Tudo o que você gostaria de saber sobre o Bolsa Família, mas não tinha coragem de perguntar

Novo artigo com dois amigos de alto nível sobre o Bolsa Família recém-publicado. Trata-se de um survey e, por isso, o título bem-humorado (e verdadeiro, creio) deste post.

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Mais um número…

A Estudos Econômicos está com mais um número. Veja-o aqui. Bons artigos. Em especial, minha amiga Roseli, com o Alex, sobre a paridade do poder de compra, logo após um interessante artigo do Fernando Holanda Barbosa sobre o mesmo tema. Outro que parece interessante é o do Samuel Pessoa e co-autores sobre o verdadeiro valor do incentivo de um certo emprego público…

Sim, há outros lá. Dê uma olhada. Quem sabe não ajuda na sua monografia?

Estudos Econômicos – nova edição

Olha quanta coisa interessante no último número da Estudos Econômicos!

Vol 39 No2
Sumário
Consequências Metodológicas das Formulações ‘as if’: Como a Abordagem Evolucionária Sugere uma Interpretação Realista da Economia
Roberta Muramatsu, Fábio Barbieri

Asymmetric Effects of Monetary Policy in Brazil
Edilean Kleber da Silva Bejarano Aragón, Marcelo Savino Portugal

Determinantes do Fluxo de Investimentos de Portfólio para o Mercado Acionário Brasileiro
André Franzen, Roberto Meurer, Carlos Eduardo Soares Gonçalves, Fernando Seabra

A Crucialidade dos Condicionantes Internos: o Desenvolvimento Comparado das Colônias Temperadas Inglesas entre 1850 e 1930
Cristina Fróes de Borja Reis, Fernanda Graziella Cardoso

Instituições dos Estados, Educação dos jovens e Analfabetismo: Um Estudo Econométrico em Painel de Dados
Joilson Dias, Maria Helena Ambrosio Dias

Say, Sismondi e o Debate Continental sobre os Mercados
Rogério Arthmar

Dinâmica do Emprego e Custos de Ajustamento na Indústria do Rio Grande do Sul
Paulo de Andrade Jacinto, Eduardo Pontual Ribeiro

Inflação Inercial como um Processo de Longa Memória: Análise a partir de um Modelo Arfima-Figarch
Erik Alencar de Figueiredo, André M. Marques

Lei Seca – um argumento sutil

Diz o Cisco:

A redução do limite de álcool terá outro efeito perverso no futuro próximo, assim que as pessoas perceberem que suas conseqüências serão quase nulas (ou seja, que ainda moram no Brasil): quem antes beberia um ou dois copos de cerveja agora pensará “se me pararem, ter bebido um ou cinco é a mesma coisa, então por que não beber cinco?” Na margem, é possível que o consumo de álcool por parte dos motoristas aumente. Por ora, creio que um dos efeitos positivos é que as pessoas estão indo beber mais perto de casa e em locais que sabem que não passarão por blitzes no caminho de casa.

Isto é bem possível. Marcos Mendes, em um estudo feito em 2002, mostrou evidências de que, no longo prazo, as pessoas se ajustam ao que Cisco chama – correta e realisticamente – de “morar no Brasil”. Talvez eu não concorde com o pessimismo do Cisco, em termos de magnitude, mas acho razoável o argumento. Por falar em estudos, outro interessante, da minha amiga Daniela, mostrou que lombadas salvam vidas. A diferença da lombada para o guarda de trânsito é óbvia: lombada não aceita suborno. Radar também não aceita suborno.

Esta é a diferença que passa despercebida por muita gente boa (e muita gente ruim também) na hora de avaliar a Lei Seca.

Veja bem, leitor, será que a lei foi aprovada por causa dos benefícios líquidos evidenciados em estudos científicos? Se isto fosse verdade, então a pena de morte também deveria ser aprovada. Se você acha isto horrível vá ler o “Mais sexo é sexo seguro” do Landsburg, um livro bom e útil para quem gosta de discutir políticas públicas seriamente, mas em linguagem coloquial. O autor mostra como os estudos – diversos – geralmente mostram quedas de crimes ligadas à pena de morte (sim, a polêmica é tão grande quanto a da Lei Seca mas, espere, você nem pensou em polemizar sobre a lei seca…porque mudaria pesos e medidas para a pena de morte?).

Chamo sua atenção para isto: a lei não foi aprovada pensando em você. Políticos raramente fazem isto, embora digam que sim. Pprovavelmente muita gente bem intencionada gostou da lei, mas isto não significa que a mesma tenha sido aprovada por motivos altruístas por parte dos políticos, certo?

A lei foi aprovada por algum outro motivo e eu aposto que pouco foi analisado em termos de seus benefícios econômicos. Houve algum estudo de custo-benefício? Pouco provável. Aposto nisto, mesmo sabendo que há gente boa na assessoria da Câmara ou do Senado. Aposto porque os fatos me dizem que devo estar certo. Afinal, até hoje, não foi citado um único estudo em todos estes discursos. Somente vimos a estranha ciência (ciência?) dos políticos que é: “passa a lei primeiro, depois a gente vê se funciona”.

Assim, pode até ser que, no final, venhamos a agradecer por esta lei e alguns economistas farão trabalhos interessantes mostrando que sabem muito bem falar sobre o que já aconteceu mas continuam mancos na discussão prévia das políticas públicas (isto mudou nos últimos anos, eu acho, mas sou pessimista). Contudo, aposto que o político que votou favoravelmente à Lei Seca comportou-se de forma similar ao que já disse no e-book do Sachsida, atirou no que viu e acertou no que não viu.