A globalização é este bicho-papão todo?

Ok, vamos refazer a pergunta: a globalização realmente tornou as economias mais “iguais”? Ruim ainda, não é? Parece papo de colunista de jornal de baixa qualidade (o colunista, o jornal ou, quem sabe, ambos). Então vamos deixar de lado qualquer pretensão e reproduzir o resumo do artigo (Has Globalization Really Increased Business Cycle Synchronization?) .

Abstract : this paper assesses the strength of business cycle synchronization between 1950 and 2014 in a sample of 21 countries using a new quarterly dataset based on IMF archival data. Contrary to the common wisdom, we find that the globalization period is not associated with more output synchronization at the global level. The world business cycle was as strong during Bretton Woods (1950-1971) than during the Globalization period (1984-2006). Although globalization did not affect the average level of co-movement, trade and financial integration strongly affect the way countries co-move with the rest of the world. We find that financial integration desynchronizes national outputs from the world cycle, although the magnitude of this effect depends crucially on the type of shocks hitting the world economy. This desynchronizing effect has offset the synchronizing impact of other forces, such as increased trade integration.

Agora sim, não é? Bem melhor. Acho que vale a pena ler, né?

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Mais diversidade de religiões, mais bem-estar…e algumas reflexões superficiais sobre o terror

Este artigo é antigo, é de 2007. Diz o resumo:

Is God Good for Trade? Matthias Helble (Kyklos, 2007)

As the world economy is integrating, trade between countries is growing rapidly. The exchange of goods not only has an economic, but also a cultural dimension. In the gravity equation literature common religion is often used as a control variable, without distinguishing between religious groups. This paper investigates the possible ways in which religion influences international trade patterns. Analyzing empirically trade flows between 151 countries, the paper finds that the five world religions, namely Hinduism, Judaism, Buddhism, Christianity, and Islam, have different impacts on trade. For inter-religious trade the study indicates that several religions have clear preferences with whom to trade or not. Furthermore, the results indicate that religious openness boosts trade performance of countries.

Ah sim, interessante pensar no que este artigo nos diz. Primeiro, ele nos diz que diversidade religiosa gera comércio e, como aprendemos em qualquer curso básico de economia, dificilmente mais comércio não significará maior bem-estar para o país (claro que a distribuição do bem-estar pode não idêntica, mas esta é outra história).

Vejamos alguns trechos da conclusão.

One of the most remarkable results of our study is that religious openness has a strong positive effect on trade. This effect is even more pronounced for differentiated goods. Countries that host panoply of religions seem to be the best traders. Being a good trader also implies stronger economic growth.[p.409]

Ótima notícia. Mais algumas.

Our results allow us to stipulate several policy recommendations. First, on the national level governments should show themselves eager to host a great variety of religions. In many countries, religious minorities still face discrimination from society, including the public administration. In other countries, the propagation of other beliefs is even suppressed by governments. Our results advocate that religiously open societies better integrate in the world economy. Therefore, governments should tolerate or, even better, foster religious variety within the country. [p.409]

Pois é. Repare que discriminar algumas religiões não é interessante para o aumento do bem-estar. Isso significa que os que promovem o preconceito contra evangélicos, católicos, judeus ou islâmicos não estão apenas ajudando a difundir preconceitos, mas estão também ajudando a diminuir o bem-estar. Interessante para começar o debate.

Seria o mesmo se falássemos de fluxos migratórios?

Outro ponto que me ocorre é o seguinte: o artigo trata de exportações de mercadorias entre países e, assim, não captura o efeito de uma importante variável econômica: o fluxo migratório. Neste sentido, a questão fica bem mais rica e desafiadora (sem falar da sua importância, como nos lembram os estupros de alemãs por islâmicos ou o atentado na França).

Mercadorias não têm preferências e portanto podem ser trocadas gerando valor. O mesmo, contudo, não é verdade para pessoas. Exportar radicais para outro país não necessariamente aumentará o bem-estar naquele país (paradoxalmente, aumentará no país de origem, já que os remanescentes são mais tolerantes e sabemos que há muitas evidências de que a tolerância ajuda na geração de bem-estar). Enfim, receber refugiados não é necessariamente uma boa idéia. A questão é bem mais complicada do que parece e governos não devem agir de forma apressada, somente porque alguns (não) querem mais imigrantes no país.

Só para refrescar a memória, tivemos os refugiados nazistas ao final da II Guerra Mundial, por exemplo, que emigraram para os EUA e para a Argentina. Não vimos o surgimento de um movimento pró-nazista forte nos EUA quanto na Argentina e isto porque talvez porque o governo dos EUA tenha priorizado o capital humano em sua importação de ex-nazistas e atraído os melhores, deixando a ditadura de Peron com menos opções (sem falar que ditadores costumam gostar de gente que curte ditaduras…).

Poderíamos também citar as migrações forçadas – por meio de sequestros – comuns em épocas de guerras ou como no terrível caso dos sequestros de japoneses pela ditadura norte-coreana. Não necessariamente estes migrantes melhoraram de vida já que, de início, foram forçados a migrarem e, portanto, os incentivos econômicos tradicionais (preços relativos e renda) não cumpriram qualquer papel em sua “decisão”. É o mesmo que uma escravidão (ou os africanos vieram para cá cantando e dançando? Claro que não! Talvez nem tivessem vindo ou talvez viessem, livremente, caso isso fosse permitido, mas este é um contrafactual desafiador para qualquer economista…).

Some-se a isto tudo a questão de uso político de crenças como no caso do terrorismo – e a idéia de infiltrar terroristas entre refugiados não é nova…basta lembrar do Cavalo de Tróia – e você se vê diante de uma realidade bem mais complicada.

Aliás, para citar o artigo que iniciou este texto, neste caso, Deus pode ser importante, mas de uma forma cruelmente distorcida. Como evitar isto? Não há uma resposta simples. Há uma vasta literatura em Economia do Terrorismo, mas usarei apenas um artigo, de 2005 (a referência completa está aqui), no qual o autor, Li, após alguma econometria, concluiu:

The findings suggest several important policy implications for the war on terrorism. Democracy does not have a singularly positive effect on terrorism as is often claimed and found. By improving citizen satisfaction, electoral participation, and political efficacy, democratic governments can reduce the number of terrorist incidents within their borders.

 

Limiting civil liberties does not lead to the expected decline in terrorist attacks, as is sometimes argued. Restricting the freedom of press, movement, and association does not decrease the number of transnational terrorist incidents. Strategic terrorists simply select alternative modes to engage in violence, as argued by Enders and Sandler (2002). [p.294]

Não é nada simples, não é? Tema complexo e importante. Uma agenda desafiadora de pesquisa, sem dúvida.

 

Como um cão, um gato, um rato e a burocracia portuguesa geraram uma inimizade eterna? Você vai se surpreeender.

A última frase do título é besta, porque não tem nada mais ridículo, na era do Facebook, do que esta suposta “surpresa” que alguém possa ter em vídeos ou notícias. Mas a história diz respeito a uma folclórica estória que se contava em Pernambuco. Coletada por Sílvio Romero em Cantos Populares do Brasil (editora Itatiaia, 1985, p.114-115), ela mostra bem como, no Brasil, um pedaço de papel pode ser mais importante do que a infomalidade das pessoas.

De certa forma, isso me faz pensar se nosso problema não é o tipo de instituições (sempre no sentido Northiano…) que temos, não apenas se simplesmente temos alguma mas, então, estou divagando sobre um mero conto popular. Ei-lo, comentado (entre parênteses):

A Alforria do Cachorro

No tempo em que o rei francês
Regia os seus naturais,
Houve uma guerra civil
Entre os burros e animais.
Neste tempo era o cachorro
Cativo por natureza;
Vivia sem liberdade
Na sua infeliz baixeza.
Chamava-se o dito senhor
Dom Fernando de Turquia;
E foi o tal cão passando
De vileza a fidalguia.

(Ok, aqui temos a formalização da ascenção social do cachorro. Não basta, no Brasil, o critério econômico, é necessário que alguma “autoridade” assine…mas tudo bem…sigamos)

E daí a poucos anos
Cresceu tanto em pundonor,
Que os cães o chamaram logo
De Castela Imperador.
Veio o herdeiro do tal
Dom Fernando de Turquia,
Veio a certos negócios
Na cidade da Bahia.
Chegou dentro da cidade,
Foi a casa de um tal gato;
E este o recebeu
Com muito grande aparato.
Fez entrega de uma carta.
E ele a recebeu;
Recolheu-se ao escritório,
Abriu a carta e leu.
E então dizia a carta:

“Ilustríssimo Senhor
Maurício – Violento – Sodré –
Ligeiro – Gonçalves – Cunha –
Sutil – Maior – Ponte-Pé.
Dou-lhe, amigo, agora a parte
De que me acho aumentado,
Que estou de governador
Nesta cidade aclamado.
Remeto-lhe esta patente
De governador lavrada;
Pela minha própria letra
Foi a dita confirmada”.
Ora o gato, na verdade,
Como bom procurador,
Na gaveta do telhado
Pegou na carta e guardou.

(Até aqui, apenas o de sempre: o governador vai ao cartório, leva a carta e o tabelião, como sempre, guarda-a em algum lugar)

O rato como malvado,
Assim que escureceu,
Foi à gaveta do gato,
Abriu a carta e leu.
Vendo que era a alforria
Do cachorro, por judeu,
Por ser de má consciência,
Pegou na carta e roeu.
Roeu-a de ponta à ponta,
E pô-la em mil pedacinhos,
E depois as suas tiras
Repartiu-as pelos ninhos.
O gato, por ocupado
Lá na sua Relação,
Não se lembrava da carta
Pela grande ocupação.
E depois se foi lembrando,
Foi caçá-la e não achou,
E por ser maravilhoso
Disto muito se importou.

………………………………..

(Não sei quanto a vocês, mas, “judeu”? Fiquei imaginando se isso não é uma alusão aos cristãos-novos, que mudaram de “status” com a conversão. De qualquer forma, esta compliacação que é fazer de um cartório o templo da legitimidade aumenta os custos de oportunidade do tabelião que se esquece da carta e, quando a toma em mãos, dá conta do problema. Segundo a interpretação de Sílvio Romero, este é um fragmento de um romance popular que explica a inimizade entre cães, gatos e ratos. Bem, ironicamente, podemos dizer que, até nisso, o Brasil é burocrático: a origem do ódio se dá por um problema legal criado…no cartório. Há algo de irônico nisto tudo, não?)

A alforria do gato e do rato…um posfácio ao texto

Estava procurando uma imagem de gatos, ratos e cães para colocar aqui e, claro pensei em Tom, Jerry e Spike. Bem, eu não sabia, mas o desenho, em plena Guerra Fria, foi produzido, por um tempo, do lado de lá da Cortina de Ferro (é a fase dos desenhos mais toscos da série…).

In 1960, MGM revived the Tom and Jerry franchise, and contacted European animation studio Rembrandt Films to produce thirteen Tom and Jerry shorts overseas.[10][11][12][13]All thirteen shorts were directed by Gene Deitch and produced by William L. Snyder in Prague, Czechoslovakia.[10][13] Štěpán Koníček, a student of Karel Ančerl and conductor of the Prague Film Symphony Orchestra, and Václav Lídl provided the musical score for the Deitch shorts, while Larz Bourne, Chris Jenkyns, and Eli Bauer wrote the cartoons. The majority of vocal effects and voices in Deitch’s films were provided by Allen Swift.[14]
Deitch states that, being an animator for the United Productions of America (UPA), he has always had a personal dislike of Tom and Jerry, citing them as the “primary bad example of senseless violence – humor based on pain – attack and revenge – to say nothing of the tasteless use of a headless black woman stereotype house servant.”[15] He nonetheless admired the “great timing, facial expressions, double takes, squash and stretch” that were present in the Hanna-Barbera Tom and Jerry cartoons.[16]
For the purposes of avoiding being linked to Communism, Deitch altered the names for his crew in the opening credits of the shorts (e.g., Štěpán Koníček became “Steven Konichek”, Václav Lídl became “Victor Little”).[15] These shorts are among the few Tom and Jerry cartoons not to carry the “Made In Hollywood, U.S.A.” phrase on the end title card.[15] Due to Deitch’s studio being behind the Iron Curtain, the production studio’s location is omitted entirely on it.[15] After the thirteen shorts were completed, Joe Vogel, the head of production, was fired from MGM. Vogel had approved of Deitch and his team’s work, but MGM decided not to renew their contract after Vogel was fired.[15] The final of the thirteen shorts, Carmen Get It!, was released on December 1, 1962.[11]

Não é incrível o que os mercados fazem? Derrubam até barreiras ideológicas…

Mercados geram cultura? A resposta é inequívoca: sim!

Leia esta ótima matéria para ver como o comércio gera cultura. Trata-se de uma das matérias de um especial do Asahi Shimbun sobre o chá verde e a trajetória de um piloto kamikaze (que, ironicamente, sobreviveu à guerra).

Eu sei que muita gente é emporiofóbica e acha que mercado destrói cultura. Trata-se de um preconceito bem sedimentado em muita cabeça de meninos e meninas que andam por aí, pelos colégios, desarmados diante da ignorância. Mas o fato é que trocas voluntárias (sim, este é outro nome para trocas de mercado, a despeito do que te disseram nos “supostos” livros de história do ensino médio) geram cultura.

Claro que é verdade que o advento do Caminho do Chá (esta arte japonesa inventada a partir do chá verde trazido da China), uma vez admirado, roubou público do que quer que existisse antes, mas aí não é uma destruição de cultura, mas a criação de uma nova forma de se agregar valor ao chá (o prazer de se beber chá não precisa ser preservado em sua pior forma, a não ser que alguém o queira…e se o quer, que não obrigue os outros, mas faça-o para si).

A diversidade cultural vem do fato de que sempre há quem discorde deste ou daquele aspecto de uma determinada forma de se fazer algo – no caso, tomar chá – e é por isto que a arte nipônica do chá não é unanimidade mas, nem por isso, deixa de ser admirada.

A propósito, pode ser que você queira mesmo é fazer uma super-panqueca de chá verde, esquecendo-se desta conversa toda. Bem, isso não é difícil e a receita está aqui.

Quando se iniciou a globalização?

Eis o resumo:

Abstract: This paper extends our previous work on grain market integration across Europe  and the Americas in the eighteenth and nineteenth centuries (Dobado, García-Hiernaux and Guerrero, 2012). By using the same econometric methodology, we now present: 1) a search for statistical evidence in the East of an “Early Globalization” comparable to the one ongoing in the West by mid eighteenth century; 2) a study on the integration of grain markets in China and Japan and its functioning in comparison to Western countries; 3) a discussion of the relevance of our findings for the debate on the Great Divergence. Our main conclusions are: 1) substantial differences in the degree of integration and the functioning of grain markets are observed between East and West; 2) a certain degree of integration may be reached through different combinations of factors (agents, policies, etc.) and with dissimilar effects on long-run economic growth; 3) the absence of an “Early Globalization” in the East reveals the existence of some economic and institutional limitations in this part of the world and contributed to its “Great Divergence” with the West from at least the eighteenth century.

Rapidinhas

René Girard, o terrorismo e o comércio mundial

Este pequeno artigo – Artigues & Vinolo (2009) – apresenta um jogo interessante entre países no qual pode emergir uma espécie de terrorismo por conta das desigualdades econômicas em um mundo economicamente integrado. Chamou minha atenção o fato de que a teoria modelada é de René Girard, eventualmente citado textos do Pedro Sette Câmara.

Entretanto, algo que não fica claro no artigo é: o terrorismo é oficial ou não? O modelo usado é um jogo entre países, não entre agentes individuais ou minorias (grupos). Assim, talvez o resultado do modelo teórico é que o terrorismo oficial (aquele apoiado por governos) emerge em um ambiente globalizado economicamente no qual existem desigualdades (econômicas) significativas.

Posso estar enganado – li apenas uma vez o artigo – mas creio que estes são os principais resultados. Bacana mesmo é ver que o argumento de Girard pode ser pensado como uma interessante hipótese – inclusive testável.

Índia…ainda subdesenvolvido?

Quantifying Economic Reforms in India: Where Have We Been and What Lies Ahead, 1960 – 2006

Vadlamannati, Krishna Chaitanya (2009): Quantifying Economic Reforms in India: Where Have We Been and What Lies Ahead, 1960 – 2006. Unpublished.

Abstract

We attempt to quantify economic reforms process in India during the period 1960 – 2006 in seven key areas viz., international finance, domestic finance, fiscal, trade and commerce, business regulations, public sector and social sector. Apart from aggregate measure of economic reforms, we also present the reforms index in these seven areas for the period 1960 – 2006. We begin with the methodology adopted to construct these indices and review the history of reforms process in India in general and in seven sectors from 1960 to 2006. We then present some important stylized facts on reforms. They show that reforms process has not always been uniform across the time in all the seven sectors. Reasonably liberal country was reversed back to regulations and restrictions during the mid-1960s – early 1980s. Though reforms process began in the 1980s they were not sufficient to undo the distorting policies adopted for over four decades. Amidst political chaos, economic crisis and social tensions, India began its true journey of reforming its economy. The period after 1990 witnessed a very significant opening of the economy to the world market. The change in reforms indices were the highest during the period 1991 – 2000. By the mid-2000, there was a widespread agreement and policy convergence in all seven sectors. However, there is much less convergence in public sector reforms because the privatization process has significantly slowed down and government control is many public sector undertakings are still reasonably high. Lastly, though there is significant variation in social sector reforms index, still there is a lot which needs to be done to include bottom sections of the society into the growth story of India.

Propaganda gratuita (copy-and-paste da página do IL-RJ): universitário, esta é sua chance!

Tema: “Globalização e Liberdade”

Introdução
Regulamento (completo)
Inscrição
Tópicos de Reflexão
Material de divulgação

REGULAMENTO

1. Do prêmio

O Prêmio Donald Stewart Jr. é uma iniciativa do Instituto Liberal – IL, com o apoio da Foundation for Economic Education – FEE, e se destina a jovens dos 16 (dezesseis) aos 26 (vinte e seis) anos completos, matriculados no Ensino Médio ou Cursos Superiores.

2. Do julgamento

Um júri, composto por professores universitários e intelectuais, irá selecionar os três melhores ensaios sobre o tema “Globalização e Liberdade”.

3. Do trabalho

Os trabalhos deverão ser individuais e inéditos.

Os trabalhos deverão ser remetidos até o dia 12 de dezembro de 2008, em envelope fechado, em cinco vias, e o autor deverá identificar-se através de RG, CPF, domicílio, endereço e telefones de contato. No trabalho, o autor deverá usar um pseudônimo para dar mais liberdade à comissão julgadora e garantir ao participante que não haverá qualquer discriminação. A comissão julgadora só terá acesso ao pseudônimo do autor do trabalho.

4. Da premiação

– Bolsa para o Summer Seminar da Foundation for Economic Education FEE, em Irvington-on Hudson, Nova Iorque, com 7 (sete) dias de duração,em agosto de 2009;

– Hospedagem e alimentação durante o período;

– Passagem aérea (Rio/Nova Iorque/Rio);

– Ajuda de custo equivalente a US$ 1.000 para o 1º colocado, US$ 500 para o 2º colocado e US$ 250 para o 3º colocado.

5. Da apresentação dos trabalhos

Os trabalhos concorrentes ao VI Prêmio Donald Stewart Jr. deverão ter um máximo de 25.000 (vinte e cinco mil) caracteres, entrelinha 1.5, apresentados em cinco vias em papel A4, acompanhadas de arquivo eletrônico em disquete, formato Microsoft Word, tipo Times New Roman, corpo 12, enviados em envelope fechado onde constará a seguinte destinação:

Ao VI Prêmio Donald Stewart Jr.

Rua Maria Eugênia, 167 – Humaitá

Cep 22261-080 – Rio de Janeiro – RJ

6. Da entrega dos prêmios

Os prêmios serão entregues em março de 2009.

As dúvidas sobre o Regulamento do VI Prêmio Donald Stewart Jr. poderão ser esclarecidas através do telefone (21) 2539-1115, ramal 221, com Ligia, ou pessoalmente, na sede do Instituto Liberal.

7. Casos omissos serão resolvidos pela diretoria do IL.

A ONU vai dar chilique – versão globalização

A distância entre os níveis de riqueza dos países desenvolvidos e em desenvolvimento está um pouco menor. A distância, que era de 20 para 1 em 1990, caiu para uma proporção de 16 para 1 em 2006. A conclusão está no relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) sobre os efeitos da globalização no desenvolvimento. O documento foi divulgado hoje na 12ª Unctad, em Acra, capital de Gana.

Dirá o suposto especialista da ONU: o que??? É mentira. Mas não é. E tem mais:

Embora ainda muito desequilibrada, a participação no PIB mundial também mudou nas últimas décadas. Segundo a Unctad, os países desenvolvidos – que representam apenas 16% da população mundial – produziram 73% do PIB nominal de 2006. Em 1980, essa participação era de 80%.

A globalização escraviza e destrói. A globalização escraviza e destrói (cantar em ritmo de música de igreja comandada por supostos padres latino-americanos).

Ok, agora que você já riu, pense um pouco. O que causa esta convergência? Algumas hipóteses (algumas delas oriundas de nossos “cabeças-de-bagre”):

  • A culpa é, como sempre, do George Bush;
  • A culpa é, como sempre, dos fabricantes de papelão chineses;
  • A culpa é, como sempre, do preço das commodities;
  • A culpa é, como sempre, da doença holandesa;
  • A culpa é, como sempre, da Aracruz;
  • A culpa disso, quem sabe, deve-se a algumas coisas que aqueles caras que estudam desenvolvimento econômico (enquanto outros lêem colunistas de economia em jornalecos) dizem.

Além disso, claro, temos os famosos desesperados que dirão que:

  • Mas isto não quer dizer nada;
  • Mas isto veio com o aprofundamento das desigualdades locais, regionais, globais e universais;
  • Mas a calota de gelo está derretendo por causa disto (logo, devemos gerar recessões em países como o Brasil para salvar as tundras…);
  • Mas isto não é tudo. A vida é muito mais complexa do que dizem vocês, economistas;
  • Mas isto não vai dar me abater parcelas de minhas dívidas com o BNDES;
  • Mas isto não é tão importante quanto a crise global (crise?) que começou há 500 anos atrás.

É divertido prever o discurso futuro com base no discurso passado…

Mais comércio internacional, menos desemprego

Então seu amigo, no bar, disse que o comércio internacional aumenta o desemprego e que o bom é proteger a economia com algum tipo de política industrial? Bem, talvez ele deva ler isto.

International Trade and Unemployment: Theory and Cross-National Evidence
Pushan Dutt Devashish Mitra Priya Ranjan
INSEAD Syracuse University University of California – Irvine
December, 2007
Abstract
In this paper, we present two alternative models of trade and unemployment, in which unemployment is generated through a search mechanism. The basic framework of the …rst model is Ricardian in that the only factor of production is labor and trade is based on relative technological di¤erences. The second model has a Heckscher-Ohlin (H-O) framework with two factors of production, namely labor and capital that are intersectorally mobile. Using cross-country data on various measures of trade policy, unemployment and a variety of controls, we …find strong evidence for the Ricardian prediction that unemployment and trade
openness are negatively related (protection and unemployment are positively related). We do not find any support for the H-O prediction that this relation between trade openness and unemployment changes from negative to positive as we move from labor-abundant to capital-abundant countries. Our results are robust to the inclusion of controls for labor market institutions and macroeconomic distortions. They hold for both ordinary least squares and instrumental-variables approaches, where the latter accounts for the endogeneity of trade policy to unemployment and possible measurement errors in trade policy variables.

O debate é sempre interessante. Mas, em casos como este, ele começa com os dados e com uma teoria (lógica) que faça sentido. E com hipóteses que possam ser testadas. Sem aquela baboseira de acusar as pessoas sérias de “neopositivistas”. Entre o teste de hipóteses e a maconha verborrágica, neste tipo de pergunta obviamente empírica, fico com o primeiro. Mas você tem todo o direito de ficar com o segundo. Só não pode reivindicar (o uso d)a razão, neste caso.

Mostra sobre globalização

Direto do blog do Fórum da Liberdade:

Fórum terá mostra cultural sobre o tema Globalização, Comércio e outras Histórias

Buscando atingir sua missão de lançar idéias e instigar a reflexão, o Fórum da Liberdade apresenta, além do ambiente de palestras, uma mostra histórico-cultural com o tema Globalização, Comércio e outras Histórias. A mostra estará exposta a partir das 17h do dia 7 de abril, no prédio 41 da PUCRS, ao lado do auditório onde serão realizadas as palestras do XXI Fórum da Liberdade.

O objetivo da mostra é expor estes conceitos de maneira criativa e diferenciada, para que sejam usados como ferramentas que, somadas às percepções e experiências individuais, levarão cada visitante a extrair suas próprias conclusões do que está sendo proposto.

Neste ano, tendo como pano de fundo a globalização, a mostra se fundamentará na filosofia, na sociologia, na economia e na história e se utilizará de espaços de contemplação e experimentação para criar um estimulante ambiente de meditação acerca do tema.

A mostra terá quatro momentos/espaços distintos:

I – Do livre comércio;

II – Da divisão global do trabalho;

III – Da tolerância e da congregação dos povos;

IV – Dos indicadores do mundo.

Eis aí uma interessante forma de se pensar a globalização de forma crítica. Já começou bem porque fugiu da mesmice das salas de aula brasileiras onde as pessoas são normalmente enganadas sobre os efeitos da globalização em suas vidas (enganadas mesmo, já que 99.9% dos professores estupram os princípios básicos da economia e os dados com pregação ideológica quase que descarada).

É neste sentido que este blog vale a pena: ele ajuda a desmistificar certas besteiras. Mesmo que o sujeito venha aqui e fale uma besteira no comentário (quando é mal educado, nem aparece, porque não usamos roupa suja em público), pelo menos ele já reagiu. O futuro brilhante normalmente ocorre com uma reação educada (mesmo que contrária). Para os candidatos a Australopitecus Semi-Erectus, claro, sobra a reação raivosa, instintiva, assim, digamos, quase vegetal.

Mas, por sorte, a maior parte do que chega aqui em termos de comentários é coisa fina, que mostra ao jovem Cláudio que existe esperança para o Brasil enquanto que, para o velho Cláudio, existe esperança de melhora de qualidade em nosso fluxo emigratório…