Negócios com Pedro Alves (geram externalidades negativas)

Negócios com Pedro Alves
Eu não quero mais;
A couve da minha horta
O gado dele comeu;
E, pagando arrendamento,
Que lucro é que tiro eu?
Fui justar contas com ele,
E nenhuma conta fiz;
Negócio com Pedro Alves
Eu não quero mais…

[“Negócios com Pedro Alves” (Rio de Janeiro). In: Romero, Sílvio. Cantos Populares do Brasil, p.219-220]

A externalidade cantada em prosa e verso pela sabedoria popular carioca, estupendamente salva por outro que nos resgatou o folclore brasileiro, Sílvio Romero. O cantor, que aluga a terra para plantar, tem sua horta destruída pelo gado do vizinho. Vale dizer, com direitos de propriedade não cumpridos, efetivamente, não tem jeito.

Mais um exemplo de que a economia está presente nos recantos mais inesperados da literatura…

p.s. Serve para explicar a estudantes de ensino médio o que é uma externalidade, não serve?

Menos emporiofobia, mais meio ambiente

Para você que estudou um pouquinho de Ciência Econômica, digamos, apenas um livro introdutório de boa qualidade (como o do Mankiw, por exemplo), esta notícia é interessante. Afinal, ela mostra que consumidores racionais respondem a incentivos da forma prevista pela teoria. A lógica de se adotar um pedágio verde diz respeito ao que você aprendeu como sendo “externalidades”.

Interessante também a discussão sobre Parcerias Público-Privadas que são, sim, um sinal de menos emporiofobia. Mecanismos de mercado adotados porque salvam o meio ambiente? Exato. Significa que temos um Estado mínimo? Não. Significa que salvará definitivamente o mundo? Não.

Mas significa que o caminho do desenho das PPP’s ou de qualquer outra medida para preservar o meio-ambiente e conservá-lo saudável partirá dos elementos básicos que seu colega que não estudou nega como o simples princípio da escassez e a racionalidade dos agentes econômicos.

Pois é. Negou princípios básicos, jamais (potencialmente) ajudará a preservar o meio ambiente, por mais que filmes de Hollywood te digam o contrário em suas ficções nem sempre condizentes com a lógica dos fatos.

Quanto mais compra e venda de chifres de rinocerontes, menor a probabilidade de extinção!

A Ciência Econômica – aquela que é acusada pelos heterodoxos de ser “do hemisfério norte” – ensina-nos que baleias podem ser salvas se o mercado para as mesmas existir. Basicamente, o estabelecimento de direitos de propriedade privados sobre as baleias (privatizá-las) faz com que as baleias sejam parte do processo de maximização de lucro (Adam Smith!).

A sacada genial é que se baleias dão lucro, não vou querer matá-las, e sim conservá-las, suavizando no tempo meu uso das mesmas, buscando não ficar sem baleias para a venda e nem com excesso de baleias em estoque. Ironicamente, é exatamente o que os heterodoxos da rama exótica dizem defender ao fazerem uma leitura histórica de “queima do café” nos anos 30. Lá, dizem eles, é bom queimar café. Aqui, dizem eles, é um absurdo privatizar baleias porque lucro é coisa do demônio imperialista.

Deixando de lado o discurso retórico ruim, e analisando a realidade sob a ótica da – imperfeita, etc – Ciência Econômica, a conclusão é que podemos ajudar a preservar espécies considerando os interesses humanos na análise.

“Este é um bom papo para economistas”, você poderia pensar, mas não passa disto. Bom, não é assim que os outros cientistas pensam. Principalmente se é para salvar os rinocerontes.

p.s. A dica do link é do Ari F. de Araujo Jr.

A depredação da escola pública tem a ver com a crença do brasileiro médio na “não-importância” dos direitos de propriedade

Falei sobre o tema em duas variantes do mesmo texto. Uma no Ordem Livre, outra na A Voz do Cidadão.

Para pensar

Então alguém resolveu brigar com uma empresa coletora de lixo (complicado isto, como nos lembra o blog “A máfia do lixo”, do Noronha, cujo link perdi), colocando um video no YouTube. Na sequência, um juiz manda tirar porque, alega, a empresa está sendo prejudicada.

Ok, no Direito é assim. Entendo a lógica mas vejo também que pode ser interessante pensar antes no aspecto econômico destas coisas. Por exemplo, se uma empresa com forte poder de monopólio praticar irregularidades tiver uma denúncia feita no YouTube ou similares, você acredita que a empresa “será prejudicada”? E se a empresa for uma entre duas ou três ou dez concorrentes?

Agora você entendeu: esta alegada “perda” que toda empresa diz sofrer (não dá para não rir um pouco…) com denúncias como a citada na notícia não é homogênea. Nestas horas eu me pergunto sobre o porquê de tanta gente achar que economia tem que ser “plural” mas, ao mesmo tempo, resistir à própria pluralidade: onde está o raciocínio econômico numa decisão como esta?

Acho que temos aqui um bom tópico para pensar: por que tão poucas tentativas, por parte dos profissionais de Direito, de medir externalidades? E da parte dos economistas? Por que não exploram este nicho de mercado? Talvez seja só questão de tempo, mas em um país como o Brasil, acho uma explicação muito simples esta…

Internalizar a externalidade

O Cristiano anuncia o Fucape Social em seu blog. Ok, a Fucape não é a primeira a fazer isto no Brasil, mas eu já participei informalmente de algumas discussões similares e já disse: para mim, o futuro é que as faculdades terão que criar suas próprias escolas de ensino médio. Se os custos de transação forem baixos, vale a pena investir. É um nicho de mercado eo governo tem conseguido manter a má qualidade do ensino básico e médio, abrindo espaço para qualquer um que tenha boas idéias montar uma escola decente. Claro, sempre pode haver mais regulação do governo ensandecido que temos, mas para isto basta não votar em dementes que acham que entendem de políticas públicas.

Pensando bem, é difícil…

Mas a iniciativa da Fucape é inteligente. Se for séria e não apenas uma proposta daquelas “marketeiras”, será um sucesso. Parabéns a eles.

Imposto da barriga

Eis o que nos reporta o Cristiano Costa: governo do Alabama submete funcionários públicos ao imposto sobre a barriga. Sem entrar no mérito, aposto que no Brasil os mesmíssimos funcionários e seu patrão: o governo, adorariam impor um imposto destes aos cidadãos do setor privado. Claro, tudo com a mesma cara-de-pau que mostram quando dizem ao guardinha: “o senhor sabe com quem está falando?”

Como o setor privado pode gerar injustiças

Lembra-se deste exemplo no qual policiais taiwaneses cumpriam quotas de “multas” na internet? Pois bem. Trata-se de um perfeito exemplo de como o governo pode gerar falhas por conta dos incentivos errados. Agora, considere este caso. Reproduzo um trecho:

Japan’s new professional seducers
This woman leads a double life. Her boyfriend thinks she’s a secretary. In fact she is one of Japan’s new breed of professional seducers, hired by embittered spouses to entrap their straying partners. And she’ll stop at nothing to get the desired results.

Em outras palavras, aqui temos uma empresa privada que também produz falsas evidências. Incentivos similares? Nem tanto. Ao invés das quotas, “armadilhas” por demanda. Os resultados possivelmente incomodam tanto quanto as multas dos policiais taiwaneses.

Entretanto, ainda assim, é preferível a empresa privada japonesa do que o setor público taiwanês no lucrativo negócios de “suspeitas e suspeitos”. Por que? Primeiro, o custo e o benefício são de quem paga pelos serviços. Segundo, há sempre como se defender na Justiça de uma fraude privada. Já uma fraude pública é mais complicada (principalmente se você mora em países como o Brasil). Há também a questão do poder de monopólio. Aqui, possivelmente, haveria um problema pois quanto menos substitutos, maior o poder da empresa. Neste ponto a discussão passa a depender de se o governo estimula os monopólios ou não: trata-se de um problema de economia política (public choice).

Se você tiver que escolher, prefere incentivos que levem o governo a gerar injustiças ou os que levem o mercado a fazê-lo?

p.s. como um austríaco justificaria o seu argumento usando seu conceito de monopólio, no segundo ponto do argumento acima é algo que eu gostaria de ver…

Outra boa crítica à lei seca

Adolfo Sachsida tem um bom ponto, bem normativo. Simples: você pode ter evidências de que a pena de morte aumenta a nota dos alunos em sala de aula. Logo, alguém, nesta versão caricatural, poderia dizer que seria ótimo para a sociedade a adoção desta pena.

É verdade, do ponto de vista puramente positivo (que é como fazemos as análises em economia). Mas quando você fala de economia política, é mais importante ainda discutir os efeitos de curto e longo prazo em equilíbrio parcial e geral destas políticas.

É possível, portanto, pensar em incentivos que, embora gerem incentivos draconianos no curto prazo, gerem uma sociedade prisioneira de pequenos grupos no longo prazo. Sem falar nas mudanças de preços relativos. Isto, em si, já é uma crítica suficientemente séria à nova lei.

Agora, se você ainda considerar a crítica do Adolfo, o problema só fica mais sério. Conclusão: não tem saída. Políticas públicas são complicadas demais para serem deixadas nas mãos dos administradores públicos. (provocação light ao Matizes).

Taiwan, a província rebelde, pode salvar a China…digo…o meio ambiente

Acho complicada esta relação entre Taiwan – um jovem e rica democracia – e a República Popular da China, uma ditadura que muitos adorariam ver implantada no Brasil porque combina o pior do capitalismo selvagem com o pior do socialismo real (talvez só não seja pior do que os infindáveis discursos de Castro em sua ilha-prisão).

Mais complicada ainda é esta questão de uma província rebelde ter um Banco Central distinto do Banco Central dos comunistas. Eis aí um problema institucional interessante. Se é um país só, então a definição de “país” tem que ser repensada (talvez nossos amantes da China queiram adotar a regra da reciprocidade e fazer algo similar com a Amazônia…ou pimenta nos olhos dos outros é refresco?).

Veja que interessante esta solução para uma externalidade:

The government could allow industries to plant trees in China and other countries to help reduce greenhouse gases blamed for global warming, an official said yesterday.

Under a bill proposed by the Cabinet, authorities would place caps on the amount of carbon dioxide that major industries are allowed to emit annually. The legislature is expected to approve the bill soon, officials said.

Stephen Shen (沈世宏), head of the Environmental Protection Administration (EPA), told lawmakers that companies may choose to grow trees, which can absorb carbon dioxide, in Taiwan or in other countries to help reach the emission targets by offsetting some of their gas emissions.

“Carbon dioxide emissions cause warming globally, not just in Taiwan,” he said.

Some industries say they cannot find enough land to plant trees domestically.

Officials say oil refineries, power plants and steel, chemical and plastics factories together accounted for more than 50 percent of the 268 million tonnes of greenhouse gases produced by the nation last year.

Em outras palavras, pode haver um reflorestamento na China continental (a comunista) por conta da escassez de espaço para reflorestamento em Taiwan. Mais ainda, a decisão é, digamos assim, “unilateral” em princípio porque são dois países distintos (ou não?).

Fico curioso para saber como o governo de Beijing reagirá a este reflorestamento aparentemente barato de seu território. Afinal, é fato conhecido que países comunistas são também os que mais poluem no mundo. Já imaginou ganhar este presente de uma “província rebelde”?

Externalidades alcóolicas

Se eu fosse taxista, estaria feliz da vida com estas medidas da prefeitura. O grande trade-off é entre continuar com estas ações que estimulam o consumo de cerveja (afinal, o que é a tal “Comida di (sic) buteco (sic)”?) e mostrar que beber moderadamente é importante.

Com a credibilidade atual, é difícil acreditar que estas medidas não sejam mais do que novas formas de aumentar a arrecadação municipal. Vejamos.