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Então a colonização não teve efeitos no tempo?

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Depois da publicação do livro do Acemoglu e co-autores é difícil para um estudante de Economia fugir da conversa sobre instituições e desenvolvimento econômico. Aquele meu antigo professor de História Econômica que zombava da Ciência Econômica, dizendo que a mesma era só Matemática – e que nunca respondeu o que era aquilo que  fazia… – deve estar todo amuadinho agora. Afinal, a história econômica e o desenvolvimento econômico voltaram a se encontrar como nos velhos tempos, mas em uma relação mais sofisticada. Eu diria que se trata de um casamento renovado.

A mais famosa correlação dele diz respeito ao logaritmo do PIB em 1995 para ex-colônias e o logaritmo da taxa de mortalidade dos colonizadores em 1500. Virou moda falar disto (mas há um debate na literatura sobre esta correlação no qual Acemoglu reagiu de maneira bem intempestiva, na minha opinião).

Como a moda é brincar de correlações aparentemente incomuns, então eu vou fazer minha parte falando de instituições.

Em artigo com o Pedro e o Ari (veja lá no Cato Journal), falávamos do impacto de alguma variáveis institucionais sobre a qualidade dos estados, medida pelo failed states index. Então, peguei a última edição do índice e fiz a correlação com a mortalidade em 1500, logaritmizada. Ou seja, troquei o PIB de 1995 pelo índice de falência dos estados.

Mas não fiz só isso. Eu resolvi investigar se esta correlação depende de uma instituição que é a origem do código legal do país (UK, se britânico, non-UK, caso contrário (c.c.) ). Não apenas fiz isto, como também pedi para o R gerar o gráfico mudando o tamanho do ponto que representa o par ordenado do país conforme o nível de capital humano do mesmo. Saiu o gráfico acima.

Não parece haver uma diferença significativa entre as relações – eu diria que a inclinação de ambas as retas é muito parecida – mas fica claro para mim que o capital humano insiste em permanecer no quadrante de baixa mortalidade dos colonizadores e também de baixo nível de falência estatal (= maior qualidade dos governos).

Claro, isto é só uma correlação, mas dá o que pensar, não dá? Não sei vocês, mas a economia Novo-Institucional ainda me parece o melhor conjunto de teorias para se estudar o desenvolvimento econômico, seja via estudos de casos, seja via estudos macroeconométricos (como o representado por este diagrama de dispersão).

De qualquer forma, talvez esta história da colonização e mortalidade (ressaltada pelo Caio Prado Jr, sem diálogo algum com a literatura internacional, nos anos 50 e por Engermann & Sokoloff, mais recentemente, como nos lembra o Marcos Fernandes (FGV-SP) em seu livro) parece fazer sentido. Aliás, esta história do Caio Prado e do Engermann & Sokoloff mostra o quão errado e infeliz é a estratégia de alguns pesquisadores de menosprezar a interação com acadêmicos em outros países. Caio Prado não fez isto, mas há um pessoal que parece achar que publicar em Pindorama é mais importante do que publicar na American Economic Review, por exemplo. Resultado? O mesmo de Santos Dumont com os irmãos Wright ou de Caio Prado Jr citado…

Momento R do Dia (não exatamente, mas confessando como o gráfico foi gerado)

Eu ia pedir par algum aluno fazer um gráfico destes em outro pacote econométrico, mas ia ser uma humilhação vê-lo sofrer tanto enquanto meus alunos – pelo menos os que já estudaram o R – fazerem gráficos como este ou melhores em tão pouco tempo.

Agora, o desafio é estudar estes dados. Ainda torço para que Lorena e Charline me enviem bons resultados empíricos logo, logo…

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O preço da ditadura (e da liberdade) é a eterna vigilância?

Interessante índice de “Estados Policiais” (Eletronic Police States) foi divulgado hoje. Leia mais sobre a metodologia aqui. Na verdade, trata-se de policiamento eletrônico (vigilância sobre os indivíduos por meio de câmeras ou coleta de informações na Internet).

Certamente há o que falar sobre os dados e sobre sua coleta. A amostra, claro, inclui o Brasil. Por curiosidade, mera curiosidade, fiz umas correlações com o índice de liberdade econômica da Heritage Foundation e com o de Estados Fracassados (Failed States Index) da Fund for Peace (ambos devidamente referenciados no item “bases de dados” ao lado).

Para ler os gráficos abaixo tenha em mente:

Economic Freedom (quanto maior, maior a liberdade econômica), Failed Index (quanto maior, mais fracassado o Estado) e o Eletronic Police States (quanto maior, maior a vigilância). Todos referentes a 2008.

From Drop Box
From Drop Box

Todo sujeito mais ou menos liberal sabe que um Estado pode ser eficiente se proteger as pessoas de agressões às suas liberdades. Talvez as correlações acima sirvam para um pontapé inicial – e bem rasteiro – sobre este problema. Afinal, existem incentivos para que o Estado aumente seu poder de vigilância sobre os indivíduos sem que, necessariamente, isto signifique uma vida melhor para todos.

Como economista, eu sempre tento pensar, primeiramente, na existência de tamanhos ótimos para algumas variáveis, sejam os ótimos no mínimo ou no máximo. Foi assim que pensei, inicialmente, nos tópicos deste post.