemos coisas que não aconteceram e aumentamos a importância de coisas que aconteceram. Você não se esquece de comprar pão em quatro dias, ok, passou batido. Mas experimente se esquecer do pãozinho no quinto dia…

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PokECON – o início

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Michel entrou ontem em minha sala dizendo que havia experimentado uma daquelas epifanias. Escutei-o atentamente. Conclusão: sua idéia mais meus problemas para dormir (tentando calibrar minha idade máxima de vida com a previdência pública e o ajuste fiscal) é promissora. Eis aqui o teste para o PokECON do dia. ^_^

Momento “boa conversa” do dia ou: “Piada sobre incentivos baseada em fatos verídicos”

Você entenderá melhor quando ler a seguinte piada que, de fato, aconteceu comigo, ontem. Preparado? Aí vai.

Estavam conversando: uma professora de administração (Isolda), um professor de economia (eu) e um empreendedor de sucesso (Wander), todos ex-colegas de turma de um colégio nos anos 80.

Disse a primeira:

– Eu tento ensinar para os alunos sobre como diferentes incentivos geram diferentes resultados.

Disse o segundo:

– Eu tento ensinar a teoria disto para os meus.

Disse o terceiro:

– Eu faço isso todos os dias.

Moral da história: apenas o último ganhou grana ^_^

Observação: esta piada é uma deliciosa lição de Economia. Como nos lembra Adam Smith, primeiro nos dedicamos a nos especializar para, depois, efetuarmos trocas (McCloskey lembra bem disso aqui). Contextualizo para você a piada. Somos três amigos distanciados por 30 (trinta!) anos de distância desde o colégio. Cada um seguiu seu rumo sem contato com o outro.

De repente, a gente se encontra e começa uma divertida conversa sobre vários tópicos até caírmos neste que nos é comum: como funcionários reagem a diferentes tipos de metas (estou usando as palavras sem a menor preocupação com a exatidão na área da Isolda, na minha e talvez Wander use outros termos para descrever a mesma coisa…espero que você capte a idéia). Neste instante, nós três nos descobrimos estudiosos do mesmo tema, sob diferentes perspectivas.

A conversa não seguiu adiante. Talvez não voltemos a falar do tema. É aquela mágica do instante que fica fotografado no tempo e na memória (o lado pessoal do Shikida vibra) e que também dá insights que nos lembram como a Ciência, quando levada a sério, gera frutos e nos permite conversar e pensar sobre o que conversamos de maneira diferente, mais sólida, com pontes que nos permitem melhorar o nosso entendimento (o lado científico do Shikida vibra).

Esta piada foi gerada quase que instantaneamente em minha mente ao perceber o quão interessante foi o momento de troca – uma troca mínima, é verdade – gerado pela livre conversa entre nós. De certa forma, vale a pena viver. Há estes momentos que superam muitas tristezas e nos fazem rir de forma, digamos, um pouco mais elaborada do que a piada do que esta ou aquela piada de português (que também tem seu valor).

Parody (attempt #1) – When I Heard the Learned Economist

When I Heard the Learned Economist

A parody by Claudio D. Shikida , 1969.

When I heard the Ph.D. economist,

When the proofs, the equations, were arranged on the blackboard before me,

When it was shown me the supply and demand curves to play with,

and to solve,

When I sitting heard the economist where he lectured

with too much silence in the lecture-room,

How soon unaccountable I became happy and curious,

Till reaching the magic pair smoothly calculated by myself,

Using the very same old pen, and from note to note,

I found out where my equilibrium was.

From the original:

When I Heard the Learned Astronomer

Walt Whitman, 1819 – 1892

When I heard the learn’d astronomer,

When the proofs, the figures, were ranged in columns before me,

When I was shown the charts and diagrams, to add, divide,

and measure them,

When I sitting heard the astronomer where he lectured with

much applause in the lecture-room,

How soon unaccountable I became tired and sick,

Till rising and gliding out I wander’d off by myself,

In the mystical moist night-air, and from time to time,

Look’d up in perfect silence at the stars.

Pausa para o café

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Esta mocinha aí sempre me deixa feliz. Melhor produto sul-coreano de todos os tempos (e, não, ele não é fruto de uma “política industrial” visando “setores estratégicos ao nacional-desenvolvimentismo” sul-coreano, tal como costuma aparecer em manifestações escritas de alucinações de alguns verborrágicos pouco chegados em coleta e análise de dados).

Viva o café!

p.s. voltaremos à programação normal em breve.

O Falcão Maltês, o R e os eventos aleatórios: um estudo de caso pontual

Nunca vi o filme, mas não posso deixar de relatar este caso. Recentemente, conversei sobre o R (na verdade, sobre o RStudio) com a turma do mestrado. Até aí, tudo bem.

Mas alguns bolsistas da graduação vieram me pedir uma amigável introdução ao R, já que não puderam assistir ao minicurso (sim, você leu direito: alunos me procuraram pedindo aulas extras). Como diria Parker Lewis: “Not a problem”! Agendamos dois encontros matinais e preparei um material compacto para as sessões. Fiz até um convitezinho.

Após nos divertirmos com a função consumo (veja mais sobre ela no artigo do prof. Fabio Gomes) no primeiro encontro, fomos para o segundo encontro, no qual eu falaria sobre dois exercícios: (a) demanda de moeda (um exemplo do livro de Gujarati & Porter) e (b) uma equação dos determinantes do crescimento usando a base de dados de um dos artigos do Ross Levine sobre o tema (o exemplo é do livro de Stock & Watson).

O interessante deste segundo exercício é que há uma rápida discussão sobre outliers. Na verdade, você encontra Malta e descobre que o país tem uma economia atípica, com um altíssimo fluxo de comércio na medida ((X+M)/PIB). Até aí, nada de novo, certo? Obviamente, eu pesquisei e me preparei para contar aquela novidade para a turma.

Então, estávamos os seis (eu e mais cinco alunos) neste exato ponto do exercício quando eu respirei fundo e, com aquele ar professoral, perguntei: “- O que podemos dizer sobre Malta”?

Foi neste momento que alguém disse (usarei nomes fictícios para preservar a identidade do aluno), acho que foi Karol: “- Thyaggo sabe, professor, ele morou em Malta”.

Fez-se um profundo silêncio na sala. Por um instante senti o que deve ter sido a sensação de gregos e romanos diante de oráculos. Ou seria a sensação de John Nash ao se deparar com sua criação? Talvez DaVinci ao terminar a Mona Lisa. Não, acho que parecia com a sensação que provavelmente meu amigo Lucas Mafaldo teve diante na primeira vez em que viu um suculento bife de bode. Honestamente, não sei descrever em palavras (ou imagens) o que senti. Só sei que não sabia o que dizer e todos os alunos (o conjunto de alunos, só para constar, era composto de cinco elementos) olharam para Thyaggo que completou:

“- É verdade, professor, estudei inglês lá por um tempo”.

Antes que eu pudesse esboçar um arremedo de resposta, Nathallia completou:

“- Professor, 20% da sua turma já esteve em Malta”!

As outras alunas, Mayirah e Mharianna, apenas riam, ao mesmo tempo em que tentavam ler algo na tela do nano-notebook de Mayirah.

Give me your multiple regression or I will shoot you!

Dizem por aí, em situações similares, que “mesmo que você tivesse planejado, não seria tão bom”. Pois é. A sensação que eu tive deve ter sido a mesma do primeiro ser humano (ou primata) que balbuciou esta frase em alguma linguagem primitiva. Literalmente eu me senti dentro da frase, quase como parte integrante da mesma.

Ri por algum tempo. Tudo era muito engraçado. Era uma aula de Econometria Aplicada e um evento absolutamente (ou absurdamente) aleatório como este realizava-se naquele instante. A própria aleatoridade, ela mesma, em toda sua plenitude, ali, naquela manhã de quinta-feira!

Quase perguntei se alguém já tinha visitado Tonga ou Saint Kitts-and-Nevis, mas achei melhor não arriscar.

p.s. Esta história pode ou não ser baseada em fatos reais. Nenhum aluno ou regressão foi morto(a) ou ferido(a) na confecção deste texto. Cuidado ao ler: risadas podem causar soluços. O autor não se responsabiliza por nada do que você pense ou sinta após a leitura do texto (e nada do que você possa – ou não – imaginar após ser exposto(a) a este texto).

A lei dos rendimentos decrescentes do fator, da utilidade marginal decrescente…e uma piada que virou duas

lumgdecrescenteSabem o que me agrada nesta piadinha? É que ela usa uma frase que está bem no início do livro-texto do Mankiw – o melhor que existe, atualmente – mas o faz de forma a induzir o leitor (pelo menos foi o meu caso) a refletir sobre um segundo conceito econômico interessante: a lei da utilidade marginal decrescente do bem (ou a lei dos rendimentos marginais decrescentes do fator que é, basicamente, a mesma coisa, só que na teoria da produção).

Para quem não conhece, a lei da utilidade marginal decrescente nos diz que o consumo de um bem nos satisfaz (por isso o chamamos de “bem”, não “mal”). Entretanto, aumentos em seu consumo, aumentos pequenos (marginais mesmo, na margem), causam retornos positivos cada vez menores em nossa satisfação de forma que chegará um ponto em que estaremos saciados com o consumo do bem e, qualquer consumo adicional vai é nos deixar tristes, bravos ou chateados.

O exemplo clássico é o das bolas de sorvete em um dia de sol. A satisfação trazida pelo consumo da primeira bola de sorvete é bem maior do que a segunda que, por sua vez…bem, você entendeu, creio.

Claro, tem um aspecto muito interessante e mais sutil ainda, talvez, na piada que é o de que ninguém, melhor do que nós mesmos, pode nos dizer o que é que nos traz felicidade: esta é uma jornada essencialmente pessoal. Ocorre que descobrir isto não é sinônimo de que não poderemos mudar de idéia no futuro, o que torna a coisa toda mais engraçada ainda (pelo menos para o meu tipo de humor), sem falar em questões hayekianas de ordem espontânea e outros baratos muito loucos(“, meu/véi!”).

O bichano aí queria tocar tambor, mas a cada rodada, sua satisfação aumentava menos chegando a um ponto em que ele se cansou. O que fazer? Talvez ele deva descobrir outras formas de se divertir – e que provavelmente terão retornos marginais decrescentes – e talvez ele também deva se empenhar em descobrir a melhor forma de administrar sua busca pela felicidade em várias frentes…

Não deixa de ser parecido com estas lições que a avó da gente nos ensina quando somos crianças, não é? A gente tem que se renovar, buscar a felicidade nas pequenas coisas, mas sempre cuidado para saber que coisas são estas (são as mesmas o tempo todo? Você ainda brinca de soldadinho?).

Como eu disse anteriormente, tudo na vida pode cansar. Então, o melhor mesmo é tentar ser feliz em várias margens, otimizando esta carteira de opções de cursos de ação com uma visão de longo prazo. Enfim, é a descoberta da felicidade um problema de otimização intertemporal em ambiente de incerteza (e foi o que sua avó quis dizer, embora ela não necessariamente entenda estes termos técnicos…).

Obviamente, neste momento, o leitor já percebe que a piada perdeu a graça (ou seja, os rendimentos decrescentes da leitura avançaram perigosamente para o ponto de se tornarem quase negativos…).

Questionando a existência de Deus ou “Deus, você só pode estar brincando comigo!”

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Deus, se você existe…(a) por que eu não nasci uns 40 anos antes? Por que? Crueldade!!!

Deus, você existe pois…(b) olha que alegria as crianças podem ter hoje! Amor infinito!!!!

Deus é infinito e você vive só algumas rodadas. O problema intergeracional causa estes paradoxos. ^_ ^

p.s. inspirada na profunda depressão que senti ao ver isto hoje (hoje e hoje, com minha idade, entenda-se bem).

Vendendo a vaca morta com lucro

Encontrada na internet sem autoria...

Encontrada na internet sem autoria…

Eis a piada (reproduzida e com erros de português assinalados):

Com sérios problemas financeiros, um Baiano vendeu sua jumenta por R$ 100,00 a um Mineiro, que concordou em receber o animal somente no dia seguinte. No dia combinado o Baiano chegou e disse:

Bixin, cê me desculpa mas a jumenta morreu.

Mg— Morreu?

Ba— Morreu!

Mg— Então devolve o dinheiro, uai

Ba— Ihhh… já gastei.

Mg— Então me traz a jumenta morta, uai!!!

Ba— Mas o que você vai fazê com uma jumenta morta mi diga?

Mg— Vou rifá.

Ba— A jumenta morta? Quem vai querer?

Mg— É só eu não falar que ela morreu, uai!

Um mês depois os dois se encontram e o Baiano que vendeu a jumenta pergunta:

— Ô bixin, e a jumenta morta?

Mg— Rifei. Vendi 500 bilhetes a 2 real cada. Faturei 998 real.

Ba— Eita! E ninguém reclamou?

Mg— Só o homem que ganhou.

Ba— E o que vc fez bixin?

Mg— Devolvi os 2 real pra ele!

Esta piada me lembra muito a história dos custos dispersos e benefícios concentrados. Só para lembrar, você tributa a população toda (o tributo per capita sai barato) e dá o montante para um grupo de interesse de sua preferência.

Ou talvez a piada acima nos lembre do imposto inflacionário: o governo se financia com a inflação, entrega um bem público horroroso, e depois, quando o sujeito pede a restituição, ganha exatamente o que pagou (e ignora-se toda a transferência de recursos e a má qualidade do bem público).

Ou será que a piada pode ser interpretada de outra forma, economicamente falando? Comentários?

Quantas combinações de alunos que fazem a P2 são possíveis usando as palavras-chave da imagem abaixo (ignore os nomes dos canais)?

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“P2” é o nome que se dá à segunda prova lá na faculdade em que trabalhei. Caso o cara afunde, vai para a substitutiva (o popular “exame” em outras faculdades).